domingo, 21 de Setembro de 2014

Pequeno-almoço. Horta. Sol.

Quem costuma passar por aqui conhece o meu gosto pela primeira refeição do dia. Mesmo durante a semana, não há dia em que saiamos de casa sem tomar o pequeno-almoço. Nenhum de nós. É um hábito que o Manel já integrou, apesar de acordar sempre com pouca fome. 
Durante a semana, há menos tempo. Mesmo assim, nunca comemos de pé. Sempre à mesa, a dois ou a três, conforme os horários de cada um. Ao fim de semana, o pequeno-almoço é tomado com vagar, com direito a mimos vários como panquecas, waffles ou bolo. 
O bolo de hoje, cuja receita podem consultar aqui, foi feito para aproveitar duas bananas que definhavam na fruteira. Quanto a mim, optei pelo último vício: pão torrado com requeijão da Quinta dos Açores e mel de rosmaninho. 





Depois de dias frescos e cinzentos, hoje tivemos sol e céu azul. A seguir ao pequeno-almoço, um saltinho até à horta. Da casa do lado, chegava-nos a voz de Paulo Gonzo, a misturar-se com o ruído também rouco da máquina que lavrava a terra, guiada pelo meu pai. A terra está preparada para receber as sementes das cenouras (laranja e rainbow). Daqui a alguns meses, estarão prontas a colher. De tarde, dediquei-me às aromáticas. O outono vem aí com os seus dias sombrios e melancólicos, que nos puxam para casa. Há que aproveitar os últimos dias de verão.





segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Escola primária

Estou sentada no puff do quarto do meu filho, à espera que adormeça. No quarto onde coexistem pinturas do Principezinho, escolhidas por mim antes de ele nascer, super-heróis variados e livros de dinossauros. Acabei de lhe ler mais um capítulo d'A Fada Oriana. Falei-lhe do primeiro livro que li sozinha e ele pediu-me que lho lesse. Andamos nisto há dias. Um capítulo por noite.  Ó mãe, estou a adorar! É genial!
Esta não é uma noite qualquer. É a véspera. Amanhã, o meu filho começa a escola primária. E eu, aqui no escuro, apenas iluminada pelo ecrã do computador, recordo. Recuo no tempo e vejo-me, neste mesmo quarto, neste mesmo puff, com uma barriga enorme, a sonhar com o meu filho. E vejo-me com ele ao colo, em noites de cólicas e febres. E recordo as primeiras histórias que lhe contei, com páginas peludas e aveludadas. 




Amanhã o meu filho começa o seu percurso na escola dos meninos grandes. E eu, que sou mãe galinha e luto diariamente contra essa característica, estou aqui, num misto de excitação e temor. Por um lado, fico feliz por este passo do meu menino e por tudo o que vai aprender e crescer. E recordo um bocadinho a excitação que sentia (e ainda sinto) no início de cada ano letivo. (Ao contrário do Manel, que está bem de férias e não tem muita vontade que acabem.) Por outro lado, assolam-me as dúvidas e os medos próprios da mãe que vê o seu bebé voar um bocadinho mais alto. E luto para não pensar nos vários perigos a que está exposto. Tento varrê-los da cabeça e pensar que vai correr tudo bem. E penso que, daqui a uns anos, vou estar com saudades do dia em que o Manel entrou para a escola primária. E das noites em que ainda era eu a ler-lhe A Fada Oriana e ele adormecia a sonhar com a fada dos dentes.



quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Ainda verão

Esta receita anda nos rascunhos do blogue há quase um mês. Fi-la mal cheguei de férias, inspirada pelas revistas de culinária que vieram comigo. Quando saio da ilha, reservo sempre um espacinho na mala para coisas da cozinha. Sejam de comer, de servir ou de ler. Estas férias não foram exceção. Esta salada foi inspirada numa da revista Elle à table, de julho-agosto. Naquele dia, a frescura da melancia pareceu-me combinar com as temperaturas quentes de agosto. E hoje, apresso-me a publicá-la, antes que o tempo arrefeça ainda mais. Enquanto ainda é verão.

Salada de melancia, sardinha e arroz preto


Ingredientes para uma pessoa:
1 chávena de arroz cozido (usei preto, mas parece-me que deve ficar muito bem com arroz selvagem)
1 chávena de mistura de folhas verdes (alface, rúcula, beterraba, acelgas...)
3 sardinhas em conserva, limpas de peles e espinhas
1 fatia de melancia
1 cebola vermelha, picada

Para o vinagrete:
1/2 chalota picada
1 colher (de chá) de mostarda de Dijon
1 pitada de açúcar amarelo
flor de sal
pimenta preta
1 colher (de sopa) de vinagre
umas gotas de sumo de limão
2 colheres (de sopa) de azeite virgem extra
1 colher (de chá) de cominhos


Preparação:
Numa saladeira, colocar o arroz. Misturar a cebola e a sardinha, em lascas. Colocar todos os ingredientes para o vinagrete num frasco, agitar e envolver bem com os outros ingredientes da saladeira. Finalizar com a melancia, cortada em pedaços, e a salada verde. Envolver delicadamente e servir, numa tarde quente de agosto ou numa tarde nostálgica de fim de verão, em jeito de despedida. 


sábado, 6 de Setembro de 2014

Uvas e música

Depois de uma sexta-feira de trabalho intenso, as uvas têm um poder apaziguador. E não me refiro às uvas transformadas, apesar de dois copos de vinho branco a acompanhar umas peças de sushi ao jantar terem sabido muito bem. 
Melhor ainda soube a tarefa morosa, trabalhosa e prazerosa de preparar os cachos de uva da latada do meu pai para o doce. Sentada na ilha da cozinha, bago por bago, fui tirando as grainhas, com paciência, e fui deixando os pensamentos fluir. Longe de tudo o que me ocupou a cabeça durante o dia. É importante (fundamental) este exercício. Desligar. E saber quando ligar de novo. Vou ter de ligar durante o fim de semana. Não no serão de sexta-feira. No serão de sexta-feira quis fazer doce de uva com nozes, mexido com colher de pau. E quis ouvir música. A minha música, de um senhor de quem gosto muito, muito, muito e vem a S. Miguel na próxima semana. Um senhor que me vai fazer voar até àquela ilha de propósito para o ver. Enquanto não chega o dia 17, vou recordando as minhas preferidas, que me acompanham há mais de uma década.


Doce de uva branca com nozes

Ingredientes:
1 kg de bagos de uva branca, sem grainhas
500 g de açúcar branco
1/2 chávena de nozes


O processo é simples, igual ao de qualquer doce: Coloca-se o açúcar e as uvas ao lume (brando) e vai-se mexendo de vez em quando, com uma colher de pau. Quando o doce estiver suficientemente espesso, de modo a que, ao passar a colher pelo meio do tacho, esta deixe rasto, uma espécie de estrada, está pronto. Neste momento, pode-se adicionar nozes ou outro fruto seco, a gosto.
Fervem-se os frascos e colocam-se a escorrer sobre um pano seco. Enchem-se com o doce, tapam-se e viram-se ao contrário, para criar vácuo.



Estas imagens são do pequeno-almoço de hoje. Acordei a pensar no doce. Muito bom, sobre uma torrada, acompanhado com café quentinho :)

Deixo-vos com Wim Mertens. No dia 17 de setembro, estará em S. Miguel, no Teatro Micaelense. Sem esta orquestra a acompanhá-lo, infelizmente. 
Se quiserem ir, ainda há bilhetes :)


quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Maria Catita

Quando como fora, tenho algum pudor em fotografar pratos. Fico sempre com a sensação de que está toda a gente a observar-me.  Por isso, nunca o faço. Ou muito raramente. 
Estas férias abri uma exceção. Na minha passagem por Lisboa, fui conhecer o restaurante da minha prima Cristina, o Maria Catita. Um restaurante / loja de produtos açorianos de uma picoense (ou picarota :), no coração de Lisboa. Sei que os laços de sangue não me permitem uma grande isenção. No fundo, ia preparada para gostar :) No entanto, éramos sete à mesa e as opiniões foram unânimes: ambiente acolhedor e descontraído, empregados simpáticos e comida muito, muito boa. 
Por isso, se estiverem por Lisboa, não deixem de visitar o Maria Catita. Fica na Rua dos Bacalhoeiros, é vizinho da Fundação Saramago, e serve polvo guisado à moda dos Açores. E vende produtos de cá. Convém reservar mesa. Fomos numa quarta-feira e estava cheio. Bom sinal, não?









Travesseiro de queijo de cabra com espinafres e mel da serra


 Açorda de marisco


 D. Amélia com gelado de nata

Para rematar um jantar destes, uma caminhada pela baixa. Naquela noite, a música de Carlos Gardel guiou-nos até uma rua onde se dançava o tango. Perfeito!



* As três primeiras fotos não foram tiradas por mim. "Roubei-as" da página do Facebook do Maria Catita. Com autorização da dona, claro :)

sábado, 30 de Agosto de 2014

Beringelas

O texto de hoje poderia ser igual a esteapenas substituindo courgettes por beringelas. Os sentimentos são semelhantes, embora ainda ache as beringelas mais encantadoras.
As beringelas são daqueles legumes que têm tudo: são bonitas, saborosas, nutritivas e pouco calóricas. 
Este ano, cultivei-as pela primeira vez. Encomendei uma mistura de sementes. Semeei-as e cuidei delas, com carinho. Todos os dias as punha ao sol, de manhã, e as recolhia, ao final da tarde. Quando chegou a altura, transplantei-as. Apesar de tudo, devido à sementeira tardia, as esperanças de ter beringelas este ano eram poucas. 
Quando cheguei de férias, na primeira visita à horta, vi a primeira, quase no ponto. Esperei pacientemente até que estivesse pronta. Usei-a nesta receita, juntamente com uma da horta da minha cunhada. E agora há mais, pequeninas. De três espécies diferentes. Duas delas, apenas decorativas, pelo que percebi. Um dia destes, hão de aparecer por aqui a enfeitar uma mesa.




Esparguete com beringelas - Pasta alla norma
(Ligeiramente adaptado de Jamie's Italy, de Jamie Oliver)


Ingredientes para duas pessoas:
1 beringela grande (usei duas, pequenas)
azeite virgem extra
1/2 colher (de sopa) de orégãos secos
1/2 malagueta, picada
4 dentes de alho, descascados e cortados em rodelas finas
1 raminho de manjericão (os talos picados e as folhas reservadas)
1/2 colher de chá de vinagre de vinho branco
1 lata de tomate pelado (400 g)
200 g de esparguete
75 g de requejião


Preparação:
Cortar as beringelas em quartos, no sentido longitudinal. Depois, cortá-las em fatias da largura de um dedo.
Numa frigideira larga, não aderente, com um pouco de azeite, fritar os pedaços de beringela, até que fiquem dourados de todos os lados, e polvilhá-los com um pouco de orégãos. Juntar a malagueta, um pouco de azeite, o alho e os caules de manjericão. Mexer, em lume brando, 3-4 minutos, juntar o vinagre e o tomate pelado (mais ou menos picado, conforme o gosto). Deixar cozinhar, em lume brando, 10 a 15 minutos, e temperar com sal e pimenta. Juntar ao molho metade das folhas de manjericão e mexer. 
Cozer o esparguete, segundo as instruções do pacote. Quando estiver al dente, escorrer a água (reservar um pouco) e levar de novo ao lume. Juntar o molho e a água reservada e mexer um pouco, sobre o lume. Retificar os temperos. Dividir por dois pratos e finalizar com requeijão esfarelado e folhas de manjericão. 




quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Casa do Jardim

Só o nome evoca um sem-número de coisas boas. Descanso e paz, acima de tudo. 
Fui hoje conhecer a Casa do Jardim, o novo espaço do Jardim Duque da Terceira de que toda a gente fala. Uma pausa nos afazeres do dia para almoçar num lugar cheio de charme. Uma casa que parece fundir-se com as flores e verduras do exterior. Luz, muita luz. Muitos objetos expostos, que podem ser comprados. E uma variedade considerável de chás, para tomar lá ou trazer connosco. Por toda a casa está bem presente o culto a esta bebida. As refeições são leves, vegetarianas, acompanhadas com sumos de fruta da época. E, muito importante, preparadas com ingredientes biológicos, com o selo da Cooperativa Bioazórica
Comemos na esplanada, ao fresco, cercadas pelas árvores e flores do jardim. Imagino que no inverno seja igualmente encantador tomar uma refeição ou um chá enquanto a chuva cai lá fora.









terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Nostalgia


Não obstante a vegetação saturada de tons de verde e o colorido das flores, vejo Sintra em tons de cinza. A preto e branco ou sépia. A carga romântica daquele lugar faz-me vê-lo assim. 
Sintra não são as filas de carros nem os autocarros cheios de turistas de sandálias de velcro. Não é o cansaço das subidas a pé, em dias de calor abrasador, nem as lojas de souvenirs
Gosto de imaginar Sintra como nos romances do século XIX. Sintra dos cavalos lustrosos e das charrettes. Sintra das sombrinhas, dos vestidos volumosos e dos chapéus, altos para os cavalheiros e ornamentados para as damas. Sintra refúgio de famílias endinheiradas, de casais apaixonados, de intelectuais entediados. Sintra misteriosa de Eça e Ramalho, Sintra do Cruges e das queijadas. Em cada recanto, um episódio. Em cada banco de jardim, um casal que namora, sob o olhar atento de uma aia velha. Debaixo de uma árvore, um jovem melancólico escreve um poema de amor. Numa sala do palácio, o frufru de vestidos apressados para o jantar. 
Há lugares que nos são apresentados pelos livros. E, se fizermos um esforço, não deixamos que a imagem que criámos se desbote. Para mim, as cores garridas das torres do Palácio da Pena são a preto e branco. Só me faltou mesmo comer queijadas. Não me esqueci, como o Cruges. Não calhou.



domingo, 24 de Agosto de 2014

Guacamole num domingo preguiçoso

Hoje, na Terceira, o domingo foi de sol. Muito sol e muito calor. As praias encheram-se. E eu não gosto de praias cheias. Muito menos ao domingo. Há anos que não vou à praia ao domingo. Pelo menos, não ao domingo à tarde. Ao invés de procurar um pedacinho de areia para estender a toalha, no meio de famílias e adolescentes ruidosos, prefiro estender-me na rede do jardim. 



Hoje, não foi exceção. O Manel passou a tarde com um amiguinho e nós ficámos por casa, a preguiçar, a ler e a beber chá gelado caseiro. Nestes dias de preguiça, as refeições querem-se simples. A máquina fez um pão de sementes. Havia frango temperado pela minha mãe, que restara do almoço. No frigorífico, dois abacates, à espera que lhes ditassem o destino. Estava decidido: 

Guacamole

 Ingredientes:
2 abacates pequenos
1 tomate médio, cortado em cubos
1/2 cebola pequena,  picada fina
2 dentes de alho, picados
1/2 malagueta verde, picada fina
1 ramo pequeno de coentros, picados
sumo de 1 limão
sal



Preparação:
Cortar os abacates a meio, retirar-lhes o caroço e a casca. Numa tigela média, regá-los com o sumo de limão e esmagá-los, com um garfo. Juntar os restantes ingredientes, misturar bem e levar ao frigorífico, até servir. 
Servir com tortilhas de milho, palitos de legumes ou como nos apetecer.
Servi uma fatia de pão, barrei-a com o guacamole e, sobre este, coloquei um bife de frango. Às vezes, o mais simples é o que sabe melhor. Quase sempre.


quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Chuva em agosto

Cai de forma diferente, a chuva de verão. É mais doce, mais mansa. Mata a sede aos campos, ressequidos. Uma dádiva. E ficam bonitas, as flores da estação, salpicadas por gotas transparentes. Há uma doçura especial nestas tardes chuvosas, que me faz abrir portas e ficar a ouvir a chuva a cair. Os gatos recolhem-se e adormecem, nos sofás. Não há praia ao fim da tarde, nestes dias. Há livros e jogos e cozinha. Muita cozinha. E, já a pensar nas estações frias, o meu lado formiguinha emerge. Conservam-se as coisas de verão, já de olho no inverno. Coisas coloridas como beterrabas, que alegrarão os jantares dos dias cinzentos. Este ano, ainda com mais cor. Para além das tradicionais, avermelhadas, as amarelas, menos comuns. Estas últimas, com menos personalidade, deixam-se tingir pelas outras. O resultado é harmonioso. E vai saber bem, no inverno, abrir um destes frascos e encher a mesa de verão. 
Mais uma tarde chuvosa na cozinha. A música que me apetece sempre nestes dias, avental e lenço no cabelo. Uma tarde de desespero para muitos, certamente. Não para mim. Eu gosto de tardes de chuva no verão.





A última foto não foi tirada hoje. Tirei-a no dia 2 de agosto, nas férias no Norte, num sábado também chuvoso.

Conserva de beterraba e especiarias
(Receita adaptada daqui)



Ingredientes:
1 kg de beterrabas (usei roxas e amarelas)
2 cebolas roxas, cortadas em rodelas
1 1/4 chávena de vinagre de cidra
1 chávena de água
1/2 colher (de chá) de sal
1 chávena de açúcar (usei amarelo)
1/2 colher (de sopa) de sementes de mostarda
1/2 colher (de chá) de pimenta da Jamaica em grão
1/2 colher (de chá) de cravinhos inteiros
1 pau de canela

Preparação:
Lave as beterrabas e coza-as, até que, ao picá-las com um garfo, estas não ofereçam resistência. Descasque-as e corte-as em rodelas de 1/2 cm, aproximadamente.
Coloque os restantes ingredientes num tacho largo e leve ao lume. Quando ferver, reduza o lume e deixe cozinhar 5 minutos. Junte as beterrabas e coza-as até estarem moles. 
Se quiser, retire o pau de canela (eu deixei ficar). Coloque a conserva em frascos esterilizados e vire-os ao contrário, para criar vácuo. Guarde no frigorífico.






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Acerca de mim

A minha fotografia
Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.