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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Crumble. De nêspera.

Há lá coisa melhor do que o cheiro da fruta a caramelizar no forno, enquanto os sucos se misturam com o açúcar, fundindo-se numa calda viscosa! Se sobre esta houver sabores estaladiços, melhor ainda. É por isso que gosto tanto de crumbles. Não é só uma questão de sabor. É sobretudo a mistura de texturas que torna este doce tão especial. 
Sabe bem olhar para o forno e ver o borbulhar lento à superfície, adivinhando o sabor da primeira colher. Daquelas coisas cuja antecipação tem quase tanta importância como a degustação.

Depois do último apple crumble, e de perceber a adoração do Manel por este doce, apetece-me experimentar outros sabores. Desta vez, usei nêsperas, um fruto que só tinha cozinhado em compota. 
Há quase duas semanas, ofereceram-me um saquinho. Pu-las no frigorífico, pois final de período e experiências culinárias que envolvam perder tempo a descascar fruta caprichosa são incompatíveis. De vez em quando, vigiava-as, ciente de que se poderiam perder. Aguentaram-se bem. O suficiente para brilharem nesta sobremesa diferente. 


Crumble de nêspera

Ingredientes:
800 g de nêsperas (sem o caroço, e cortadas em quartos)
4 colheres de sopa de açúcar amarelo 
1 colher de chá de canela
1/2 colher de café de cardamomo em pó

150 g de farinha integral
100 g de açúcar amarelo
2 colheres bem cheias de açúcar mascavado
100 g de manteiga (gelada), cortada em pedaços
1 chávena de aveia
1/2 chávena de amêndoa palitada
1/2 chávena de nozes picadas

Envolver as nêsperas com as 4 colheres de açúcar, o cardamomo e a canela e colocar a mistura num tabuleiro ou pirex. 
Entretanto, aquecer o forno a 180 graus. 
Numa tigela, misturar a farinha, os 100 gramas de açúcar amarelo e o açúcar mascavado. Juntar a manteiga, desfazendo-a, com os dedos, de modo a formar uma mistura granulada. Misturar a aveia, as nozes e a amêndoa e despejar sobre as nêsperas. Levar ao forno cerca de 40 minutos (até estar dourado). 
Tal como o crumble de maçã, pode ser servido quente ou frio. Com ou sem a bola de gelado de baunilha. 







domingo, 2 de abril de 2017

Apple crumble: um doce com "muitas coisas"

Há anos que não fazia apple crumble. A razão é simples: o meu marido não gosta. Para ele, sobremesa, para ser digna desse nome, tem de ter chocolate como ingrediente principal. Aceita um ou outro desvio, mas nada que envolva maçãs cozinhadas no forno. As tartes de maçã que já apareceram por aqui nunca foram provadas por ele.
Ontem, aproveitei a noite com o Manel para cozinhar maçãs. Uma noite de mãe e filho, a rever O Senhor dos Anéis, com um pratinho de apple crumble morno numa mão e uma caneca de chá na outra.
O Manel adorou. Há aqui muitas coisas, disse ele, ao saborear a primeira colher. Há, de facto. A minha versão leva aveia e amêndoa e canela e sabe bem sentir todas aquelas texturas quando metemos a colher na boca. 
Comemos o nosso crumble simples, ainda morno. Noutras circunstâncias, poderíamos ter-lhe acrescentado uma bola de gelado de baunilha. Outro contraste muito bom, para os (ainda) mais gulosos.

Fica a receita. E as flores. Na semana passada, frésias. Esta semana, muitas proteas, oferecidas por uma menina muito querida, que as produz. Juntaram-se às que já estavam nas jarras e fizeram um festim. E as minhas orquídeas, que desabrocharam quase todas, com a chegada da primavera. 










Apple crumble


Ingredientes:
3 maçãs reineta
2 colheres de sopa de açúcar amarelo 

150 g de farinha integral
100 g de açúcar amarelo
100 g de manteiga (gelada), cortada em pedaços
1 colher de chá de canela
1 mão-cheia de aveia
1 mão-cheia de amêndoa palitada

Descascar as maçãs, cortá-las em quartos e depois em fatias não muito finas (dependerá do gosto de cada pessoa, mas eu gosto de sentir os pedaços de maçã). Envolvê-las com as 2 colheres de açúcar e colocar a mistura num tabuleiro ou pirex. 
Entretanto, aquecer o forno a 180 graus. 
Numa tigela, misturar a farinha, a canela e os 100 gramas de açúcar. Juntar a manteiga, desfazendo-a, com os dedos, de modo a formar uma mistura granulada. Misturar a aveia e a amêndoa e despejar sobre a maçã. Levar ao forno cerca de 40 minutos (até estar dourado). 
Servir quente ou frio. Fica muito bom acompanhado de uma bola de gelado de baunilha. 



Continuação de um bom domingo!


domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma receita de panna cotta

Há algum tempo que não aparece por aqui uma receita. Não é que não se cozinhe por estes dias. Simplesmente, com os afazeres de final de período, não há tempo para grandes experiências com comida. Faço os pratos conhecidos, que sei que que não desiludem. Ou passo no talho de sempre e compro carne para grelhar. As sobremesas andam esquecidas. Nesta altura, em que se avizinham muitos jantares e alguns excessos, em casa, tentamos ser regrados. 
A sobremesa de hoje foi feita há muito tempo e estava guardada, à espera do seu dia. Uma panna cotta para adultos, com uma pontinha de Baileys. Deixo agora a receita por me parecer que se adequa a esta época festiva. Ainda não perdi a esperança de fazer as minhas panna cottas em formas e de as desenformar com aquela dose de dramatismo que fica sempre bem, de preferência em frente aos convidados. Mas ainda não me atrevi. Para já, sigo o caminho mais simples: faço-as em copos de cocktail e não corro riscos.

Panna Cotta de chocolate e baileys
(Ligeiramente adaptado de Chocolate... simplesmente irresistível, Vorwerk.)


Ingredientes:
4 folhas de gelatina neutra, cortadas em pedaços
Água q.b. para hidratar a gelatina
320 g de natas
50 g de açúcar
80 g de chocolate para culinária, partido em pedaços
100 g de queijo-creme
120 g de requeijão
80 g de licor de creme irlandês (Baileys)
Amêndoa tostada, picada, para servir

Preparação tradicional:
Colocar as folhas de gelatina num recipiente com água fria para hidratar durante 5 minutos. Retirar, espremer e reservar.
Levar ao lume, em banho-maria, o chocolate, 120 g de natas e 20 g de açúcar até obter um creme. Retirar do lume, adicionar metade das folhas de gelatina, bem espremidas, e misturar bem, com a batedeira. Adicionar 50 g de queijo-creme e 50 g de requeijão e continuar a bater, até estar tudo bem incorporado. Distribuir por taças individuais ou copos e levar ao frigorífico cerca de 1 hora, ou até ganhar consistência.
Aquecer, também em banho-maria, 200 g de natas e 30 g de açúcar, mexendo sempre, até o açúcar estar derretido. Adicionar a restante gelatina bem espremida e bater, até esta estar bem incorporada. Juntar 50 g de queijo-creme, 70 g de requeijão e o licor e misturar, com a batedeira. 
Distribuir pelas taças, sobre o creme de chocolate, e levar ao frigorífico cerca de 2 horas. 
Servir com amêndoa granulada, previamente tostada.

Preparação na Bimby:
Colocar as folhas de gelatina num recipiente com água fria para hidratar durante 5 minutos. Retirar, espremer e reservar.
Colocar no copo 120 g de natas, 20 g de açúcar e o chocolate e programar 2 minutos e meio, 60 graus, velocidade 2.
Adicionar metade das folhas de gelatina bem espremidas e misturar 30 segundos, 60 graus, velocidade 3.
Adicionar 50 g de queijo-creme e 50 g de requeijão e misturar 30 g, velocidade 4. Distribuir por taças individuais ou copos e levar ao frigorífico cerca de 1 hora, ou até ganhar consistência.
No copo limpo, colocar 200 g de natas e 30 g de açúcar e programar 2 minutos e meio, 60 graus, velocidade 2.
Adicionar a restante gelatina bem espremida e misturar 30 segundos, 60 graus, velocidade 3. Juntar 50 g de queijo-creme, 70 g de requeijão e o licor e misturar 30 segundos, velocidade 4. 
Distribuir pelas taças, sobre o creme de chocolate, e levar ao frigorífico cerca de 2 horas. 
Servir com amêndoa granulada, previamente tostada.



Boa semana para todos!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Um cheesecake minimalista

Em dia de excessos, de sobremesas decoradas com aranhas e bruxas e outras coisas supostamente assustadoras, trago uma sobremesa minimalista, suave e pouco doce. 


Cheesecake de chocolate branco
com três ingredientes


No blogue Casal Mistério, este cheesecake é apresentado como sendo "mais fácil de fazer do que uma torre de Lego". Fui ler o que se tem escrito sobre a receita e fiquei curiosa. Receitas simples dão sempre jeito. Mesmo quem gosta de cozinhar tem os seus dias. E há dias não. Dias em que apetecia ter uma varinha mágica (daquelas das fadas, não o eletrodoméstico) que fizesse aparecer a comida em cima da mesa. Esta é uma receita para esses dias. Tanto os ingredientes (três!) como a confeção obedecem àquele minimalismo nipónico que conhecemos também de áreas como a decoração. 
Esta minha versão é ainda mais fácil. Aqui não há pesagens. Reduzi as quantidades de chocolate e de queijo-creme. Uma tablete de chocolate, uma caixa de queijo-creme e seis ovos. Contas redondas!

Ingredientes:
1 tablete de chocolate branco (usei Pantagruel) 
1 caixa de queijo-creme
6 ovos grandes

Preparação:
Forrar uma forma de mola com papel vegetal.
Cortar o chocolate em pedaços e derretê-lo em banho-maria. Quando estiver derretido, juntar-lhe o queijo-creme e as gemas, previamente desfeitas.
Bater as claras em castelo e envolvê-las na mistura anterior, com cuidado e sem bater.
Colocar a mistura na forma e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus, cerca de 30 minutos (verificar a cozedura com o teste do palito).
Servir polvilhado com açúcar confeiteiro.




Um bom feriado para todos. Bom descanso!

domingo, 8 de maio de 2016

Quadrados de chocolate e banana



Bananas a envelhecer na fruteira é algo comum cá em casa. Numa casa de três, em que apenas dois comem este fruto, é frequente as bananas acabarem com aquele ar acastanhado e doente, impróprias para consumo. 
Sempre que possível, resgato-as e faço um bolo. Estes quadrados, com muito chocolate, ficaram bem fofos e húmidos, como se querem os bolos desta natureza.

Ingredientes:
400 g de açúcar amarelo
245 g de farinha
75 g de cacau 
1 1/2 colher de chá de fermento + a mesma quantidade de bicarbonato
1/2 colher de chá de sal
2 ovos grandes
1 chávena de bananas esmagadas
240 ml de água quente
120 ml de leite
120 ml de óleo (usei de girassol)
1 1/2 colher de chá de extrato de baunilha

Para a cobertura:
200 g de chocolate (com 70% de cacau), partido em pedaços
180 ml de natas
1 colher de sopa de manteiga

Preparação:
Aquecer o forno a 180 graus.
Forrar o fundo de um tabuleiro com 23 X 33 cm com papel vegetal. Untar e enfarinhar os lados.
Numa tigela grande, misturar o açúcar, a farinha, o cacau, o fermento, o bicarbonato e o sal. Reservar.
Noutra tigela,  misturar, com uma vara de arames, os ovos, as bananas esmagadas, a água, o leite, o óleo e o extrato de baunilha. 
Misturar bem, sem bater, os ingredientes secos e os húmidos, colocá-los na forma e leva-los ao forno 35 a 40 minutos (verificar a cozedura com um palito). Deixar o bolo arrefecer e cobri-lo com a ganache:
Levar ao lume, em banho-maria, o chocolate, as natas e a manteiga, mexendo sempre, até obter um creme.
Cobrir o bolo com a ganache e cortá-lo em quadrados. 

Servi-o como sobremesa, acompanhado de uma bola de gelado de baunilha.






(Receita ligeiramente adaptada desta.)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Feliz Ano Novo. E uma pavlova festiva.

Desde sempre que a palavra merengue me intimida. Foram fracassos sucessivos, alguns comestíveis, outros nem tanto. Confiei demasiado no destino e não fiz as pesquisas necessárias. E afinal não é nada de muito complexo. Pelo menos o merengue francês, o único em que me aventurei. Basta seguir algumas regras básicas e é fácil acertar. Das primeiras vezes, batia demasiado as claras antes de juntar o açúcar. Acho que era esse o problema. O segredo é, mal comecem a surgir os primeiros picos, começar a adicionar o açúcar, continuando a bater até que o merengue esteja bem firme. 
Este Natal, decidi fazer pavlova. A medo, confesso, que conheço bem esta minha limitação. Li as dicas com muita atenção, usei claras à temperatura ambiente, bati-as com a batedeira, para ir vigiando a consistência. E resultou! Fiquei mesmo feliz! É só um merengue, eu sei. Mas, para mim, foi uma vitória. A minha vitória culinária de 2015.

Pavlova de Natal
com creme de mascarpone




Ingredientes para a pavlova:
4 claras, à temperatura ambiente
200 g de açúcar 
1 colher de chá de vinagre
1 colher de chá de maizena

Ingredientes para a cobertura:
1 caixa de mascarpone
400 g de natas gordas, geladas
1 colher de café de extrato de baunilha
1 chávena de açúcar confeiteiro

Figos (receita aqui) e cerejas em calda e açúcar colorido para decorar


Bater as claras até começarem a formar bicos suaves. Adicionar uma colher de açúcar de cada vez, continuando a bater, até que o merengue esteja bem firme. Juntar a maizena e o vinagre e envolver suavemente, com uma vara de arames. 
Aquecer o forno a 180 graus.
Forrar um tabuleiro com papel vegetal e, com um lápis, desenhar uma circunferência no centro (uso um prato). Dispor o merengue, em forma de coroa. 
Levar o merengue ao forno, reduzir a temperatura para 150 graus e deixar cozer uma hora. Desligar o forno e deixar a pavlova arrefecer completamente dentro do forno.

Bater as natas até estarem firmes. Juntar o mascarpone e a baunilha e bater, numa velocidade baixa, apenas até estar tudo misturado. Verter sobre a pavlova e decorar a gosto. 


(A fotografia da fatia foi tirada no dia seguinte, depois de a pavlova ter passado a noite no frigorífico, daí as cores estarem desbotadas.)

Um feliz 2016 para todos quantos passam por aqui! 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Até qualquer dia

Depois de alguns dias de hesitação, decidi parar. Às vezes é preciso. Por vezes temos de concentrar a nossa atenção naquilo que, no momento, é prioritário. E, agora, as minhas energias têm de ser canalizadas para longe daqui. Voltarei, que o mais certo é ter saudades de vir a este lugar tão importante para mim. Entretanto, deixo-vos uma receita doce. É com doçura que me quero despedir. Com uma iguaria que esteve na minha mesa na Páscoa. Da senhora da culinária portuguesa, Maria de Lurdes Modesto. Até um dia destes.

Pão de ló de Alfeizerão

Ingredientes:
100 g de açúcar
6 gemas + 2 ovos inteiros
50 g de farinha


Preparação:
Batem-se os ovos inteiros com o açúcar até obter uma mistura fofa e esbranquiçada. Depois, a pouco e pouco, adicionam-se as gemas desfeitas. Bate-se tudo durante mais 10 minutos, com uma batedeira. Envolve-se a farinha, peneirada, sem bater. Deita-se a massa numa forma de barro (usei uma forma de soufflé), forrada com papel vegetal (na receita original, recomenda-se papel grosso). Tapa-se com uma folha do mesmo papel e leva-se ao forno pré-aquecido a 225 graus, durante 10 minutos. Retira-se do forno e desenforma-se. Deixa-se arrefecer antes de servir.



domingo, 26 de outubro de 2014

Meia-estação

É o nome que se dá às estações intermédias. Por serem amenas, sem excessos, chamam-lhes meia-estação. Daí as indecisões próprias destas alturas. Não sabemos bem o que vestir nem o que calçar. Será que é muito quente? Será que vou ter frio? E as dúvidas estendem-se à cozinha. Já apetece o aconchego de um forno aceso, mas ainda está calor. Ando nisto, ultimamente. 
Ontem, o sábado foi praticamente de verão. Não fossem as folhas que já atapetam o jardim, as castanhas que caem das árvores e o sol que se deita mais cedo, acreditaria estarmos, não digo em agosto, mas em setembro. Tinha decidido fazer uma tarte de abóbora, ao estilo americano. Já tinha a receita escolhida e tudo. Mas com o sol que brilhou todo o dia, não me apeteceu uma tarte de forno. Apeteceu-me uma sobremesa fresca, não tanto como esta, mas com uma frescura mais de verão que de outono. Agora que penso nisso, já é uma tendência minha usar abóbora em pratos que são mais de verão que de outono. Receitas de transição. Desta vez, foi cheesecake.

Cheesecake de abóbora


Ingredientes para a base: 
200 g de bolachas de chocolate (usei Mulatas)
3 colheres (de sopa) de manteiga derretida
2 colheres (de sopa) de açúcar amarelo
1 ovo

Ingredientes para o cheesecake:
250 g de queijo mascarpone
1 chávena almoçadeira de puré de abóbora cozida (cozi-a a vapor, espremi-a bem e triturei-a, na Bimby)
100 g de açúcar amarelo
4 folhas de gelatina
3 ovos
1/2 colher (de café) de canela em pó
1/4 colher (de café) de gengibre em pó
1/4 colher (de café) de alcaravia em pó
1/4 colher (de café) de noz moscada em pó

Preparação:
Triturar as bolachas e misturar os restantes ingredientes. Forrar com esta mistura a base de uma forma de mola com 25 cm de diâmetro e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante 8 minutos. Reservar.
Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Escorrê-las e misturá-las em 1/2 chávena de água bem quente. Reservar.
Bater o mascarpone, o puré de abóbora, o açúcar, as gemas, a gelatina e as especiarias, até obter um creme. Bater as claras em castelo e incorporar, delicadamente, na mistura anterior. Verter sobre a base de bolacha e levar ao frigorífico, de preferência de um dia para o outro. 
Servir o cheesecake polvilhado com canela.


domingo, 20 de julho de 2014

"Formosos Limões"

Nunca consigo ficar indiferente a um limoeiro carregado de frutos amarelos e salpicado de flores em tons rosados. Não me ocorre árvore mais bela e generosa. Um limoeiro com os ramos vergados pelo peso dos limões é abundância. Ao contrário de muitas plantas sazonais, esta oferece-nos fruta todo o ano. E as possibilidades são muitas: limonadas, curds, tempero de carne, peixe ou outra coisa qualquer, rodelas a enfeitar bebidas, sobremesas.
O fascínio dos poetas por este fruto já é antigo. Camões plantou um limoeiro na sua Ilha dos Amores. Numa ilha paradisíaca, capaz de satisfazer todos os desejos, tinha de haver um limoeiro com os seus frutos sensuais. Deixo os versos d'Os Lusíadas e uma ode ao limão pelo chileno Pablo Neruda.

A lemon  

Out of lemon flowers
loosed
on the moonlight, love's
lashed and insatiable
essences,
sodden with fragrance,
the lemon tree's yellow
emerges,
the lemons
move down
from the tree's planetarium

Delicate merchandise!
The harbors are big with it-
bazaars
for the light and the
barbarous gold.
We open
the halves
of a miracle,
and a clotting of acids
brims
into the starry
divisions:
creation's
original juices,
irreducible, changeless,
alive:
so the freshness lives on
in a lemon,
in the sweet-smelling house of the rind,
the proportions, arcane and acerb.

Cutting the lemon
the knife
leaves a little cathedral:
alcoves unguessed by the eye
that open acidulous glass
to the light; topazes
riding the droplets,
altars,
aromatic facades.

So, while the hand
holds the cut of the lemon,
half a world
on a trencher,
the gold of the universe
wells
to your touch:
a cup yellow
with miracles,
a breast and a nipple
perfuming the earth;
a flashing made fruitage,
the diminutive fire of a planet.





                   Pablo Neruda 

                                        Encosta-se no chão, que está caindo,
                                        A cidreira com os pesos amarelos;
                                       Os formosos limões ali, cheirando,
                                       Estão virgíneas tetas imitando.

                                        Os Lusíadas, Luís de Camões, CANTO X

Como não podia deixar de ser, uma receita com limão. Deixo-vos as imagens. A receita está no Receitas ao Desafio.

 



E, para rematar, um poema de Pablo Neruda de que gosto muito, especialmente esta versão, com a voz de veludo da Glenn Close. Não tem a ver com limões, mas é bonito e apeteceu-me :)



"And you are like de word: Melancholy."

terça-feira, 3 de junho de 2014

Lapas e uma tarte acidentada

Ficou decidido na véspera que a entrada seria lapas. A resposta à mensagem do Paulo a perguntar se eu queria lapas acabadas de sair do mar só podia ser afirmativa. E vinham mesmo a calhar, para entrada do jantar do dia seguinte. Depois, decidi a sobremesa: tarte banoffee. Só faltava o prato principal. O meu marido sugeriu entrecosto. Aceitei a sugestão, pouco entusiasmada. É que não me apetecia mesmo nada carne de porco num dia de sol como o de sábado. Apetecia-me uma coisa leve. Apeteceu-me sushi. Na verdade, apetece-me sempre sushi. E porque não? Uma mensagem para o sítio do costume, e ficámos todos felizes :)
À chegada, o João ofereceu-se para tratar das lapas. Não estive muito atenta, pois estava ocupada com o entrecosto e os acompanhamentos. No entanto, pelo que percebi, a receita é muito parecida com esta do Duarte, com a adição de limão no final.



Fica a receita da sobremesa. Ainda bem que a fotografei antes do jantar, pois, na hora de a servir, houve um ligeiro percalço que alterou um pouco o aspeto que veem na foto (não sei se já vos contei, mas sou um nadinha desastrada ;).

Tarte banoffee
(Ligeiramente adaptada daqui)


Ingredientes para a base:
100 g de manteiga derretida
250 g de bolachas digestivas


Ingredientes para o caramelo:
100 g de manteiga
100 g de açúcar amarelo
1 lata de leite condensado

Ingredientes para a cobertura:
2 bananas
200 ml de natas batidas com um pouco de açúcar
chocolate para culinária ralado

Preparação:
Unte uma forma de mola de 22 cm. 
Triture a manteiga derretida e as bolachas, coloque na forma e pressione bem. Leve ao frigorífico cerca de 10 minutos.
Leve ao lume o açúcar e a manteiga e deixe cozinhar, em lume brando, mexendo sempre. Quando o açúcar estiver dissolvido, junte o leite condensado e mexa bem. Deixe ferver, mexendo sempre, para não pegar, até obter um caramelo dourado. Verta sobre a base e deixe arrefecer. Leve ao frigorífico pelo menos uma hora ou até servir. 
Retire a base da forma e transfira-a para um prato de servir.* Corte as bananas em rodelas e disponha-as sobre a tarte. Cubra as bananas com o chantilly e decore com raspas de chocolate.

* Durante todo o processo, tenha muito cuidado para evitar deslizamentos ;)


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os brigadeiros da Keilla

Gosto muito de ouvir as histórias que emolduram as receitas. Aqueles pratos mais especiais têm quase sempre histórias, momentos e pessoas associados. A sopa de peixe da minha avó, a canja da minha mãe, o caldo de peixe do meu avô são pratos que são um bocadinho máquinas do tempo. Como aquele carro dos filmes que víamos na infância, a comida também nos leva para outras épocas.
Enquanto mexia os brigadeiros, a minha amiga Keilla falava-me dos tempos de escola, de quando chegava a casa e a mãe fazia brigadeiro. E ela, impaciente, não esperava que a mãe fizesse as bolinhas. E comia assim mesmo, da panela, enquanto assistia filme. E dei por mim a pensar que, no fundo, só mudam as receitas. O resto é igual. Quer estejamos na Europa ou na América, no Hemisfério Norte ou no Sul. O carinho das mães e aquela despreocupação da infância que não volta mais são universais. Eu não comia brigadeiro enquanto assistia filme na TV, mas comia panquecas e pipocas. E a lembrança daquela sensação de chegar da escola, pousar a mochila e deitar-me no sofá, acarinhada pela minha mãe, há de ser muito semelhante à da Keilla ao provar um brigadeiro.

Hoje, a minha receita vem em português do Brasil, ditada pela minha amiga Keilla :)

Brigadeiro


Ingredientes:
1 lata de leite condensado
1 colher (de sopa) de manteiga
3 colheres (de sopa) de Nesquik 

Preparação:
Com uma colher de pau, misturar todos os ingredientes. Levar ao fogo. A partir do momento em que você põe no fogo, tem de mexer sempre, para não grudar. Quando desgrudar da panela (quando a colher de pau começar a deixar uma "estradinha", desligar o fogo). Deixar esfriar.
Passar as mãos por manteiga e enrolar os brigadeiros, entre as palmas das mãos. 


Passar por confetis ou granulado de chocolate.























Gostoso, não? ;)

domingo, 27 de abril de 2014

Uma tarte de queijo para o almoço de domingo

É sempre nestas alturas que me apetece sobremesas. Sempre que decido deixar os doces por um tempo, estes tornam-se, aos meus olhos, mais irresistíveis do que nunca. E dou por mim a olhar para os livros de culinária com cobiça, a ver com outros olhos programas que nunca me pareceram particularmente apelativos. Eu, que gosto muito mais de salgados do que de doces, sou invadida pela gula. 
Felizmente, mais do que comer doces, apetece-me fazê-los. Não para mim. Mas para a família e amigos. O prazer que sinto enquanto os confeciono compensa o momento em que todos os provam enquanto eu tomo café. E ver as caras de felicidade e os huns depois de cada degustação sabem (quase) tão bem como saboreá-los eu própria.
Este cheesecake foi feito para o almoço de hoje, em casa dos meus pais. E o resto serviu de lanche a uns amigos muito queridos, depois de uma tarde no parque com as crianças. Fazer os outros felizes sabe bem!

Tarte de queijo fundido 

Ingredientes:
200 g de bolacha Maria
80 g de manteiga, à temperatura ambiente
500 g de leite gordo
4 ovos
150 g de queijo fundido (em triângulos)
2 latas de leite condensado

Preparação na Bimby:
Coloque no copo as bolachas e rale 10 segundos/ velocidade 5, aumentando progressivamente até à velocidade 10. Adicione a manteiga e programe 5 segundos/ velocidade 5. Espalhe a mistura no fundo de uma forma de fundo amovível (com 26-28 cm de diâmetro), alisando a massa.
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Coloque no copo o leite e o açúcar e programe 7 minutos/ 90 graus/ velocidade 4. Adicione os ovos e programe 1 minuto/ velocidade 4. Adicione os triângulos de queijo fundido e o leite condensado e programe 1 minuto/ velocidade 5. Deite na forma sobre a base de bolacha.
Leve ao forno a 180 graus, durante 30 minutos. Verta o caramelo líquido sobre a tarte e coloque-a no forno mais 30 minutos (para verificar a cozedura, espete um palito; quando sair seco, a tarte está pronta).

Preparação sem Bimby (não testada):
Num robot de cozinha, triture as bolachas. Adicione a manteiga e triture novamente, até obter uma massa homogénea. Espalhe a mistura no fundo de uma forma de fundo amovível (com 26-28 cm de diâmetro), alisando a massa.
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Leve ao lume o leite e o açúcar até este estar dissolvido. Coloque a mistura no liquidificador, adicione os ovos e bata, numa velocidade média, até estes estarem incorporados. Junte os triângulos de queijo e o leite condensado e triture-os, até que estejam completamente desfeitos. Deite a mistura na forma, sobre a base de bolacha.
Leve ao forno a 180 graus, durante 30 minutos. Verta o caramelo líquido sobre a tarte e coloque-a no forno mais 30 minutos (para verificar a cozedura, espete um palito; quando sair seco, a tarte está pronta).

Fonte: O Melhor @ Mundo de Receitas Bimby, Vorwerk 
 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

13

Gosto de observar as fotografias daquele dia. Folheio o álbum e revejo pessoas, recordo momentos, mato saudades. Ao longo do dia, vamos relembrando os passos que demos. Naquele dia e nos outros, depois dele.
Passaram-se treze anos. Mais de uma década. Aconteceu tanto, nestes anos. Andámos por vários lugares. Conhecemos pessoas. Perdemos outras importantes. Vejo os meus avós, na fotografia. Três deixaram-nos, entretanto. Mas estiveram lá, naquele dia. Vejo os nossos rostos mais jovens. Nós, os pais do Manel a haver. Tão felizes que estávamos. E continuamos. O essencial permanece. Enquanto o essencial permanecer, há que celebrar.

Depois de umas férias a comer muitas vezes fora de casa, optámos por celebrar com um jantar caseiro, preparado por mim. Um jantar no jardim, sob um céu muito estrelado e o espetáculo de chuva de estrelas que acontece todos os anos nesta data, como se fosse um presente para nós.
Para sobremesa, um pudim de requeijão. Depois de o ter provado num restaurante madeirense, aquando da Feira Gastronómica da Praia da Vitória, o meu marido pediu-me que o tentasse reproduzir. Uma busca na Internet mostrou-me várias receitas. Optei por esta, por ter sido aprovada por duas cozinheiras de confiança: a Margarida e a Mané. Omiti o limão, pois pretendia um sabor depurado, o mais parecido possível com o que prováramos. Não desiludiu. Talvez o melhor pudim que já comemos.

Pudim de requeijão

Ingredientes:
400g de requeijão;
6 ovos;
1 lata de leite condensado;
200 ml de natas frescas;
50 gr açúcar;
raspa de limão q.b. (não usei);
caramelo, para barrar a forma.

Preparação:
Bate-se muito bem os ovos com o açúcar, até duplicarem de volume (na Bimby, 6 minutos, velocidade 3).
Colocam-se os restantes ingredientes num recipiente e batem-se muito bem, até se obter uma massa homogénea (se tiverem liquidificador, podem utilizá-lo; se tiverem Bimby, batam durante 1 minuto, na velocidade 3).
Juntam-se os dois preparados e envolvem-se bem.
Unta-se uma forma com caramelo e verte-se o preparado.
Aquece-se o forno a 180 graus e coloca-se água num tabuleiro. Leva-se o pudim ao forno a cozer, em banho maria, durante aproximadamente uma hora (utilize a técnica do palito, se tiver dúvidas quanto à cozedura).
Deixa-se arrefecer dentro do forno. Desenforma-se e leva-se ao frigorífico.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Filhoses" de forno - Ei-las, em todo o seu esplendor :)

Estou de respiração suspensa. Acho que fiz tudo certo. Mas ontem também, e as minhas filhoses acabaram no lixo. Receita diferente, novamente da Manuela. Segundo ela, resulta sempre. Vamos a ver se é desta. Estão no forno. Até agora, lindas. Mas ontem também estavam. Até certa altura. Não sei qual foi o momento em que as coisas começaram a correr mal. Estava tão confiante. Mas não cresceram. Ficaram enqueijadas, sem espaço para o recheio.  O ano passado ficaram perfeitas. E toda a gente que faz a minha receita diz que as filhoses acertam sempre. Pois, comigo não, confesso. 
Volta e meia, olho para o forno. Por enquanto, tudo normal, mas ainda não começaram a crescer (Nervos).
Acho que já estão maiorzinhas. Mas nem quero falar, para não dar azar. Estão mesmo. Estão a ficar insufladas. Só espero que não abatam à saída do forno. O meu marido passa e espreita. Pergunto-lhe, confiante: Estão com bom aspeto, não? Ele responde: Sim, até agora. Porquê tanta sinceridade? Eu a precisar tanto de encorajamento e o homem resolve verbalizar os meus temores.

Mas desta é que foi. Aqui está o resultado:




As melhores que já fiz, na opinião de todos quantos as provaram. Quem ficou insuflada de orgulho fui eu :)

A receita pode ser consultada aqui.

A todos quantos por aqui passam, um bom Carnaval.

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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.