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domingo, 23 de setembro de 2018

Outono. As "meninas-para-a-escola". E duas receitas com fruta da época.

Começa hoje o outono. Mas os sinais há muito que o anunciam, apesar das temperaturas elevadas, que convidam a banhos de mar. O meu sinal preferido da estação que hoje recebemos vem em tons de rosa. Está por todo o lado, nesta ilha. A adornar estradas, muros, jardins e jarras. Sempre gostei desta flor. Pela beleza inegável e pela simbologia que traz. As-meninas-para-a-escola estão por todo lado, nesta altura. E este blogue não é exceção. Todos os anos as homenageio, ainda que isso signifique repetir-me. Hoje, recordei este post, de há quatro anos. A Rita e a Micas já não estão connosco. Nenhum dos cinco gatos que temos hoje existia na altura. Também não há abóboras em pilhas. Por muito que me custe, não tem mesmo havido tempo para a horta. Talvez um dia. A vida tem fases. E nesta, não tem havido tanto espaço para a minha faceta de camponesa. Haverá um dia, espero. Por agora, vou aproveitando outras coisas. Uma caminhada matinal para dizer adeus à velha estação. Sempre a fotografar as flores cor-de-rosa. Impossível resistir. Uma caminhada daquelas que inspiram, que dão vontade de fazer coisas. E os tons que despertam o desejo de outono. E das coisas que lhe estão associadas. Conservas, por exemplo. 
Uma tarde a fazer conservas é daquelas tarefas que me fazem bem, depois de uma semana de trabalho. Descascar fruta, vê-la a borbulhar, esterilizar frasquinhos e, por fim, enchê-los com a mistura doce e viscosa é o melhor calmante que posso tomar. Um presente generoso de pêssegos dos Biscoitos, aquele lugar onde a fruta cresce doce e saborosa, transformou-se em pêssegos em calda e compota. Tão gratificante o momento em que fechamos os frascos e os voltamos ao contrário para criarem vácuo. Uma sensação de dever cumprido e a despensa apetrechada para as estações frias. 


Pêssegos em calda


1 kg de pêssegos bem firmes
1 litro de água
600 g de açúcar amarelo
5 cravinhos

Levar ao lume água numa panela grande. Quando estiver a ferver, juntar os pêssegos. Deixar ferver 1 minuto. Coar a água e reservar 250 ml. 
Cortar os pêssegos ao meio, retirar-lhes o caroço e descascá-los (reservar as cascas e os caroços de 6 pêssegos).
Colocar as metades de pêssego num frasco esterilizado e preparar a calda: levar ao lume 250 ml de água, as cascas e os caroços reservados e os cravinhos. Deixar ferver 5 a 10 minutos, até obter uma calda com alguma consistência/ viscosidade. Coar a calda, vertê-la sobre os pêssegos, tapar o frasco e deixar arrefecer. Guardar no frigorífico. 


Doce de pêssego

1 kg de pêssegos
500 g de açúcar amarelo
1 pau de canela
noz moscada a gosto

Descascar e descaroçar os pêssegos e reduzi-los a puré. Colocar o puré num tacho, juntamente com o açúcar e as especiarias. Deixar cozinhar, mexendo de vez em quando, até atingir ponto de estrada (o doce está no ponto quando, ao colocarmos um pouco num prato e passarmos uma colher, conseguirmos ver o fundo, formando uma espécie de estrada).


Boa semana!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

"It's the most wonderful time of the year"

É bom saber que há coisas que não mudam. Nesta altura, as casas aquecem-se com lareiras e velas e músicas de Natal que não passam de moda. As cozinhas cheiram a canela e a cravinho. Fazem-se doces, demolha-se bacalhau e põem-se perus a marinar. As nossas crianças andam mais felizes, à espera da Grande Noite. Cirandam pela casa, de pijama, em modo férias de Natal. E pedem para ajudar, desajudando mais ainda. Mas faz parte, este construir de memórias felizes. Daqui a muitos anos, serão elas a fazer o mesmo com os filhos que hão de vir.  
Já ando pela cozinha. A cozinhar devagarinho, sem pressas. O Manel pede para separar as gemas das claras. Nem sempre a operação corre bem. Não importa. Tenta-se outra vez. Enquanto fazemos um bolo, há uma panela ao lume com mais uma dose da última compota que fiz. Uma compota de citrinos e especiarias, a saber e a cheirar a Natal. Daquelas que perfumam a casa e desejam Boas Festas! 

Compota de laranja e especiarias


Ingredientes:
Polpa de 4 laranjas grandes + polpa de 2 limões (800 g, no total)
500 g de açúcar amarelo
1 pedaço de gengibre fresco (3 cm, aproximadamente), descascado e ralado
1 pau de canela
cravinhos

Preparação:
Descascar os citrinos (deverão ser retirados todos os vestígios da parte branca), retirar-lhes as pevides, cortá-los em quartos e, depois, em fatias finas. Levar ao lume esta polpa, o açúcar e as especiarias. Mexer de vez em quando e deixar ao lume, em lume brando, até fazer ponto. Guardar em frascos esterilizados e oferecê-los à família e amigos.





A todos os que por aqui passam desejo um Natal muito feliz.

sábado, 6 de setembro de 2014

Uvas e música

Depois de uma sexta-feira de trabalho intenso, as uvas têm um poder apaziguador. E não me refiro às uvas transformadas, apesar de dois copos de vinho branco a acompanhar umas peças de sushi ao jantar terem sabido muito bem. 
Melhor ainda soube a tarefa morosa, trabalhosa e prazerosa de preparar os cachos de uva da latada do meu pai para o doce. Sentada na ilha da cozinha, bago por bago, fui tirando as grainhas, com paciência, e fui deixando os pensamentos fluir. Longe de tudo o que me ocupou a cabeça durante o dia. É importante (fundamental) este exercício. Desligar. E saber quando ligar de novo. Vou ter de ligar durante o fim de semana. Não no serão de sexta-feira. No serão de sexta-feira quis fazer doce de uva com nozes, mexido com colher de pau. E quis ouvir música. A minha música, de um senhor de quem gosto muito, muito, muito e vem a S. Miguel na próxima semana. Um senhor que me vai fazer voar até àquela ilha de propósito para o ver. Enquanto não chega o dia 17, vou recordando as minhas preferidas, que me acompanham há mais de uma década.


Doce de uva branca com nozes

Ingredientes:
1 kg de bagos de uva branca, sem grainhas
500 g de açúcar branco
1/2 chávena de nozes


O processo é simples, igual ao de qualquer doce: Coloca-se o açúcar e as uvas ao lume (brando) e vai-se mexendo de vez em quando, com uma colher de pau. Quando o doce estiver suficientemente espesso, de modo a que, ao passar a colher pelo meio do tacho, esta deixe rasto, uma espécie de estrada, está pronto. Neste momento, pode-se adicionar nozes ou outro fruto seco, a gosto.
Fervem-se os frascos e colocam-se a escorrer sobre um pano seco. Enchem-se com o doce, tapam-se e viram-se ao contrário, para criar vácuo.



Estas imagens são do pequeno-almoço de hoje. Acordei a pensar no doce. Muito bom, sobre uma torrada, acompanhado com café quentinho :)

Deixo-vos com Wim Mertens. No dia 17 de setembro, estará em S. Miguel, no Teatro Micaelense. Sem esta orquestra a acompanhá-lo, infelizmente. 
Se quiserem ir, ainda há bilhetes :)


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Cocooning

O desejo de pera com chocolate pairava há dias. Apetecia-me uma coisa que pudesse ser guardada. Que não fosse efémera como um bolo. Queria uma coisa que se prolongasse. Quatro peras tristes, a envelhecer na fruteira. Mais um sábado chuvoso. Os dois homens doentes. Nós os três, no nosso casulo. E os gatos, que procuram, languidamente, um cantinho do sofá, junto à lareira. As cortinas abertas deixam ver um jardim encharcado. Não as fecho. Apesar dos excessos deste inverno, ainda continuo a ver beleza num jardim verde e despido. E, principalmente, no contraste entre o frio que faz para lá dos vidros e o calor da nossa sala. A sensação de que ninguém nos incomoda. O Manel joga Indiana Jones na Playstation. Ao ouvir a música, o pai comenta que está com saudades dos filmes. Quem sabe, hoje ao serão? A vida é boa. Apesar de tudo.


Compota de pera rocha com chocolate

  
Ingredientes para um frasquinho (para quantidades maiores, multiplicar as doses):
4 peras rocha
sumo de 1/2 limão
2 colheres (de sopa) de açúcar baunilhado (usei caseiro: num frasco cheio de açúcar, ir colocando as vagens de baunilha que usamos nas nossas receitas. Simples, não?)
25 g de chocolate (com 70% de cacau)

Preparação:
Descascar as peras e cortá-las em pedacinhos. 
Levar ao lume a pera, o açúcar e o sumo de limão e deixar cozer, em lume brando, até atingir a consistência desejada. Retirar do lume e juntar o chocolate, cortado em pedaços pequenos. 





quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Doce de araçá com especiarias e o percurso de um fruto

Os frutos que deram origem a este doce foram colhidos por mim. Numa manhã fresca e sombria, saí à rua, com o meu cestinho, para colher araçás. Quando estou muito tempo sem me dedicar a estas atividades simples, elas têm um sabor especial. Depois de dias que nada têm a ver com a simplicidade infantil de tirar um fruto da árvore, aprecio melhor estas tarefas que, se fossem feitas todos os dias, me pareceriam monótonas e sem graça. Adoro sentir-me camponesa de vez em quando. Chegar à minha cozinha, pôr a música a tocar, vestir o avental e arregaçar as mangas. E apreciar os cheiros que saem dos tachos e ouvir o borbulhar das compotas. Se houver pão ou café a fazer, melhor ainda. 

Há semanas, colhi araçás, um fruto que abunda nas nossas ilhas, apreciado por muitos ao natural. No nosso jardim, temos dois araçaleiros. No entanto, nunca lhes dei grande importância. Acho-os bonitos, com os pontinhos amarelos que despontam no meio da folhagem verde, mas sempre os deixei à disposição da passarada. Os araçaleiros cá de casa sempre serviram exclusivamente para alimentar os melros e pardais que, mal pressentem a nossa aproximação, os abandonam em bandos ruidosos.
Apesar de não os apreciar ao natural, este ano decidi experimentá-los em doce. Colhi um cestinho deles e deixei os restantes para os pássaros. O resultado foi um doce diferente, com uma pontinha do amargo característico do araçá. Gostei. Nos próximos anos, os pássaros lá terão de dividir o alimento comigo. Parece-me justo. Afinal, sou uma inquilina simpática, que não só não os incomoda como ainda aprecia a sua presença nas redondezas.

Doce de araçá com especiarias

 Ingredientes:
1 kg de polpa de araçá
800 g de açúcar
3 paus de canela
5 cravinhos
2 vagens de cardamomo

Preparação:
Primeiro, descasquei os araçás, coei a polpa, de modo a livrar-me das sementes, e pesei-a.
Numa panela alta, coloquei a polpa de araçá, o açúcar e as especiarias (abri as vagens de cardamomo, retirei as sementes e coloquei-as na panela, assim como as cascas). Deixei cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando, até fazer ponto. Para verificar o ponto do doce, coloquei uma pequena porção num prato frio e fiz uma "estrada" com o dedo (quando o doce não se unir e a "estrada" se mantiver, está no ponto). Coloquei o doce em frascos esterilizados (ou acabados de tirar da máquina de lavar, ainda quentes).

 


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Uma manhã, uma boa ação, três receitas.

É nas manhãs de domingo que me dedico ao blogue. Durante a semana, as rotinas não me permitem fazê-lo. Ultimamente, mal tem havido tempo para fotografar pratos. O tempo divide-se entre as atividades do Manel, os afazeres domésticos e a preparação do dia seguinte. E não podemos (nem queremos) descurar o tempo que passamos uns com os outros. A faltar tempo para alguma coisa, é o blogue que fica para trás. 
Aos domingos, não. Depois de um pequeno almoço a três, é tempo de editar as fotografias acumuladas na câmara e de engendrar um ou outro texto. Neste momento (domingo, 11 da manhã), o Manel esculpe um Super Mario de plasticina, eu escrevo este texto e o pai corrige testes, muito concentrado. Na televisão, passa um filme de uma família de super-heróis que nos faz parecer a família mais enfadonha do mundo. No entanto, parece que também nós podemos fazer o Bem, mesmo na pacatez da nossa sala. Um pássaro conseguiu entrar pela chaminé e entrou na lareira. Deixámo-lo voar, em liberdade. Salvámos o pássaro, diz o Manel. Depois da boa ação, continuamos as nossas tarefas simples e prazerosas (a do meu marido, nem tanto :). 


Aqui ficam duas receitas com um fruto da época, o tamarilho. A primeira, feita há dias. A segunda, feita no ano passado, e por publicar. Escolham a vossa preferida e ponham mãos à obra. 

Doce de tamarilho com especiarias
 Ingredientes:
700 g de tamarilhos, pesados sem a casca
700 g de açúcar
1 colher de café de canela moída
4 cravinhos
1 pitada de gengibre moído
1 pitada de cardamomo moído


Preparação:
Num robot de cozinha, tritura-se os tamarilhos. 
Numa panela alta, coloca-se a polpa de tamarilho, o açúcar e as especiarias. Deixa-se cozer, em lume brando, até atingir o ponto de estrada*.

* Sabemos que o doce atingiu o ponto quando se coloca um bocadinho num prato frio, se passa o dedo e forma uma estrada.



Doce de tamarilho com pimenta
(A receita pode ser consultada no blogue da minha amiga Elvira)



O pão que veem nas fotos do primeiro doce é caseiro, feito segundo a técnica mais simples que conheço: artisan bread. Uma técnica que nos permite ter sempre massa de pão no frigorífico, pronta a usar. E, muito importante para quem não gosta de sujar as mãos, não é preciso amassar.
Eis a receita:
Num recipiente de plástico, misturar 700 ml de água tépida, 1 colher de sopa de sal e 20 g de fermento de padeiro (ou uma colher de sopa de fermento biológico seco). Juntar 1 kg de farinha e mexer, com uma colher de pau, até que esteja bem incorporada. Deixar levedar, tapado, à temperatura ambiente. Passadas duas horas, a massa está pronta para ser usada, ou pode ir para o frigorífico, onde poderá ser guardada durante 1 semana.
Quando usar a massa, polvilhar a superfície da massa com farinha, puxar a quantidade desejada e cortar com uma faca de serra ou uma tesoura. Colocar numa superfície enfarinhada (uso farinha de milho) e tender os pães, amassando o menos possível. Deixar levedar cerca de meia hora e levar ao forno a 180 a 220 graus, cerca de 30 minutos. 
Deixe arrefecer o pão sobre uma grelha ou coma-o ainda quente, barrado com manteiga (Milhafre, de preferência).
Para além de pão, costumo usar esta massa em pizza. Resulta muito bem e sabe bem chegar a casa, abrir o frigorífico e encontrar massa pronta, à nossa espera.

Caso pretendam saber mais acerca desta técnica, consultem este post, o meu guia.


sábado, 13 de abril de 2013

Doce de três citrinos: um doce acre e doce

                         
                        Laranjas instantâneas, defronte - e as íris ficam amarelas.
                        A visão da terra é uma obra cega. Mas as laranjas
                        atrás das costas, as mais
                        pesadas, as mais
                        lentamente maduras, as laranjas que mais tempo demoram
                        a unir o dia à noite, que têm uma força maior em cima 
                        das mesas, essas.
                        Operatórias. São laranjas ininterruptas trabalhando em imagens 
                        as regiões ofuscantes da cabeça.
                        Enriquecem o ofício sentado com um incêndio
                        quarto a quarto da alma. Enriquecem, devastam.
                        - Constelação ao vento avassalando a casa.
                             
                                             Herberto Helder, in Poesia Toda, Assírio & Alvim


Doce de três citrinos

Ingredientes:
190 g de toranja
230 g de laranja
150 g de limão
1200 g de açúcar

Preparação na Bimby:
Lave bem os citrinos, corte-os, num prato, em quartos e, a seguir, em fatias finas. Coloque no copo, juntamente com o sumo que está no prato.
Adicione o açúcar e programe 30 minutos/ varoma/ velocidade 1 inversa, sem o copo de medida, mas com o cesto sobre a tampa, para evitar salpicos.
Para verificar se tem a consistência certa, retire com uma colher um pouco de doce para um prato, deixe arrefecer e depois empurre-o com o dedo. Se a superfície do doce enrugar, está pronto. Se ainda não enrugar, programe mais 5 minutos, na mesma temperatura e velocidade.
Retire de imediato para frascos esterilizados. 

Preparação tradicional (não testada):
Lave bem os citrinos, corte-os, num prato, em quartos e, a seguir, em fatias finas. Coloque num tacho, juntamente com o açúcar. Deixe cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando, até atingir a consistência desejada.
Para verificar se tem a consistência certa, retire com uma colher um pouco de doce para um prato, deixe arrefecer e depois empurre-o com o dedo. Se a superfície do doce enrugar, está pronto.
Retire de imediato para frascos esterilizados. 

Obrigada, Carla, pela receita :)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Doce de nêspera (no tacho :)

Apesar de a nêspera ser um fruto muito abundante nas nossas ilhas, na minha família não há nenhuma nespereira (as minhas ainda são bebés, inférteis, portanto). Nas férias da Páscoa, o meu amigo Duarte perguntou-me se queria algumas. Respondi-lhe logo que sim. Andei com ele a colhê-las e prometi-lhe que lhe daria um frasco de doce (o maior que veem na foto foi para ele :). No dia seguinte, andei a pesquisar receitas. Inspirada nas que vi, fiz o meu próprio doce. Adicionei canela, cardamomo e cravinho. (Noutra vida, devo ter andado em naus, carregadas de especiarias, tal é o meu gosto por tudo o que sirva para aromatizar comida :) Confesso que ainda olhei para a Bimby, mas resisti. Fiz o doce no tacho. À moda antiga. Mexi, vigiei, provei, fiz o teste para ver o ponto. E soube-me tão bem. 


850 g de nêsperas (pesadas já depois de descaroçadas)
850 g de açúcar
3 paus de canela
4 bagos de cardamomo (só as sementinhas)
5 cravinhos da Índia


Lavei as nêsperas, cortei-lhes as extremidades, retirei-lhes o caroço e cortei-as a meio.

Com a varinha mágica, triturei-as um pouco (não muito, pois gosto de sentir os pedacinhos de fruta). Levei-as ao lume, com o açúcar e as especiarias. Deixei cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando. Retirei do lume quando atingiu ponto estrada (para fazer o teste, ponha uma porção de doce num prato frio e passe uma colher. Se ficar uma estrada, que deixe ver o fundo do prato, está no ponto).
Entretanto, fervi os frascos e pu-los a escorrer sobre um pano de cozinha (tendo o cuidado de não tocar com os dedos no interior). Distribuí o doce pelos frascos, tapei-os e virei-os ao contrário, para formar vácuo. Com restos de papel de embrulho e ráfia, decorei os frasquinhos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

À moda antiga


Apesar de me confessar um bocadinho dependente de máquinas, de vez em quando apetece-me cozinhar apenas com a ajuda do fogão, panela e colher-de-pau. Nunca tinha feito um doce de forma tradicional. Sempre na Bimby ou na máquina de fazer pão. Ontem, quis provar a mim mesma que era capaz. Como estava em modo old fashioned (desculpem o estangeirismo, mas achei que antiquada não tinha o mesmo efeito:), abri o livro A mulher na sala e na cozinha, que fazia parte do enxoval da minha mãe. 
Como todas as mães de meninas de bem, a minha avó assegurou-se de que nada faltava à única filha. Para além do mobiliário, preparou-a* com roupa de cama, texteis para a cozinha, serviço de louça Vista Alegre, para quando desse um jantar mais formal, outro para o dia-a-dia, faqueiro, etc. As rendas e bordados, alguns executados por elas e outros mandados fazer, não puderam faltar. Do enxoval, fazia parte este livro, que agora é meu.
Apesar de raramente confecionar uma receita dele, de vez em quando gosto de o folhear. Acredito que nos anos 70 do século passado fosse um livro muito útil, com ensinamentos preciosos para toda a aspirante a dona de casa. Para além das receitas, são abordadas algumas noções de etiqueta, ementas para jantares de festa, conselhos de economia doméstica. O tom em que é escrito é o de outros tempos, porém os conselhos continuam atuais. Pelo menos para todas as mulheres que gostam de cozinhar e de pôr uma mesa bonita para a família ou os amigos:
"Toda a dona de casa, mesmo no lar mais modesto, deve sentir prazer em embelezar a mesa à volta da qual se reune a família, à hora das refeições.
Não terá que atender só aos dias de festa, aos jantares de cerimónia ou às recepções de visitas. Para o bem estar dos seus, a dona de casa procurará sempre trazer novos atractivos ao lar e, consequentemente, à sua mesa das refeições, tornando-a quanto possível agradável, dando-lhe um ambiente simpático e alegre." (Prefácio)

 A mulher na sala e na cozinha, Laura Santos, Editorial Lavores (ainda tem o preço marcado: 92$50 - acho estes pormenores deliciosos :)


A receita deste doce foi apenas inspirada na do livro. Respeitei a quantidade de açúcar e figos recomendada e aromatizei o doce com uma colher de sopa de essência de baunilha. No entanto, não descasquei os figos. Cortei-lhes apenas as extremidades e depois piquei-os grosseiramente. Confecionei o doce num tacho em inox, visto que não tenho nenhum em barro. No fim, quando a consistência me pareceu adequada, passei a varinha mágica, para desfazer uns pedaços que me pareceram demasiado grandes (Não podia passar sem recorrer a uma máquina :) Não tenho emenda :)

* Este termo genérico, que, utilizado neste contexto, começa a cair em desuso, designava a preparação do enxoval.


E, já que falamos em figos, partilho convosco uma entrada muito simples que fiz com este chutney. Servi-o sobre requeijão. O que veem ao lado são manteigas aromatizadas, uma com alho e orégãos frescos e outra com pimenta rosa e preta. E publiquei hoje, no Receitas ao Desafio, mais uma receita com figos: Flognarde de Figos e Amêndoas. Prometo que este ano não publico mais nada com figos :) Eu tenho abusado, eu sei :)


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Doce de ameixa com vinho do Porto

Gosto de ouvir uma compota a borbulhar. A "ferver de pulo", como dizia a minha avó. Gosto desta expressão, um tanto ou quanto metafórica. E faz sentido. Realmente, parece querer saltar do tacho. No caso das minhas compotas, das máquinas. A compota a saltar da máquina. (Ao escrever esta frase, lembrei-me de Álvaro de Campos :) Pulos de alegria por saber que vai fazer alguém feliz. Esta tem alegrado as minhas manhãs, a barrar pão, panquecas ou waffles. 


Ingredientes:
500 g de ameixas
250 g de açúcar
1 colher de sopa de vinho do Porto

Preparação (na MFP):
Comecei por descaroçar as ameixas. Coloquei-as, juntamente com os restantes ingredientes, na MFP e selecionei o programa compotas.

Confesso que nunca fiz doces no tacho (Shame on me!), mas, segundo o que tenho lido, é relativamente simples: colocar os ingredientes, mexer até fazer ponto estrada.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Retalhos das férias

Soube-nos muito bem passar esta semana em S. Miguel. Soube bem voltar com tempo à ilha onde passámos uma parte importante das nossas vidas e onde fizemos tantos e tão bons amigos. Soube bem revê-los e rever outros, de outras paragens, que por lá se encontravam (a minha amiga das pipocas de canela, por exemplo, que nos apresentou o seu F.). A agenda foi cheia. Num dia, almoço em casa da C., noutro, em casa da S. e do F. Jantar, numa noite, em casa da D. Isabel, noutra, na da R. e do T.. Ainda deu para conhecer pessoalmente e conversar bastante com esta menina. Eu, que sempre desconfiei das relações iniciadas online, rendi-me. Foi muito bom conhecer pessoalmente uma pessoa que tem feito parte da minha vida nos últimos tempos, ainda que à distância.
Ficámos instalados no sítio do costume, a casa da Helena e do Pedro, amigos de longa data. Houve tempo para tudo: idas à praia, visita ao Navio Escola Sagres, atracado nas Portas do Mar, piquenique à beira da lagoa das Sete Cidades, jantares demorados e bem regados, confeção de doce de amoras...
Agora, estamos em trânsito, antes de mais uma viagem, desta vez rumo ao Norte, para rever a família.

Deixo-vos com alguns momentos das nossas férias em S. Miguel e com a receita do doce de amoras, confecionado a 4 mãos. Beijos.

O Homem do Leme




























Sete Cidades ou o paraíso na Terra


Outro paraíso: Povoação (vista da casa da nossa amiga C.)


A vida no resort Medeiros & Gonçalves




Modelo masculino: Dunga

O nosso doce de amoras


Menina gulosa! 

Ainda trouxe uns frasquinhos de doce para a Terceira. Ficou tão bom!


Doce de amoras
Ingredientes:
1 kg de amoras
300 g de açúcar

Preparação (na Bimby):
Lavámos e enxugámos as amoras, juntámos o açúcar e triturámos 2 a 3 segundos na velocidade 5.
Programámos 15 minutos/ 100 graus/ velocidade 1.
Retirámos o copinho e colocámos o cesto, virado ao contrário, para não salpicar (mesmo assim, salpicou :)
Programámos 25 minutos/ varoma/ velocidade 1.
Deixámos arrefecer um pouco e distribuímos pelos frascos, previamente esterilizados. 

Fonte: Blogue Sabores de Canela, um blogue fantástico, a todos os níveis.
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Acerca de mim

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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.