Não nos deixámos intimidar pelas nuvens negras e ameaçadoras que povoavam o céu. Apesar do dia pouco apropriado a trabalhos ao ar livre, naquela tarde de final de agosto, o meu pai e eu dirigimo-nos à horta, tal como havíamos planeado. Tinha chegado o dia de finalmente colhermos as malaguetas que ele plantara e que ambos víramos crescer.
Com o balde ainda meio, a primeira gota. Seguiram-na outras. Acelerámos. O desconforto da roupa molhada contrastava com o som agradável da chuva a cair nas folhas. E o cheiro a terra molhada, que nas estações quentes tem um encanto especial. Quase mágica, a horta, salpicada pela chuva de verão.
Debaixo do guarda-sol, eu, com as minhas luvas cor-de-rosa, e o meu pai, de luvas azuis, arranjámos as malaguetas, enquanto a chuva continuava a cair, mansa e generosa. Falámos com saudade do meu avô, que costumava fazer estas coisas. Enquanto o meu pai telefonava ao meu tio, a tirar dúvidas, eu recordava o orgulho do meu avô quando nos dava a provar a sua massa malagueta e os seus curtumes. Imagino como ficaria feliz ao ver os filhos e a neta a seguir os seus passos. E vejo os seus olhinhos azuis e pequeninos a sorrir de felicidade.
Para além de ser usada como tempero, a massa de malagueta é utilizada em entradas e petiscos, tais como batatas cozidas, abertas ao meio e barradas com esta pasta, ou ainda com queijo fresco, como podem ver na foto abaixo. Estes petiscos podem ser encontrados com facilidade nas tasquinhas e restaurantes típicos das nossas ilhas.
A receita é muito simples e encontra-se no Receitas ao Desafio.
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