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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Scones de alfarroba numa tarde chuvosa

Gosto quando as estações se confundem. Um dia de sol e céu azul em dezembro. Adoro pôr o gorro, o cachecol e as luvas e passear à beira-mar com mau tempo. No verão, gosto de estar em casa, abrir as portas e as janelas e ficar a ouvir a chuva. Uma chuva mansa a cair, que alivia os terrenos amarelados e sedentos. Nesses dias, apetece-me invariavelmente acender o forno. Há uns dias, choveu. Depois de dias de sol e céu azul. Uma amiga telefonou-me: Estás em casa? Vou passar aí. Enquanto ela vinha a caminho, fiz estes scones, que comemos, não acompanhados com chá, mas com sumo de laranja natural, porque o calor assim o exigiu.


Ingredientes:
 200 gr de farinha de trigo
25 g de farinha de alfarroba
40 gr de açúcar (usei 20 g)
1 ovo batido
1 colher de sopa de manteiga
6 colheres de sopa de leite
1 colher de chá cheia de fermento
1 pitada de sal

Preparação:
Peneire a farinha com o sal e o fermento. Junte a manteiga e os restantes ingredientes, misturando tudo rapidamente com as pontas dos dedos, sem amassar. Tenda bolinhas e coloque-as num tabuleiro untado. Leve ao forno quente durante 10 a 15 minutos. Sirva quentes com manteiga e compotas.

Simplifiquei: Coloquei todos os ingredientes na Bimby e programei 15 segundos, velocidade 6.

Fonte: Receita ligeiramente adaptada desta da colher-de-pau.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pão de alfarroba com sementes e o elogio da ruralidade


Nasci num meio rural. Fui criada num meio rural. Vivo num meio rural. E gosto. Muito. No passado, confesso que, quando visitava uma grande cidade, me deixava fascinar ao ponto de me apetecer ficar a viver lá para sempre. Chegava a casa e não me apetecia voltar à vidinha da ilha que, na altura, considerava demasiado simples e pacata. Agora, aprecio essa simplicidade e essa pacatez. É certo que nos faltam eventos culturais de peso, concertos com estrelas da música mundial, filmes a serem exibidos “na altura certa” (tendem a chegar uns meses depois de terem estreado no continente – estou a falar da ilha Terceira, pois, em S. Miguel, esta realidade há muito que não se verifica), peças de teatro à escolha, shoppings a cada esquina… Por outro lado, temos paisagens deslumbrantes, paz e sossego, ar puro para respirar. Resumindo, cada vez mais gosto de viver onde vivo e são-me suficientes algumas saídas de vez em quando, que me sabem bem e me dão, cada vez mais, vontade de regressar a casa.
Como já referi, moro num meio rural, onde alguns hábitos, creio que desconhecidos por quem mora numa cidade, ainda se mantêm. Um deles é o hábito de comprar o pão ao padeiro, que distribui o pão “pelas portas”. Às dez e meia (mais coisa menos coisa), lá vem ele com a sua carrinha, parecida com a do carteiro Paulo (desenhos animados que eu vi e que, agora, o meu filho também vê), apita, e as donas de casa surgem, cada uma da sua casa, para comprar o pão para o dia. Esse momento breve serve, ainda, para se trocar impressões sobre o tempo, sobre a crise, sobre a vida. Não só umas com as outras, mas também com o próprio padeiro, com quem foram criando laços próximos da amizade. Lembro-me de a minha avó contar, com alguma nostalgia, que quando era nova não havia padeiro a “passar pelas portas”, que tinha que fazer o seu próprio pão. A minha avó morreu há dez anos. Não viveu o tempo suficiente para saber que a neta, tal como ela na sua juventude, faria o seu próprio pão. Ela teria gostado.

Ingredientes:
1 copo* de água
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de leite em pó
1 pitada de sal
1/2 copo de farinha de alfarroba
1/2 copo de farinha de trigo
2 copos de farinha pré-preparada para pão de sementes (usei da marca Continente)
10 g de fermento de padeiro

* copo de medida da Máquina de Fazer Pão

Preparação:
Colocar os ingredientes, pela ordem indicada, na cuba da máquina e programar o programa "pão integral", tamanho pequeno.



Deixo-vos uma fotografia da paisagem que vejo da minha cozinha, o Pico do Capitão, que fica entre a minha freguesia e a freguesia vizinha, o Porto Martins. Adoro esta paisagem idílica, que contrasta com a escola onde trabalho, moderna e cheia de tecnologia (sim, porque nos Açores não existem só vacas, ao contrário do que todas as publicidades à região querem fazer crer).



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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.