quinta-feira, 5 de março de 2015

Antecipação

Depois de um dia de trabalho, mais uma caminhada à beira-mar. Não obstante as limitações da insularidade, gosto mesmo de morar aqui. Saio do trabalho e em sete minutos estou em casa. Visto-me e calço as sapatilhas. Mais dois minutos e estou a caminhar, junto ao mar. E posso escolher o cenário: se me apetecer areia e gente, viro à direita, em direção à Praia da Vitória. Se preferir silêncio e o negro austero do basalto, viro à esquerda e dali a pouco estaciono no Porto Martins. 
Chego a casa e preparo este jantar. Nem todos os dias há paciência para moldar massas. Em dias como o de ontem, em que entro em casa já noite cerrada, só há tempo para pousar a chave e a mala, pôr esparguete a cozer e engendrar uns acessórios para lhe juntar. Hoje não. Hoje houve tempo. E vontade. Sempre que o jantar implica tirar o rolo do armário, é sinal de que há vontade de passar algum tempo na cozinha. Perto de mim, o Manel vai fazendo o trabalho de casa. E vai tagarelando. Ó mãe, detesto as tartatugas. Vivem mais do que nós e não trabalham! Não deixa de ter razão, o rapaz. Por outro lado, do que nos serviria uma vida longa de tédio? É o trabalho que nos permite valorizar os momentos de lazer. Para mim, são os dias longos e cheios que me fazem apreciar tanto o fim de semana. É já amanhã. Por falar em fim de semana, vou fazer o meu gelado de baunilha. Adeus :)


Folhado de frango e cogumelos


Ingredientes:
1 peito de frango, cozido (ou aproveitamentos de frango assado)
2 alhos-franceses grandes (apenas a parte branca)
200 g de cogumelos brancos + 150 g de cogumelos shiitake, laminados
3 colheres (de sopa) de azeite
brócolos q.b., em floretes
1 embalagem de massa folhada (usei da marca Continente, com 5 placas)
200 ml de natas magras
sal e pimenta preta a gosto
1 gema, para pincelar
sementes de sésamo (facultativo)

Cortar o alho-francês em rodelas e lavá-lo bem. Levá-lo ao lume, com o azeite, e deixá-lo refogar, até que amoleça. Juntar o frango, desfiado ou cortado em pedaços pequenos, os cogumelos e os brócolos. Deixar cozinhar cerca de 10 minutos, em lume brando. Juntar as natas, temperar com sal e pimenta e deixar apurar cerca de 5 minutos.
Entretanto, esticar a massa, formando 2 retângulos. Num tabuleiro de forno, forrado com papel vegetal, colocar um retângulo e, no centro deste, o recheio. Cobri-lo com o outro retângulo e aconchegar bem as beiras. Se houver tempo (e paciência), com a massa que sobrar, cortar tirinhas e decorar a empada. Pincelar com ovo batido, polvilhar com sementes de sésamo e levar ao forno a 180-190 graus, até dourar. Servir com salada verde. 




domingo, 1 de março de 2015

Março

Gosto muito desta época. Pelos dias maiores, que se esticam pela tarde dentro. Pelo céu, que cada vez é mais azul. Pelas flores que tomam conta das estradas e dos jardins. Pela natureza que se renova.
Esta manhã, uma caminhada à beira-mar. As pessoas, saudosas de primavera, sairam das tocas. Pais a passear bebés, casais a passear cães, grupos de surfistas a apanhar ondas, um grupo de reformadas a comentar os surfistas que apanhavam ondas. Gatos a espreguiçar-se ao sol. 
Uma energia boa numa ilha toldada pela incerteza, esta manhã. Não levei câmara, pois o objetivo era fazer exercício, não fotografar. Mas não resisti. O mesmo aparelho que me deu música tirou as fotos. O meu marido ainda refilou por eu estar sempre a parar. Depois de cada disparo, uma corrida para o apanhar. 






Depois do almoço, uma visita ao pomar do meu pai. O limoeiro, carregado, esperava por nós. O resultado foram três cestos de limões bem amarelinhos e uma ou outra picadela das urtigas. 



Ao chegar a casa, fui à minha horta, semi-abandonada, ver o que havia. No meio das ervas daninhas, descobri alfaces, de alguma semente perdida desde o verão passado, e um cantinho de espinafres. Estas descobertas soam-me sempre a milagre. Colhi cenouras e erva-limão. Acendemos a lareira, que as  noites ainda são frias. E fiz uma sopa de inspiração tailandesa para o meu jantar. Uma sopa bem perfumada, que conforta só de olhar. 







Sopa de camarão e cogumelos shiitake


Ingredientes para duas doses generosas:
1 talo de erva-limão, sem as camadas exteriores, picado
1 pedaço de gengibre (cerca de 2 cm), picado
1/2 malagueta, picada
2 spring onions, picadas 
3 colheres (de sopa) de azeite
3 colheres (de sopa) de molho de peixe tailandês
1,5 l de água
1/2 chávena de miolo de camarão
1 chávena de cogumelos shiitake frescos
noodles de arroz
sal
1 ramo de coentros 

Num tacho, fazer um refogado com as spring onions, a malagueta, a erva-limão, o gengibre e o azeite. Acrescentar a água e o molho de peixe e deixar ferver. Adicionar o miolo de camarão e os cogumelos, temperar com sal (não se deve colocar muito, uma vez que o molho de peixe é salgado) e deixar ferver cerca de 5 minutos. 
Entretanto, cozer os noodles, segundo as instruções da embalagem. Se necessário, juntar mais sal ou molho de peixe. Dividir a massa pelas tigelas e cobri-la com o caldo. Polvilhar com coentros, picados, e servir.

Deixo-vos uma das músicas que me acompanharam esta manhã, daquelas que dão vontade de correr.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Cenouras bebé

No dia do desbaste, anoiteceu antes que eu conseguisse concluir a tarefa. Ficou um pedacinho do canteiro por desbastar. Entretanto, não houve tempo para pensar em agricultura. Tomei aquele cantinho como perdido. Mesmo assim, há dias, experimentei arrancar um exemplar. Surpreendentemente, não veio só a rama. Presa a esta, uma cenoura muito perfeita, apesar de não ter mais do que tamanho do meu dedo mindinho. Resgatei mais umas quantas e ainda lá estão algumas, à espera do seu final feliz. A rama serviu de jantar ao Serafim. As cenouras, depois de lavadas e temperadas com alho e coentros, foram ao forno, a caramelizar.  Muito saborosas, as minhas cenouras pequeninas, que só por acaso viram a luz do dia.






Cenouras assadas
com alho e coentros

400 g de cenouras (se não tiver cenouras bebé, pode usar das comuns, cortadas em rodelas grossas)
1 colher (de chá) de sementes de coentros
3 dentes de alho
1 colher (de chá) de sal grosso
pimenta a gosto
1/2 dl de azeite de boa qualidade
folhas de coentros 

Num almofariz, colocar os alhos, as sementes de coentros e o sal. Esmagar bem, até obter uma pasta. Misturar o azeite, temperar com pimenta e verter sobre as cenouras, já arranjadas, envolvendo-as bem. Levar ao forno a 180 graus, até que estejam cozidas. Polvilhar com as folhas de coentros, picadas, e servir. Estas acompanharam um frango assado, feito sem receita, mas muito semelhante a este.



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Carnaval

Este Carnaval, não quero folia, nem fantasias, nem confusão. Quero parar e descansar. Quero aproveitar muito a minha casa e a minha cozinha. Quero cercar-me de flores e outras coisas que me façam bem. Quero agasalhar-me e correr até à horta, para colher cenourinhas e ervas para o jantar. E correr de volta a casa, a refugiar-me no meu casulo. Quero aquela música suave que parece fazer parte da própria casa. E ouvir os sons infantis que vêm da sala, dos programas do meu filho.
A lareira acende-se antes do fim do dia, os gatos ronronam, perto de nós. Nos braços do sofá, há livros e revistas. Os filmes e as séries enfileiram-se, à espera que os escolhamos. A lembrar a época, apenas os foguetes que estalam no ar, a anunciar os bailinhos, e talvez alguma filhós que saia do forno.  Gosto muito do Carnaval. Do meu Carnaval. 









Bom Carnaval para todos. Mais ou menos folião. O importante é que o vivamos da forma que nos fizer mais felizes.

Deixo-vos duas sugestões de filhoses, o doce desta época cá na Terceira. No primeiro post, encontram ainda uma descrição do Carnaval terceirense.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Chocolate + beterraba: uma dupla vencedora

Em dias menos bons, é na cozinha que encontro paz. Há quem corra ou vá ao ginásio para limpar a cabeça. Eu vou para a cozinha. A cozinha atenua, apazigua, massaja. E a doçaria tem um efeito particularmente eficaz. Gestos como partir ovos, misturar farinhas e fermentos, bater claras em castelo têm um efeito quase imediato. Se a confeção envolver o castanho vítreo do chocolate a derreter em banho-maria, mais ainda.
Este bolo, uma receita do Nigel Slater, é daqueles que agradam a quase toda a gente. A dupla chocolate + beterraba é infalível. Dos melhores bolos de chocolate que já fiz. Foi devorado antes que o conseguisse fotografar em condições. Primeiro, foi servido com gelado de baunilha, como sobremesa. No dia seguinte, serviu de lanche a dois meninos esfomeados, a meio de uma tarde de muita brincadeira. Ainda fui a tempo de fotografar a última fatia, para ilustrar a receita. 

Bolo de chocolate e beterraba


Ingredientes:
200 g de manteiga + um pouco para untar
250 g de beterraba cozida e triturada
200 g de chocolate de culinária (com 70% de cacau)
4 colheres de sopa de café expresso
135 g de farinha
1 colher de chá de fermento para bolos
3 colheres de sopa de cacau em pó
5 ovos caseiros (gemas e clara separadas)
190 g de açúcar amarelo

Pré-aquecer o forno a 180 graus.
Untar e enfarinhar uma forma redonda com 20 cm de diâmetro (coloquei um círculo de papel vegetal na base).
Derreter o chocolate em banho-maria (colocar uma taça de vidro com o chocolate, partido em pedaços, sobre uma panela com água, sem que a taça toque na água). Quando o chocolate estiver derretido, juntar o café. Acrescentar a manteiga, partida em pedaços, e deixar que derreta e se incorpore na mistura de chocolate e café. Retirar do fogão e deixar arrefecer um pouco.
À parte, misturar a farinha, o fermento e o cacau em pó e reservar.
Bater as gemas e juntá-las à mistura de chocolate, mexendo sempre, para que não cozam. Adicionar também o puré de beterraba e mexer bem, até obter uma mistura homogénea. 
Bater as claras em castelo. Quando formarem picos, juntar o açúcar e continuar a bater, até estarem bem firmes. Juntar as claras à mistura de chocolate e beterraba e, finalmente, incorporar a mistura de farinha e cacau, mexendo delicadamente.
Colocar a mistura na forma e levar ao forno, cerca de 40 minutos. Para verificar se o bolo está cozido, espetar um palito. Quando este sair seco, retirar o bolo do forno. Polvilhar o bolo com cacau em pó e servir, simples ou com uma bola de gelado de baunilha.


sábado, 31 de janeiro de 2015

Mais salmão. Ainda em convalescença.

Depois de dias sem forças para cozinhar, com comida da mãe ou frango assado do talho de sempre, hoje, levantei-me cheia de vontade de me mexer. Apesar de ainda não estar totalmente recuperada da gripe fortíssima dos últimos dias, a febre já me deixou e as dores no corpo desapareceram. Depois destes dias de sofá, entre sestas, programas de televisão e uma ou outra leitura, acordei com vontade de fazer coisas que implicassem estar de pé. Até o congelador me apeteceu limpar. Ainda devem ser delírios das febres altas que tive. Só pode. Não levei a tarefa avante, que temperaturas muito baixas e mãos enfiadas em gelo parecem-me incompatíveis com quem teve quase 39 de febre ainda ontem. Assim, refreei os meus impulsos domésticos (que nunca tenho, a não ser nestas alturas) e dediquei-me a uma tarefa mais inócua: fui para a cozinha cortar salmão em cubinhos para fazer estas espetadas. Já com o peixe preparado, lembrei-me de o temperar com sabores asiáticos: soja e gengibre, temperos de que tanto gosto. Para rematar, uma maionese caseira, com o atrevimento de uns pozinhos de wasabi.

Espetadas de salmão e camarão 
com maionese de wasabi


Ingredientes para três espetadas:
3 lombos de salmão
9 camarões médios
6 cebolinhas
sumo de 1/2 limão
sal, pimenta preta, gengibre fresco, ralado, e molho de soja a gosto




Cortar o salmão em cubos de cerca de 3 cm. Temperá-los com sal, pimenta, gengibre, sumo de limão e umas gotas de molho de soja. Reservar cerca de 15 minutos.
Fazer as espetadas, intercalando o salmão, os camarões e as cebolinhas. Regá-las com o resto da marinada.
Enquanto grelham, pôr batatas a cozer e fazer a maionese de wasabi:

No fundo de um copo alto (da varinha mágica), colocar um ovo (usei biológico). Temperá-lo com sal, pimenta e 1 colher de chá de vinagre. Desfazer tudo, com a varinha mágica, e, sempre com a varinha em funcionamento, colocar, lentamente, óleo de amendoim, até que a maionese tenha a consistência desejada. No fim, acrescenta-se wasabi a gosto (a quantidade dependerá da intensidade deste, por isso, o melhor é ir acrescentando aos poucos). Usei em pó, mas poderão usar pasta. Caso tenham pressa, usem maionese comprada e misturem-lhe o wasabi
Na hora de servir as espetadas, acrescentei ainda molho de soja. Para mim, nunca é demais.

No fim, ainda restaram uns cubinhos de salmão, que foram disputados pelo trio felino da casa :)



Continuação de um bom fim de semana. 




domingo, 25 de janeiro de 2015

Recordar

A 23 de maio de 2012, a minha vida era diferente. Trabalhava noutra escola, os colegas eram outros e desempenhava funções diferentes das que desempenho atualmente. 
Hoje, andei a fazer limpeza aos rascunhos do blogue. Apaguei alguns posts começados, ou porque não gostava da fotografia ou simplesmente porque deixaram de fazer sentido. Mas reler os rascunhos do blogue é recordar um bocadinho a nossa vida. As pessoas com quem convivíamos diariamente, as rotinas de outros tempos, episódios dos três e quatro anos do Manel, que já nos deixam saudades. Há quase três anos, eu escrevia isto: "O meu menino está a crescer muito depressa. Está a deixar de ser bebé. Já lá vai o tempo em que nós dizíamos “Mamã” e “Papá”, ele repetia e nós ficávamos embevecidos com as primeiras palavras do nosso rebento. Ouvíamos com ele as músicas para bebés do Raymond Lap. E ele cheirava a bebé. Já não cheira a bébé. Cheira a um menino que anda por aí a correr e a transpirar. Diz frases complexas. A lista de vocabulário está mais vasta. Tanto diz Gosto muito de ti. como, se não está contente, És egoísta!. A música vai variando. Ainda ouve Raymond Lap, juntamente com o que vamos ouvindo cá em casa. Absorve tudo. Tanto ouve (e aprecia) Madredeus como músicas de filmes da Disney ou do Jim Jam." Passado este tempo, tenho saudades da altura em que o Manel estava a aprender a dizer frases complexas e em que não dizia que o Jim Jam é um canal para bebés :)

No meio dos posts antigos, encontrei esta receita de salmão, de há quase três anos. 
Não a faço muitas vezes, porque o meu marido não gosta do doce do mel combinado com o sabor do salmão. No entanto, a combinação do mel e da mostarda, mesmo não agradando a todos os palatos, é uma combinação feliz. Para além disso, esta é uma daquelas receitas fáceis e rápidas, sempre úteis num repertório de cozinha. A dica foi-me dada pela Ivone, na sala de professores da minha antiga escola, provavelmente perto da hora de almoço, quando as conversas sobre comida começavam :)

Ficam as flores deste fim de semana e receita de há quase três anos :)



Salmão grelhado 
com mel e mostarda de estragão


3 postas de salmão (ou lombos)
1 colher de chá de mostarda de estragão (ou de Dijon)
1 colher de chá de mel (um pouco menos de quantidade do que de mostarda)
sal e pimenta a gosto

Temperar o peixe com sal e pimenta. Reservar.
Aquecer o grelhador. Quando estiver bem quente, pôr o peixe na grelha. Pincelar com a mistura de mel e mostarda e deixar grelhar.

Acompanhei o meu salmão com batata-doce cozida. Servi o deles com batatas cozidas, pois o pai não gosta de batata doce e contagiou o filho (Este parágrafo foi copiado do post original. Há coisas que se mantêm: passados três anos, muita coisa mudou, mas os meus homens continuam a não gostar de batata doce :)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Os meus lugares

Gosto de fazer as compras nos meus lugares de sempre. Flores, no senhor Moisés, mesmo ao pé da escola. Já me conhece e sabe do que gosto. Para a semana, recebemos tulipas. Tenho ali umas rosas muito bonitas. Requeijão, na Quinta dos Açores, muitas vezes, quando vou almoçar, a meio de um dia de trabalho. Às vezes, trago verduras locais. Outras, bolos lêvedos, para o lanche ou o pequeno-almoço do dia seguinte. Aos sábados de manhã, trago mais, da Bioazórica. A carne vem do Talho de Santa Catarina, também a caminho de casa. Vou lá desde que abriu. Para além da qualidade da carne, somos recebidos com aquela simpatia especial que se encontra nos lugares pequenos e familiares. É frequente, depois do trabalho, parar lá. Compro o que preciso para o jantar daquele dia. Carne, ovos caseiros. Às vezes, até o vinho vem de lá. Troco dois dedos de conversa com o dono e com as funcionárias, que me perguntam pelo menino e pela escola. E eu pergunto pela bebé. E trocamos dicas, de culinária, de filhos e de outras coisas mais. 
Um destes dias, sugeriram-me bifes do acém redondo. De um corte que eu nunca tinha levado e que se revelaram maravilhosos. Temperei-os com esta mistura, comprada noutro lugar especial. Não me recordo se me foi aconselhada pela Ana Bárbara, mas é bem possível. O resultado foi um daqueles jantares de muitos elogios. Não houve fotografias, pois naquele dia tínhamos bilhetes para o cinema e tivemos de nos despachar. 
Já ontem, houve tempo. Os peixes pousados na bancada, lindos e rosados, pediam mesmo uma fotografia. Tirei várias. Uma das coisas de que mais gosto na cozinha é de fotografar a matéria-prima. Principalmente quando é tão linda como estes peixinhos cor-de-rosa, com listras amareladas. Uma festa, quando os vi. E experimentei a dica do Paulo, de outro dos meus lugares especiais: grelhá-los intactos. Gostei muito. Bem suculentos, pois os sucos não se perdem, protegidos pelas escamas. Enquanto grelhavam, fiz um molho de iogurte com um sabor atrevido. Malaguetas secas, coentros e alho, tudo moído no almofariz. A contrastar, o sabor adocicado da batata doce. A rematar isto tudo, um copo de vinho branco. À noite, houve sushi do sítio do costume.







Cozer as batatas doces, em água temperada com sal. Grelhar o peixe com as escamas, sem qualquer tempero. No fim, a pele sairá facilmente, expondo lindos pedaços de peixe bem suculentos. Entretanto, preparar o molho: esmagar, num almofariz, 3 malaguetas secas, algumas folhas de coentros ou salsa, dois dentes de alho. Juntar um iogurte natural, temperar com sal e mexer bem. 




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Segunda-feira

Segunda-feira é um dia mal-amado. Cara de segunda-feira, humor de segunda-feira. Não tem de ser assim. Custa-me que seja assim. Por mais que apeteça prolongar o fim de semana, há que aproveitar os dias todos, segunda-feira incluída. E, para mim, o aproveitar passa por isto: pela preparação do jantar. Chego a casa e começo, ainda sozinha. Primeiro, música. Depois, livro-me dos saltos altos e visto uma roupa confortável. Dali a pouco, o ruído da chave. São eles que chegam. Manuel cheiroso, de cabelo molhado sob o gorro. Foi dia de natação. Conta-me as peripécias da aula. E pede-me para fazermos plasticina caseira. Descobriu que se pode fazer em casa e quer experimentar. Com pouca vontade, cedo. Depois do jantar. Mas antes, os trabalhos de casa. Instala-se na cozinha, perto de mim. Vou cozinhando e verificando se as contas estão certas. 



Hoje, o jantar foi simples, daqueles que se fazem a correr, em dias apressados.
Enquanto o pai arruma a cozinha, cumpro a promessa.  Ficam as receitas. Uma de comer e uma de brincar.

Penne com ervilhas, ricotta e bacon
(Adaptado de Dias com Mafalda, de Mafalda Pinto Leite) 

Ingredientes para 4:
400 g de penne (ou outra massa curta)
1 chávena de ervilhas congeladas
1 colher (de sopa) de azeite
200 g de bacon, cortado em tiras
1 embalagem de queijo ricotta ou requeijão
2 colheres (de sopa) de sumo de limão
1/2 chávena de salsa
sal e pimenta
parmesão ralado (para polvilhar)

Cozinhar a massa de acordo com as instruções da embalagem. Dois minutos antes de a massa estar pronta, juntar as ervilhas. Escorrer.
Enquanto a massa coze, colocar o azeite e o bacon numa frigideira e cozinhar até este ficar estaladiço. Juntar a massa e as ervilhas e misturar. Colocar a massa num prato de servir e juntar o ricotta, o sumo de limão, a salsa, o sal e a pimenta.
Polvilhar com o parmesão e servir.

Plasticina caseira
(Receita daqui)


Ingredientes:
160 g de água
120 g de amido de milho (maizena)
240 g de bicarbonato
1/2 colher (de sopa) de óleo
corante alimentar

Preparação na Bimby:
Colocar todos os ingredientes, exceto o corante, na Bimby e programar 10 minutos, 80 graus, velocidade 3. Colocar a massa na bancada, dividi-la e misturar os corantes, amassando bem, com as mãos, até obter uma cor homogénea. Pelo menos numa fase inicial, convém usar luvas, caso contrário, ficaremos com as mãos tingidas. No fim, guardar as plasticinas em sacos de plástico, para que não sequem.

Preparação tradicional:
Misturar todos os ingredientes e levá-los ao lume brando, mexendo, até obter uma bola. Colocar a massa na bancada, dividi-la e misturar os corantes, amassando bem, com as mãos, até obter uma cor homogénea. Pelo menos numa fase inicial, convém usar luvas, caso contrário, ficaremos com as mãos tingidas. No fim, guardar as plasticinas em sacos de plástico, para que não sequem.





domingo, 11 de janeiro de 2015

O cão

Acordámos cedo. Tomámos o pequeno-almoço. O sol morno de inverno puxava-nos lá para fora. Vamos ao parque?, pediu o Manel. O pai, que tinha coisas a fazer, deixou-nos lá. Havia pouca gente. Apenas um pequeno grupo de pessoas, logo à entrada, e um antigo colega de liceu, com a mulher e a filha pequena. À chegada, apareceu-nos um cão de fila, não sei se vadio, se de algum vizinho. Fizemos-lhe festas e o Manel correu para o escorrega. Instalei-me num banco, com o meu livro, preparada para uns momentos de paz. Abri o livro e comecei a ler. Quase de imediato, percebi que o cão andava à volta do Manel. E reparei que o Manel começava a não gostar. E o cão atirava-se a ele, a brincar. Às tantas, atirou-o ao chão e mordeu-lhe uma perna. Acudi. Peguei no meu filho ao colo e levei-o para o banco. As pessoas que estavam no parque, ao aperceberem-se da cena, chamaram o cão. Mas ele voltava, sempre à procura de um Manel cada vez mais assustado. As pessoas insistiram e lá o conseguiram atrair para perto da estrada. E nós, de mansinho, demos a volta ao parque, a fugir dali. Aliviados, caminhámos, com a maior naturalidade possível, tentando evitar olhar para trás. Já longe, olhámos para o parque e lá vinha ele, a correr, na nossa direção. As pessoas chamavam-no, em vão. Continuámos a andar, devagar, mas o cão cada vez corria cada vez mais. A distância que nos separava era cada vez menor. O Manel chorava, em pânico. Nesse momento, passaram-me pela cabeça manchetes de jornais e rodapés de noticiários. Então, medi a distância que faltava para chegarmos à loja da cooperativa Bioazórica, onde estivéramos minutos antes a comprar fruta, e tomei uma decisão: peguei no Manel ao colo e comecei também eu a correr. E corri, o mais que pude. E, naquele momento, o Paul da Praia da Vitória transformou-se em selva e eu, na presa que corre com o filhote na boca, a fugir do predador. Continuei a correr. Atirei o Manel por cima do muro e ordenei-lhe que corresse e se refugiasse no interior da loja. Ele obedeceu-me. E eu, já sozinha, acalmei-me e acalmei o cão, que, bem vistas as coisas, não era um cão mau. Era apenas um animal a ser animal, sem ter a noção do seu tamanho e da sua força. Lá dentro, acalmavam o Manel, que só perguntava se o cão já se tinha ido embora. Dali a pouco, um agente da polícia perguntava por uma senhora com um menino que estava a fugir de um cão. Alguém viu a cena e tê-lo-á chamado. Possivelmente, as pessoas que nos ajudaram minutos antes. E eu senti-me grata. Grata pelas pessoas do parque, que se preocuparam e fizeram tudo o que puderam para nos ajudar. Grata pelas pessoas da Bioazórica, que nos acolheram e acalmaram o Manel. E, acima de tudo, grata por este episódio não ter passado disto: de uma história para contar.

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Acerca de mim

A minha fotografia
Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.