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domingo, 20 de março de 2016

Domingo

É bom quando no fim de um domingo me sinto assim. É sinal de que o fim de semana acabou, mas cumpriu bem a sua função. Não sou do género de deprimir às segundas. Mas preciso muito de um bom fim de semana para o meu equilíbrio. Um bom fim de semana tem a utilidade de nos fazer gostar mais dos dias úteis. E este foi pleno. O sol ajudou. E o almoço do dia do pai. E as flores, que ajudam sempre. 





E as férias do Manel. Acabamos por descansar ao ver que ele descansa. Revivemos a felicidade do primeiro dia de férias da Páscoa. Fomos ao parque. Enquanto líamos, num banco, sempre vigilantes, e o víamos brincar com os seus melhores amigos, pensamos como é bom vê-lo ser criança. Exigimos muito às nossas crianças. Procuro sempre um equilíbrio. Tenho sempre presente que ele é criança, que precisa de ser criança. Mas não há como escapar. É a escola. As aulas de natação. As de música. A catequese. Pergunto-lhe se é demais. Não, diz-me. Eu gosto de tudo. Consola-me a certeza de que é feliz. Mas gosto quando não tem nada disso. Quando tem tempo para inventar jogos com os amigos e quando eu tenho tempo para me sentar num banco durante horas a vê-lo brincar. Aquelas gargalhadas enchem-me o coração. 
Para o lanche, pede-me waffles. Afinal, os amigos ainda não conhecem os melhores waffles do mundo. Pedem-me para repetir. Deixo, que dias não são dias. Para o jantar, há almôndegas. Há lá comida mais de criança do que almôndegas com esparguete! E amanhã fica em casa da avó para um dia cheio de mimos. Um dia em que será apenas criança e neto. 



Fica a receita dos tais waffles, a receita da vizinha belga da minha amiga Maria. Os melhores que já provámos. Daqueles que atraem narizes curiosos à cozinha mal começam a cozer.


Ingredientes
500 g de farinha
300 g de açúcar
200 g de manteiga
5 g de fermento em pó
200 ml de leite
4 ovos
1 colher de chá de extrato de baunilha

Preparação
Começa-se por bater as claras em castelo. Depois, mistura-se as gemas com o açúcar e mexe-se muito bem. Acrescenta-se a manteiga, depois de derretida em banho-maria (ou no micro-ondas, caso haja pressa), e mistura-se tudo com a vara de arames até obtermos um creme de consistência homogénea. Dissolve-se o fermento numa parte do leite e acrescenta-se à mistura anterior. Mexe-se. Adiciona-se a farinha aos poucos, mexendo sempre. Em seguida, junta-se o resto do leite e o extrato de baunilha  e mexe-se durante uns minutos. Por fim, acrescenta-se as claras em castelo e envolve-se tudo até conseguirmos uma massa suave. 
Depois, com a máquina bem quente, é só cozer os waffles, tendo o cuidado de untar as superfícies do aparelho com manteiga (a cada 4) para dar cor.



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Fins de semana. A importância do roupão. E umas almôndegas de atum.

Os fins de semana existem para isto. Para pararmos e termos tempo para as coisas supérfluas. Aquelas (aparentemente) sem utilidade e que nos fazem felizes. Quando penso nisto lembro-me muito deste livro, que li há uns anos e ao qual regresso algumas vezes. Não podemos subestimar o poder das coisas banais. Afinal, são elas que nos permitem ter a sanidade necessária para nos dedicarmos às atividades sérias, consideradas úteis. Pelo menos eu preciso de fazer uma pausa de vez em quando e fazer inutilidades
Ao fim de semana, gosto de acordar sem despertador e ser recebida na cozinha pelo cheiro do pão acabado de fazer (abençoado inventor das máquinas de fazer pão). E tomar o pequeno-almoço com tempo. E ter tempo para fotografar a dupla requeijão + mel, a minha preferida dos últimos tempos.
Há uma pilha de roupa no cesto, à espera do ferro, mas está sol e o Manel está no jardim a fazer bolinhas de sabão. Saio e perco (ou não) tempo a fotografá-lo. E prefiro ir colher hortênsias para enfeitar a casa. A roupa que espere. De câmara na mão, vejo uma borboleta pousar num arbusto. Gosto do contraste e fotógrafo-a também. Vejo a Micas a tomar o banho matinal e registo o momento. E o Serafim, que foge do Gaspar. E fotografo a bicharada toda. Afinal, tenho tido pouco tempo para estar com eles durante a semana. E eles notam. Sei que sim pela forma como se roçam nas minhas pernas, à procura de atenção. Faço o almoço: uma receita já fotografada, mas que precisa de uns ajustes nas quantidades antes de ser publicada. E a minha maionese de alho e ervas, que os meus rapazes tanto apreciam. Depois, leio, pela tarde dentro. Livros e revistas em atraso. E escrevo este post. E a roupa continua no cesto, à espera. 












Partilho um dos meus textos preferidos do livro de que falei acima, sobre um dos maiores prazeres das manhãs de fim de semana:

"O ROUPÃO

Não há uniforme mais apropriado para a preguiça do que o roupão. Só o mero facto de se ter um é um sinal de esperança. Um símbolo de que se pretende ser negligente. Os roupões acompanham o estado de não fazer nada, mas o que é que está verdadeiramente a fazer quando não está a fazer nada? A pensar, é isso que está a fazer. A sociedade tem medo da população com tempo para pensar.
Sabe-se que são as pessoas deste género que costumam mudar as coisas. É por isso que o roupão é o verdadeiro uniforme da revolução. No futuro, numa qualquer altura bem distante da nossa, os homens e as mulheres olharão com assombro para o dia em que os donos do poder global foram finalmente derrubados - por um exército de pessoas vestidas de roupão."

O livro dos prazeres inúteis, Tom Hodgkinson e Dan Kieran, Quetzal 

E agora, a receita:


Almôndegas de atum com sementes de sésamo
e maionese de ervas



Ingredientes para 35 almôndegas:
600 g de atum fresco, limpo e cortado em pedaços
1 cebola pequena
2 dentes de alho
cebolinho picado (cerca de 1 colher de sopa, bem cheia)
salsa picada (a mesma quantidade de cebolinho)
1 colher de chá de harissa (opcional)
sal
pimenta (apenas se não se usar harissa)
sementes de sésamo

Num robot de cozinha, triturar o atum e reservar numa tigela grande (costumo triturá-lo de forma grosseira). Triturar a cebola e o alho e juntar ao atum. Picar as ervas e acrescentar à mistura anterior, bem como os temperos, misturando, com a mão.
Formar almôndegas e passá-las por sementes de sésamo.
Numa frigideira antiaderente, colocar um fio de azeite e deixar aquecer um pouco. Fritar as almôndegas, com a frigideira tapada, 2 a 3 minutos, agitando a frigideira de vez em quando. Com uma espátula, virá-las e deixa-las acabar de cozer, mais 1 ou 2 minutos.

Servi as almôndegas com batata doce e abóbora assadas e esta maionese de ervas:
No fundo do copo da varinha mágica, colocar um ovo inteiro, um dente de alho, uma colher de café de vinagre, uma de mostarda, sal e pimenta preta. Desfazer tudo com a varinha mágica. Com esta em funcionamento, juntar óleo, em fio, até que a maionese atinja a consistência desejada (a varinha não deve estar pousada no fundo do copo; deve fazer-se movimentos, na vertical, subindo e descendo, para que fique bem cremosa). No fim, juntar cebolinho e salsa, picados, e servir.





quinta-feira, 2 de abril de 2015

Caracóis mornos para o lanche

Há receitas que são do frio. As que levam especiarias têm o condão de aquecer, de confortar e de evocar tardes de ócio e mantas quentinhas. Esta é dessas receitas. Estava marcada há muito tempo, mas foi ficando esquecida. Acontece-me muito. Creio que acontecerá a quem gosta de cozinhar e colecionar livros e revistas de comida. Às vezes, basta um estímulo para trazer uma vontade adormecida. Ao ver os caracóis da minha amiga Maria, lembrei-me que tinha estes assinalados num dos livros da Nigella. 
Fi-los anteontem, um dia cinzento, a condizer com forno aceso e cheiro a canela. E com bancadas enfarinhadas e mãos na massa. Como é bom meter as mãos na massa no sentido literal! O resultado foram estes caracóis, perfeitos para comer ao pequeno-almoço ou ao lanche. Ou, para os mais afoitos, ao serão, com uma chávena de chá na outra mão, enquanto se vê uma série viciante

Caracóis de canela noruegueses

Ingredientes:
600 g de farinha 
100 g de açúcar (branco, na receita original; usei amarelo)
1/2 colher de chá de sal
21 g (3 saquetas) de fermento seco ou 45 g de fermento fresco (usei seco)
100 g de manteiga (usei Milhafre, claro)
400 ml de leite
2 ovos 
Para o recheio:
150 g de manteiga amolecida
150 g de açúcar (também usei amarelo)
1 1/2 colher de chá de canela
1 ovo batido para pincelar
1 forma com cerca de 33x24cm, forrada com papel vegetal no fundo e nos lados

Mistura-se a farinha com o açúcar, o sal e o fermento, numa tigela grande. Derrete-se a manteiga, junta-se ao leite e aos ovos e, depois, mistura-se na farinha. Mexe-se para combinar e depois amassa-se, à mão ou com a batedeira, até que esta fique homogénea e elástica (ao amassar, achei que a massa estava muito mole, por isso fui juntando mais farinha, até que esta ficar com a consistência certa). Molda-se uma bola, cobre-se com película aderente e deixa-se levedar 25 minutos.
Estica-se um terço da massa sobre o fundo da forma, que será o fundo de cada rolinho, depois de cozido. Estende-se a restante massa numa superfície enfarinhada, de modo a obter um retângulo com cerca de 50 x 25 cm. 
Misturam-se os ingredientes para o recheio numa tigela pequena e barra-se o retângulo com a mistura. Enrola-se, pelo lado mais comprido, até obter uma espécie de salsicha gigante. Corta-se o rolo em fatias de 2 cm, o que deve dar para cerca de 20 (costumo usar uma tesoura). Colocam-se as fatias alinhadas em cima da massa que está na forma, com a espiral para cima. Se não ficarem muito juntas não há problema, pois vão inchar e crescer. Pincela-se com ovo batido e deixa-se levedar novamente cerca de 15 minutos. 
Entretanto, aquece-se o forno a 200 graus (na receita original, são 230, mas achei demais).
Levam-se os caracóis ao forno cerca de 30-35 minutos, até terem crescido e adquirido uma cor castanho-dourada. Retiram-se da forma e espera-se que arrefeçam (pelo menos o suficiente para não causarem estragos ao comer ;)


Gosto deles assim juntinhos, toscos, rasgados com a mão. No entanto, se preferirem formas mais perfeitas, devem afastá-los mais e eliminar a camada de massa do fundo. 




A contrastar com o aconchego caseiro destes caracóis, imagens do dia primaveril de ontem. Um dia muito azul, a pedir exterior, almoço com vista para o mar e passeios no parque, no meio do verde. 









E hoje a primavera continua. Dia de limpezas, que com dias destes até sabem bem. Ou, pelo menos, não sabem tão mal ;)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Mais do mesmo e uma receita de ovos

Há um ano, escrevia isto. Perguntava-me como seria o ano que estava prestes a começar. Passado um ano, posso dizer que 2014 foi bom. Não o superlativo, pois pelo caminho houve um ou outro dissabor. Houve momentos tristes, de desilusão, de ansiedade, de medo, de insegurança, por esta ou por aquela razão, mas a maior parte foi feliz. E houve dias quase perfeitos. E quando penso nesses dias mesmo muito bons, vejo aqueles que passámos os três, em situações mais ou menos rotineiras. Na nossa casa ou longe dela. Mas muitos dos melhores momentos que passámos foram aqui, naquele que, para nós, é o melhor lugar de todos. 
Passado um ano, reitero o meu elogio da rotina. Repudio as frases de filósofos de algibeira, daquelas que ficam bem no Facebook, dentro de caixinhas de arabescos, que a pintam de bicho papão. Eu gosto de chegar a casa, fazer o jantar, enquanto o Manel faz os trabalhos de casa e o pai o supervisiona. Gosto das noites à lareira, no inverno, e no jardim, no verão. Gosto de todos os momentos que passamos juntos, na nossa felicidade banal. Momentos especiais na nossa normalidade. Afinal, ser feliz não é difícil. Se houver aqueles básicos que desejamos uns aos outros no início de cada ano, o resto é fácil. Somos nós que às vezes complicamos e somos ingratos, que não vemos o (tanto) que temos. 
Gostaria, como é natural, que, em 2015, o mundo andasse mais concertado. A nível pessoal, ficaria feliz se fosse igual a 2014. Não peço mais. 

Hoje, fica a receita de ovos em cocotte que servi no primeiro brunch do ano. Uma refeição preguiçosa, tomada a três, à qual se seguiu uma tarde de cinema no sofá. Um dos tais dias quase perfeitos. Banais para muitos. Não para nós.

Ovos em cocotte


Ingredientes por ramequim:
1 ovo
1 colher (de sopa) de natas magras
sal, pimenta e noz moscada
manteiga derretida para untar os ramequins
Para servir: bacon e tiras de pão torrado

Pré-aquecer o forno a 190 graus.
Com a ajuda de um pincel, untar os ramequins.  No fundo de cada um, colocar um ovo e uma colher de natas. Temperar com sal, pimenta e noz moscada. Colocar os ramequins num tabuleiro e levar ao forno 15 minutos, no máximo (Se gostarem da gema crua, como eu e o Manel, deixem menos tempo.). Ao lado dos ramequins, colocar tiras de bacon, para servir com os ovos. Entretanto, torrar tiras de pão. Servir os ovos com o bacon e o pão torrado. 


Foi este um dos nossos filmes da tarde de hoje. A história de um homem bom que, por ser diferente, não tem lugar naquela sociedade perfeita em tons pastel. 






domingo, 5 de outubro de 2014

Celebrar o outono com um bolo de azeite

Ontem, acordei a pensar nele. Apeteceu-me aquele sabor em tons de dourado e aroma de canela. Raramente me acontece acordar a pensar em comida. Mas ontem, despertei a pensar no bolo de azeite que comemos nas férias no Alentejo. E, felizmente, ainda há desejos possíveis de realizar, que estão ao nosso alcance. 
De Monsaraz, trouxe este livro, para poder, ao longo do ano, matar um bocadinho as saudades daqueles dias. Entre as várias receitas, marquei logo esta. E o livro ficou pousado, na bancada da cozinha. Ontem, regressei a ele. E fiz o bolo. 
Este é um bolo de lanche ou pequeno-almoço, com uma textura semelhante à do pão de ló. Não é um bolo perfeito e bonitinho, de montra de pastelaria. É um bolo tosco e denso, daqueles que não atraem ao primeiro olhar, mas que acabam por se revelar bem melhores do que muitos daqueles que, sob uma camada de perfeição, a pouco sabem. No fundo, um bolo que nos mostra que nisto da pastelaria (e não só) nem sempre o que parece é. E há que dar uma oportunidade àquilo que não parece nada de especial e que pode valer muito a pena.
Este bolo pouco bonito combina muito bem com pequenos-almoços de fim de semana, com chávenas fumegantes de chá ou café ou copos de leite frio. E combina com outono e folhas que começam a cair das árvores e domingos com filmes pela tarde dentro. 
Motivados? Ainda vão a tempo de o fazer para o lanche de hoje. 

Bolo de azeite
(Ligeiramente adaptado de Saborear Azeite Dom Borba, Tiago Kalisvaart, Caminho das Palavras)


Ingredientes:
1 chávena (de chá) de azeite de boa qualidade
8 ovos
3 chávenas (de chá) de açúcar
3 chávenas (de chá) de farinha
1 chávena (de chá) de café
raspa de 1 limão
1 colher (de sobremesa) de canela moída
1 colher (de sobremesa, mal cheia) de fermento em pó
banha q.b. (usei manteiga)

Preparação:
Separar as gemas das claras. Bater as gemas com o açúcar, até obter um creme esbranquiçado. Juntar a raspa de limão, a canela, o azeite e o café frio. Bater tudo muito bem. Depois, adicionar a farinha e bater, até formar bolhas. 
Ligar o forno a 160 graus.
Noutra tigela, bater as claras em castelo e incorporá-las no restante preparado, envolvendo bem.
Untar a forma com manteiga ou banha e polvilhá-la com farinha. Verter a mistura para a forma e levar ao forno a cozer, durante cerca de 1 hora (para verificar a cozedura, fazer o teste do palito). Desenformar com a forma ainda bem quente.


domingo, 21 de setembro de 2014

Pequeno-almoço. Horta. Sol.

Quem costuma passar por aqui conhece o meu gosto pela primeira refeição do dia. Mesmo durante a semana, não há dia em que saiamos de casa sem tomar o pequeno-almoço. Nenhum de nós. É um hábito que o Manel já integrou, apesar de acordar sempre com pouca fome. 
Durante a semana, há menos tempo. Mesmo assim, nunca comemos de pé. Sempre à mesa, a dois ou a três, conforme os horários de cada um. Ao fim de semana, o pequeno-almoço é tomado com vagar, com direito a mimos vários como panquecas, waffles ou bolo. 
O bolo de hoje, cuja receita podem consultar aqui, foi feito para aproveitar duas bananas que definhavam na fruteira. Quanto a mim, optei pelo último vício: pão torrado com requeijão da Quinta dos Açores e mel de rosmaninho. 





Depois de dias frescos e cinzentos, hoje tivemos sol e céu azul. A seguir ao pequeno-almoço, um saltinho até à horta. Da casa do lado, chegava-nos a voz de Paulo Gonzo, a misturar-se com o ruído também rouco da máquina que lavrava a terra, guiada pelo meu pai. A terra está preparada para receber as sementes das cenouras (laranja e rainbow). Daqui a alguns meses, estarão prontas a colher. De tarde, dediquei-me às aromáticas. O outono vem aí com os seus dias sombrios e melancólicos, que nos puxam para casa. Há que aproveitar os últimos dias de verão.





sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Quadrados de limão para o fim de semana

Este foi o primeiro bolo que fiz em 2014. As fotos andavam esquecidas, no fundo do computador. Encontrei-as ontem, mais de um mês depois de terem sido tiradas, numa das minhas deambulações pelas várias pastas com fotos de comida. Recordo que o fiz nos primeiros dias de janeiro, para um lanche com amigos. Depois dos bolos ricos do Natal, daqueles que levam tudo, desde ovos a frutos secos, apeteceu-me um bolo leve e não muito doce. Em vez do tradicional bolo redondo, quadrados individuais, fofos e aromáticos. Partilho-o hoje, ainda a tempo de o fazerem para o fim de semana.


Quadrados de limão

Ingredientes:
5 ovos
120 g de açúcar
raspa e sumo de 1 limão
200 g de farinha para bolos
1 colher (de chá) de fermento para bolos

Preparação:
Bater as gemas com o açúcar, até obter uma massa fofa e esbranquiçada. Misturar a raspa e o sumo de limão. Misturar a farinha e o fermento. Envolver as claras, batidas em castelo, com cuidado, sem bater.
Levar ao forno a 180 graus. Fazer o teste do palito para verificar a cozedura. Cobrir com a seguinte mistura:
Misturar bem 100 g de açúcar confeiteiro com três colheres de chá de sumo de limão. Se necessário, acrescentar mais sumo de limão, até obter a consistência desejada.
Cortar em quadrados e servir.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Uma manhã, uma boa ação, três receitas.

É nas manhãs de domingo que me dedico ao blogue. Durante a semana, as rotinas não me permitem fazê-lo. Ultimamente, mal tem havido tempo para fotografar pratos. O tempo divide-se entre as atividades do Manel, os afazeres domésticos e a preparação do dia seguinte. E não podemos (nem queremos) descurar o tempo que passamos uns com os outros. A faltar tempo para alguma coisa, é o blogue que fica para trás. 
Aos domingos, não. Depois de um pequeno almoço a três, é tempo de editar as fotografias acumuladas na câmara e de engendrar um ou outro texto. Neste momento (domingo, 11 da manhã), o Manel esculpe um Super Mario de plasticina, eu escrevo este texto e o pai corrige testes, muito concentrado. Na televisão, passa um filme de uma família de super-heróis que nos faz parecer a família mais enfadonha do mundo. No entanto, parece que também nós podemos fazer o Bem, mesmo na pacatez da nossa sala. Um pássaro conseguiu entrar pela chaminé e entrou na lareira. Deixámo-lo voar, em liberdade. Salvámos o pássaro, diz o Manel. Depois da boa ação, continuamos as nossas tarefas simples e prazerosas (a do meu marido, nem tanto :). 


Aqui ficam duas receitas com um fruto da época, o tamarilho. A primeira, feita há dias. A segunda, feita no ano passado, e por publicar. Escolham a vossa preferida e ponham mãos à obra. 

Doce de tamarilho com especiarias
 Ingredientes:
700 g de tamarilhos, pesados sem a casca
700 g de açúcar
1 colher de café de canela moída
4 cravinhos
1 pitada de gengibre moído
1 pitada de cardamomo moído


Preparação:
Num robot de cozinha, tritura-se os tamarilhos. 
Numa panela alta, coloca-se a polpa de tamarilho, o açúcar e as especiarias. Deixa-se cozer, em lume brando, até atingir o ponto de estrada*.

* Sabemos que o doce atingiu o ponto quando se coloca um bocadinho num prato frio, se passa o dedo e forma uma estrada.



Doce de tamarilho com pimenta
(A receita pode ser consultada no blogue da minha amiga Elvira)



O pão que veem nas fotos do primeiro doce é caseiro, feito segundo a técnica mais simples que conheço: artisan bread. Uma técnica que nos permite ter sempre massa de pão no frigorífico, pronta a usar. E, muito importante para quem não gosta de sujar as mãos, não é preciso amassar.
Eis a receita:
Num recipiente de plástico, misturar 700 ml de água tépida, 1 colher de sopa de sal e 20 g de fermento de padeiro (ou uma colher de sopa de fermento biológico seco). Juntar 1 kg de farinha e mexer, com uma colher de pau, até que esteja bem incorporada. Deixar levedar, tapado, à temperatura ambiente. Passadas duas horas, a massa está pronta para ser usada, ou pode ir para o frigorífico, onde poderá ser guardada durante 1 semana.
Quando usar a massa, polvilhar a superfície da massa com farinha, puxar a quantidade desejada e cortar com uma faca de serra ou uma tesoura. Colocar numa superfície enfarinhada (uso farinha de milho) e tender os pães, amassando o menos possível. Deixar levedar cerca de meia hora e levar ao forno a 180 a 220 graus, cerca de 30 minutos. 
Deixe arrefecer o pão sobre uma grelha ou coma-o ainda quente, barrado com manteiga (Milhafre, de preferência).
Para além de pão, costumo usar esta massa em pizza. Resulta muito bem e sabe bem chegar a casa, abrir o frigorífico e encontrar massa pronta, à nossa espera.

Caso pretendam saber mais acerca desta técnica, consultem este post, o meu guia.


domingo, 30 de junho de 2013

Até para o ano.

Hoje, Angra despe as roupas de festa e regressa à normalidade.
Durante uma semana, a cidade encheu-se de música, de gente e de cor. Ao longo de nove dias, as pessoas esqueceram a crise e as agruras da vida e entregaram-se aos acordes das filarmónicas, às iluminações coloridas e à magia das marchas de S. João. Bebeu-se sangria, comeu-se morcela, caracóis e farturas, assistiu-se a desfiles e concertos. As crianças correram, riram, saltaram em insufláveis e conduziram carrinhos de choque. Uma semana em que a felicidade toma conta das gentes. Uma semana em que os terceirenses estão mais animados do que nunca. Encontram-se os amigos de sempre, colegas de trabalho e pessoas que só vemos de ano a ano. E paramos para dois dedos de conversa, que nestes dias não há pressas. E sentamo-nos a uma mesa a beber um copo. Estamos felizes e durante umas horas esquecemos o trabalho e os exames que temos em casa para corrigir.
Hoje, a realidade. Os exames, que continuam no armário, à espera que os acabe. E uma gripe, com a qual fui presenteada durante as andanças descritas no parágrafo anterior. Hoje, quero casa, descanso e waffles quentinhos para o pequeno-almoço. Para o ano, há mais.

Se vos apetecer ver imagens das nossas festas, espreitem o blogue do António Araújo, um fotógrafo com uma sensibilidade muito especial.



Deixo-vos a foto dos waffles que fiz hoje para o pequeno-almoço. Apenas 1/2 dose, pois a receita inteira rende cerca de 15, demasiados para uma família de 3 pessoas :). A receita está no Receitas ao Desafio, escrita pela mão da Maria.



domingo, 22 de julho de 2012

Panquecas de queijo-creme para um pequeno-almoço no jardim

Uma das coisas de que gosto no verão. Os pequenos-almoços no jardim. Café quentinho, sumo de laranja fresco, panquecas fofas e compotas coloridas. Sinestesia à mesa. Uma brisa ligeira, que não chega a ser vento. O som dos pássaros, pousados nos fios elétricos. E o de uma pomba, que fez ninho na chaminé. Ao longe, ouve-se o ruído da máquina de um vizinho, que aproveita o dia de descanso para cortar a relva. E a refeição prolonga-se, sem que tenhamos que nos apressar. E continuamos pelo jardim. A ler, a fotografar, a escrever este texto. 

Panquecas de queijo-creme
(adaptadas das panquecas de ricotta da Nigella Lawson)

250 g de queijo ricotta (ou queijo-creme)
125 ml. de leite
2 ovos
100 g de farinha de trigo
1 colher (de chá) de fermento

Mistura-se o queijo-creme, o leite e as gemas. Adiciona-se a farinha e o fermento, misturando bem. À parte, batem-se as claras, só até ficarem espumosas, e misturam-se ao preparado anterior. 
Aquece-se uma frigideira anti-aderente pequena. Vai-se deitando a massa (com uma concha) e virando as panquecas, com cuidado, para não se desmancharem. Servem-se com maple syrup, ou compotas, ou fruta, ou o que vos apetecer.

Servi o sumo de laranja com cubos de gelo floridos, inspirada nos que vi no blogue da Gabriela, sempre cheio de boas ideias. São estes pequenos detalhes, que não custam nada, que tornam os nossos dias bem mais coloridos. 

Um bom domingo para todos.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Come morangos, pequena; come morangos!


        O mote foram os morangos maravilhosos que comprei ontem a uma vendedora ambulante. Foi só acrescentar um iogurte grego e a última granola que fiz. E foi este o meu pequeno-almoço de 25 de abril de 2012. Na televisão, as cerimónias do dia. Manuel atentíssimo (o meu, que o outro não foi às cerimónias:), Paulo de Carvalho com o seu E depois do adeus, os cravos, os nossos políticos, nos seus fatos sérios e solenes. 
        Enquanto corto os morangos, sou assolada por um monte de interrogações. Todas sem resposta. Pergunto-me o que comemoraremos daqui a 38 anos. O 25 de abril ou outra revolução qualquer. Não sei. Só sei que tenho pena do que este país se tornou. E continuo a cortar morangos. E penso que a Assunção Esteves tem um corte de cabelo bem giro.

Granola 
(a partir desta)

200 g de flocos de aveia
1/2 chávena de bagas goji
1/2 chávena de frutos secos (usei nozes, avelãs, nozes pecan, passas e amêndoas)
50 g de coco ralado
1 colher (de sopa) de essência de baunilha
80 g de mel + 80 g de xarope de milho (podem usar só mel ou mel e açúcar)
2 colheres (de sopa) de água
1 colher (de sopa) de canela moída
1 colher (de chá) de cardamomo
1 pitada de noz moscada, recém-moída

Aqueça previamente o forno a 180 graus e unte o tabuleiro.
Numa tigela, misture os flocos de aveia, as bagas goji, os frutos secos e o coco ralado.
Noutra tigela maior, misture todos os ingredientes molhados e as especiarias.
Junte os ingredientes secos aos molhados.
Espalhe a mistura no tabuleiro, de forma regular, usando uma espátula para a alisar.
Leve ao forno durante cerca de 40 minutos, vigiando sempre. Quando começar a alourar, volte a mistura com uma espátula para que torre regularmente de ambos os lados.
Depois de pronta, retire do forno, deixe arrefecer e junte os damascos (ou as ameixas, como foi o meu caso).
Guarde num recipiente hermético.


Depois, é usar como a sua imaginação lhe ditar. Com leite, com iogurte, com fruta, comido do frasco. Como bem entender. Afinal, hoje comemora-se a liberdade.


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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.