Sintra não são as filas de carros nem os autocarros cheios de turistas de sandálias de velcro. Não é o cansaço das subidas a pé, em dias de calor abrasador, nem as lojas de souvenirs.
Gosto de imaginar Sintra como nos romances do século XIX. Sintra dos cavalos lustrosos e das charrettes. Sintra das sombrinhas, dos vestidos volumosos e dos chapéus, altos para os cavalheiros e ornamentados para as damas. Sintra refúgio de famílias endinheiradas, de casais apaixonados, de intelectuais entediados. Sintra misteriosa de Eça e Ramalho, Sintra do Cruges e das queijadas. Em cada recanto, um episódio. Em cada banco de jardim, um casal que namora, sob o olhar atento de uma aia velha. Debaixo de uma árvore, um jovem melancólico escreve um poema de amor. Numa sala do palácio, o frufru de vestidos apressados para o jantar.
Há lugares que nos são apresentados pelos livros. E, se fizermos um esforço, não deixamos que a imagem que criámos se desbote. Para mim, as cores garridas das torres do Palácio da Pena são a preto e branco. Só me faltou mesmo comer queijadas. Não me esqueci, como o Cruges. Não calhou.
