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quinta-feira, 18 de abril de 2019

De novo a Grécia. E uma tarte de queijo feta.

Desta vez, demorei-me em Atenas. Para além das visitas óbvias, à Acrópole, a museus e a outros lugares ligados ao mundo antigo, andámos essencialmente por Plaka e Monastiraki. Atenas não é uma cidade fácil, nos tempos que correm. É uma cidade confusa, como são as cidades muito populosas. E essa confusão nota-se especialmente nos transportes públicos. Há muito que não andava num lugar em que me sentisse tão insegura. Atenção às vossas coisas!, não paravam de recomendar os nossos colegas gregos. No metro ou em autocarros, sentíamos-nos como sardinhas em lata, a proteger os nossos pertences e sempre de olho nos alunos que tínhamos connosco, alguns dos quais nunca tinham saído da ilha. Imagino o que se passaria naquelas cabecinhas. O choque de sair de uma ilha com pouco mais de 50 000 habitantes e mergulhar numa metrópole de milhões. 
Saímos várias vezes da capital. E visitámos lugares maravilhosos. Foi como andar a passear pelas páginas dos livros de História e de Literatura. Ouvimos a história de Egeu, no local em que, segundo a lenda, se suicidou ao pensar que o filho, Teseu, tinha sido morto pelo Minotauro. E ouvimos as nossas alunas, entre alunos gregos, polacos e franceses, no teatro Thorikos, a recitar, em grego, versos da Odisseia
Guardarei de forma especial a visita a Delphos, o oráculo que conhecemos dos livros, centro do mundo antigo. Um lugar onde se sente uma energia e uma paz inexplicáveis. No fim, um almoço com vista para o porto onde chegavam pessoas de todo o Mediterrâneo com as suas oferendas. Debruçada na varanda daquele restaurante com vista, foi fácil imaginar a azáfama de embarcações a chegar, as pessoas a desembarcar carregadas de tesouros para oferecer aos deuses, em troca de orientações para as suas vidas. 
Cada vez mais vou consolidando a minha admiração por este país. E a gastronomia não é alheia a esta minha devoção. Já escrevi sobre o assunto quando estive em Kalamata e esta viagem só confirmou o meu gosto pela comida grega.

Na bagagem, azeitonas e feta, novamente. Cada vez mais, os meus souvenirs são comestíveis. Chego sempre de viagem com a mala cheia de coisas de comer e um ou outro livro de receitas. E com muita vontade de ir para a cozinha, reproduzir as coisas boas que comi por lá. 
Depois de uma semana a comer feta ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar, não me apeteceu parar. Pelo contrário, continuei a usá-lo em saladas e a comê-lo com mel, logo pela manhã. Desta vez, visitei Arachova, uma cidadezinha pitoresca, para onde os atenienses vão quando querem fugir do bulício da cidade. E deliciei-me com as lojas artesanais, cheias de azeite, azeitonas, massas, queijos e iogurte. Fotografei muito e comprei muito. 


 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Passada uma semana, foi a vez de o meu marido ir a Salónica. O que trouxe na bagagem? Mais feta! Com tanta abundância, não me senti culpada ao utilizar 300 g de uma vez só para fazer esta tarte que partilho convosco. A receita foi tirada de um dos livros que trouxe comigo, My greek taverna - Taking greek cuisine back home.

Tarte de queijo
Tiropita


Ingredientes:
300 g de queijo feta, esfarelado
200 g de requeijão (anthotiro, na receita original)
200 ml de leite
6 ovos, batidos
10 folhas de massa filo
8-10 colheres de sopa de azeite
sal e pimenta preta

Preparação:
Numa tigela grande, misturar os dois queijos com os ovos, o leite, o sal e bastante pimenta.
Untar um tabuleiro (o meu tinha cerca de 20 X 20 cm) e colocar uma folha de filo que tenha tamanho suficiente para cobrir os lados do tabuleiro. Adicionar mais 4 folhas, untando cada uma com azeite, com um pincel, antes de colocar a seguinte. 
Verter o recheio sobre a massa, dobrar a massa e cobrir com as restantes 5 folhas (pincelando cada uma delas com azeite antes de colocar a seguinte).
Levar ao forno a 180 graus, cerca de 50 minutos, até que o topo esteja dourado. 
Deixar arrefecer, cortar em quadrados e servir.







quinta-feira, 5 de março de 2015

Antecipação

Depois de um dia de trabalho, mais uma caminhada à beira-mar. Não obstante as limitações da insularidade, gosto mesmo de morar aqui. Saio do trabalho e em sete minutos estou em casa. Troco de roupa e calço as sapatilhas. Mais dois minutos e estou a caminhar, junto ao mar. E posso escolher o cenário: se me apetecer areia e gente, viro à direita, em direção à Praia da Vitória. Se preferir silêncio e o negro austero do basalto, viro à esquerda e dali a pouco estaciono no Porto Martins. 
Chego a casa e preparo este jantar. Nem todos os dias há paciência para moldar massas. Em dias como o de ontem, em que entro em casa já noite cerrada, só há tempo para pousar a chave e a mala, pôr esparguete a cozer e engendrar uns acessórios para lhe juntar. Hoje não. Hoje houve tempo. E vontade. Sempre que o jantar implica tirar o rolo do armário, é sinal de que há vontade de passar algum tempo na cozinha. Perto de mim, o Manel vai fazendo o trabalho de casa. E vai tagarelando. Ó mãe, detesto as tartatugas. Vivem mais do que nós e não trabalham! Não deixa de ter razão, o rapaz. Por outro lado, do que nos serviria uma vida longa de tédio? É o trabalho que nos permite valorizar os momentos de lazer. Para mim, são os dias longos e cheios que me fazem apreciar tanto o fim de semana. É já amanhã. Por falar em fim de semana, vou fazer o meu gelado de baunilha. Adeus :)


Folhado de frango e cogumelos


Ingredientes:
1 peito de frango, cozido (ou aproveitamentos de frango assado)
2 alhos-franceses grandes (apenas a parte branca)
200 g de cogumelos brancos + 150 g de cogumelos shiitake, laminados
3 colheres (de sopa) de azeite
brócolos q.b., em floretes
1 embalagem de massa folhada (usei da marca Continente, com 5 placas)
200 ml de natas magras
sal e pimenta preta a gosto
1 gema, para pincelar
sementes de sésamo (facultativo)

Cortar o alho-francês em rodelas e lavá-lo bem. Levá-lo ao lume, com o azeite, e deixá-lo refogar, até que amoleça. Juntar o frango, desfiado ou cortado em pedaços pequenos, os cogumelos e os brócolos. Deixar cozinhar cerca de 10 minutos, em lume brando. Juntar as natas, temperar com sal e pimenta e deixar apurar cerca de 5 minutos.
Entretanto, esticar a massa, formando 2 retângulos. Num tabuleiro de forno, forrado com papel vegetal, colocar um retângulo e, no centro deste, o recheio. Cobri-lo com o outro retângulo e aconchegar bem as beiras. Se houver tempo (e paciência), com a massa que sobrar, cortar tirinhas e decorar a empada. Pincelar com ovo batido, polvilhar com sementes de sésamo e levar ao forno a 180-190 graus, até dourar. Servir com salada verde. 




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sexta-feira. Memórias. E uma tarte salgada.

Sexta-feira à noite. Acabámos de jantar. O meu marido arruma a cozinha. Eu e o Manel fazemos o bolo do fim de semana. Estava pedido deste a semana passada. Bolo vegan, mãe! Tenho saudades! E hoje, quase no fim de um dia de trabalho, pensei naquele bolo. E no momento em que estaria, finalmente, em casa, com eles. Já estou. O bolo está no forno. E ele está aqui, ao meu lado, a lamber a espátula. E eu penso que é destes pedaços de vida que são feitas as memórias. E que daqui a uns anos, quando o meu Manel de agora seis anos for um homem, há de lembrar-se de estar na cozinha, com a mãe e o pai, a fazer bolo de chocolate, ao som desta música, e de, com a cara lambuzada, lamber a espátula suja de creme de chocolate e dizer, feliz, Tão bom!

A receita do jantar foi esta. E o acompanhamento foi esta tarte tatin de tomate cereja, uma receita de um dos blogues mais inspiradores que conheço.

Tarte tatin de tomate cereja


Ingredientes:


600 g de tomate cereja (ou o suficiente para preencher a tarteira)
1 rolo de massa folhada
2 colheres (de sopa) de vinagre balsâmico
2 colheres (de sopa) de açúcar
2 colheres (de sopa) de manteiga
2 colheres (de chá) de orégãos
Tomilho fresco q.b.


Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus.
Numa frigideira larga, derreter a manteiga e o açúcar. Quando começarem a caramelizar, juntar os tomates e deixar cozinhar 5 a 8 minutos. Polvilhar com orégãos e uma colher de açúcar. Temperar com sal e pimenta. Juntar o vinagre balsâmico e deixar reduzir cerca de 2 minutos. Colicar os tomates numa tarteira. Cobri-los com a massa folhada, aconchegando-a. 
Levar a tarte ao forno e deixá-la cozer 25 minutos ou até a massa folhada estar dourada. Findo esse tempo, retirá-la do forno e deixá-la descansar 5 minutos. Virá-la para um prato e guarnecê-la com folhas de tomilho. 


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Primavera e tarte de cogumelos: uma espécie de antítese

Gosto sempre das mudanças de estação. Não importa a estação que começa. Tal como a primeira noite de lareira acesa, lá para novembro ou dezembro, o primeiro jantar no jardim promete sempre coisas boas. Num dia bonito como o de hoje*, cheguei a casa, pus a música a tocar (hoje, apeteceu-me recordar), escancarei as portas, com a cozinha a fundir-se com o jardim. E cozinhei.
Ao contrário do que seria de esperar, não comemos grelhados, nem saladas, nem nada habitualmente associado às estações quentes. Comemos tarte de cogumelos e pak choi assada, comida mais de outono do que de primavera. A contrariar o tom outonal da ementa, as flores do cebolinho e as rosas e os lírios da mesa. Depois do jantar, a voltinha habitual pela horta, a regar as alfaces e os tomateiros e as cougettes e as beringelas. E tudo o mais que lá está, a crescer a olhos vistos. A receita da tarte é a que faço sempre e que ainda não tinha tido honras de post. Simples e sem muitos elementos distratores, para que o ingrediente-rei brilhasse. Inspirada por esta tarte da Ginja, juntei-lhe cebolinho e decorei-a com flores. E soube-nos bem a tarte de sempre, com este twist primaveril.

 As três primeiras fotos são da horta da minha cunhada. Não resisti às flores das cebolas e do cebolinho nem à beringela bebé.

* O hoje, na verdade, é ontem. O texto foi escrito ontem, mas não houve tempo para acabar o post. A tarde de hoje, no entanto, foi semelhante. Não houve horta, mas houve jantar lá fora :)

Ficam as fotos. A receita está no Receitas ao Desafio.





segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sweet september

Em junho, a praia cheira a saudade. Em agosto, a férias. Em setembro, a nostalgia. Rasga-se a folha do calendário e o sentimento é outro. Querer esticar o verão. Gastar os últimos cartuxos. Aproveitar os últimos raios de sol.

 Hoje, acabaram as minhas férias. Para trás, ficam os dias com tempo, em que parece caber tudo. Ficam os almoços a três, a horas não programadas. Ficam os jantares tardios e as cedências quanto à hora de deitar. Ó mãe, posso ver mais um Pocoyo? E eu lá deixo, afinal estamos de férias. 
A partir de hoje, começam os horários, as rotinas, a mochila preparada de véspera. Hoje, começam as preocupações, a lista de coisas a fazer. Mas hoje começa também a excitação de um novo ano letivo. Nunca deixo de me entusiasmar com o começo de mais um ano. Rever alunos ou vê-los pela primeira vez. Reencontrar colegas, conhecer outros. Preparar o material, abrir manuais a cheirar a novo, fazer planos de aulas, conhecer o horário que ditará as rotinas dos meses que se seguem.
Este ano, será tudo novo: escola, alunos, colegas. E eu pareço uma criança que vai à escola pela primeira vez, contente com os cadernos novos. Apesar de lamentar deixar os dias preguiçosos, a motivação suaviza esse sentimento.
Hoje, o Manel voltou à escola. E chorou, quando o deixámos. Foram muitos dias de mimo e diversão. Dias com menos regras e com os pais só para ele. Afinal, adorou rever colegas, educadora e auxiliares. Estava excitadíssimo quando o fui buscar. Contou-me o seu dia, com alguns pormenores. A minha sala está muito gira, mãe. E, ao fim da tarde, ainda houve tempo para um pedacinho de praia. Chegou a casa feliz. Enquanto o pai lhe tirava a (muita) areia do corpo, preparei este jantar leve:

Tarteletes de atum e tomate cereja 

2 latas de atum
1 cebola roxa, grande (da horta do meu pai :)
250 g de tomate cereja (da nossa horta :)
3 colheres de sopa de azeite
1 caixa de natas magras (200 g)
4 ovos
sal e pimenta
nira (uma espécie de cebolinho japonês, com sabor a alho - adquiri este na Biofontinhas, que tem estas preciosidades, mas podem substituí-lo por cebolinho.)
Queijo da ilha ou parmesão, ralado na hora

Fiz um refogado com a cebola, cortada em rodelas finas, e o azeite. Juntei as latas de atum, escorridas, e deixei cozinhar um pouco. Adicionei os tomates, cortados a meio, e cozinhei uns dois minutos.
Bati os ovos, juntei-lhes as natas e continuei a bater. Adicionei o cebolinho, picado fino, e temperei com sal e pimenta. Misturei os ovos com o refogado e pus nas formas (não untei, pois as minhas são de silicone). Povilhei com queijo ralado e levei ao forno, a 190 graus.
Servi com uma salada bem colorida: de alface e flores comestíveis, polvilhada com amaranto vermelho (também da Biofontinhas).

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cliché

Vejo uma casa, no sul de França. Está sol. Há campos de flores. Roupa branca no estendal. Um alpendre, com muitas trepadeiras. Buganvílias. A brisa inunda o ar com o aroma da lavanda. Ouço risos de crianças que correm pelo jardim. Brincam às escondidas. Un, deux, trois... Aos meus ouvidos, chegam vozes de mulheres que, na cozinha, preparam galettes para o almoço, com as sobras do jantar da véspera. Põe-se uma mesa no alpendre. Toalha de xadrez, colorida. Copos baixos. Simplicidade. Os homens chegam do campo. Serve-se o vinho. Chamam-se as crianças. Sentam-se todos à mesa. E comem, com vontade.


Galette de frango, espinafres, feta e tomate


3/4 cup* de farinha de trigo
1/4 cup de farinha de milho amarelo
3 colheres e meia de manteiga gelada, cortada em pedaços
3/4 colher de chá de sal
3 colheres de sopa de água gelada
1 mão cheia de tomates cereja, cortados ao meio
aproveitamentos de frango (cerca de 100 g)
1 molho de espinafres (pequeno)
azeite
2 dentes de alho
1/2 cup de queijo feta, esfarelado
pimenta preta, moída na hora
folhas de manjericão a gosto

Num robot de cozinha, misture as farinhas, a manteiga e 1/2 colher de chá de sal. Misture até que esteja com a aparência de carne moída. Com o robot em funcionamento, vá misturando lentamente a água (não deverá formar uma bola). Embrulhe a massa em película aderente e leve ao frigorífico, durante cerca de 30 minutos.
Pré-aqueça o forno a 200 graus.
Desembrulhe a massa, e, com o rolo, forme um círculo de cerca de 25 cm de diâmetro. Salteie os espinafres e os alhos no azeite. Distribua os espinafres, os tomates e o frango, deixando uma borda de cerca de 3 cm. Tempere com sal e pimenta. Vire as beiras para dentro (não é necessário que fique com uma aparência perfeita, pois o objetivo é que fique com um aspeto rústico). Leve ao forno durante 25 minutos ou até que esteja com uma cor dourada. Junte o quejo feta esfarelado e leve ao forno mais 5 minutos. Deixe arrefecer 5 minutos e junte as folhinhas de manjericão.
Servi com salada verde e morangos, temperada com vinagre balsâmico.

* 1 cup = 125 g

Fonte: Adaptada de http://www.nutritiouseats.com/tomato-feta-basil-galette/

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Uma Quiche Lorraine para o mestre do suspense

Desde manhã que os pássaros andavam diferentes. Para além de me parecerem em maior quantidade do que o habitual, estavam todos alinhados nos fios de eletricidade, com um ar ameaçador. 

                                                         Imagem retirada daqui

Acordara apreensiva, com uma sensação estranha. E aqueles pássaros pareciam estar a agoirar qualquer coisa. Oxalá este jantar corra bem, pensei. O meu marido não achou muita graça ao facto de ter uma personagem tão sombria em casa: Aquele homem causa-me arrepios. E sabes da fama dele com as mulheres. Respondi-lhe que não se preocupasse. Só as loiras corriam perigo.
Mal ouvi o toque da campainha, dirigi-me à porta. Através do vidro, pude perceber a silhueta inconfundível do meu convidado.

                                                Imagem retirada daqui 

Pedi-lhe que entrasse. Seguiu-me, em silêncio. Apesar de nervosa, eu estava fascinada por ter em casa o mestre do suspense, um dos realizadores mais importantes do século XX, de cujo trabalho sou uma admiradora fervorosa. Servi-lhe uma Quiche Lorraine, um dos pratos preferidos do homem que um dia declarou "I am not a heavy eater. I'm just heavy, and I eat".
Durante o jantar, falámos dos primeiros anos em Inglaterra, da mudança para os Estados Unidos, recordámos filmes, personagens, atores... Perguntou-me qual o meu filme preferido. Depois de uns segundos de reflexão, respondi:  A corda. Pareceu-me ter gostado da minha escolha. Em termos técnicos, foi dos mais difíceis de filmar. E muito inovador para a época, declarou, com orgulho. Entusiasmou-se quando falou de Grace Kelly. Quando mencionei Tippi Hedren, desconversou. Afinal o que se diz deve ser verdade, pensei.
No fim do jantar, mostrei-lhe a minha coleção de filmes e de livros sobre a sua obra. Pareceu-me impressionado e reconhecido.


O ar sombrio raramente o abandonou. Mesmo quando dizia uma piada, fazia-o num tom sinistro. E até quando me agradeceu o jantar, fê-lo com um sorriso ambíguo, difícil de decifrar.
Depois de nos despedirmos, pensei que nunca tivera um jantar tão estranho. E enquanto atravessava o corredor, em direção ao quarto, arrepiei-me. A sensação de que alguém me seguia. Vou tomar um duche, a ver se acalmo. Inexplicavelmente, decidi tomar um banho. Ainda bem. Talvez tenha sido a minha salvação.


Quiche Lorraine (sem crosta)

Ingredientes para 6 pessoas
- 3 ovos grandes
- 120 g de farinha de trigo
- 500 ml de leite
- 100 g de queijo ralado em fios (emmental, gruyère...)
- 100 g de fiambre cortado em cubos pequenos
- 100 g de bacon cortado em palitos finos
- pimenta preta moída no momento

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar uma tarteira com papel vegetal e reservar.

Numa tigela grande, misturar muito bem os ovos e a farinha com o auxílio de uma vara de arames. Juntar o leite aos poucos, mexendo constantemente.

Temperar com pimenta. Adicionar o queijo ralado, o fiambre e o bacon. Misturar novamente.

Espalhar o preparado na tarteira e levar ao forno por 40 minutos, a 180ºC.

Retirar a quiche do forno. Deixar repousar por 10 minutos antes de desenformar e fatiar. Servir a quiche quente, morna ou fria. Acompanhar com salada mista.

Fonte: http://elvirabistrot.blogspot.pt/2009/04/quiche-lorraine-sem-crosta.html

Com esta receita, participo na 4ª edição do passatempo "Convidei para jantar...", promovido pela Ana, a decorrer, este mês, no  blogue Menu Verde

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tarte de bacalhau da Carla

Há pratos que nos fazem viajar. À primeira dentada, somos transportados para sítios mais ou menos longínquos, para tempos mais ou menos remotos. Lembramo-nos das pessoas com quem estávamos, de pormenores da mesa, das conversas partilhadas enquanto os provávamos. 
Esta tarte leva-me até à Povoação, numa tarde de agosto. Leva-me até uma mesa bonita, vestida de cores sóbrias. Leva-me até um cesto com pão caseiro, feito pelas mãos da minha amiga Carla. À nossa espera, azeitonas aromatizadas com ervas (orégãos, se não me engano) e uma garrafa de vinho bem fresquinha. Recordo este almoço tranquilo, numa casa linda, com uma vista de cortar a respiração. Recordo uma conversa agradável entre amigos que há muito não se viam. Recordo ainda um Manel cheio de sono, que adormeceu mal chegou ao carro. E recordo uma tarde de praia perfeita na Ribeira Quente. Num daqueles dias de céu muito azul, de sol muito quente e de água muito cristalina.


Ingredientes para a massa:
250 g de farinha
1 ovo
70 g de manteiga
água e sal q.b.

Ingredientes para o recheio:
2 postas de bacalhau (usei uma embalagem de migas de bacalhau)
8 camarões descascados
1 cebola
3 dentes de alho
1/2 colher de sopa de manteiga (substituí por 2 colheres de azeite)
1 dl de natas
4 ovos
2 gemas (não usei)
2 colheres de sopa de farinha
4 dl de leite
sal, pimenta e farinha q.b.

Misture bem todos os ingredientes para a massa, de modo a ficarem bem ligados, e deixe repousar 15 minutos.
Prepare o recheio: Refogue a cebola e os alhos no azeite, durante 3 minutos. Acrescente o bacalhau e os camarões, cortados em pedaços, e deixe estufar 5 minutos. Acrescente as natas e os ovos.
Misture a farinha com o leite, sal e pimenta. Leve ao micro-ondas durante 4 minutos, na potência máxima. Envolva este molho com o bacalhau.
Estenda a massa numa superfície plana, polvilhada com farinha, e forre uma forma de tarte. Verta o recheio e leve ao forno a 180 graus.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mini-tartes de frango e alho francês

Esta receita foi das primeiras que publiquei no Receitas ao Desafio, com uma fotografia muito má, de quem dava os primeiros passos neste mundo. Na altura, fi-la em versão tarte. Hoje, partilho convosco a versão tartelete, que é a mesma coisa, mas mais pequena, logo, mais charmosa. Esta tarte é das minhas preferidas e todos quantos a provam me pedem a receita. Deixo-vos a fotografia. A receita pode ser consultada aqui.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma tarte tranquila

Se há dias (a maior parte) em que me sabe bem cozinhar com os meus homens à minha volta, com o som das conversas e dos risos, outros há em que cozinhar sozinha é um prazer. Apenas a companhia do Gaspar e da Micas, os nossos gatos. Nesses dias, tenho tempo para pensar, para ouvir aquela música de que só eu gosto, sem ter que ouvir: "Não sei como gostas disso." Hoje, foi um desses dias. 
Por culpa de uma reunião marcada para as 19:00, fiz o jantar a meio da tarde. Uma tarte salgada, por ser simples e por poder esperar até à hora do jantar sem perder qualidade. 
Comecei por escolher a música: B Fachada, cantor que o meu marido não aprecia (Nós provamos que o Rui Veloso estava errado ao cantar que "não se ama alguém que não ouve a mesma canção". Se em relação a cinema ainda vamos tendo algumas afinidades, em relação à literatura e à música, elas são poucas. ). De seguida, fui colher os tomates (estou mesmo orgulhosa da nossa mini-horta). Depois, com a ajuda da Bimby, fiz a massa quebrada: coloquei no copo 75 g de farinha de trigo, 75 g de farinha integral, 65 g de manteiga, 35 g de água, uma pitada de sal e outra de açúcar. Programei 15 segundos, velocidade 6. Forrei a tarteira e dediquei-me ao recheio: salteei 2 dentes de alho, picados, em 2 colheres de azeite. Quando começaram a ficar dourados, adicionei 200 g de cogumelos pleurotus, temperei com sal e pimenta e deixei cozinhar. Juntei cebolinho, picado fino, e temperei com sal e pimenta. Acrescentei uma colher bem cheia de queijo-creme com ervas. Tapei e deixei apurar. Coloquei o recheio na tarteira e, por cima, rodelas de tomate. Polvilhei com queijo mozzarella (pouco) e orégãos (também poucos). Levei ao forno. Enquanto cozia, escrevi este texto.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tarte de atum, brócolos e ovos cozidos


Gosto bastante de tartes salgadas (ou quiches, como lhes preferirem chamar). São práticas e permitem aproveitar ingredientes que temos no frigorífico. Desta vez, tinha 2 ovos, que tinha cozido e que não tinha chegado a utilizar. Juntei-lhes atum e brócolos, coentros, para um perfume agradável, e saiu uma refeição saudável, saborosa e económica, que penso que até o FMI aprovaria.

Ingredientes para a massa (1/2 receita do livro-base da Bimby)
150 g de farinha
65 g de manteiga
35 g de água
1 pitadinha de sal
1 pitadinha de açúcar
alho em pó a gosto
Folhinhas de coentros, picadinhas

Ingredientes para o recheio:
brócolos cozidos
2 latas de atum
2 ovos cozidos (estavam no frigorífico e tinham urgentemente que ser utilizados)
1 cebola, em rodelas
2 dentes de alho, picados
azeite a gosto
sal e pimenta a gosto
coentros a gosto
200 g de natas (usei light)

Fiz a massa na Bimby, seguindo as instruções do livro (coloquei todos os ingredientes no copo e programei 15 segundos, na velocidade6.
Num wok, salteei a cebola e o alho no azeite. Juntei o atum e os ovos cozidos, os brócolos, temperei com sal e pimenta e deixei cozinhar uns minutos. Adicionei os coentros picados e as natas. Coloquei o recheio na tarteira, untada e forrada com a massa, polvilhei com um pouco de queijo ralado e levei ao forno a cozer. Servi com salada.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tarte de salmão com endro



O mote para esta tarte foi um raminho de endro a pedir para ser usado e uns restos de salmão grelhado que havia no congelador. Resultado: uma tarte salgada, com uma cor, textura e sabor delicados.
O Manel gostou tanto do sabor do endro, que agarrou no raminho que estava a decorar a tarte e comeu-o. Assim mesmo, à dentada, perante o olhar horrorizado do pai, avesso a verduras cruas.

Ingredientes para a massa (1/2 receita do livro-base da Bimby)
150 g de farinha
65 g de manteiga
35 g de água
1 pitadinha de sal
1 pitadinha de açúcar
Folhinhas de endro (só as folhinhas pequeninas, ripadas)

Ingredientes para o recheio:
300 g de aproveitamentos de salmão grelhado
200 g de natas (usei sour cream)
1 raminho de endro (também chamado aneto)
3 ovos
Sal e pimenta q.b.

Preparação:
Preparei a massa quebrada, segundo as instruções do livro-base da Bimby: coloquei todos os ingredientes, segundo a ordem indicada, e programei 15 segundos, velocidade 6.
Triturei o salmão, juntamente com as natas, as gemas e o endro (só as folhinhas pequeninas, ripadas), de modo a formar um creme (Na Bimby, alguns segundos, na velocidade 3). Temperei com sal e pimenta. À parte, bati as claras em castelo e misturei, delicadamente, com o preparado de salmão.
Coloquei na tarteira, e levei ao forno a 180 graus, até dourar (a minha dourou demais, pois esqueci-me dela no forno.).
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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.