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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Regresso e o jantar de hoje

Já não me lembrava bem da sensação do cursor a piscar numa página em branco. Pelo menos não nesta plataforma. Afinal, foi quase um ano sem vir aqui. Não sei bem porquê. Não apeteceu. Acho que foi isso. A falta de tempo e de vontade, aliadas a uma certa insegurança, à sensação de que me andava a repetir, de que já tinha dito tudo. E talvez tenha dito. Afinal de contas, um blogue que fala de coisas caseiras, de comida, de flores na mesa e de outras coisas muitas vezes consideradas menores tem de se repetir. Agora, quase no fim das férias, com o corpo e a cabeça descansados, acho que não há mal nisso. Num lugar como este, que não vive de seguidores, de parcerias ou publicidade, posso escrever o que bem me apetecer. Repetido ou não. Quem achar entediante e considerar que escrevo mais do mesmo tem a opção de não voltar. Quem continuar a gostar de vir aqui e ler as minhas receitas e um ou outro devaneio é muito bem-vindo. 
Não sei quanto tempo ficarei, quantas pausas farei, se algum dia escreverei o texto final. Hesitei, ao longo destes meses, se não seria melhor fazê-lo. Não o fiz e ainda bem. Esta ideia de regresso andava a pairar há algum tempo, sem que me decidisse. Foi hoje o dia. Talvez tenha sido a luz do verão que me tenha trazido a vontade. Quem sabe se lá para o outono não me cansarei novamente. Agora estou aqui, a partilhar convosco o nosso jantar de hoje. Uma receita sem nome, daquelas feitas depois de um dia de mar que só terminou às 19:30. Aproveitamentos de ontem transformados numa espécie de tortilha/ omelete/ frittata. As quantidades são para três pessoas e os ingredientes podem variar consoante os despojos do dia.





Ingredientes para três:
6 ovos
uma mão-cheia de aproveitamentos de frango assado, passados num robot de cozinha
1 cebola média
1 raminho de salsa, picada
2 batatas médias, cozidas, cortadas em fatias
brócolos cozidos (cerca de uma chávena de chá)
1 colher de sopa de farinha
1 colher de chá de fermento para bolos
sal e pimenta a gosto

Preparação:
Ligar o forno a 180 graus.
Começar por bater os ovos e temperá-los com sal e pimenta. Acrescentar a farinha e o fermento. Numa frigideira que possa ir ao forno, colocar azeite, de modo a que o fundo fique bem untado. Levá-la ao lume e, quando o azeite estiver quente, verter os ovos. Dispor as batatas e os brócolos e polvilhar com a carne e a salsa. 
Quando a parte de baixo do ovo estiver com um aspeto cozinhado, transferir a frigideira para o forno, para que acabe de cozer (durará cerca de 10 minutos). 
Servir com salada e um copo de vinho branco.

domingo, 20 de novembro de 2016

De volta. E uma receita de massa.

Estou de volta. Depois de duas semanas fora, regressei a casa. Depois de muitas viagens, muitos aeroportos, muitas pessoas, muitas experiências, voltei ao meu lugar. Malas desfeitas, roupas arrumadas, presentes oferecidos, beijos e abraços dados, aulas preparadas. Um destes dias, conto-vos por onde andei. Hoje não dá. Estou a aproveitar a minha casa, os meus rapazes, o meu domingo de outono.


Deixo-vos um prato reconfortante que combina com estações frias. Gostei muito do contraste entre a massa cremosa e o crocante de pão e ervas, conhecido pelo "parmesão dos pobres". Gosto especialmente destes pratos que nasceram da necessidade de alegrar as refeições em casas onde os alimentos escasseavam.
Estas fotografias estavam guardadas há algum tempo e lembrei-me delas depois do jantar de hoje, composto por alguns dos souvenirs que trouxe. Até porque, não tarda nada, sobras de queijo é o que não vai faltar cá em casa.

Massa com queijo e pangritata
(adaptada desta receita do Jamie Oliver)

Ingredientes para três:
3 colheres bem cheias de queijo-creme
100 g de sobras de queijos (que, de preferência, incluam queijo azul)
200 g de esparguete
azeite virgem extra a gosto

Para a pangritata:
2 pedaços de pão rústico
1 dente de alho
1 haste de alecrim (ou outra erva a gosto)
5 nozes
azeite a gosto




Preparação:
Começar pela pangritata: tostar ligeiramente o pão e colocá-lo num robot de cozinha. Juntar o dente de alho, o alecrim e as nozes e triturar tudo (não triturei muito, pois gosto de sentir os pedaços). Numa frigideira, colocar um pouco de azeite e tostar esta mistura durante cerca de 5 minutos.
Levar ao lume uma caçarola com água e, sobre esta, colocar uma tigela de vidro com os queijos e o queijo-creme. Quando estiverem derretidos, retirá-los do lume e reservar. Entretanto, cozer a massa, em água temperada com sal. Quando estiver cozida, escorrê-la, reservando 1 chávena da água da cozedura. Misturar a massa com os queijos derretidos e, se necessário, acrescentar alguma da água da cozedura. 
Em cada prato, servir uma porção de massa, polvilhada com a pangritata.



domingo, 8 de maio de 2016

Quadrados de chocolate e banana



Bananas a envelhecer na fruteira é algo comum cá em casa. Numa casa de três, em que apenas dois comem este fruto, é frequente as bananas acabarem com aquele ar acastanhado e doente, impróprias para consumo. 
Sempre que possível, resgato-as e faço um bolo. Estes quadrados, com muito chocolate, ficaram bem fofos e húmidos, como se querem os bolos desta natureza.

Ingredientes:
400 g de açúcar amarelo
245 g de farinha
75 g de cacau 
1 1/2 colher de chá de fermento + a mesma quantidade de bicarbonato
1/2 colher de chá de sal
2 ovos grandes
1 chávena de bananas esmagadas
240 ml de água quente
120 ml de leite
120 ml de óleo (usei de girassol)
1 1/2 colher de chá de extrato de baunilha

Para a cobertura:
200 g de chocolate (com 70% de cacau), partido em pedaços
180 ml de natas
1 colher de sopa de manteiga

Preparação:
Aquecer o forno a 180 graus.
Forrar o fundo de um tabuleiro com 23 X 33 cm com papel vegetal. Untar e enfarinhar os lados.
Numa tigela grande, misturar o açúcar, a farinha, o cacau, o fermento, o bicarbonato e o sal. Reservar.
Noutra tigela,  misturar, com uma vara de arames, os ovos, as bananas esmagadas, a água, o leite, o óleo e o extrato de baunilha. 
Misturar bem, sem bater, os ingredientes secos e os húmidos, colocá-los na forma e leva-los ao forno 35 a 40 minutos (verificar a cozedura com um palito). Deixar o bolo arrefecer e cobri-lo com a ganache:
Levar ao lume, em banho-maria, o chocolate, as natas e a manteiga, mexendo sempre, até obter um creme.
Cobrir o bolo com a ganache e cortá-lo em quadrados. 

Servi-o como sobremesa, acompanhado de uma bola de gelado de baunilha.






(Receita ligeiramente adaptada desta.)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Negação. E uma receita de aproveitamentos.

Não sou daquelas pessoas que deprimem depois das férias. Ou que entristecem ao regressar de uma viagem. Não me custa despedir do verão. É certo que acabam os dias longos, os jantares no jardim e os dias de férias sem preocupações. Mas gosto de regressar ao trabalho, depois de um mês longe das rotinas de todos os dias. E gosto muito daquela luz morna e suave de setembro e outubro. E das flores. E das aulas. No fundo, acho que consigo apreciar o melhor de cada estação e não sinto saudades da que fica para trás.  
A única exceção é esta altura. Custa-me mesmo dizer adeus ao Natal. Não há época doce e brilhante como esta. Por isso, à euforia de decorar a casa, de preparar os jantares de festa e de todas as tradições natalícias sucede-se sempre alguma tristeza. Custa-me desfazer a árvore e arrumar luzes, bolas e demais enfeites em caixas. Custa-me despedir do brilho e da magia da época e enfrentar um janeiro longo e baço. Por isso, meus amigos, ando em negação. Ando a olhar para a árvore e a apetecer-me armar-me em excêntrica e deixá-la montada até à Pascoa. Ainda bem que o homem cá de casa é mais pragmático e lá para quarta-feira há de dizer-me que Natal, só daqui a 11 meses.

Para a despedida, mais imagens deste Natal. 








Deixo ainda uma receita de aproveitamentos de peru recheado. Se no dia 25 de dezembro até sabe bem comê-lo aquecido, depois disso, fica a envelhecer no frigorífico, à espera de acabar no lixo. Numa das minhas incursões pelo pinterest, vi esta imagem e, inspirada nela, engendrei este jantar bem simples, com os restos do peru do nosso Natal. Não apresento quantidades, pois foi tudo feito a olho. 

Fica a "receita": 
Untar um tabuleiro de muffins (fiz apenas 6 unidades) com azeite ou spray de cozinha. Em cada forminha, colocar uma porção de recheio e moldá-lo, de modo a que cubra toda a superfície. No fundo, colocar uma pequena porção de grelos ou espinafres congelados e temperá-los com um pouco de sal, pimenta e noz moscada. Sobre estes, um pouco de peru desfiado. No fim, abrir um ovo, temperá-lo com sal e pimenta preta e levar ao forno a 180 graus, até a clara cozer.

Polvilhei com salsa e servi com repolho salteado.






quinta-feira, 5 de março de 2015

Antecipação

Depois de um dia de trabalho, mais uma caminhada à beira-mar. Não obstante as limitações da insularidade, gosto mesmo de morar aqui. Saio do trabalho e em sete minutos estou em casa. Troco de roupa e calço as sapatilhas. Mais dois minutos e estou a caminhar, junto ao mar. E posso escolher o cenário: se me apetecer areia e gente, viro à direita, em direção à Praia da Vitória. Se preferir silêncio e o negro austero do basalto, viro à esquerda e dali a pouco estaciono no Porto Martins. 
Chego a casa e preparo este jantar. Nem todos os dias há paciência para moldar massas. Em dias como o de ontem, em que entro em casa já noite cerrada, só há tempo para pousar a chave e a mala, pôr esparguete a cozer e engendrar uns acessórios para lhe juntar. Hoje não. Hoje houve tempo. E vontade. Sempre que o jantar implica tirar o rolo do armário, é sinal de que há vontade de passar algum tempo na cozinha. Perto de mim, o Manel vai fazendo o trabalho de casa. E vai tagarelando. Ó mãe, detesto as tartatugas. Vivem mais do que nós e não trabalham! Não deixa de ter razão, o rapaz. Por outro lado, do que nos serviria uma vida longa de tédio? É o trabalho que nos permite valorizar os momentos de lazer. Para mim, são os dias longos e cheios que me fazem apreciar tanto o fim de semana. É já amanhã. Por falar em fim de semana, vou fazer o meu gelado de baunilha. Adeus :)


Folhado de frango e cogumelos


Ingredientes:
1 peito de frango, cozido (ou aproveitamentos de frango assado)
2 alhos-franceses grandes (apenas a parte branca)
200 g de cogumelos brancos + 150 g de cogumelos shiitake, laminados
3 colheres (de sopa) de azeite
brócolos q.b., em floretes
1 embalagem de massa folhada (usei da marca Continente, com 5 placas)
200 ml de natas magras
sal e pimenta preta a gosto
1 gema, para pincelar
sementes de sésamo (facultativo)

Cortar o alho-francês em rodelas e lavá-lo bem. Levá-lo ao lume, com o azeite, e deixá-lo refogar, até que amoleça. Juntar o frango, desfiado ou cortado em pedaços pequenos, os cogumelos e os brócolos. Deixar cozinhar cerca de 10 minutos, em lume brando. Juntar as natas, temperar com sal e pimenta e deixar apurar cerca de 5 minutos.
Entretanto, esticar a massa, formando 2 retângulos. Num tabuleiro de forno, forrado com papel vegetal, colocar um retângulo e, no centro deste, o recheio. Cobri-lo com o outro retângulo e aconchegar bem as beiras. Se houver tempo (e paciência), com a massa que sobrar, cortar tirinhas e decorar a empada. Pincelar com ovo batido, polvilhar com sementes de sésamo e levar ao forno a 180-190 graus, até dourar. Servir com salada verde. 




sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Depois da festa

Estes dias são de descanso. Os filmes de sempre, que o Manel vê pela primeira vez. Gargalhadas com as quedas aparatosas dos ladrões do Sozinho em Casa, silêncio comovido quando o E.T. se despede do Elliot, muitas perguntas enquanto vê O Príncipe do Egipto. Mantas e meias de lã. Brinquedos pela casa. Lareira acesa. Gatos que ronronam, com uma preguiça condizente com a dos donos. Na mesa, ainda há doces. Bolo Meia Idade e Donas Amélias. No frigorífico, muitos restos da consoada, que serão aproveitados nos próximos dias. 
Cansada dos excessos das festas, apeteceu-me comida fresca. Uma busca pelo google levou-me a esta salada exótica, feita com restos de peru da consoada. E agora, pretendo intercalar filmes, leitura, mimos e quem sabe uma sesta. Continuação de festas felizes.

Salada vietnamita de peru 
(Ligeiramente adaptada daqui)



Ingredientes para 3-4 pessoas:
2 chávenas de peru, às lascas
150 g de noodles de arroz
1 cenoura pequena, cortada em tiras, com o descascador
1/2 pimento vermelho, cortado em tiras
1/2 cebola roxa, cortada em meias luas muito finas
1 chávena de rebentos de soja
1 chávena de folhas de coentros e/ou hortelã (usei apenas coentros)
2 colheres (de sopa) de sementes de sésamo, tostadas


Para o molho vietnamita:
1/4 chávena de molho sweet chilli
1/8 de chávena de vinagre de arroz (ou de vinho branco)
1 colher (de sopa) de molho de peixe tailandês
raspa de 1 limão (ou lima)
1 colher (de sopa) de sumo de limão (ou lima)
1/4 colher (de sopa) de 5 especiarias (como não tinha, usei uma pitada de canela, uma de cravinho em pó e uma de sementes de funcho)
sal e pimenta preta a gosto

Colocar o peru numa tigela grande.
Fazer o molho vietnamita, colocando todos os ingredientes num frasco e agitando bem. 
Verter metade do molho sobre o peru.
Cozer os noodles, de acordo com as instruções do pacote. Escorrê-los, misturá-los com o peru, bem como os outros ingredientes e o molho restante. Servir de imediato.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Frio

Já tenho saudades de frio. Anda toda a gente feliz com o sol e o verão tardio. Eu não. Olho para as malhas e para os sobretudos e apetece-me inverno. Olho para a lareira e apetece-me frio. Gosto das estações no seu lugar. Verão em novembro não me cai bem. E, apesar dos dias ainda de sol, há coisas que já apetecem. Já apetece comida de forno e manta ao serão. E os animais já procuram colo e recantos quentinhos nos sofás. Nestes dias, apetece-me invariavelmente perfumar a casa. Com velas e comida doce, como estes muffins. Enquanto estão no forno, o aroma tentador vai pintando a casa de sabores quentes, tornando-a ainda mais acolhedora. São daquelas coisas que combinam com tardes frias de outono e inverno, com fins de semana preguiçosos e crianças ruidosas e lambuzadas e felizes. 
No dia em que fiz estes muffins, estava sol. E havia bananas a envelhecer na fruteira. E apeteceu-me tudo o que descrevi no parágrafo anterior. Rodeei-me dos meus livros de receitas, uma atividade que também associo ao frio, não sei bem porquê, e escolhi esta receita. Uns bolinhos de dias frios num dia de um verão que não se quer ir embora.



Muffins de banana e chocolate
(Ligeiramente adaptado de Cozinha - O Coração da Casa, de Nigella Lawson)



Ingredientes para 12 muffins:
3 bananas bem maduras (usei 4, pequeninas)
125 ml de óleo vegetal
2 ovos grandes
100 g de açúcar amarelo
225 g de farinha T65
3 colheres (de sopa) de cacau
1 colher (de chá) de bicarbonato

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus. Num tabuleiro para muffins, colocar as formas de papel. 
Esmagar as bananas e misturar o óleo e depois os ovos e, por último, o açúcar.
Misturar a farinha, o cacau e o bicarbonato e incorporar na mistura anterior. 
Encher as formas de papel até 2/3 e levar ao forno, durante 15 a 20 minutos.

domingo, 9 de novembro de 2014

Soufflé

Um prato leve e delicado. Um prato que dá luta, que requer atenção, vigilância. E alguma sorte. Faz-se a medo, com receio que abata. Às vezes, acontece. Um sopro mais forte e lá se vai o soufflé. E, um pouco como o risotto, não espera por ninguém, faz-se esperar. 
Este surgiu de uma necessidade. Aproveitar peixe cozido. Ainda pensei nestes bolinhos ou nestas tortas. Mas apeteceu-me textura de algodão. Apeteceu-me soufflé.

Soufflé de peixe
(Ligeiramente adaptado desta receita, da Tertúlia de Sabores)


Ingredientes: 
200 g de peixe cozido, limpo de peles e espinhas (usei peixe-porco)
50 g de manteiga
50 g de farinha
2,5 dl de leite frio
4 ovos
sal, pimenta e noz moscada a gosto
1 ramo de salsa, picada

Preparação:
Esmagar o peixe com um garfo e reservar.
Num tacho, derreter a manteiga, polvilhar com a farinha e deixar cozer um minuto, sem ganhar cor. Adicionar o leite frio e mexer, para não ganhar grumos; deixar engrossar e retirar do lume.
Juntar o peixe, temperar com sal, pimenta e noz moscada, incorporar as gemas e a salsa e mexer.
À parte, bater as claras em castelo e adicioná-las ao preparado, muito suavemente.
Deitar a mistura numa forma de soufflé, untada com margarina, e levar ao forno previamente aquecido a 200 graus, durante 25 a 30 minutos. 
Servir de imediato.
Ao sair do forno, o soufflé não pode apanhar correntes de ar, pois abaterá. 
Acompanhar com uma salada e um copo de vinho branco.

domingo, 21 de setembro de 2014

Pequeno-almoço. Horta. Sol.

Quem costuma passar por aqui conhece o meu gosto pela primeira refeição do dia. Mesmo durante a semana, não há dia em que saiamos de casa sem tomar o pequeno-almoço. Nenhum de nós. É um hábito que o Manel já integrou, apesar de acordar sempre com pouca fome. 
Durante a semana, há menos tempo. Mesmo assim, nunca comemos de pé. Sempre à mesa, a dois ou a três, conforme os horários de cada um. Ao fim de semana, o pequeno-almoço é tomado com vagar, com direito a mimos vários como panquecas, waffles ou bolo. 
O bolo de hoje, cuja receita podem consultar aqui, foi feito para aproveitar duas bananas que definhavam na fruteira. Quanto a mim, optei pelo último vício: pão torrado com requeijão da Quinta dos Açores e mel de rosmaninho. 





Depois de dias frescos e cinzentos, hoje tivemos sol e céu azul. A seguir ao pequeno-almoço, um saltinho até à horta. Da casa do lado, chegava-nos a voz de Paulo Gonzo, a misturar-se com o ruído também rouco da máquina que lavrava a terra, guiada pelo meu pai. A terra está preparada para receber as sementes das cenouras (laranja e rainbow). Daqui a alguns meses, estarão prontas a colher. De tarde, dediquei-me às aromáticas. O outono vem aí com os seus dias sombrios e melancólicos, que nos puxam para casa. Há que aproveitar os últimos dias de verão.





segunda-feira, 30 de junho de 2014

Courgette

Há as pessoas para quem uma courgette é uma courgette. E há as outras. As outras, para quem uma courgette pode ser muito mais. Para as primeiras, a origem da courgette não interessa. É uma courgette, lá está. Não passa disso. E custa-lhes entender as pessoas para quem uma courgette não é apenas uma courgette. Para estas, para nós, tão importante como o sabor da courgette é tudo o resto. Se for comprada no hipermercado, oriunda de um outro país, não terá o valor da courgette produzida ao lado de casa. Se tiver adubos, não terá o valor da courgette biológica, cultivada de forma sustentável. Então se for o resultado da semente que colocámos na terra, uns meses antes, o valor é inestimável.
Esta massa foi feita com as primeiras courgettes da nossa horta. São o resultado das sementes que encomendei em fevereiro, que semeei no dia 15 de março, que dali a algum tempo transplantei. São as courgettes que reguei, ao entardecer, depois de chegar da escola. São as courgettes de que cuidei. 


Penne com salmão e courgettes da horta

 Ingredientes (para três):
250 g de massa penne
1/2 courgette verde (pequena)
1/2 courgette amarela (pequena)
100 g de cogumelos fatiados
150 g de aproveitamentos de salmão cozido
1 cebola roxa, às rodelas
2 dentes de alho, picados
3 colheres (de sopa) de azeite
100 ml de natas magras
sal e pimenta q.b.
cebolinho picado
flores de cebolinho para decorar
Cozer a massa.
Entretanto, cortar a courgette em tirinhas pequenas, mais ou menos do tamanho da massa.
Fazer um refogado com o azeite, a cebola e o alho. Juntar os cogumelos e as courgettes e deixar cozinhar alguns minutos. Acrescentar o salmão, temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar mais uns minutos, em lume brando. Juntar as natas, retificar os temperos e deixar apurar, sempre em lume brando, com o tacho tapado.
Misturar a massa e a mistura de salmão e legumes. 
Servir, polvilhado com cebolinho picado e flores.

domingo, 2 de março de 2014

Sábado Gordo

Não, o tempo não deixou. Realmente, foi arriscado fazer uma sementeira em novembro. Mas nunca se sabe, às vezes os nossos invernos são amenos. Não foi o caso deste. A sementeira de novembro não resisitiu às intempéries. Depois de ver os estragos, lá pusemos na terra mais umas sementes. Entretanto, vento e chuva durante muito tempo. E a horta ficou esquecida, entregue à sua sorte.
Ontem, fez sol. Um Sábado Gordo de primavera, ameno e soalheiro. Depois de uma visita à Biofontinhas, cheguei a casa inspirada, com vontade de mexer na terra. Encontrei um canteiro cheio de ervas daninhas, que abafavam as cenouras que tinham resistido ao inverno. Arranquei-as, com a ajuda do Manel e do meu pai. E desbastei as cenouras, para que as restantes medrassem.


Quem ficou feliz foi o Serafim, que foi presenteado com mini-cenouras muito docinhas.

Antes do trabalho, o almoço. Uma frittata, feita com os ovos especiais das galinhas do Avelino, alimentadas só de aveia e plantas biológicas. Foi só juntar o que havia no frigorífico e em pouco tempo havia comida na mesa. Para decorar, pétalas de flores comestíveis, que trouxe da minha visita matinal. 

Frittata de aproveitamentos  
e ovos especiais ;)
 
Ingredientes para dois:
4 ovos
restos de legumes (batata cozinha, cortada em rodelas, brócolos e couve-flor)
2 cebolas de rama, cortadas em rodelas
100 g de bacon
salsa
sal e pimenta

Preparação:
Liga-se o forno no programa grill.
Numa frigideira que possa ir ao forno, salteia-se o bacon na própria gordura. Adiciona-se a cebola de rama e deixa-se cozinhar, em lume brando. À parte, batem-se os ovos, temperam-se com sal e pimenta. A estes, mistura-se os brócolos, a couve-for, a batata e a salsa. Verte-se a mistura sobre o bacon e cebola e deixa-se cozinhar, em lume brando. Quando a parte de baixo estiver cozida, coloca-se a frigideira no forno, para que a frittata acabe de cozinhar.
Desejo a todos um bom Carnaval. Se desejarem conhecer uma iguaria típica minha ilha, deixo-vos estas duas versões das tradicionais "filhoses" de forno:

http://maisacrequedoce.blogspot.pt/2012/02/terceira-inteira-e-um-palco.html


 http://receitasaodesafio.blogspot.pt/2013/02/filhoses-de-forno.html



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Aproveitar

Cá em casa, não há ementas da semana. A minha organização (ou falta dela) não me permite prever as refeições para a semana inteira. Já fiz uma ou outra tentativa, sempre em vão. O plano não chega à quarta-feira. Mudo de ideias com facilidade. E a verdade é que gosto de ceder aos apetites do dia. Como vou saber no sábado o que nos vai apetecer comer na sexta-feira seguinte?
Hoje foi daqueles dias em que não fazia ideia do que fazer para o jantar. E a vontade de ir para a cozinha era pouca. Nenhuma, para ser sincera. Daqueles dias em que, se não tivesse uma família para alimentar, jantaria torradas e chá. Como tenho a meu cargo a alimentação de duas criaturas que gostam muito de comer, tive de me arrastar até à cozinha e engendrar um jantar. No frigorífico, um resto triste de arroz de legumes que já vira dias de maior frescura. Como desperdiçar comida não é opção, decidi aproveitá-lo. Mais uns ingredientes do frigorífico e da despensa e saiu um jantar bastante elogiado. E é destes jantares feitos a partir do nada que me orgulho mais. Com uma peça de filet mignon de qualidade é difícil falhar. Mas com um resto de arroz sem graça fazer uma refeição apetecível soa-me sempre a milagre.
 Bolinhos de atum e arroz
Ingredientes:
2 latas de atum
2 chávenas de arroz cozido (usei arroz de legumes)
1 alho francês pequeno
1 talo de aipo
2 cebolas de rama (ou spring onions)
2 colheres (de sopa) de azeite
1 raminho de salsa
1 ovo batido
sal e pimenta

Preparação:
Escorrer as latas de atum. Cortar em rodelas finas o alho francês, o aipo e a cebola de rama e refogá-los no azeite. Adicionar o atum e a salsa e deixar cozinhar cerca de 2 minutos. Adicionar o arroz e temperar com sal e pimenta (não muito, pois o arroz e o atum já têm sal). Juntar o ovo e mexer bem.
Forrar um tabuleiro com papel vegetal. Formar bolinhas achatadas, colocá-las no tabuleiro e levá-las ao forno a 220 graus até dourarem. Servi com salada e o seguinte molho: 1 iogurte grego + 1 colher de chá de mostarda Dijon + salsa picada + sal e pimenta.


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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.