Gosto muito de ouvir as histórias que emolduram as receitas. Aqueles pratos mais especiais têm quase sempre histórias, momentos e pessoas associados. A sopa de peixe da minha avó, a canja da minha mãe, o caldo de peixe do meu avô são pratos que são um bocadinho máquinas do tempo. Como aquele carro dos filmes que víamos na infância, a comida também nos leva para outras épocas.
Enquanto mexia os brigadeiros, a minha amiga Keilla falava-me dos tempos de escola, de quando chegava a casa e a mãe fazia brigadeiro. E ela, impaciente, não esperava que a mãe fizesse as bolinhas. E comia assim mesmo, da panela, enquanto assistia filme. E dei por mim a pensar que, no fundo, só mudam as receitas. O resto é igual. Quer estejamos na Europa ou na América, no Hemisfério Norte ou no Sul. O carinho das mães e aquela despreocupação da infância que não volta mais são universais. Eu não comia brigadeiro enquanto assistia filme na TV, mas comia panquecas e pipocas. E a lembrança daquela sensação de chegar da escola, pousar a mochila e deitar-me no sofá, acarinhada pela minha mãe, há de ser muito semelhante à da Keilla ao provar um brigadeiro.
Hoje, a minha receita vem em português do Brasil, ditada pela minha amiga Keilla :)
Brigadeiro
Ingredientes:
1 lata de leite condensado
1 colher (de sopa) de manteiga
3 colheres (de sopa) de Nesquik
Preparação:
Com uma colher de pau, misturar todos os ingredientes. Levar ao fogo. A partir do momento em que você põe no fogo, tem de mexer sempre, para não grudar. Quando desgrudar da panela (quando a colher de pau começar a deixar uma "estradinha", desligar o fogo). Deixar esfriar.
Passar as mãos por manteiga e enrolar os brigadeiros, entre as palmas das mãos.
Passar por confetis ou granulado de chocolate.
Gostoso, não? ;)
