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sábado, 15 de março de 2014

Bacalhau com grelos e batatas a murro. E uma sementeira.

Já tinha saudades de ser a horta a decidir o jantar. Hoje, foi o passeio do final da tarde, depois de ter andado a fazer as sementeiras de primavera, que serviu de mote para este jantar. Os grelos que despontavam no meio das couves verdes e viçosas sugeriram que o jantar fosse bacalhau. Aos dois ingredientes de honra, foi só juntar azeite do bom, muito alho e batatas novas, com aquela casca ainda muito de aproveitar. O resultado foi um jantar bem nosso, a fazer lembrar os Natais no Norte, em casa dos meus sogros. 

 

Bacalhau com grelos e batatas a murro 
Ingredientes para nós os três:
2 postas grandes de bacalhau
2 cebolas de rama, cortadas em rodelas (incluindo a parte verde) - pode substituir por cebola
1 molho grande de grelos
Uma quantidade generosa de azeite de boa qualidade
2 cabeças de alho
3 batatas por pessoa
sal e pimenta


Preparação:
Lava-se as batatas, salpicam-se com sal, e assam-se, a 200 graus, cerca de 45 minutos, dependendo do tamanho.
Coze-se o bacalhau e parte-se em lascas. À parte, coze-se os grelos al dente.
Leva-se ao lume 1 cabeça de alho, esmagada, e azeite. Junta-se os grelos e deixa-se saltear. Se for necessário, acrescenta-se azeite.
Faz-se um refogado com a cebola de rama, a outra cabeça de alho (os dentes picados) e azeite. Junta-se o bacalhau, em lascas, e deixa-se refogar. 
Retira-se as batatas do forno, limpa-se o sal, dá-se-lhes um murro e juntam-se ao bacalhau. Deixa-se cozinhar mais um ou dois minutos. Serve-se o bacalhau com os grelos salteados.

E agora, uma amostra da nossa coleção primavera/ verão 2014:


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Uma tarde ao ar livre e uma torta de bacalhau

Sabem bem dias assim. Dias sem horas marcadas, em que há tempo para tudo. Umas páginas do livro do momento, ainda antes do pequeno-almoço. Panquecas e café quentinho. Almoço improvisado, mas saboroso. A seguir, uma tarde no exterior. 
Uma tarde bonita, primaveril. Já não era sem tempo. Analisaram-se os estragos do inverno. A minha verbena foi bastante fustigada. Foi hoje* o dia de a podar. Com a ajuda preciosa do Manel, que apanhou os ramos secos e que se sentiu muito importante por isso.


Depois de tratar do jardim, fomos para a horta, onde nos esperava o meu pai. Andei a fotografar as verduras. Nesta altura, quase as vemos crescer, diante dos nossos olhos. Muito generosa, a natureza, nesta época do ano.

                                                                                         ervilhas

                                                                                                           couves de bruxelas, ainda bebés

Fotografámos ainda o nosso novo hóspede. Lembram-se deste post? Um dos maios expostos no dia 1 foi oferecido ao meu pai, por um amigo, para servir de espantalho na nossa horta. Está cá em casa desde a semana passada e tem cumprido bem a sua função. Nunca mais os pássaros comeram as ervilhas :)

Apesar de não se aproximarem dos canteiros, com medo do espantalho, os pássaros continuam a habitar as árvores. Encontrámos um ninho, alojado numa faia. O Manuel veio chamar-me, entusiasmadíssimo. Ó mãe, tens de falar baixinho, para não assustares os passarinhos. Eles são bebés, têm medo! Com cuidado, fotografámo-lo, mesmo antes de a mãe regressar para alimentar os filhotes.


Dali a pouco, vimos a mãe voar, até ao ninho. O Manel supôs logo que fosse levar comida aos filhotes. A tarde na horta prolongou-se, enquanto houve sol. Chegámos a casa cansados, mas felizes. Depois de um banho, fiz o jantar. Uma torta de bacalhau, receita da minha amiga Lídia. Deixo-vos a foto. A receita pode ser consultada no Receitas ao Desafio

* Sábado, dia em que este texto foi escrito.


                  A vista da cozinha para o meu adorado Pico do Capitão :)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Uma entrada para receber 2013

A última noite do ano começou com a missa de sétimo dia de uma senhora muito querida. Uma pausa nos preparativos do jantar para dar um abraço a pessoas que significam muito para mim.
A mesa ficou posta. Os vinhos alinhados, à espera da hora. O espumante a refrescar. Tudo a postos para receber 2013. Várias mãos a trabalhar para que o jantar fosse especial. E foi.
Feliz 2013!

Vols-au-vent de bacalhau 



Ingredientes:
10 g de coentros
150 g de cebola
2 dentes de alho
40 g de azeite
300 g de bacalhau demolhado e desfiado, bem escorrido
100 g de queijo-creme
500 g de massa folhada
água, para pincelar
1 gema de ovo, para pincelar
cebolinho picado, para decorar

Preparação na Bimby:
Coloque no copo os coentros e pique 2 segundos, velocidade 7. Retire e reserve.
Coloque no copo a cebola, o alho e o azeite, pique 5 segundos, velocidade 5, e refogue 5 minutos, varoma, velocidade 1.
De seguida, desfie 2 segundos, velocidade 4, inversa.
Adicione o queijo-creme e os coentros reservados e envolva, com a ajuda da espátula. Retire e deixe arrefecer.
Numa superfície lisa, estenda a massa folhada e, com a ajuda de um cortador, faça círculos de 6 cm de diâmetro. Com um cortador menor, corte, em metade dos círculos, um círculo central com 4 cm de diâmetro.
Pincele com água as extremidades dos círculos de 6 cm e sobreponha a argola. Coloque os vols-au-vent num tabuleiro forrado com papel vegetal, pincele com gema e leve ao forno a 180 graus, cerca de 15 minutos ou até folhar.
Deixe arrefecer e preencha o orifício central com o recheio de bacalhau.
Sirva-os polvilhados com cebolinho picado.

Preparação tradicional:
Pique os coentros e reserve.
Pique a cebola e os alhos e faça um refogado com o azeite. Junte o bacalhau e deixe refogar mais uns 5 a 7 minutos, mexendo para não queimar. Adicione o queijo-creme e os coentros reservados e envolva bem. Retire e deixe arrefecer.

Numa superfície lisa, estenda a massa folhada e, com a ajuda de um cortador, faça círculos de 6 cm de diâmetro. Com um cortador menor, corte, em metade dos círculos, um círculo central com 4 cm de diâmetro.
Pincele com água as extremidades dos círculos de 6 cm e sobreponha a argola. Coloque os vols-au-vent num tabuleiro forrado com papel vegetal, pincele com gema e leve ao forno a 180 graus, cerca de 15 minutos ou até folhar.
Deixe arrefecer e preencha o orifício central com o recheio de bacalhau.
Sirva-os polvilhados com cebolinho picado.

Fonte: Bimby - Momentos de partilha, Dezembro de 2012

N.B.: Para além destes, recheei alguns com morcela e maçã (receita aqui).


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"A necessidade aguça o engenho"

        Em tempos de crise económica, a criatividade tende a aumentar. A necessidade a isso obriga. Quando o dinheiro rareia, há que arranjar alternativas para o que antes estava à distância de uns euros. Há que arranjar formas de ter sem precisar de gastar. O verbo "comprar" deu lugar ao "fazer". A decoração DIY, os presentes de Natal feitos em casa, o vestuário vintage, muitas vezes reciclado, o regresso à costura, ao crochet e ao tricot. O regresso ao passado, no fundo. Tudo o que antes era ignorado ou considerado fora de moda está agora in. E a indústria da moda acompanha a tendência. As saias e casacos que parecem ter sido feitos pela modista da aldeia, as capas e camisolões XL, em tricot, passeiam-se pelas passerelles nacionais e internacionais. E nós, inspiradas, metemos mãos à obra. Já recuperei as minhas agulhas e um dia destes vou comprar lãs. Vou voltar a fazer tricot :) 
        Também na cozinha há que ser criativo. Do pouco fazer muito. Mesmo com ingredientes simples e económicos, é possível apresentar refeições saborosas, preparadas com  dedicação e carinho. Nos dias que correm, cada vez mais devemos abraçar o desafio de transformar o simples e banal em bonito e requintado. Porque para comer bem não é preciso gastar rios de dinheiro. 
        Este jantar não foi feito com muito: bacalhau, pão duro, couves da horta e pouco mais. E soube-nos tão bem, numa noite de outono fria e chuvosa, acompanhado de um copo de tinto.

Açorda de bacalhau com couves

300 g de migas de bacalhau
3 dentes de alho
6 cebolinhas de rama (ou 1 cebola, picada)
1 dl de azeite
200 g de pão
4 colheres de polpa de tomate
sal e pimenta q.b.
coentros q.b.
3 folhas de couve


Cozi as couves.
Refoguei o alho e as cebolinhas de rama (cortadas em rodelas) no azeite. Juntei o bacalhau e a polpa de tomate e deixei cozinhar mais alguns minutos. Adicionei o pão, temperei com sal e pimenta e mexi durante mais algum tempo. No fim, acrescentei os coentros, picados. Sobre cada folha de couve, aberta, coloquei uma porção de açorda e fiz uns embrulhos, como podem ver nas fotos. E deliciámo-nos, com a nossa refeição saborosa e económica. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma refeição simples (quase) no final de um ciclo

Acho que hoje bati um recorde. Cinco minutos para almoçar. Uma sandes, comida à pressa, de pé, no bar da escola. Ao dar a última dentada, reparei que os alunos já estavam à minha espera, à porta da sala de professores. Uma aula extraordinária para apresentarem os últimos trabalhos do ano. A última vez em que estivemos todos juntos, naquele contexto. Na próxima semana, encontrar-nos-emos. Haverá sessões de apoio para os exames. Mas aula, foi hoje a última. A última de três anos. 
Enquanto os ouvia falar sobre Memorial do Convento, recuei no tempo. Vi-os, com quinze anos. Alguns deles, nem isso. Uns adolescentes inseguros, com medo de falar. Hoje, vi uns jovens eloquentes, preparados para o futuro. E senti-me orgulhosa. Orgulhosa do percurso que fizeram. E que eu tive o privilégio de acompanhar. E, apesar do cansaço, a sensação é a de que, apesar de tudo, esta ainda é uma das profissões mais bonitas. Por mais cansativa que seja. Por mais desacreditada que esteja. Por mais burocracia que tenha. Por mais que pareçam ser os números o que mais interessa. Rankings. Estatísticas. O mais importante são as pessoas. O João, a Leonor, a Beatriz, a Joana, a Catarina, o André, o Diogo, o Paulo, a Margarida, a Ana... Olhar para um grupo de jovens e pensar que em cada um deles está um bocadinho de nós é algo de que qualquer professor se deve orgulhar. Eu orgulho-me. E, por mais anos que passem, não consigo deixar de sofrer sempre que acabo um ciclo com pessoas com as quais convivi diariamente ao longo de três anos. Vou ter saudades deles. 

Depois deste dia, cheguei a casa sem grande inspiração para cozinhar. Uma refeição simples. Aquilo que no resto do país são pataniscas e, nos Açores, tortas. Com um copo de vinho ao lado. E a música dos October Flight, uma nova banda da minha terra que ando a ouvir em repeat. Porque na minha terra se faz boa música :)


Agora, a receita das tortas:
(para três)
200 g de bacalhau cozido, desfiado
4 ovos
1 raminho de salsa, picada
1 cebola média, picada
3 colheres de farinha
sal e pimenta
açaflor (1 colher de café)
noz moscada

Misturei os ingredientes todos. Temperei com sal, pimenta e o açaflor. Aqueci uma frigideira anti-aderente, untada com azeite. Deitei colheradas da mistura e deixei cozinhar. Tradicionalmente, as tortas são fritas em óleo abundante. Optei por esta forma, por ser mais saudável, mas caso optem por as fritar, não se esqueçam de usar muito papel absorvente, para ensopar o óleo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tarte de bacalhau da Carla

Há pratos que nos fazem viajar. À primeira dentada, somos transportados para sítios mais ou menos longínquos, para tempos mais ou menos remotos. Lembramo-nos das pessoas com quem estávamos, de pormenores da mesa, das conversas partilhadas enquanto os provávamos. 
Esta tarte leva-me até à Povoação, numa tarde de agosto. Leva-me até uma mesa bonita, vestida de cores sóbrias. Leva-me até um cesto com pão caseiro, feito pelas mãos da minha amiga Carla. À nossa espera, azeitonas aromatizadas com ervas (orégãos, se não me engano) e uma garrafa de vinho bem fresquinha. Recordo este almoço tranquilo, numa casa linda, com uma vista de cortar a respiração. Recordo uma conversa agradável entre amigos que há muito não se viam. Recordo ainda um Manel cheio de sono, que adormeceu mal chegou ao carro. E recordo uma tarde de praia perfeita na Ribeira Quente. Num daqueles dias de céu muito azul, de sol muito quente e de água muito cristalina.


Ingredientes para a massa:
250 g de farinha
1 ovo
70 g de manteiga
água e sal q.b.

Ingredientes para o recheio:
2 postas de bacalhau (usei uma embalagem de migas de bacalhau)
8 camarões descascados
1 cebola
3 dentes de alho
1/2 colher de sopa de manteiga (substituí por 2 colheres de azeite)
1 dl de natas
4 ovos
2 gemas (não usei)
2 colheres de sopa de farinha
4 dl de leite
sal, pimenta e farinha q.b.

Misture bem todos os ingredientes para a massa, de modo a ficarem bem ligados, e deixe repousar 15 minutos.
Prepare o recheio: Refogue a cebola e os alhos no azeite, durante 3 minutos. Acrescente o bacalhau e os camarões, cortados em pedaços, e deixe estufar 5 minutos. Acrescente as natas e os ovos.
Misture a farinha com o leite, sal e pimenta. Leve ao micro-ondas durante 4 minutos, na potência máxima. Envolva este molho com o bacalhau.
Estenda a massa numa superfície plana, polvilhada com farinha, e forre uma forma de tarte. Verta o recheio e leve ao forno a 180 graus.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uma combinação inusitada: Lasanha e Radiohead

Olá. Hoje, a receita está na cozinha do lado. Deixo-vos uma foto, para abrir o apetite.



E, agora, uma sugestão energética para gastar a energia da lasanha.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pescada gratinada


Apesar de cozinhar muito com o auxílio da Bimby e dos livros da Bimby, de vez em quando gosto de folhear os meus livros de receitas antigos. Um dos meus preferidos é O livro de Pantagruel. Gosto imenso deste livro, com a sua capa rústica, as dicas e truques, as citações e a linguagem um tanto ou quanto antiquada.  Vê-se que foi feito com carinho. Talvez por essa razão nunca fiz uma receita dele que não saísse bem. Desta vez, foi pescada.  Apresento-vos a receita, copiada ipsis verbis da fonte. 

Lombos de pescada grande, 2
Manteiga, 150 g 
Leite, 2 dl
Queijo ralado, 2 c. de sopa
Alho pequeno espremido, 1
Salsa, sal, limão, pão ralado e pimenta, q.b.


Unta-se um pirex com bastante manteiga, colocam-se nos fundo os filetes de peixe alinhados - e que previamente foram temperados com alho e sal - e regam-se com o leite temperado com sal, pimenta e uma boa porção de salsa picadinha. Põe-se por cima o resto da manteiga em pedacinhos, polvilha-se com o queijo ralado e depois com uma leve camada de pão ralado. Mete-se em forno lento e rega-se de vez em quando com colheres do molho que for fazendo, até a superfície ficar gratinada. Ao tirar, tempera-se com sumo de limão.

Fiz as seguintes alterações à receita original:
1. Untei o pirex, não com manteiga, mas com spray de cozinha.
2. Sobre cada filete, coloquei apenas uma nozinha de manteiga.
3. Usei pão ralado caseiro, aromatizado com alho e salsa, cuja receita podem ver aqui.

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