domingo, 19 de março de 2017

Primavera. E uma receita com coco em dia do pai.

O calendário diz que é só amanhã. Mas eu estou pronta. Nunca estive tanto. Quero que este inverno acabe e que a primavera chegue, com todas as coisas que lhe estão associadas. As flores e os pássaros e todos os sinais que a ilustram em livros infantis e poemas ultra-românticos. Com as flores e o verde, quero que venham todas as outras coisas que simboliza. A calma,  a renovação, a esperança.

Enchi a casa de flores. Às de todo o ano, juntam-se outras, da estação. As do jardim acompanham as vindas do sítio do costume. Já há frésias. Sempre uma alegria quando vejo as primeiras.  Junto-lhes gerberas e proteas. Do jardim, vêm jarros e margaridas. Está composto o ramalhete. Que bem que ficam, todas juntas, a cantar a uma só voz. Na cozinha, voltou a vontade de misturar, de experimentar.  E de brincar com ingredientes menos comuns. Esta manhã, não resisti aos ovos de codorniz que encontrei na praça. Que lindas que são aquelas miniaturas pintadas de preto! Parece-me que hão de ficar bonitos a encimar uma pizza. 

Sabe bem cozinhar ao som de uma música bonita, numa tarde de domingo. Hoje foi esta, muito linda, banda sonora de uma das séries que nos têm acompanhado
Aos poucos, a primavera volta. É sempre assim, felizmente.

Deixo-vos as flores. E a música. E o trailer da série. E a receita dos queques de coco que fiz para o meu pai.














Queques de coco
(Receita adaptada daqui)

Ingredientes para 12 unidades:
1 ovo batido
1/2 chávena de leite
1/4 chávena de óleo
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de fermento para bolos
1/2 chávena de açúcar
1 chávena de coco ralado 
1 chávena e meia de farinha
coco a gosto para polvilhar os queques

Preparação:
Numa taça grande, bater o ovo. Juntar-lhe o leite, o óleo, a baunilha e mexer bem. Juntar os restantes ingredientes, mexendo até estarem todos bem incorporados.
Forrar um tabuleiro de queques com forminhas de papel e enchê-las até 2/3. Polvilhar com coco e levar ao forno, a 180 graus, cerca de 25 minutos.




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Domingo. Uma receita de crepes. E um recheio doce.

O domingo começou com a visita a um lugar querido. Desta vez, com um propósito diferente. Nunca tinha levado alunos à Biofontinhas. Hoje, levámos um grupo para conhecer a quinta e o Avelino. O tema de um dos nossos projetos Erasmus+ é alterações climáticas e os nossos alunos foram perceber de que forma as práticas agrícolas podem ajudar a preservar o nosso planeta. Ouviram o Avelino falar sobre agricultura sustentável, permacultura, compostagem e vermicultura e perceberam como a terra pode ser trabalhada com respeito. 
É sempre com alguma nostalgia que volto àquele lugar. Recordo sempre outras visitas, outras conversas, a primeira vez que levei lá o Manel, com dois meses, a D. Durvalina, que lhe ofereceu uma touca de lã, o Tyson, o boxer simpático que costumava passear por entre as estufas. Fotografei os canteiros, as flores, as estufas e a Lua, à janela. E conversei com a Maria João, de quem já tinha saudades. E, aconselhada pelo Avelino, trouxe um raminho de perrejil para fazer um arroz. 
Depois de semanas de muito trabalho, este fim de semana foi de tréguas. Não toquei em papéis. Às vezes é preciso. Amanhã retomo. Procrastinar um pouco não faz mal, de vez em quando. Tenho de me permitir aperfeiçoar esta arte.

Para o lanche, crepes com recheio de caramel au beurre salé, duas receitas bretãs. Souberam ainda melhor na companhia de amigos queridos que apareceram de surpresa. 
Ficam imagens do dia e as receitas. Boa semana!








Crepes

100 g de farinha; 3 ovos; 50 g de manteiga derretida; 2,5 dl de leite; 20 g de açúcar; 1 pitada de sal
Bater tudo, num liquidificador, e deixar descansar 1/2 hora.
Numa frigideira untada, colocar uma porção de massa, espalhando-a uniformemente e deixar cozer. Quando se começar a soltar, virar, com a ajuda de uma espátula, ou, se tiverem mais jeito do que eu, fazer saltar o crepe, virando-o no ar (a única tentativa que fiz não correu lá muito bem, por isso não repeti a proeza ;). 

Recheio de caramel au beurre salé (caramelo com manteiga salgada):
100 g de açúcar amarelo; 40 g de manteiga com sal (usei Milhafre); 200 ml de natas gordas
Levar o açúcar ao lume, numa caçarola, e deixá-lo derreter. Misturar a manteiga e, depois, as natas. Deixar ferver, em lume brando. O caramelo pode ser guardado num frasco, no frigorífico.

Barrar cada crepe com caramelo e dobrá-lo em quatro partes. Se forem mesmo gulosos, podem cobri-los com mais um pouco de recheio. Acompanhar com leite frio ou com um chá quente. Bem bom, para rematar este domingo de inverno!









domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sol. Flores. Ondas. E o bolo Floresta Negra do Harald.

A inconstância do tempo é uma das principais características das nossas ilhas. Nos Açores, temos as 4 estações num só dia é uma frase que se ouve com frequência. Talvez seja exagero, mas a verdade é que nem sempre é fácil escolher o guarda-roupa ou pensar com segurança em atividades ao ar livre. 
Janeiro foi um mês bom. Dias lindos, não diria de verão, mas de uma primavera suave e amena. Arco-íris belíssimos, de cores bem definidas. Nasceres e pores do sol quentes e dourados. No meio da azáfama dos dias, os espetáculos da natureza tinham ainda um sabor mais especial. Janeiro foi um mês cheio, muito cheio. E a visão da lua refletida no mar a caminho da escola ou de um arco-íris a emoldurar a nossa casa ao chegarmos do trabalho tinha um sabor a tréguas. Um bálsamo que nos acalmava antes ou depois de um dia de trabalho nem sempre prazeroso.
Já fevereiro anda indeciso. Depois de alertas vermelhos e ondas altas que ameaçam entrar pela terra, dias soalheiros de quase verão. Ontem, aproveitámos para andar lá fora a fotografar, bem dispostos.  Cada vez mais me deixo influenciar pelo tempo, pela cor do céu. Em dias cinzentos, também eu tendo a acinzentar-me. Por mais que tente resistir, recorrendo a todas as coisas que me fazem bem, em dias como o de hoje, há uma melancoliazinha que não me larga. Os rapazes riem-se de mim. Com razão, devo admitir. E eu calo-me e recolho-me. Afinal não têm culpa de o tempo e eu andarmos cinzentos. Enquanto veem um filme antigo, de astronautas, eu venho aqui. Há muito que não vinha e estava com saudades. 
Ficam imagens do sol e da lua. E das ondas agrestes de há uma semana.  Do Vicente e da Leia. E das flores. Das do jardim e das de casa. Das que estão na jarra e de outras, ainda de janeiro. 
















Hoje, a receita não é minha. É do meu amigo alemão, que nos visitou na passada semana. No meio de muito trabalho, ainda houve tempo para irmos para a cozinha. Este é um bolo demorado, feito por etapas. Acompanhei o processo, observando as mãos experientes do Harald, que diz já ter feito mais de cem bolos destes. Perante tamanha perícia, limitei-me a fotografar os vários momentos e a escrever a receita para a poder partilhar convosco. Qualquer dia aventuro-me sozinha. Se o experimentarem antes de mim, contem tudo, sim?


Bolo Floresta Negra


1.º Bolo:
160 g de farinha
80 g de açúcar
1/2 colher de chá de fermento
80 g de manteiga sem sal
1 ovo
1 pacote de açúcar baunilhado
raspa de limão a gosto
25 g de cacau 

Bater tudo com a batedeira. Colocar numa forma de mola, pressionando com as mãos,  e levar ao forno a 200 graus, cerca de 20 minutos. (Este bolo deve ser feito no mínimo dois dias antes da montagem do bolo final, pois fica mais macio.)


2.º Bolo:
4 ovos
175 g de açúcar
1 pacote de açúcar baunilhado
raspa de limão a gosto
75 g de farinha
75 g de Maizena
30 g de cacau
1 colher de chá (rasa) de fermento

Bater os 4 ovos. Adicionar açúcar, aos poucos, até obter um creme. Acrescentar o açúcar baunilhado e a raspa de limão. Aos poucos, sem mexer muito, misturar 75 g de farinha, a Maizena, o cacau e o fermento.
Colocar a mistura na forma de mola, forrada com papel vegetal, e levar ao forno a 175 graus, durante 20 a 25 minutos (fazer o teste do palito para verificar a cozedura).

Recheio de cerejas:
Descaroçar 600/700 g de cerejas pretas (segundo o Harald, TÊM de ser pretas, caso contrário, não é black forrest.). Juntar-lhes 60 g de açúcar e levar ao lume a ferver. Deixar de infusão até arrefecer. Coar o sumo e cozinhá-lo com 250 ml de água. Deixar ferver e adicionar 30 g de Maizena, dissolvida num pouco de água. Deixar engrossar um pouco e juntar as cerejas. Acrescentar 4 colheres de sopa de Kirchwasser (aguardente de cereja). Deixar no frigorífico de um dia para o outro.

Montagem do bolo:
Começar por bater 750 g de natas com 3 pacotes de açúcar baunilhado e 3 pacotes de fix chantilly (bater por duas vezes, pois são muitas natas).
Cortar o 2.º bolo ao meio.
No prato de servir, colocar o 1.º bolo e regá-lo com um pouco de Kirchwasser. Sobre este, colocar metade das cerejas e um pouco de natas batidas, como se pode ver na foto. Colocar a primeira parte do segundo bolo, mais uma camada de cerejas e natas e cobrir com a segunda parte do bolo.
Cobrir tudo com a segunda porção de natas. Decorar com chocolate em lascas. Com um saco de pasteleiro, fazer flores no topo do bolo e decorá-las com cerejas cristalizadas.

 






segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Segunda-feira. E uma entrada preciosa.

Hoje é segunda-feira. Aquele dia mal amado. E com vento e chuva, mais ainda. Hoje, na ilha, o tempo esteve mau. Triste, mesmo. A pedir manta, sofá e lareira acesa. Num dia como o de hoje, de trabalho, mesmo que grande parte em casa, não houve tempo para refeições elaboradas. Comida reconfortante era o que apetecia. Caldo verde e um gratinado. Tudo feito depressa, com a Bimby a ajudar. Enquanto preparava o jantar, a chuva parou, o ventou acalmou, o céu encheu-se de cores. Como se, depois de um dia demasiado sisudo, alguém se lembrasse de dar uma festa lá em cima. Lindo, o meu Pico do Capitão em tons de púrpura e laranja. Seja com nevoeiro, com ou sem vacas, com terrenos verdes ou lavrados de fresco, o Pico do Capitão, visto do meu escritório, nunca deixa de me deslumbrar.

A receita que trago não é de hoje. Não é receita de dias apressados. É daquelas que, não sendo difíceis, requerem alguma paciência. Vontade de estar na cozinha, pelo menos. No dia em que a fiz, o prato principal era simples. Um daqueles assados que se fazem sozinhos. A sobremesa estava no frigorífico, pronta a desenformar. Servi o meu vinho, pus a minha música e pus mãos à obra. Sentada na ilha da cozinha, sozinha, fui cravando as pedras da romã, uma a uma, até cobrir toda a base. Não há como olharmos para os grãos deste fruto sem deixarmos de pensar na metáfora, já tão gasta, dos rubis. Ao colar os bagos, um por um, senti-me o ourives que cria uma jóia preciosa. Quando os meus convidados chegaram, exibi, cheia de orgulho, a peça que acabara de fazer. 

Ficam as imagens do céu de hoje. E das flores que estão na jarra. E da receita da entrada de há uns dias. Uma boa semana!






Paté de queijo com romã
(Adaptado de Bimby - Momentos de Partilha, Dezembro de 2016)


Ingredientes:
15 g de sementes de sésamo
10 g de manjericão (usei salsa)
150 g de queijo cheddar, cortado em pedaços
100 g de queijo mascarpone
200 g de queijo-creme
1 pitada de pimenta
1 romã
Preparação tradicional:
Forrar uma taça, com aproximadamente 14 cm de diâmetro, com película aderente.
Numa frigideira, tostar ligeiramente as sementes de sésamo. Colocá-las num almofariz e esmagá-las, juntamente com a salsa. Juntar o queijo cheddar, ralado, o mascarpone e o queijo-creme e amassar tudo muito bem, até obter uma pasta. 
Colocar a mistura na taça e levar ao frigorífico cerca de 1 hora, ou até ganhar consistência.
Desenformar, cobrir com a romã e servir com tostas.
Preparação na Bimby:
Forrar uma taça, com aproximadamente 14 cm de diâmetro, com película aderente.
Colocar as sementes no copo e aquecer 3 minutos/ varoma/ velocidade colher. Adicionar a salsa e triturar 2 minutos/ velocidade 7. Baixar com a ajuda da espátula o que ficou na parede do copo.
Adicionar o queijo cheddar e triturar 10 segundos/ velocidade 7. Juntar o mascarpone, o queijo-creme e a pimenta e envolver 15 segundos/ velocidade 4. 
Colocar a mistura na taça e levar ao frigorífico cerca de 1 hora, ou até ganhar consistência.
Desenformar, cobrir com a romã e servir com tostas.


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