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terça-feira, 23 de abril de 2013

No Pico do Capitão

É a minha paisagem de todos os dias. Da janela da cozinha, contemplo-o todas as manhãs. De caneca de café na mão, admiro aquela tela, pintada só para mim. Todos os dias diferente. Às vezes, deserto. Outras, salpicado de preto e branco. Vacas que nele moram em manadas mais ou menos populosas. Às vezes, rebanhos de ovelhas. O verde varia. No inverno e primavera, mais vibrante. No verão e outono, mais esbatido. Em dias como o de hoje, coberto de uma neblina esbranquiçada e enigmática. Enquanto escrevo este texto, olho pela janela do escritório. Vislumbro as casas brancas, através da cortina alva que as esconde. Hoje, não se vê o pico, envolto em nevoeiro cerrado.
Fascina-me, aquele pico. Nunca me canso dele. Como uma obra de arte que vemos sempre com um olhar novo. Que varia, consoante o nosso estado de espírito. O bucolismo do verde e dos animais. Ou a azáfama matinal das casas que lá habitam. Ou o trabalho árduo de um trator que lavra um cerrado. Ou a solidão de um cavalo lá no alto.
Contemplo-o, sempre ao longe. Nunca lá tinha ido. Até ao passado domingo. Foi, novamente, o geocaching a tirar-nos do sofá. Depois de um almoço lauto em casa dos meus pais, desafiei quem lá estava para ir comigo. Ao princípio, ninguém. Preguiçosos, apetecia-lhes ficar à mesa, a conversar. Mas eu sou persistente. Consegui convencer a maior parte. 
Ao longo da subida, deixámo-nos deslumbrar pelas vistas fantásticas. As típicas mantas de retalhos da ilha, o mar, os amontoados de casas. Soube-me bem estar naquele lugar que vejo todos os dias ao longe, a olhar para a minha casa. Gostei desta inversão de paisagens. No topo, a cache (o tesouro). Depois, o caminho de regresso. Mais fácil, pois para baixo todos os santos ajudam. E a satisfação de descobrir lugares mesmo à porta de casa. E de ter gasto as calorias das farófias do almoço :)





Farófias (no micro-ondas)
(Feitas a partir desta receita, da Susana)



11 claras (que restaram depois de fazer este pão de ló)
11 colheres de sopa de açúcar
Umas gotas de sumo de limão
Uma pitada de sal

Bati as claras em castelo, com o sal e o sumo de limão. Fui adicionando o açúcar, sempre a bater, até as claras ficarem bem firmes. Num prato, coloquei colheradas de claras batidas e levei ao micro-ondas, na potência máxima. Retirei-as para um prato, com papel absorvente, pois libertam algum líquido, e repeti a operação até acabarem.
Coloquei as farófias num prato de servir, reguei-as com creme inglês e levei ao frigorífico.

Creme inglês:

Ingredientes:
1/2 l de leite
2 ovos médios
50 g de açúcar
1 colher de sopa de custard powder

Preparação na Bimby:
Coloquei todos os ingredientes no copo e programei 6 minutos, 90 graus, velocidade 4. 

Preparação tradicional (não testada):
Leve o leite (reserve meia chávena de chá) e o açúcar ao lume, até que este esteja dissolvido. Bata os ovos, misture o custard powder e o resto do leite, até obter um creme homogéneo. Junte este preparado ao leite, batendo energicamente, com uma vara de arames. Deixe engrossar, mexendo sempre, para não pegar.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Metamorfose

Nunca fui muito ligada à natureza. Nunca gostei de acampamentos, nem de piqueniques, nem de caminhadas por caminhos tortuosos. Tal como nunca gostei de mexer na terra e correr o risco de um encontro desagradável com uma lagartixa, uma minhoca ou um caracol. Sempre preferi dormir numa cama, comer a uma mesa e caminhar em terreno plano e planificado por alguém que não Deus. Apesar de ter sido criada no campo, sempre tive hábitos mais citadinos do que rurais. Por isso, estou espantada comigo. Dou por mim com as mãos na terra, a lutar arduamente para colher cenouras que às vezes parecem recusar abandonar o ninho.
Também nunca fui grande desportista. Nem grande nem pequena. Nunca gostei de desporto. Nem de ginásio. O momento preferido sempre foi o de acabar o treino e dirigir-me ao balneário, com a sensação de dever cumprido. Por isso, espanto-me com este meu novo eu.
Este fim de semana, contrariei o meu lado preguiçoso e juntei-me a uns amigos, entendidos em geocaching. Ténis, agasalhos, que a primavera ainda não chegou cá, GPS, farnel para aconchegar o estômago depois de encontrarmos o tesouro, e lá fomos nós. Criançada barulhenta e feliz. Adultos curiosos, a seguir obedientemente as ordens do mestre Nelson, especialista nestas coisas. Paisagens verdes a perder de vista, que desconhecíamos. 

Pisos alcatifados de vegetação e muito, muito traiçoeiros, propícios a quedas aparatosas, principalmente por parte de pessoas a elas atreitas, como é o caso desta que escreve estas mal traçadas linhas.


Caminhos ladeados por árvores altas, cruzados por pequenos ribeiros, que nos obrigavam a molhar os pés. Estamos numa floresta!, gritava o Manel, feliz, ao lado do seu amigo Lourenço. Por momentos, terá julgado ser personagem de uma das histórias que lhe costumo contar todas as noites. Deve ter ficado desiludido por não termos encontrado nenhum dragão ou duende ou fada. 
No topo, depois de uma subida a pique, um ar muito puro e uma vista muito bela. Daquelas que nos fazem ter noção da nossa pequenez. 

 E o tesouro, que tive a honra de encontrar (com ajuda, confesso :).



No fim, depois do percurso no sentido inverso, o piquenique. O frio não nos demoveu. Umas mantas pelas costas e ficámos prontos  para passar um bom bocado, entre conversas e petiscos saborosos, a comentar as peripécias da tarde e a programar a próxima caça ao tesouro.

Estes brownies de chocolate e beterraba não foram feitos para este piquenique. Na verdade, foram feitos antes da Páscoa, para uma tarde de cinema em casa de outros amigos. Estavam aqui, por publicar, e parecem-me bem adequados a um piquenique como o do passado domingo. Deixo-vos as fotos e podem encontrar a receita no Receitas ao Desafio.

 


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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.