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domingo, 23 de agosto de 2015

Dois petiscos de verão

É muito bom, o verão nesta terra. Mesmo quando as férias acabaram e se regressou ao trabalho. Nos dias grandes, parece caber tudo o que lhes quisermos juntar. Não perdemos horas no trânsito caótico e não chegamos a casa irritados, a pensar que o tempo se esgotou. Mesmo que nos acompanhe alguma irritação, é mais fácil afugentá-la em dias de sol. Aqui, aproveitamos o verão. Cada um à sua maneira. Há os que saem do trabalho e correm para as touradas. Há os outros, para quem o verão é praia e esplanadas. E há quem prefira vir para casa já a pensar na preparação do jantar.  Flores do jardim, guardanapos e louça colorida. Não é preciso muito, no verão. Uns petiscos, uns grelhados e uma salada. Vinho branco fresquinho e o festim está completo. O resultado é quase sempre o mesmo: jantares que se prolongam pelo serão, entre gargalhadas e os cânticos dos grilos, que este ano perderam a timidez e resolveram cantar mesmo ao pé de nós. No dia seguinte, custa um bocadinho acordar, mas vale a pena.





Azeitonas temperadas
com alho, tomilho e louro

Num saco de plástico, coloca-se 200 g de azeitonas pretas, de boa qualidade, 1 folha de louro, cortada em pedacinhos, 6 dentes de alho, fatiados, tomilho fresco, a gosto, e 5 colheres (de sopa) de azeite. Tempera-se com sal e pimenta, agita-se o saco e deixa-se marinar algumas horas (fiz as minhas na véspera).




A receita das lapas está aqui, escrita pela minha amiga Maria. Costumo servir as minhas regadas com umas gotinhas de sumo de limão, pão de trigo e vinho branco.



domingo, 24 de agosto de 2014

Guacamole num domingo preguiçoso

Hoje, na Terceira, o domingo foi de sol. Muito sol e muito calor. As praias encheram-se. E eu não gosto de praias cheias. Muito menos ao domingo. Há anos que não vou à praia ao domingo. Pelo menos, não ao domingo à tarde. Ao invés de procurar um pedacinho de areia para estender a toalha, no meio de famílias e adolescentes ruidosos, prefiro estender-me na rede do jardim. 



Hoje, não foi exceção. O Manel passou a tarde com um amiguinho e nós ficámos por casa, a preguiçar, a ler e a beber chá gelado caseiro. Nestes dias de preguiça, as refeições querem-se simples. A máquina fez um pão de sementes. Havia frango temperado pela minha mãe, que restara do almoço. No frigorífico, dois abacates, à espera que lhes ditassem o destino. Estava decidido: 

Guacamole

 Ingredientes:
2 abacates pequenos
1 tomate médio, cortado em cubos
1/2 cebola pequena,  picada fina
2 dentes de alho, picados
1/2 malagueta verde, picada fina
1 ramo pequeno de coentros, picados
sumo de 1 limão
sal



Preparação:
Cortar os abacates a meio, retirar-lhes o caroço e a casca. Numa tigela média, regá-los com o sumo de limão e esmagá-los, com um garfo. Juntar os restantes ingredientes, misturar bem e levar ao frigorífico, até servir. 
Servir com tortilhas de milho, palitos de legumes ou como nos apetecer.
Servi uma fatia de pão, barrei-a com o guacamole e, sobre este, coloquei um bife de frango. Às vezes, o mais simples é o que sabe melhor. Quase sempre.


domingo, 13 de abril de 2014

Flores. Ovos. Cor.

Gosto de flores. Dentro e fora de casa. Em vasos, em jarras e no jardim. Nesta altura, mais ainda. Apetece-me encher a casa de primavera. Quando saio da escola, passo no senhor Moisés, a caminho de casa. E compro um ramo colorido. Vou a um quintal muito familiar e, com a autorização do dono, colho jarros e lírios. Do meu jardim, lavanda e boninas. Gosto de chegar a casa com toda esta cor. 
Olho para a charrette que o Manel trouxe do colégio, para nos oferecer como presente de Páscoa. Parece-me perfeita para transportar um molhinho de boninas. Coloco-a na mesa. E ele fica feliz.

 



E assim se compôs uma mesa, à qual este prato de ovos deu um ar bastante pascal. 

Ovos recheados 
com atum e alcaparras


 Ingredientes: 
1 dúzia de ovos 
1 lata de atum
2 colheres (de sopa) de alcaparras, picadas
1 cebola pequena (ou cebola de rama), picada
1 raminho de salsa, picada
6 colheres (de sopa) de maionese
Umas gotas de molho inglês

Preparação:
Cozer os ovos. Cortá-los ao meio, no sentido longitudinal. Com cuidado, retirar as gemas, colocá-las numa taça e reservar as claras. Desfazer as gemas, juntar-lhes o atum, também desfeito, e os restantes ingredientes. Temperar com sal e uma colher de café de paprika fumada. Com as mãos, formar "gemas" e colocá-las nas claras. Polvilhar com paprika fumada.



quarta-feira, 26 de março de 2014

Hummus

Este é um daqueles patés para comer sem grande culpa. Muito mais saudável do que os habituais, que levam maionese e outros molhos calóricos. Este leva grão e azeite e outras coisas boas para a saúde. Apesar de ter nome de esterco, como diz o meu marido, é muitíssimo saboroso. 
Apresento-vos a minha versão, adaptada de uma do Nigel Slater. 

Ingredientes:
400 g de grão de bico (com um pouco de água)
2 colheres (de sopa) de harissa
2 colheres (de sopa) de sumo de limão
1 colher (de chá) de cominhos moídos 
 1 colher (de chá) de coentros moídos
2 dentes de alho
3 colheres (de sopa) de azeite
1 pitada de pimenta de caiena
sal q.b.

Colocar tudo num robot de cozinha e triturar. Simples, não?


Fonte: Adaptado de Real Fast Food, de Nigel Slater

sábado, 15 de junho de 2013

Favas escoadas para encerrar a época

No passado sábado, colhi as últimas favas do ano. Na verdade, já deveriam ter sido colhidas há mais tempo. No entanto, devido aos afazeres de final do ano letivo, fui adiando a tarefa. No sábado, decidi fazer uma pausa na correção dos testes e passar a tarde na horta. Sempre gratificante, a tarefa de colher aquilo que semeámos, enquanto ouço o zumbido das abelhas nas flores, o piar dos pássaros e, ao longe,  uma música velhinha de Bruce Springsteen, vinda de uma casa vizinha.
O destino de favas grandes e duras só poderia ser um: favas escoadas, um prato muito nosso, presente em muitas mesas de festa nesta altura do ano. Tradicionalmente, quando se faziam piqueniques, numa época anterior às geleiras, as favas escoadas eram  transportadas em cestos de vime, forrados com fetos, para que se mantivessem frescas até ao local de destino. As minhas favas não foram feitas para um piquenique. Serviram de entrada no primeiro churrasco do ano. No entanto, lembrei-me deste hábito antigo e fui colher fetos, com os quais forrei o prato em que servi as favas. Para além de ter gostado de ver esta planta na mesa, o que não é nada habitual, acho que as favas ficaram com uma frescura e um cheiro diferentes devido a este ingrediente extra.



Favas escoadas:
Favas (cerca de 1,5 kg)
sal q.b.
Água para cozer as favas

Molho de unhas:
(desconheço a origem do nome, mas é assim que Augusto Gomes lhe chama, no livro Cozinha Tradicional da Ilha Terceira)
1 cebola grande, picada
4 ou 5 dentes de alho, picados
1 ramo de salsa, picada
azeite q.b. (cerca de 1 dl, ou mais, se gostar das favas com mais molho
vinagre q.b. (4 ou 5 colheres de sopa)

Coza as favas, em água temperada com sal. Quando estiverem cozidas (cuidado para não cozerem demasiado, pois desfazer-se-ão, quando misturar o molho), escoe a água. 
Faça o molho, misturando todos os ingredientes, e envolva-o nas favas.
Forre um recipiente com fetos e coloque nele as favas. Sirva este petisco com vinho branco ou com cerveja bem fresquinha (a minha escolha).

Nota: Faço sempre estas receitas tradicionais a olho, provando, acrescentando, retificando os ingredientes, de acordo com o meu gosto ou com o daqueles a quem vou dando a provar aquilo que faço.
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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.