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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nós na TV

Os dias têm sido cheios. Durante a semana, trabalho. No fim de semana, reportagem para a RTP Açores, juntamente com outras bloggers amigas (Patrícia, Susana, Elvira, Manuela e Diana), no Biofontinhas, a quinta biológica dos sábados de manhã. Ontem à noite, programa de televisão, em direto, sobre a blogosfera terceirense. Hoje, reunião de pais no colégio do Manuel. Resumindo, não tenho parado. 
Foi bom ver os nossos blogues na TV. Nunca imaginei que, passado tão pouco tempo, tivéssemos chegado tão longe. Para além de todas as pessoas maravilhosas que já conheci devido a este blogue, agora tive a oportunidade de conhecer um bocadinho o mundo da televisão. Apesar do nervosismo por estar num programa em direto, gostei muito da experiência. E gostei muito de falar sobre duas coisas que me dão tanto prazer: escrever e cozinhar. Obrigada, Elvira, por seres, como diz a Diana, a nossa fada madrinha.

Não consigo partilhar o vídeo convosco, mas quem o quiser ver pode ir à página do facebook do programa (acores.rtp.pt). Apesar do cansaço e do sono, achei que tinha a obrigação de vir aqui partilhar com todos quantos me leem a novidade :) Agora, vou dormir. Estou mesmo a precisar. Boa noite.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Três vezes

Foram só três vezes. Mas nunca mais se esqueceu. Lembrava-se de cada lugar, de cada detalhe, de cada prato. Absorveu todos os momentos, pois sabia que não ia ter muitas mais oportunidades de sair da ilha. Viveu tudo com muita força, para não perder nada. Para que cada imagem, cada ruído, cada cheiro ficasse gravado. Para que passassem a fazer parte dela. Mal dormia. Tudo era uma emoção. O mais pequeno ritual, tão banal para tantos, era vivido de forma intensa. A viagem de avião. A estadia nos hotéis. Os ruídos noturnos da cidade. As prostitutas que faziam negócio na rua. Louvado seja Deus, nunca pensei que com esta idade fosse assistir a uma pouca vergonha destas! A Torre de Belém. O Jardim Zoológico. O Museu dos Coches. Como ela gostou do Museu dos Coches! Sonhadora como era, creio que se imaginou uma princesa, sentada num deles. No Minho, jantou numa adega, a beber vinho verde. Em Fátima, comoveu-se, de joelhos, em frente a Nossa Senhora. No Alentejo, comeu açorda. No Algarve, viu praias de areia branca.  Ela, que pensava que eram todas de areia escura, como as nossas. Nunca mais se esqueceu de umas ameijoas que comeu, temperadas com uma erva parecida com salsa. Que coisa boa! Para não se esquecer de nada, ia registando tudo num caderninho de capa preta, na sua letrinha de quem só fez a quarta classe. Gostava de ter estudado mais, mas eram outros tempos. Os meus pais não me deixaram.
Tinha mais de sessenta anos quando saiu da ilha pela primeira vez. Ao chegar, trouxe presentes para todos. Como quem faz uma viagem muito longa. Disse à família: “Se morrer, vou satisfeita. Já saí daqui.” Só morreu dali a mais de uma década. Saiu da ilha mais duas vezes. Ao todo, três.
Mesmo só tendo viajado três vezes, soube como era o mundo para além da pequenina ilha Terceira. Ao contrário dela, muitos açorianos morrem sem conhecer o que há para além da linha do horizonte que veem todos os dias.


Ameijoas à Bulhão Pato 
Ingredientes (para três, que, por acaso, é o número de pessoas cá em casa):
1 kg de ameijoas
1 dl de azeite
4 dentes de alho, cortados em rodelinhas
coentros grosseiramente picados q.b.
sal, pimenta e sumo de limão q.b.

Preparação:
Colocam-se as ameijoas em bastante água, temperada com sal.
Levam-se os alhos ao lume, num tacho grande, a cozer um pouco no azeite. Juntam-se os coentros e, quando estão no auge de estalar, deitam-se as ameijoas e tapam-se. Vai-se sacudindo o tacho, andando com as ameijoas à roda de baixo para cima, até estarem todas abertas. Retiram-se do lume, polvilham-se com uma boa porção de pimenta, regam-se com bastante sumo de limão e servem-se.

FonteO Livro de Pantagruel, Bertha Rosa-Limpo, Jorge Brum do Canto e Maria Manuela Limpo Caetano, Temas & Debates


Notas:

1. Com esta publicação, junto-me à festa do 3º aniversário do blogue Figo Lampo, um blogue algarvio de que gosto bastante, com receitas, fotografias e textos realmente inspiradores. Muitas felicidades, Margarida!

2. Nos Açores, pelo menos na Terceira, os coentros não são uma erva tradicionalmente utilizada na culinária, ao contrário da salsa. 



figofinal.jpg


domingo, 3 de abril de 2011

No princípio era...


Há anos que me passeio timidamente pela blogosfera, sem nunca deixar rasto. Gosto da empatia que se vai criando com quem escreve só porque sim, sem outro objetivo que não seja partilhar coisas suas, gosto do facto de essa empatia se basear naquilo que realmente interessa, isto é, na escrita, nas opiniões, nos ideais e de, na maior parte dos casos, não fazer a mínima ideia da aparência de quem está por detrás do blogue.
          Há uns meses, em conjunto com umas amigas, decidimos criar um blogue de culinária, Receitas ao Desafio, que surgiu como se de um livro de receitas coletivo se tratasse. Este blogue despertou em mim o gosto pela escrita, que andava meio adormecido, e deu-me vontade de escrever sobre outras coisas, que não tenham necessariamente a ver com comida (se bem este que será, certamente, o tema dominante deste blogue, que agora inicio). Bem-vindos!



            E, para começar, uma receita acre e doce:

            Almôndegas com Brie em molho agridoce.


              Ingredientes para as almôndegas:
           500 g de carne picada
              Sal e pimenta q.b..
             1 ovo
           Miolo de 3 fatias de pão de forma
           Pão ralado
           60 g de queijo Brie
           Óleo para fritar

             Ingredientes para o molho:
          2 colheres (de sopa) de açúcar
          1 colher (de sopa) de manteiga
          2 colheres (de sopa) de vinagre
            200 g de cogumelos
          Azeite
          1 dente de alho
          1 colher (de chá) de farinha

Preparação:

Numa tigela, coloca-se a carne, o ovo e o pão, previamente desfeito em leite, e tempera-se com sal e pimenta. Amassa-se tudo, usando as mãos, com um pouco de pão ralado. Formam-se as almôndegas, colocando no centro de cada uma um cubinho de Brie. Fritam-se em óleo a ferver (a fritura deve ser rápida, caso contrário, tendem a abrir).
           Ferve-se o açúcar com a manteiga, junta-se o vinagre e apura-se durante 1 minuto. Pelam-se os cogumelos, cortam-se às fatias e salteiam-se numa frigideira, com um pouco de azeite e o dente de alho pisado, com casca. Polvilha-se com farinha, refoga-se poucos minutos e mistura-se com o molho agridoce, sem o alho.
           Serve-se as almôndegas com o molho de cogumelos.

            Fonte: Revista Caras (não me recordo do número, pois encontrei-a na pilha das muitas receitas que recorto das Caras da minha mãe).



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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.