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domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma receita de panna cotta

Há algum tempo que não aparece por aqui uma receita. Não é que não se cozinhe por estes dias. Simplesmente, com os afazeres de final de período, não há tempo para grandes experiências com comida. Faço os pratos conhecidos, que sei que que não desiludem. Ou passo no talho de sempre e compro carne para grelhar. As sobremesas andam esquecidas. Nesta altura, em que se avizinham muitos jantares e alguns excessos, em casa, tentamos ser regrados. 
A sobremesa de hoje foi feita há muito tempo e estava guardada, à espera do seu dia. Uma panna cotta para adultos, com uma pontinha de Baileys. Deixo agora a receita por me parecer que se adequa a esta época festiva. Ainda não perdi a esperança de fazer as minhas panna cottas em formas e de as desenformar com aquela dose de dramatismo que fica sempre bem, de preferência em frente aos convidados. Mas ainda não me atrevi. Para já, sigo o caminho mais simples: faço-as em copos de cocktail e não corro riscos.

Panna Cotta de chocolate e baileys
(Ligeiramente adaptado de Chocolate... simplesmente irresistível, Vorwerk.)


Ingredientes:
4 folhas de gelatina neutra, cortadas em pedaços
Água q.b. para hidratar a gelatina
320 g de natas
50 g de açúcar
80 g de chocolate para culinária, partido em pedaços
100 g de queijo-creme
120 g de requeijão
80 g de licor de creme irlandês (Baileys)
Amêndoa tostada, picada, para servir

Preparação tradicional:
Colocar as folhas de gelatina num recipiente com água fria para hidratar durante 5 minutos. Retirar, espremer e reservar.
Levar ao lume, em banho-maria, o chocolate, 120 g de natas e 20 g de açúcar até obter um creme. Retirar do lume, adicionar metade das folhas de gelatina, bem espremidas, e misturar bem, com a batedeira. Adicionar 50 g de queijo-creme e 50 g de requeijão e continuar a bater, até estar tudo bem incorporado. Distribuir por taças individuais ou copos e levar ao frigorífico cerca de 1 hora, ou até ganhar consistência.
Aquecer, também em banho-maria, 200 g de natas e 30 g de açúcar, mexendo sempre, até o açúcar estar derretido. Adicionar a restante gelatina bem espremida e bater, até esta estar bem incorporada. Juntar 50 g de queijo-creme, 70 g de requeijão e o licor e misturar, com a batedeira. 
Distribuir pelas taças, sobre o creme de chocolate, e levar ao frigorífico cerca de 2 horas. 
Servir com amêndoa granulada, previamente tostada.

Preparação na Bimby:
Colocar as folhas de gelatina num recipiente com água fria para hidratar durante 5 minutos. Retirar, espremer e reservar.
Colocar no copo 120 g de natas, 20 g de açúcar e o chocolate e programar 2 minutos e meio, 60 graus, velocidade 2.
Adicionar metade das folhas de gelatina bem espremidas e misturar 30 segundos, 60 graus, velocidade 3.
Adicionar 50 g de queijo-creme e 50 g de requeijão e misturar 30 g, velocidade 4. Distribuir por taças individuais ou copos e levar ao frigorífico cerca de 1 hora, ou até ganhar consistência.
No copo limpo, colocar 200 g de natas e 30 g de açúcar e programar 2 minutos e meio, 60 graus, velocidade 2.
Adicionar a restante gelatina bem espremida e misturar 30 segundos, 60 graus, velocidade 3. Juntar 50 g de queijo-creme, 70 g de requeijão e o licor e misturar 30 segundos, velocidade 4. 
Distribuir pelas taças, sobre o creme de chocolate, e levar ao frigorífico cerca de 2 horas. 
Servir com amêndoa granulada, previamente tostada.



Boa semana para todos!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Segunda-feira

Segunda-feira é um dia mal-amado. Cara de segunda-feira, humor de segunda-feira. Não tem de ser assim. Custa-me que seja assim. Por mais que apeteça prolongar o fim de semana, há que aproveitar os dias todos, segunda-feira incluída. E, para mim, o aproveitar passa por isto: pela preparação do jantar. Chego a casa e começo, ainda sozinha. Primeiro, música. Depois, livro-me dos saltos altos e visto uma roupa confortável. Dali a pouco, o ruído da chave. São eles que chegam. Manuel cheiroso, de cabelo molhado sob o gorro. Foi dia de natação. Conta-me as peripécias da aula. E pede-me para fazermos plasticina caseira. Descobriu que se pode fazer em casa e quer experimentar. Com pouca vontade, cedo. Depois do jantar. Mas antes, os trabalhos de casa. Instala-se na cozinha, perto de mim. Vou cozinhando e verificando se as contas estão certas. 



Hoje, o jantar foi simples, daqueles que se fazem a correr, em dias apressados.
Enquanto o pai arruma a cozinha, cumpro a promessa.  Ficam as receitas. Uma de comer e uma de brincar.

Penne com ervilhas, ricotta e bacon
(Adaptado de Dias com Mafalda, de Mafalda Pinto Leite) 

Ingredientes para 4:
400 g de penne (ou outra massa curta)
1 chávena de ervilhas congeladas
1 colher (de sopa) de azeite
200 g de bacon, cortado em tiras
1 embalagem de queijo ricotta ou requeijão
2 colheres (de sopa) de sumo de limão
1/2 chávena de salsa
sal e pimenta
parmesão ralado (para polvilhar)

Cozinhar a massa de acordo com as instruções da embalagem. Dois minutos antes de a massa estar pronta, juntar as ervilhas. Escorrer.
Enquanto a massa coze, colocar o azeite e o bacon numa frigideira e cozinhar até este ficar estaladiço. Juntar a massa e as ervilhas e misturar. Colocar a massa num prato de servir e juntar o ricotta, o sumo de limão, a salsa, o sal e a pimenta.
Polvilhar com o parmesão e servir.

Plasticina caseira
(Receita daqui)


Ingredientes:
160 g de água
120 g de amido de milho (maizena)
240 g de bicarbonato
1/2 colher (de sopa) de óleo
corante alimentar

Preparação na Bimby:
Colocar todos os ingredientes, exceto o corante, na Bimby e programar 10 minutos, 80 graus, velocidade 3. Colocar a massa na bancada, dividi-la e misturar os corantes, amassando bem, com as mãos, até obter uma cor homogénea. Pelo menos numa fase inicial, convém usar luvas, caso contrário, ficaremos com as mãos tingidas. No fim, guardar as plasticinas em sacos de plástico, para que não sequem.

Preparação tradicional:
Misturar todos os ingredientes e levá-los ao lume brando, mexendo, até obter uma bola. Colocar a massa na bancada, dividi-la e misturar os corantes, amassando bem, com as mãos, até obter uma cor homogénea. Pelo menos numa fase inicial, convém usar luvas, caso contrário, ficaremos com as mãos tingidas. No fim, guardar as plasticinas em sacos de plástico, para que não sequem.





domingo, 27 de abril de 2014

Uma tarte de queijo para o almoço de domingo

É sempre nestas alturas que me apetece sobremesas. Sempre que decido deixar os doces por um tempo, estes tornam-se, aos meus olhos, mais irresistíveis do que nunca. E dou por mim a olhar para os livros de culinária com cobiça, a ver com outros olhos programas que nunca me pareceram particularmente apelativos. Eu, que gosto muito mais de salgados do que de doces, sou invadida pela gula. 
Felizmente, mais do que comer doces, apetece-me fazê-los. Não para mim. Mas para a família e amigos. O prazer que sinto enquanto os confeciono compensa o momento em que todos os provam enquanto eu tomo café. E ver as caras de felicidade e os huns depois de cada degustação sabem (quase) tão bem como saboreá-los eu própria.
Este cheesecake foi feito para o almoço de hoje, em casa dos meus pais. E o resto serviu de lanche a uns amigos muito queridos, depois de uma tarde no parque com as crianças. Fazer os outros felizes sabe bem!

Tarte de queijo fundido 

Ingredientes:
200 g de bolacha Maria
80 g de manteiga, à temperatura ambiente
500 g de leite gordo
4 ovos
150 g de queijo fundido (em triângulos)
2 latas de leite condensado

Preparação na Bimby:
Coloque no copo as bolachas e rale 10 segundos/ velocidade 5, aumentando progressivamente até à velocidade 10. Adicione a manteiga e programe 5 segundos/ velocidade 5. Espalhe a mistura no fundo de uma forma de fundo amovível (com 26-28 cm de diâmetro), alisando a massa.
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Coloque no copo o leite e o açúcar e programe 7 minutos/ 90 graus/ velocidade 4. Adicione os ovos e programe 1 minuto/ velocidade 4. Adicione os triângulos de queijo fundido e o leite condensado e programe 1 minuto/ velocidade 5. Deite na forma sobre a base de bolacha.
Leve ao forno a 180 graus, durante 30 minutos. Verta o caramelo líquido sobre a tarte e coloque-a no forno mais 30 minutos (para verificar a cozedura, espete um palito; quando sair seco, a tarte está pronta).

Preparação sem Bimby (não testada):
Num robot de cozinha, triture as bolachas. Adicione a manteiga e triture novamente, até obter uma massa homogénea. Espalhe a mistura no fundo de uma forma de fundo amovível (com 26-28 cm de diâmetro), alisando a massa.
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Leve ao lume o leite e o açúcar até este estar dissolvido. Coloque a mistura no liquidificador, adicione os ovos e bata, numa velocidade média, até estes estarem incorporados. Junte os triângulos de queijo e o leite condensado e triture-os, até que estejam completamente desfeitos. Deite a mistura na forma, sobre a base de bolacha.
Leve ao forno a 180 graus, durante 30 minutos. Verta o caramelo líquido sobre a tarte e coloque-a no forno mais 30 minutos (para verificar a cozedura, espete um palito; quando sair seco, a tarte está pronta).

Fonte: O Melhor @ Mundo de Receitas Bimby, Vorwerk 
 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A Bimby. Tolerância. Feliz 2014.

Depois de uns anos em que os ânimos acalmaram, a polémica voltou. A Bimby e os seus utilizadores voltaram a ser apedrejados em praça pública. Desta vez, foi uma opinião no Wall Street Journal a despoletar a polémica. A senhora jornalista lançou a pergunta e o povo, portugueses incluídos (ou principalmente), apressou-se a responder: os portugueses não resistem a uma moda, todos querem ter um gadget igual ao do vizinho do lado. Cambada de invejosos acéfalos!

Há quase três anos, escrevi um texto sobre o tema, que não publiquei na altura, e que me apeteceu recuperar hoje, depois de ter lido tantos comentários desagradáveis por parte de gente que adora alimentar maledicências. O caso Judite já passou, a novela Bárbara / Carrilho parece que está resolvida, há que arranjar nova polémica. Desta vez, não contra uma pessoa, mas contra uma máquina e aqueles que trabalham com ela.

 Um bicho chamado Bimby


Há muita gente que nutre um odiozinho de estimação pela Bimby. Normalmente, pessoas que não têm a máquina. Ou que nunca trabalharam com uma. Ou que nunca viram uma. 
A Bimby é só uma máquina. Uma máquina muito boa, mas uma máquina. Por isso, não compreendo um ódio tão grande por um objeto. É que nalguns casos o ódio é tão fervoroso que me leva a pensar se não será um desejo disfarçado. Nota-se uma grande falta de respeito por parte de muita gente que não a tem, com argumentos ocos que, mais do que atacar um eletrodoméstico, visam atacar quem trabalha com ele:
1. É muito cara. É feita de ouro? - quanto a este, não posso contra-argumentar. É cara. No entanto, se for bem aproveitada, e impedir pizzas encomendadas, refeições pré-congeladas e almoços no restaurante da esquina, nem é assim tão cara. Será cara, se o utilizador não a rentabilizar.
2. A comida sabe mal. - A Bimby não faz milagres. Se a comida for mal temperada, claro que sabe mal. Mas a comida feita no fogão também, certo?
3. Eu gosto mesmo de cozinhar, logo não preciso de Bimby. – Eu gosto muito de cozinhar, mas, depois de um dia de trabalho, a vontade por vezes não é muita. Sabe-me bem chegar a casa, pôr a sopa a fazer e, em simultâneo, cozinhar o resto do jantar a vapor, na varoma. Simples, rápido e saudável. Nos dias em que estou mais inspirada, aproveito a máquina para fazer algo mais elaborado, de forma menos trabalhosa. E sei que tudo fica perfeito! Basta vermos os muitos chefs que se renderam à máquina. Se calhar não gostam de cozinhar…

4. A Bimby limita a criatividade. - Se o cozinheiro seguir sempre cegamente as receitas, sim. Se, porém, encarar a máquina como uma ajuda para criar aqueles pratos mais elaborados, que normalmente só comeria nos melhores restaurantes, terá o efeito contrário.  

Percebo quem não tem a máquina. Porque não pode ou porque não quer. Respeito a opinião de quem vê apenas um eletrodoméstico demasiado caro e prefere investir o seu dinheiro noutras coisas. Cada um sabe de si. Só não respeito quem não respeita o outro e quem faz tudo para denegrir quem está ao seu lado. Se queremos tolerância, temos de ser tolerantes.




Passados três anos, apeteceu-me recuperar este texto, que ainda ilustra bem aquilo que penso. E porque acho que o pior nem é o artigo do Wall Street Journal. Acho que o pior são as reações de alguns portugueses, sempre à espera de mostrarem a sua superioridade intelectual. As pessoas perguntam-se, incrédulas, como, num país tão pobre, a Bimby é um sucesso de vendas (preferem chamar obsessão ao fenómeno, visto que o vocábulo, por ser pejorativo, tem mais impacto). Se calhar, por isso mesmo. Se calhar, mesmo por Portugal ser um país pobre, por as pessoas cada vez terem menos dinheiro para jantar fora, por cada vez menos encomendarem comida feita, por cada vez mais levarem comida para o trabalho. Se calhar, por uma questão de poupança, as pessoas investiram numa máquina que lhes permite gastar menos em comida. No fundo, se calhar são as pessoas a serem inteligentes e a tentarem minimizar os efeitos de uma crise que lhes tira a maior parte dos prazeres. Nós, portugueses, gostamos de comida e de reunir as pessoas à mesa e a Bimby ajuda-nos a manter isso. E não vejo mal nenhum nisso. Só bem.

Mais uma opinião, que subscrevo completamente, aqui.

E, como não podia deixar de ser, uma receita Bimby, que fez sucesso este Natal:

Chutney de cebola roxa e vinho do Porto
(Adaptado de Bimby - Dicas, truques e etc., Vorwerk)

 Ingredientes:
800 g de cebola roxa, cortada em rodelas (chalotas, na receita original)
500 g de açúcar
300 g de vinagre de vinho branco ou tinto
150 g de vinho do Porto
2 tiras de casca de laranja
10 grãos de pimenta preta
2 cravinhos-da-índia

Preparação na Bimby:
Coloque no copo todos os ingredientes e programe, sem o copo de medida, 35 minutos, varoma, velocidade colher inversa. Coloque o cesto sobre a tampa para evitar o perigo de salpicos. Distribua por frascos esterilizados e feche bem.
Uma tábua de queijos e este chutney e está a festa feita.

Preparação tradicional:
Numa panela alta, coloque todos os ingredientes. Deixe cozinhar, em lume brando, até atingir o ponto desejado. Mexa de vez em quando. Distribua por frascos esterilizados e feche bem.


Desejo-vos um 2014 feliz. E tolerante. E vamos concentrar-nos nas nossas vidas. Acho que seríamos todos mais felizes.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Um bolo de abóbora na mesa de consoada

Na consoada deste ano, voltámos a ser os anfitriões. Luzes a piscar, músicas de Natal e lareira acesa. Nove adultos e duas crianças felizes com os presentes deixados pelo Pai Natal. Para os adultos, os sentimentos misturam-se: celebra-se a vida, acarinha-se quem está ao nosso lado, e recorda-se com saudade outras consoadas, outros Natais, de quando estavam cá todos. As ausências notam-se mais nestes dias. Recordam-se episódios, conversas, hábitos dos que já partiram. Com aquela doçura nostálgica de quem sabe que é mesmo assim. Por isso, não há Natal como o da infância, quando a única preocupação é saber se o Pai Natal não se esquecerá de nenhum presente.
Na mesa, as iguarias de sempre: peru, bacalhau e o fiambre de Natal. A meu cargo, as entradas e os doces. Os mesmos de sempre: aletria, sonhos de abóbora e bolo meia idade


A juntar aos clássicos, este bolo, muito húmido e saboroso, e com uma cobertura de neve bastante natalícia.

Bolo de abóbora, maçã e aveia com cobertura de queijo
(Adaptado de Viajar com a Bimby, Vorwerk)
 
Ingredientes
300 g de abóbora sem casca, aos pedaços
200 g de maçã, cortada aos quartos, sem caroço
150 g de flocos de aveia
100 g de passas
1 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de noz moscada, moída
1 pitada de cravinho em pó
380 g de açúcar amarelo
5 ovos
150 g de óleo
200 g de farinha
1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Cobertura
240 g de açúcar (ou açúcar confeiteiro, se não tiver Bimby)
50 g de margarina para culinária
60 g de queijo de barrar
10 g de sumo de limão
50 g de nozes, tostadas

Preparação na Bimby:
Com o copo limpo e seco, pulverize 240 g de açúcar para a cobertura (15 segundos/ velocidade 9). Reserve.

Bolo:
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Coloque no copo a abóbora, a maçã e pique 10 segundos/ velocidade 5.
Junte a aveia, as passas, as especiarias, o açúcar, os ovos, o óleo e misture 10 segundos/ velocidade 4/ inversa. Junte a farinha e o bicarbonato e misture 10 segundos, na mesma velocidade. 
Verta a mistura para uma forma de bolo de 28 cm, previamente untada e enfarinhada.
Leve ao forno cerca de 45-50 minutos, ou até estar apenas húmido no centro. Deixe arrefecer e desenforme.

Cobertura:
Com o copo limpo, coloque o açúcar pulverizado, os restantes ingredientes, exceto as nozes, e bata até ficar cremoso (30 segundos/ velocidade 4).
Cubra o bolo com a mistura e enfeite com as nozes tostadas e picadas.
Conserve o bolo no frigorífico.

Preparação tradicional (não testada):
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Num robot de cozinha, pique a abóbora e a maçã. Junte a aveia, as passas o açúcar, os ovos, o óleo e misture bem, com uma colher de pau ou vara de arames. Junte a farinha e o bicarbonato e continue a mexer, até estar tudo bem incorporado. 
Verta a mistura para uma forma de bolo de 28 cm, previamente untada e enfarinhada.
Leve ao forno cerca de 45-50 minutos, ou até estar apenas húmido no centro. Deixe arrefecer e desenforme.

Cobertura:
Com a batedeira, bata todos os ingredientes, exceto as nozes, até obter uma mistura cremosa.
Cubra o bolo com a mistura e enfeite com as nozes tostadas e picadas.
Conserve o bolo no frigorífico.


A todos os que por aqui passam, continuação de Festas Felizes.

sábado, 27 de abril de 2013

Uma receita de favas com hortelã e uma tarde na horta

Depois de uma semana de aulas e mau tempo, nada mais relaxante do que uma tarde ao ar livre. Uma tarde a mexer na terra, a cheirar a terra. O silêncio apenas interrompido pelas exclamações entusiastas do Manel ou por uma ou outra impressão trocada com o meu pai. Ou pelo ruído da enxada no canteiro das cenouras. Nós os três, apenas na companhia de um ou outro pássaro que, a medo, se aproximava, talvez atraído pelo aroma de alguma planta. Ou da Chica, que nos deu a honra da sua presença.
Hoje, na Terceira, o dia está cinzento e frio. Um dia de casa, sofá e lareira. No passado sábado, porém, a tarde foi dedicada à horta. O sol, que ultimamente tem andado quase sempre escondido, mostrou-se e convidou-nos para uma tarde ao ar livre. Depois do almoço, vestimo-nos a rigor e fomos para a terra. Colhemos cenouras, nabos, cebolas de rama e favas. Plantámos acelgas vermelhas e beterrabas, cujo plantio trouxéramos de manhã da Biofontinhas. Semeámos funcho, ervilhas tortas, salsa e coentros. Orgulhosa, fotografei a minha horta. E estive ao sol. E o Manel ajudou, feliz. Correu, saltou, tagarelou, caiu, levantou-se, sujou-se. Com as favas tenríssimas e o raminho de hortelã que colhi, fiz o jantar. Talvez um dos melhores pratos de favas que já provei.

Uma amostra da nossa tarde de sábado:

A semear funcho



As favas

   
Alcachofras (ainda sem fruto)


Recantos

  



Favas aromatizadas com hortelã
150 g de cebola
100 g de cenoura, cortada em pedaços
1 dente de alho
50 g de azeite
100 g de presunto, cortado em tiras
500 g de favas
100 g de vinho branco
1 colher de chá de sal
pimenta q.b.
um raminho de hortelã


Preparação na Bimby:
Coloque no copo a cebola, a cenoura, o alho e o azeite e pique 3 segundos, velocidade 5. 
Adicione o presunto e refogue 8 minutos, varoma, colher inversa. 
Insira a borboleta, adicione as favas, o vinho, o sal, a pimenta e a hortelã e programe 20 minutos, varoma, velocidade colher inversa. Sirva de imediato, com pão torrado.

Preparação tradicional:
Pique a cebola e o alho e rale a cenoura. Num tacho, refogue a cebola, o alho, a cenoura, o presunto e o azeite. Junte as favas, o vinho, o sal, a pimenta e a hortelã e deixe cozinhar cerca de 20 minutos, mexendo de vez em quando. Sirva de imediato, com pão torrado. 


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Uma salada de massa bem colorida

Porque os olhos também comem. Porque a minha horta tem cenouras às cores. E porque eu tenho um filho que adora cor e que me diz Mãe, pinta as unhas de vermelho, da cor do Benfica, e que adora massinhas às cores. E porque a loja Coisas e Sabores, em Angra do Heroísmo, entre louças Bordalo Pinheiro e outras coisas muito apetecíveis, tem massinhas às cores. 

Salada russa de massa com molho tártaro



Ingredientes:
300 g de cenoura, cortada em cubos
200 g de curgete, cortada em cubos
100 g de ervilhas descongeladas
1 ovo
400 g de pescada em postas
sal e pimenta q.b.
sumo de 1/2 limão
azeite q.b.
água 
350 g de massa (fusilli tricolor, na receita original)

Ingredientes para o molho tártaro:
60 g de pickles
1 colher de sopa de alcaparras
300 g de óleo
1 ovo
sal e pimenta q.b.
1 colher de chá de mostarda
sumo de 1/2 limão 

Preparação na Bimby:
Coloque na varoma a cenoura, a curgete, as ervilhas e o ovo. No tabuleiro da varoma, coloque a pescada, tempere com sal, pimenta e o sumo de limão e regue com um fio de azeite. Reserve.
Coloque no copo 1500 g de água, 2 colheres de chá de sal, um fio de azeite e a varoma com o tabuleiro e programe 22 minutos/ varoma/ velocidade 1. Retire a varoma e reserve.
Adicione no copo a massa e programe o tempo indicado na embalagem / 100 graus / colher inversa. Escorra, coloque a massa num recipiente e envolva com os legumes e a pescada sem peles e sem espinhas. Deixe arrefecer e leve ao frigorífico. 
No copo limpo, coloque o ovo cozido reservado e pique 2 segundos / velocidade 4. Retire e reserve.

Preparação do molho tártaro na Bimby:
Coloque no copo os pickles e as alcaparras e pique 5 segundos / velocidade 5. Retire e reserve.
Coloque um recipiente sobre a tampa da Bimby, pese o óleo e reserve. 
Coloque no copo o ovo, o sal, a pimenta, a mostarda e o sumo de limão e programe 10 segundos/ velocidade 5.
Com a Bimby em funcionamento na velocidade 5 e sem retirar o copo de medida, verta o óleo reservado sobre a tampa.
Adicione o ovo cozido e a mistura de pickles e alcaparras reservados e envolva com a ajuda da espátula. Envolva a salada russa com o molho e sirva de seguida.

Preparação tradicional:
Num recipiente de cozer a vapor, coza a cenoura, a curgete, o ovo e a pescada. Tempere a pescada com sal, pimenta e o sumo de limão e regue com um fio de azeite. Reserve.
Coza a massa, segundo as instruções da embalagem. Reserve.
Escorra, coloque a massa num recipiente e envolva com os legumes e a pescada sem peles e sem espinhas. Deixe arrefecer e leve ao frigorífico. 
Pique o ovo e reserve.

Preparação tradicional do molho tártaro:
Num robot de cozinha (ou com uma faca), pique finamente os pickles e as alcaparras. Reserve.
No fundo do copo da varinha mágica, coloque o ovo, o sal, a pimenta, a mostarda e o sumo de limão. Triture, com a varinha, e vá juntando o óleo, em fio, sempre com a varinha em funcionamento. 
Adicione o ovo cozido e a mistura de pickles e alcaparras reservados e envolva com a ajuda de uma espátula. Envolva a salada russa com o molho e sirva de seguida.

Fonte: Revista Bimby - Momentos de Partilha, Junho de 2012


sábado, 13 de abril de 2013

Doce de três citrinos: um doce acre e doce

                         
                        Laranjas instantâneas, defronte - e as íris ficam amarelas.
                        A visão da terra é uma obra cega. Mas as laranjas
                        atrás das costas, as mais
                        pesadas, as mais
                        lentamente maduras, as laranjas que mais tempo demoram
                        a unir o dia à noite, que têm uma força maior em cima 
                        das mesas, essas.
                        Operatórias. São laranjas ininterruptas trabalhando em imagens 
                        as regiões ofuscantes da cabeça.
                        Enriquecem o ofício sentado com um incêndio
                        quarto a quarto da alma. Enriquecem, devastam.
                        - Constelação ao vento avassalando a casa.
                             
                                             Herberto Helder, in Poesia Toda, Assírio & Alvim


Doce de três citrinos

Ingredientes:
190 g de toranja
230 g de laranja
150 g de limão
1200 g de açúcar

Preparação na Bimby:
Lave bem os citrinos, corte-os, num prato, em quartos e, a seguir, em fatias finas. Coloque no copo, juntamente com o sumo que está no prato.
Adicione o açúcar e programe 30 minutos/ varoma/ velocidade 1 inversa, sem o copo de medida, mas com o cesto sobre a tampa, para evitar salpicos.
Para verificar se tem a consistência certa, retire com uma colher um pouco de doce para um prato, deixe arrefecer e depois empurre-o com o dedo. Se a superfície do doce enrugar, está pronto. Se ainda não enrugar, programe mais 5 minutos, na mesma temperatura e velocidade.
Retire de imediato para frascos esterilizados. 

Preparação tradicional (não testada):
Lave bem os citrinos, corte-os, num prato, em quartos e, a seguir, em fatias finas. Coloque num tacho, juntamente com o açúcar. Deixe cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando, até atingir a consistência desejada.
Para verificar se tem a consistência certa, retire com uma colher um pouco de doce para um prato, deixe arrefecer e depois empurre-o com o dedo. Se a superfície do doce enrugar, está pronto.
Retire de imediato para frascos esterilizados. 

Obrigada, Carla, pela receita :)

domingo, 7 de abril de 2013

Uma receita com fruta e uma história para a Mané

Mané, a minha história não tem a ver com a fruta que levo para a tua festa. Enquanto compunha os elementos para a fotografia, tentei engendrar uma história com maçãs, mas não me ocorreu nada. Ao abrir a gaveta "das rendas", vi esta toalha amarela, e lembrei-me que a usei na fotografia do teu passatempo do ano passado. Estavam escolhidos o adereço e a história:
Esta toalha foi feita nos anos 40 do século passado, pela minha avó materna. Num tempo em que se dava muita importância aos enxovais. Grande parte do enxoval da minha avó está nas mãos da única neta: eu. Lençóis de renda, toalhas de lava-mãos, mantas feitas no tear, louças... E a minha avó não sabe como eu gosto destas coisas feitas pelas mãos dela. Morreu sem o saber, infelizmente. Há doze anos, eu não ligava a rendas nem a louças. Quando a minha avó me passou as suas peças mais preciosas, executadas com todo o carinho, nos anos que precederam o casamento com o meu avô, eu agradeci. Aceitei o que me deu, para não a entristecer. Porém, na altura, não tinha a noção daquele gesto, da beleza daquelas peças. Das peças feitas pela minha avó de cabelo e mãos de prata que morreu sem saber que as rendas que fizera, nos anos 40, um dia iam correr mundo :)

Folhado de couve-roxa e maçã


Ingredientes:
70 g de maçã
100 g de couve-roxa
50 g de cebola
1 dente de alho
20 g de azeite
1 colher de chá de sumo de limão
1/2 colher de chá de mostarda
1/2 colher de chá de mel
sal e pimenta q.b.
500 g de massa folhada
Preparação tradicional:
Num robot de cozinha, triture a maçã, a couve-roxa, a cebola e o alho.
Num tacho, coloque o azeite e a mistura de maçã e legumes e deixe cozinhar alguns minutos, mexendo sempre. Adicione o sumo de limão, a mostarda, o mel, o sal e a pimenta e deixe cozinhar mais alguns minutos.
Pré-aqueça o forno a 200 graus.
Estenda a massa folhada com o rolo e corte tiras de 4 cm. Disponha uma pequena porção de recheio no centro de cada tira e forme um rolo sobre o lado maior, deixando uma das extremidades aberta e a outra fechada. Repita este processo até terminar a massa e o recheio. Comece a formar a espiral no centro de um tabuleiro de forno, forrado com papel vegetal, iniciando com a extremidade fechada de um dos rolos de massa folhada. Encaixe a extremidade fechada doutro rolo na extremidade aberta, e assim sucessivamente. Deixe um espaço de 3 a 4 mm ao dispor os rolos, para a massa folhar. Leve ao forno a 200 graus, durante 20 minutos ou até dourar. Sirva quente ou frio.

Preparação na Bimby:
Coloque no copo a maça, a couve-roxa, a cebola, o alho, o azeite, o sumo de limão, a mostarda, o mel, o sal e a pimenta e pique 5 segundos/ velocidade 5 e refogue 7 minutos/ varoma/ velocidade 1. Retire e reserve. 
Pré-aqueça o forno a 200 graus.
Estenda a massa folhada com o rolo e corte tiras de 4 cm. Disponha uma pequena porção de recheio no centro de cada tira e forme um rolo sobre o lado maior, deixando uma das extremidades aberta e a outra fechada. Repita este processo até terminar a massa e o recheio. Comece a formar a espiral no centro de um tabuleiro de forno, forrado com papel vegetal, iniciando com a extremidade fechada de um dos rolos de massa folhada. Encaixe a extremidade fechada doutro rolo na extremidade aberta, e assim sucessivamente. Deixe um espaço de 3 a 4 mm ao dispor os rolos, para a massa folhar. Leve ao forno a 200 graus, durante 20 minutos ou até dourar. Sirva quente ou frio.

Fonte: Revista Bimby Momentos de Partilha, Março de 2013


E como já é tradição, um poema para a Mané. O ano passado, Cesário Verde. Este ano, Eugénio de Andrade, um dos meus preferidos.

Pêssegos, pêras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

Com este post, participo na comemoração do 2º aniversário do blogue O Bolo da Tia Rosa, da querida Mané, uma das pessoas que tive a felicidade de encontrar neste mundo virtual. Felicidades para ti, para o chef Mel, e para o teu blogue, minha querida!
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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.