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domingo, 7 de outubro de 2018

Sabores de outono: maçã e canela

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Nunca sinto falta da estação que finda. Ou pelo menos, o sentimento nunca dura muito. Mesmo quando se trata do verão. Aproveito-o até ao fim. Mas recebo sempre com agrado o outono. Antes, dizia que era esta a minha estação preferida. Agora não sei, que com a idade fui-me tornando mais solar. Não importa. Afinal, nem tudo tem de estar rotulado por ordem de preferência. Sei que continuo a gostar muito desta estação de aconchego. Das flores, das primeiras folhas que caem, da primeira noite em que apetece cobertor, de gatos ronronantes, que começam a preferir sofá a jardim. Este ano, uma surpresa: a minha macieira deu fruto. Fui colher, com o Manel, as maçãs pequeninas e pouco doces, pouco  apropriadas a serem comidas ao natural. Entre mais uma compota ou uma tarte, optei pela segunda. Como não queria nada trabalhoso nem pesado - foi feita num dia de semana -, escolhi uma receita básica do livro da Bimby.
Há quem adapte receitas de família à Bimby. Eu costumo fazer o contrário. Adapto receitas da Bimby ao método tradicional, para partilhar com quem não tem a máquina. Algumas valem muito a pena. Esta tarte de maçã é uma delas. Saborosa e muito fácil de fazer, já que não envolve rolo nem tarteiras revestidas a massa. Quanto a mim, falta apenas um pormenor à receita original: canela. Não concebo uma tarte de maçã sem canela. É das minhas combinações preferidas. Aqui está, então, a receita, com as maçãs pequeninas e acres do meu jardim e o toque quente da canela.

Tarte de maçã 

  • 6 maçãs (usei 8, pequeninas)
  • Sumo de 1 limão 
  • 1 ovo 
  • 2 gemas 
  • 150 g açúcar 
  • 130 g manteiga 
  • 170 g farinha 
  • 2,5 colheres de chá de fermento para bolos 
  • 1 pitada de sal 
  • Canela q.b.

Pré-aquecer o forno a 180 graus.
Descascar as maçãs, cortá-las em quartos e de seguida laminá-las finamente sem chegar até abaixo, regar com o sumo do limão, polvilhar com canela a gosto e reservar.
Bater vigorosamente o ovo, as gemas, o açúcar e canela (opcional). Adicionar a manteiga e continuar a bater, até estar  bem incorporada.
Envolver a farinha, o fermento e o sal e a canela, sem bater.
Verter o preparado para uma forma de fundo amovível. Colocar por cima os quartos de maçã laminada, com a parte cortada voltada para cima.
Levar ao forno cerca de 30 minutos (testar a cozedura com um palito). 

Retirar do forno, deixar arrefecer, desenformar e polvilhar com açúcar em pó, através de um passador.

Deixo ainda uma descoberta deste fim de semana. Uma menina talentosa que encantou ontem à noite no AngraJazz, um festival que acontece todos os anos por esta altura em Angra do Heroísmo.


Para terminar, quero pedir desculpa a quem tem deixado comentários e não tem obtido resposta. Não sei o que se passa, mas não consigo responder aos comentários neste blogue. Já andei a ler sobre o assunto, mas não consigo resolver o problema sozinha. Já aconteceu a alguém? Alguém sabe como resolver? Obrigada!

domingo, 19 de março de 2017

Primavera. E uma receita com coco em dia do pai.

O calendário diz que é só amanhã. Mas eu estou pronta. Nunca estive tanto. Quero que este inverno acabe e que a primavera chegue, com todas as coisas que lhe estão associadas. As flores e os pássaros e todos os sinais que a ilustram em livros infantis e poemas ultra-românticos. Com as flores e o verde, quero que venham todas as outras coisas que simboliza. A calma,  a renovação, a esperança.

Enchi a casa de flores. Às de todo o ano, juntam-se outras, da estação. As do jardim acompanham as vindas do sítio do costume. Já há frésias. Sempre uma alegria quando vejo as primeiras.  Junto-lhes gerberas e proteas. Do jardim, vêm jarros e margaridas. Está composto o ramalhete. Que bem que ficam, todas juntas, a cantar a uma só voz. Na cozinha, voltou a vontade de misturar, de experimentar.  E de brincar com ingredientes menos comuns. Esta manhã, não resisti aos ovos de codorniz que encontrei na praça. Que lindas que são aquelas miniaturas pintadas de preto! Parece-me que hão de ficar bonitos a encimar uma pizza. 

Sabe bem cozinhar ao som de uma música bonita, numa tarde de domingo. Hoje foi esta, muito linda, banda sonora de uma das séries que nos têm acompanhado
Aos poucos, a primavera volta. É sempre assim, felizmente.

Deixo-vos as flores. E a música. E o trailer da série. E a receita dos queques de coco que fiz para o meu pai.














Queques de coco
(Receita adaptada daqui)

Ingredientes para 12 unidades:
1 ovo batido
1/2 chávena de leite
1/4 chávena de óleo
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de fermento para bolos
1/2 chávena de açúcar
1 chávena de coco ralado 
1 chávena e meia de farinha
coco a gosto para polvilhar os queques

Preparação:
Numa taça grande, bater o ovo. Juntar-lhe o leite, o óleo, a baunilha e mexer bem. Juntar os restantes ingredientes, mexendo até estarem todos bem incorporados.
Forrar um tabuleiro de queques com forminhas de papel e enchê-las até 2/3. Polvilhar com coco e levar ao forno, a 180 graus, cerca de 25 minutos.




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O nosso presépio. E uma receita de um livro especial.

Aos poucos, a casa vai-se enchendo de Natal. Depois da árvore, as decorações foram alastrando a outras divisões. Este ano, mais exuberantes do que o costume. 
Esperei pelas férias para o presépio. O presépio requer tempo, dedicação. Não basta ir ao sótão buscar as caixas com as figuras. É preciso mais. Todos os elementos naturais que é preciso recolher. As pedras do tamanho certo para a gruta. Outras, mais pequenas, para os muros. Farelo para a estrada. Os meus pais participaram. E o Manel estava com aquele entusiasmo próprio da infância. Tem oito anos, o meu menino. Ainda acredita no Pai Natal. E tem aquela inocência que eu quero prolongar o mais possível. Estava tão feliz, no jardim, a apanhar leivas com o avô. Aquela felicidade ruidosa que eu me lembro de sentir quando fazia o mesmo, com a minha avó. O Natal também é isto. É um construir de memórias que nos acompanharão para o resto da vida. Acredito que sim. Acredito que o meu filho não se esquecerá dos presépios da sua infância,  que recordará sempre aquele frio bom que sentimos enquanto descolamos as leivas bonitas que farão os nossos cerrados. E que não se esquecerá das gargalhadas da avó, nem das histórias que esta lhe contava de Natais passados, enquanto ele ia construindo o presépio, com a mãe e o avô. 
O mundo anda insano, as notícias dilaceram-nos. A maldade anda por aí. Tememos pelo futuro. Aquilo que tínhamos como certo deixou de o ser. Por isso, cada vez mais, é obrigatório aproveitarmos muito bem o nosso presente, valorizarmos o que temos, momento a momento. Enquanto fazemos o presépio, não posso deixar de pensar nisto. Tento concentrar-me na tarefa e arredar pensamentos sombrios. Fazemos planos para estas férias de Natal. Apetece-nos casa, lareira e pijamas em tons de verde e vermelho. No Natal, quero todos os clichés. Quero todas aquelas coisas que causam irritação aos Scrooges deste mundo. Desde as músicas aos filmes. Um destes dias, revi o E.T. com o Manel. E, não tarda nada, estaremos a cantar Do-Re-Mi com a Julie Andrews. Entretanto, a Amélia já foi ao presépio. Gatos a remexerem nas areias de Belém também fazem parte dos nossos Natais. Por isso, lembrei-me com ternura de alguns dos gatos da minha infância e não me zanguei muito. Levantei os reis magos, compus o farelo e está como novo. Pena não ser assim, fácil, nos lugares a sério. 













A cozinha ainda está calma. Sabores mais natalícios, só um licor de leite, feito há duas semanas. E o chutney do Cinco Séculos à Mesa, da minha amiga Guida. Muito mais do que um livro de receitas, este é um livro que junta a História à gastronomia, escrito por quem percebe de ambas. E um livro bonito, que sabe bem folhear e apreciar. Tenho-o saboreado devagarinho e já selecionei umas quantas receitas a experimentar. Esta foi a primeira. Um chutney bem aromático, cheio de sabores de Natal.

Chutney
(Receita adaptada do livro Cinco Séculos à Mesa, de Guida Cândido)


Ingredientes (para 1/4 da receita original - rende 4 frascos de 250 ml):
500 g de alperces secos
1 maçã reineta
200 g de passas
90 g de alhos, picados
150 g de cenouras, aos cubos
150 g de açúcar amarelo 
10 g de gengibre em pó 
3 cravinhos
1 pitada de pimenta da Caiena
375 ml de vinagre
sumo de 1 limão
sal a gosto


Preparação:
Cortar os alperces, as maçãs e as cenouras em cubos. Picar os alhos. Pisar os cravinhos num almofariz. Misturar todos os ingredientes e deixar macerar de um dia para o outro. No dia seguinte, levar a mistura ao lume muito brando, mexendo pouco, para não partir demasiado. Colocar em frascos esterilizados e guardar em lugar fresco e seco.

Pode ser usado para acompanhar pratos de carne ou em entradas diversas. Gosto a acompanhar queijo.



A todos os que me leem, desejo um Natal muito feliz. E que 2017 seja um ano bom. Um ano de Paz!


terça-feira, 17 de maio de 2016

Terra

Terra lavrada e pintada
Com a ponta da charrua
Tela nua
Colorida.
Onde um gesto compassado,
Sagrado, 
Semeia a vida.

         Miguel Torga


Cheguei há pouco da horta. Andei a regar o que semeei no feriado. Doem-me os músculos das costas e das pernas. Sinto-me como depois de um daqueles treinos intensos, após muito tempo sem fazer exercício. Até a sensação de dever cumprido é semelhante. Estas pausas nas coisas de que gostamos ainda as valorizam mais. Como o primeiro banho de mar, em junho ou julho. Ou a primeira noite de lareira, lá para novembro. Ou o primeiro dia em que, depois de um longo inverno, usamos aquele vestido leve, guardado meses a fio.
Ontem foi feriado nos Açores. Segunda-feira do bodo, dia da nossa autonomia. Houve quem tenha passeado, quem tenha feito piqueniques, quem já tenha ido à praia. Eu fui para a terra. Toda a tarde trabalhei. Lavrei, com o trator do meu pai, que aprendi a usar. Semeei cenouras, manjericão, plantei tomateiros e couves. Em breve haverá courgettes e mais tomateiros, quando os deste canteiro crescerem mais um pouco. Amarelos e roxos, que gosto de cor. Na horta e no prato. 
Ao ver este retângulo de terra escura e fofa, percebo a falta que a minha horta me fez. Sei que já é tarde para sementeiras, mas hei de regar os meus canteiros ao fim do dia. E sei que esses momentos de silêncio, depois de dias cheios e ruidosos, me farão bem. 






Depois desta tarde de primavera, outro sinal de que as estações quentes se aproximam: as refeições improvisadas com os vizinhos do lado. Em menos de um segundo, juntam-se ingredientes e combina-se um jantar. Enquanto, depois daquela tarde na horta, já de banho tomado, descia os três degraus que separam o meu jardim do do meu irmão, carregada com o meu contributo para o jantar, pensava em como aquele trajeto, naquele dia, me estava a saber bem. E em como simbolizava o princípio de mais uma época de verão. Andei pela horta deles, sempre inspiradora. Persegui com a câmara uma abelha que pousava nas flores da salva. No fim, um raminho de flores para a mesa. Isso são as minhas ervas daninhas?, pergunta a minha cunhada. Como ficam bem! A rematar tudo, um jantar saboroso, preparado a várias mãos, já com sabor a verão.







Fica a banda sonora do jantar. E os desejos de continuação de boa semana.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

A minha lasanha rápida

Apesar de já terem aparecido por aqui lasanhas mais aprumadas, nem sempre há tempo para esse aprumo que requer paciência e tempo. Se há dias em que apetece fazer a massa em casa, outros há em que temos de arranjar uns atalhos que nos permitam ter comida na mesa a horas. Esta receita é tão simples que a faço mesmo em dias de semana, depois de chegar do trabalho. A base é do mais fácil que há. É a da receita da mãe do Tony Bennett. Há uns anos, comprei este livro em que estrelas da música apresentavam as suas melhores receitas de família. E o Tony Bennett escolheu a lasanha da mamma, filha de emigrantes italianos. O que me cativou logo foi o facto de não se adicionar qualquer tipo de gordura à carne. São os sucos da cebola misturados com os da carne que criam um molho com um sabor muito especial. A estes, junta-se molho de tomate, que até pode ser comprado feito (em dias de mesmo muita pressa, uso q.b. Italiano). Folhas de massa, queijo e béchamel com abundância, e temos na mesa um jantar que arranca sorrisos e huns. Faço-a muitas vezes. E deixo fotografias de dois jantares diferentes, que estavam guardadas, à espera da sua vez.

Lasanha de carne 


Ingredientes para 6-8 pessoas:
1 embalagem de massa para lasanha
500 g de carne de vaca, picada
500 g de carne de porco, picado
2 cebolas médias, picadas

Para o molho de tomate:
1 lata de tomate picado, de 800 g
4 colheres de sopa de azeite
4 dentes de alho, picados
1 colher de chá de açúcar
sal e pimenta a gosto

Para o molho Béchamel:
750 ml de leite
75 g de farinha de trigo
30 g de manteiga
sal, pimenta e noz moscada a gosto

200 g de queijo mozzarella, ralado
orégãos a gosto


Preparação:
Cozer a massa, conforme as instruções da embalagem.
Num tacho largo, colocar as carnes e a cebola, misturadas. Deixar cozinhar, em lume brando, até a carne estar acastanhada e se ter formado algum molho.
Entretanto, tratar do molho de tomate (ou abrir o frasco de q.b. italiano) e do béchamel.
Molho de tomate:
Numa panela, aquecer o azeite e os alhos. Juntar o tomate, o açúcar, o sal e a pimenta. Deixar cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando, cerca de 15 minutos. Retificar os temperos e reservar.
Molho béchamel:
Derreter a manteiga num tacho. Juntar a farinha e mexer, com uma vara de arames, até esta estar cozida. Misturar o leite, aos poucos, mexendo sempre com a vara de arames, para que não se formem grumos. Temperar com sal, pimenta e noz moscada e continuar a mexer, até obter um creme.

Misturar bem a carne com o molho de tomate. Retificar os temperos e reservar.

Montagem da lasanha:
Untar uma assadeira com um pouco de manteiga. Depois, colocar, por esta ordem, uma concha de carne, uma de molho béchamel e massa. Repetir, pelo menos três vezes. Terminar com uma camada de molho béchamel. Polvilhar com queijo ralado e finalizar com orégãos. 
Levar a lasanha ao forno a 220 graus, coberta com papel de alumínio, cerca de 35-40 minutos. Destapar e deixar dourar, mais 10 a 15 minutos.
Deixar arrefecer. Normalmente, a nossa nunca arrefece muito. Mal sai do forno, os homens da casa começam a rondar e acabo por a cortar sempre muito quente. Mas tentem ser mais pacientes do que nós e esperar alguns minutos antes de lhe enfiar a faca.



A acompanhar a lasanha, Tonny Bennett e Natalie Cole. Uma dupla que se ouve sempre com prazer.


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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.