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sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Terceira inteira é um palco

"O mundo inteiro é um palco". No Carnaval, a Terceira inteira é um palco. E cá a expressão não é metafórica, como no verso de Shakespeare. Durante quatro dias, todos os palcos da ilha se abrem para receber as dezenas de danças e bailinhos que por lá querem passar. A ilha veste-se de cetins e lantejoulas. Ouvem-se foguetes. As pessoas estão felizes. Esquecem as agruras da vida. Durante estes dias, só há lugar para a euforia e a diversão. Mesmo que se ouça a palavra "crise" (ouvir-se-á, sem dúvida), esta será proferida com o objetivo de fazer rir. 
O nosso Carnaval é sinónimo de generosidade. De dádiva. Durante quatro dias, grupos de músicos e atores amadores percorrem a ilha, exibindo o resultado de um trabalho de meses. Uma espécie de teatro de variedades, com muita crítica social à mistura. Quase todas as freguesias têm o seu "bailinho" e todas têm pelo menos um salão de festas aberto, à espera de receber aqueles que por lá passarem. Durante quatro dias, assiste-se a uma espécie de teatro "non stop". Gratuitamente. A única coisa que os atores pedem em troca são aplausos, reconhecimento e, no fim da atuação, um copinho para aquecer. E deixam a promessa de voltar no ano seguinte. 
Quer se aprecie ou não, uma coisa há que reconhecer: esta é uma forma bem mais genuína de celebrar o Carnaval do que assistir a um grupo de pessoas que, a tiritar, desfilam, em trajes reduzidos, a imitar os carnavais dos trópicos. Este é nosso e não é igual a mais nenhum.

Caso queiram conhecer um pouco melhor o Carnaval terceirense, deixo-vos uma reportagem sobre aquela que é considerada a maior manifestação de teatro popular da Europa.


E agora, uma receita bem terceirense: Filhoses do forno. Não há mesa de salão que se preze que não tenha um prato delas para oferecer aos grupos que por lá passam.


Massa:
250 g de farinha
5 ovos grandes
1 chávena (cup) de leite
1 chávena (cup) de água
1 colher de sobremesa de fermento
1 pitada de sal
manteiga para untar as formas e farinha para as polvilhar

Pré-aqueça o forno a 250 graus (o forno bem quente é o principal segredo para o sucesso desta receita).
Coloque os ovos numa tigela e, com a batedeira, bata-os até que cresçam bastante e que fiquem espumosos. Junte então a farinha, aos poucos de cada vez, misturando bem, com uma colher de pau.
Adicione o fermento e o sal e continue a bater. Junte o leite e a água e misture bem. Caso a mistura não esteja homogénea, bata com a batedeira.
Unte bem as formas de alumínio com a manteiga e polvilhe com farinha. Encha as formas com a massa (até 3/4). Coloque as forminhas num tabuleiro e leve-as a cozer até ficarem grandes e douradas (20 a 30 minutos). As filhós ficam altas e ocas por dentro, para serem recheadas. Retire do forno. Caso não tenham cabido todas na primeira fornada, volte a repetir o procedimento para as restantes formas (consegui cozer de uma só vez).
Deixe-as arrefecer e prepare o recheio.

Recheio:
1 chávena de leite
1 chávena de açúcar (usei amarelo)
1 ovo
1 colher de sopa de custard powder (ou maizena)
1 colher de sopa de manteiga
cascas de limão a gosto

Coloque num tacho o custard powder e desfaça-o com um bocadinho de leite. Misture bem, adicione o ovo, o açúcar, a casca de limão e misture. Junte o restante leite. Ligue o fogão e mexa sempre, em lume brando, até obter uma papa cremosa. Deixe arrefecer e retire as cascas de limão.

Com uma tesoura, dê um corte em cada filhós e, com a ajuda de uma colher de chá, ou de um saco de pasteleiro, introduza uma porção do recheio em cada uma.


Fonte: A receita da massa foi retirada do blogue Delícias e Companhia. Obrigada, Manuela. Depois de muitos desastres com filhoses, finalmente consegui, com a tua receita :)  O recheio foi inspirado nalguns que fui vendo por aí, mas não segui uma receita específica.


Desejo a todos os que por aqui passam um bom Carnaval. Mais ou menos folião. Com mais ou menos descanso. Aproveitem-no bem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pastéis de feijão e escrever certo por linhas tortas



O meu marido não gosta de feijão. A não ser nos doces. Adora pudim de feijão, tarte de feijão, pastéis de feijão. Este Natal, quis mimá-lo e fazer um doce de que gostasse muito.
Abri o livro de Augusto Gomes, Cozinha Tradicional da Ilha Terceira, e escolhi a receita dos pastéis de feijão. No entanto, fiquei assustada. Apesar de indicar as quantidades, a receita era muito vaga. Quando li "Em uma calda de açúcar obtida com 500 grs. de açúcar em ponto de espadana, juntam-se-lhe 100 grs. de feijão branco cozido e reduzido a massa." estive mesmo para desistir. Mas que raio é "ponto de espadana"? Porém, pensei na felicidade do meu digníssimo esposo e fui pesquisar. Descobri que "ponto de espadana" é quando a calda cai da colher em fila larga, como se fosse uma cascata. Decidi experimentar. Pus a água e o açúcar no tacho e esperei. E aquilo nunca mais engrossava. E eu a ficar farta. E desisti. Juntei o resto dos ingredientes, forrei as formas e pus tudo no forno. E ficaram muito bons, com uma aparência e sabor de doce conventual. Por isso, nunca mais me deixarei intimidar por um ponto. Seja ele pérola, ou espadana, ou assoprado, ou estrada... 


Pastéis de feijão
Ingredientes:
500 grs. de açúcar
500 ml. de água
100 grs. de feijão branco, cozido e reduzido a massa
100 grs. de amêndoa moída
12 gemas

Leva-se ao lume a água e o açúcar, até atingir o ponto de espadana (ou não :). Junta-se a pasta de feijão. Deixa-se ferver alguns minutos e adiciona-se a amêndoa. Quando ferver, tira-se do lume. À parte, batem-se as gemas, que se juntam à massa anteriormente preparada, mexendo-se muito bem para não cozerem antes de incorporadas. 
Logo que esteja perfeitamente misturado, põe-se ao lume, faz-se levantar fervura e retira-se do lume.
Unta-se as formas com manteiga, passam-se por farinha e forram-se com massa tenra. Enchem-se com o preparado e vão ao forno a 180 graus até estarem douradas.


Se alguém souber alguma dica para que consiga atingir o ponto de espadana, agradeço qualquer conselho.
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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.