domingo, 24 de fevereiro de 2019

Mau tempo. Casa. E um snack para quando a fome aperta.

Nestes dias frios de inverno, torno-me eremita. Depois de uma semana fora, aos fins de semana só me apetece recolher. Só mesmo algo muito estimulante para me fazer abandonar o conforto da lareira e enfrentar o vento e a chuva. Como aqueles esquilos dos desenhos animados, que enchem as tocas de nozes para os meses frios, compro os mantimentos e fecho-me. Lareira e velas acesas, gatos por perto, que até esses preferem a casa ao jardim por estes dias.
Este fim de semana, mais uma tempestade. Nada a que já não estejamos habituados. Muito vento e chuva. Alguns estragos pela ilha, mas, felizmente, nada que não se resolva com alguns dias de trabalho. Aproveitei para ficar por casa. Um fim de semana dedicado a mimos, leitura e comida caseira. Ficar em casa não é mau. Não se for uma opção. Não se estivermos bem. Por muito que custe a algumas pessoas perceber, gosto de espairecer em casa. 


Hoje, comecei o dia pela cozinha. Acordei cedo, porque o corpo se habituou. Quando não é o despertador a arrancar-me da cama, não me custa. Andava há dias a pesquisar receitas de barras de cereais, daquelas de ter no bolso quando a fome aperta a meio da manhã ou da tarde. Aproveitei as dicas que fui lendo por aí e sairam estas, bem saborosas e muito mais saudáveis do que as que compramos, cheias de açúcar e conservantes.

Barrinhas de aveia 
com coco e frutos secos
Ingredientes (para 12 barrinhas):
1 chávena* de tâmaras secas, descaroçadas
1 chávena de flocos de aveia 
1 chávena de coco
1/4 chávena de óleo de coco (como solidifica depois de arrefecer, ajuda a manter os ingredientes unidos)
1/4 chávena de xarope de ácer
arandos secos, sementes de abóbora e amêndoas laminadas a gosto

*250 ml de capacidade

Preparação:
Picar as tâmaras, num robot de cozinha. Misturar os restantes ingredientes, exceto as amêndoas, e colocar num tabuleiro de 15 cm X 15 cm, forrado com papel vegetal. Alisar bem, com uma espátula, calcando um pouco, e dispor as amêndoas laminadas por cima. Levar ao frigorífico 30 minutos. Cortar as barrinhas, envolvê-las em papel vegetal ou papel manteiga. Conservá-las no frigorífico e consumi-las ao pequeno-almoço, ao lanche ou quando o apetite o ditar.


Uma boa semana,

Ilídia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Ainda os citrinos. E outro romance de amor.

As receitas com citrinos continuam. Tenho evitado pôr raspas de laranja em tudo, ainda assim, pratos perfumados com os aromas da laranja e do limão têm sido frequentes cá em casa. Há dias, voltei a levar quadradinhos deste bolo para a escola, para animar uma reunião longa. E ando a pensar em curd de laranja para rechear filhoses este Carnaval. Se a experiência correr bem, aparecerá por aqui. 
No passado domingo, consegui levar o Manel ao pomar do avô, com o pretexto de estudarmos o futuro galinheiro. Parece que é desta que vamos ter galinhas. 
A receita que trago hoje é muito apreciada cá em casa. Achei que laranja e pimenta preta haviam de combinar bem, talvez inspirada pelos sabores do Leitão à Bairrada. Não me enganei. Já experimentei misturar alecrim, no entanto, a versão preferida dos meus rapazes é a mais simples, só com alho, laranja e pimenta preta. 



Esta receita é daquelas que se fazem quase sozinhas. Temperar a carne, passá-la numa frigideira bem quente e esquecê-la no forno algumas horas. Entretanto, podemos aproveitar para descansar ou ler um romance. Ando a ler Jane Eyre, da Charlotte Brontë. Um romance arrebatador, que custa largar. Durante anos, andei afastada dos clássicos do Romantismo. Depois de, na adolescência, ter devorado muito do que foi escrito naquele período, quer fossem os livros de Júlio Dinis, de Camilo ou a poesia das Folhas Caídas, de Garrett, de cujos poemas ainda sei excertos de cor, pus de parte livros de amores impossíveis, de personagens sofredoras, a quem tudo parece acontecer. 
E agora está a saber-me bem voltar a estes temas, com a experiência que décadas de leituras várias me trouxeram. O romance naquele sentido mais clássico. Uma manta, uma lareira acesa e um romance. Há lá coisa melhor! Enquanto o meu assado vai borbulhando lentamente no forno, vou-me deixando levar pela história da Jane e do caprichoso Rochester.



Entrecosto assado com laranja e pimenta preta
(com ou sem alecrim)

Ingredientes para 4 a 6 pessoas:
1 kg de entrecosto (de preferência com pouco osso)
5 dentes de alho
1 colher de sopa (rasa) de sal
2 colheres de chá de pimenta preta em grão
alecrim a gosto
3 colheres de sopa de azeite

Num almofariz, esmagar o alho, alecrim (se usarmos), o sal, a pimenta e o azeite, até obter uma pasta, com a qual se esfrega a carne.
Levar ao lume uma frigideira grande e, quando estiver bem quente, colocar a carne, segurando-a com uma pinça, para que todos os lados fiquem selados.
Colocar a carne numa assadeira e regá-la com o sumo de 2 laranjas.
Aquecer o forno a 175 graus e levar ao forno 2 horas e meia. 
As fotografias que se seguem foram tiradas por várias vezes (com e sem alecrim). Gosto de ambas as versões, mas, ultimamente, também tenho preferido a versão mais simples, sem ervas.




domingo, 3 de fevereiro de 2019

Duas versões de uma receita. E um romance de amor.

Acho que se ficar à espera da fotografia bonita para partilhar esta receita, isso nunca acontecerá. A fotografia bonita quer luz natural e este queijo é invariavelmente feito em jantares de inverno, em noites frias iluminadas pelo calor da meia-luz artificial. 
Ainda assim, mais pecaminoso do que publicar uma fotografia menos bonita seria não partilhar esta receita fácil, quase uma não-receita, que se faz num abrir e piscar de olhos, e que pode ter tantas variações quantas a nossa imaginação ditar. 
Comecei pela versão original, do livro Jantaradas com Amigos, do chef Kiko, com alho, azeite e alecrim. Entretanto, já experimentei outras combinações e parece-me que não fico por aqui. Acho que deve ficar belíssimo com frutos secos (nozes ou pistácios) e mel. Fica para a próxima. 
A primeira fotografia é da versão com alho e alecrim. A segunda é de um improviso com pimenta rosa. Ambas saborosas! 

Queijo assado no forno

Versão 1
1 queijo de Azeitão
1 embalagem de gressinos
1 dente de alho muito bem picado
alecrim a gosto
1 colher de sopa de azeite

Versão 2
1 queijo de Azeitão
1 embalagem de gressinos
1 dente de alho muito bem picado
orégãos frescos a gosto
1 colher de café de pimenta rosa
1 colher de sopa de azeite

Cortar a parte de cima do queijo e cobri-lo com todos os ingredientes. Levar ao forno a 150 graus durante 5 minutos. Servir com os gressinos e um copo de vinho tinto.




Por aqui, o dia está chuvoso. Perfeito para uma tarde dedicada à leitura. Ando a ler Resistencia, de Rosa Aneiros, que trouxe da Galiza. Uma história de amor passada em Portugal, na altura do Estado Novo. Sabe bem ler um romance de amor à antiga, daqueles amores impossíveis, que resistem a tudo. Já não se escrevem muitos. Que eu saiba, não há tradução em português. Ainda assim, o galego é tão próximo do português que não é muito difícil seguir a história, mesmo que, inevitavelmente, um ou outro sentido fiquem por decifrar. 

A todos os que por aqui passam, desejo um bom domingo e uma boa semana. De preferência com um livro por perto.




domingo, 27 de janeiro de 2019

Citrinos. E uma receita de ervilhas.




Tu agora pões laranja em tudo?, perguntou o meu marido, depois de ter levado com comida temperada com laranja pela terceira ou quarta vez numa semana. De facto, tenho abusado um bocadinho. Laranjas, tangerinas, limões. Para além do sabor, são lindos! Na árvore ou numa taça, como decoração. Não há nada mais bonito no centro de uma mesa. 
Há dias li que o cheiro dos citrinos tem propriedades calmantes, que basta uma inalação rápida para despertar em nós sensações de bem-estar. Acho até que vou começar a levar taças com limões para aquelas reuniões demoradas. De vez em quando, uma snifadela no limão. Não me parece mal. Quando alguém se exaltasse, oferecíamos-lhe delicadamente uma rodelinha de limão. Olha, cheira lá isso um bocadinho que passa! Ou quando fôssemos nós os exaltados. Quando nos sentíssemos à beira do ataque de nervos, recorreríamos à fiel rodelinha de limão. Pensando bem, talvez seja meio estranho andarmos a cheirar limão. Mas podemos sempre recorrer ao correto chá. Acho que vou experimentar um destes dias.
O que trago hoje é daquelas receitas simples, que faço imensas vezes, à qual acrescentei ontem o twist da laranja. Gostei imenso do contraste. Convém irmos provando, à medida que vamos raspando, para adaptarmos a quantidade ao nosso gosto. É um acompanhamento fácil e muito rápido. Havendo um saco de ervilhas no congelador, em 15 minutos, está feito. Estas acompanharam uma coxa de pato confitado, juntamente com puré de batata. 

Ervilhas com laranja


1 kg de ervilhas congeladas
3 colheres de sopa de azeite
1 cebola média, picada
2 dentes de alho, picados
1 colher de sopa de pasta de tomate
1 colher de sopa de molho inglês
1/2 dl de vinho branco
sal e pimenta preta a gosto
raspas de laranja (opcional) - quando não uso, tempero com uma folha de louro

Refogar a cebola e o alho no azeite até a cebola estar translúcida. Juntar a pasta de tomate e o molho inglês. Mexer e deixar apurar cerca de 1 a 2 minutos (dependendo da pressa). Acrescentar as ervilhas,  o louro (se usarmos), regar com o vinho, tapar o tacho e deixar cozinhar cerca de 10 minutos, em lume brando. Temperar com sal e pimenta. No fim, acrescentar as raspas de laranja e servir.




Ficam ainda fotografias do meu fim de semana. Um sábado de sol, que me pôs a sonhar com a primavera. Um dia dedicado aos pequenos prazeres. Portas abertas, gatos na relva, flores frescas na jarra e comida boa na mesa. What else? 









Desejo uma boa semana a quem por aqui passa!


domingo, 13 de janeiro de 2019

Domingo de manhã. E uma sandes para dias apressados.

São das minhas horas preferidas da semana. Logo a seguir ao fim da tarde de sexta-feira, quando chego a casa depois de uma semana longa. Mas os sentimentos são diferentes. Na sexta, há uma certa euforia, associada ao início do fim de semana. Um sem-fim de projetos para os dois dias que se seguem, alguns dos quais não passam disso mesmo: projetos. Ao domingo de manhã, o sentimento é outro. É de calma, de uma certa resignação em relação ao que não se fez. É como se a sexta fosse uma jovem cheia de sonhos e expectativas e o domingo trouxesse a serenidade da meia-idade. Ao domingo de manhã, as horas parecem render, apesar de não haver despertador, o que parece meio paradoxal. Depois de um pequeno-almoço mais ou menos frugal, o que será ditado pela hora de acordar, dedico-me àquelas coisas para as quais normalmente não tenho tempo. E este espaço está entre elas. Durante a semana mal me lembro de que existe. Com a corrida dos dias, algo tem de ficar para trás. E o blogue fica, invariavelmente, no fim da lista. Tem de ser. Afinal, a vida em carne e osso tem sempre prioridade. 


A receita (se é que se pode chamar receita) que vos trago não costuma ser de domingo. Costuma ser comida de dia útil, de dia de quando não há muito tempo para a cozinha. Dias de ter sopa no frigorífico e nada pensado para depois. É a sandes preferida do meu filho. Pede sempre para me ajudar a prepará-la. E eu deixo, claro. Afinal, tem 10 anos e tem de ir aprendendo a desenrascar-se. Da última vez, achei que a devia partilhar. É uma sandes útil para ter no repertório. Espero que gostem.

Ingredientes para cada sandes:
1 baguete pequena (costumo comprá-las congeladas, semi-cozidas, e colocá-las no forno 5 minutos)
Molho pesto a gosto
3 fatias de queijo halloumi
1 ovo cozido
2 folhas de alface

Preparação da sandes:
Começo por cozer os ovos.
Corto o halloumi em fatias e levo-o a grelhar, com um fio de azeite, polvilhado com orégãos.
Abro a baguete, barro-a com pesto e disponho os restantes ingredientes, pela seguinte ordem: queijo, ovo e alface. Prendo-a com palitos e sirvo-a, inteira ou cortada ao meio.


Despeço-me com duas imagens dos últimos dias: as flores que estão na jarra e a Lana, ao lado do livro que ando a ler: O Jogo do Mundo (Rayuela), de Júlio Cortázar. Um livro desafiante, que nos manda andar a saltar de capítulo em capítulo. E que nos dá a possibilidade de saltar (mesmo) a leitura de alguns. Estou a gostar deste jogo da macaca literário 🙂


Uma boa semana!
Ilídia

domingo, 6 de janeiro de 2019

Equilíbrio. E um bolo de citrinos.

Equilíbrio. É o que desejo para 2019, juntamente com a paz e o amor e a saúde e as outras coisas que se desejam quando começa um novo ano. E, quando penso nesse equilíbrio, penso, sobretudo, em Tempo. O tic tac dos dias pode ser devastador. Como aquelas máquinas ruidosas que ansiamos por que se calem. Que nos levam ao desespero. Só que não há fichas nem botões que calem o tic tac que parece devorar-nos. Para resistir ao ruído dos dias, é preciso força. E uma certa dose de sabedoria. Equilibrar os dias. Como numa receita, a dose certa de doçura, de acidez, de picante e de outros sabores que fazem daquele prato algo especial. Não deixar que a acidez se sobreponha, que abafe os outros sabores. Como numa orquestra harmoniosa, deixar que todos os instrumentos desempenhem a sua função. É isso que espero para 2019. Equilibrar os vários aspetos da minha vida. Deixar que aqueles que têm sido abafados emirjam e recuperem o seu lugar. Por isso, acho que equilíbrio é a palavra que elejo para o ano que agora começa. 

A primeira receita deste ano é do último bolo que fiz em 2018. Um bolo que também é feito do equilíbrio entre o doce e a acidez dos citrinos. Camadas de laranja cortadas pela doçura de um creme de limão e cobertas pela pureza de uma calda de açúcar. Para alguns, demasiado ácido, ainda assim. Para mim, perfeito, que sou mais acre que doce.



Bolo de laranja 
com recheio de limão


Ingredientes para o bolo:
Raspa de uma laranja
200 ml de sumo de laranja
4 ovos grandes
1 pitada de sal
120 gr. de açúcar
200 gr. de farinha
1 c. sopa de fermento em pó para bolos
Ingredientes para o recheio (lemon curd):
160 gr. de açúcar
2 limões (usei apenas um, pois com dois fica demasiado ácido)
60 gr. de manteiga
2 ovos + 1 gema
Ingredientes para a cobertura:
300 gr. de açúcar ou 1 chávena e meia de açúcar confeiteiro
1 clara
1 c. chá de sumo de limão

Preparação do bolo (sem Bimby):
Raspa-se a laranja, faz-se o sumo e reserva-se.
Bate-se as gemas com o açúcar até se obter uma massa esbranquiçada. Junta-se a raspa da laranja e o sumo e bate-se, até incorporar na massa de açúcar e ovos. Adiciona-se a farinha e o fermento e continua-se a bater, até estar tudo bem misturado.
À parte, bate-se as claras em castelo e envolve-se no preparado anterior, com uma espátula,  com movimentos suaves.
Coloca-se numa forma redonda, sem buraco (usei uma com 20 cm de diâmetro) e leva-se ao forno cerca de 25 minutos.
No final do tempo, retira-se o bolo do forno, deixa-se arrefecer e corta-se ao meio, com uma faca afiada.
Preparação do recheio:
Misturar bem os ovos, o açúcar e o sumo de limão. Levá-los ao lume, num tachinho de fundo espesso (usei um tacho de ferro). Mexer, com uma vara de arames, até engrossar (não deve ficar demasiado espesso, pois engrossará um pouco depois de arrefecer). 
Retirar o tacho do lume e juntar a manteiga, mexendo até esta estar incorporada no creme. Deixar arrefecer e rechear o bolo (se restar creme, colocar num frasco e guardar no frigorífico).

Preparação da cobertura:
Misturar o açúcar confeiteiro, a clara e o sumo de limão, até obter uma consistência pastosa. Se for necessário, acrescenta-se sumo de limão. 
Verter a cobertura sobre o bolo, espalhando com uma espátula aquecida, pois facilita o processo.
Decorar a gosto.

Preparação do bolo (na Bimby):
Raspa-se a laranja, faz-se o sumo e reserva-se.
Coloca-se a “borboleta”, as claras, 1 pitada de sal e programa-se 3 min/37 graus/ vel.3 ½. Reserva-se.
Sem a “borboleta”, coloca-se as gemas, o açúcar e programa-se 30 seg./ vel.5.
Junta-se a raspa da laranja, o sumo e programa-se 30 seg./ vel 7.
Adiciona-se a farinha, o fermento e envolve.se 15 seg./ vel.6.
Envolve-se as claras com o preparado, com uma espátula,  com movimentos suaves, e leva-se ao forno pré-aquecido a 180 graus, durante 25 minutos, numa forma redonda, sem buraco, (usei uma com 20 cm de diâmetro)
No final do tempo, retira-se o bolo do forno, deixa-se arrefecer e corta-se ao meio, com uma faca afiada.
Preparação do recheio:
Com o copo bem seco, pulveriza-se o açúcar 15 seg./ vel. 9.
Adiciona-se a casca do limão e programa-se 15 seg./vel. 9.
Acrescenta-se a manteiga, o sumo do limão e programa-se 2 min./ vel. 2.
Junta-se os ovos, a gema e mistura-se 10 seg./ vel. 4.
De seguida, programa-se 7 min./ 80 graus/ vel. 2.
Deixar arrefecer e rechear o bolo (se restar creme, colocar num frasco e guardar no frigorífico).
Preparação para a cobertura:
Com o copo bem seco, pulveriza-se o açúcar por duas vezes (150 em 150 gr.), programando 15 seg./ vel. 9.
Adiciona-se os restantes ingredientes e bate-se 10 seg./ vel.6.
Molha-se a espátula em água quente e espalha-se a cobertura por cima do bolo.
Decora-se a gosto.


 Receita do livro O Melhor das Nossas Famílias, Vorwerk
(com ligeiras adaptações)


Feliz 2019. Com a dose certa daquilo que vos faz bem. A mim, uma mesa posta à espera das pessoas que me são queridas continua a estar no topo das preferências.



domingo, 16 de dezembro de 2018

Para a mesa. Uma refeição de raclette.

Este domingo, houve raclette para o almoço. Ao som dos Queen, ainda no rescaldo do Bohemian Rhapsody, que vimos ontem à noite, preparei tudo. 
Gosto destas refeições livres. Ingredientes pela mesa, em tábuas e taças. Cada um compõe o seu prato, conforme o que preferir. É assim com os churrascos, no verão. E com o fondue e a raclette, no inverno. São a solução para dias de preguiça ou de cansaço, quando não se quer perder horas na cozinha. Temperar a carne, descascar as batatas, fazer um ou outro molho (que até se podiam comprar feitos) e abrir frascos. Nada que saber. 
Hoje apeteceu-me inovar um pouco. Para além do queijo próprio para raclette, usei também outros como cheddarmozzarella e roquefort. Muito bom, este último, misturado com nozes e arandos secos, sobre a batata cozida. Quanto a molhos, usei tzatziki, maionese de alho e pesto. Numa taça, coloquei ainda mostarda à antiga. Dispostos pela mesa, frutos secos (nozes, arandos e tâmaras), cornichons e cebolinhas em conserva. Apeteceu-me ainda dar um ar mediterrânico (e mais saudável) à refeição, e pus na mesa tomates, cebolas e beringelas, tudo cortado às rodelas. Carne, pão quentinho, azeite, orégãos e flor de sal na mesa. 
Durante o almoço, aquela animação própria das refeições ruidosas, com muita gente a servir-se e a pedir passa-me o tomate ou passa-me o pão ou serves-me mais vinho? Aquela alegria boa de comida saborosa e descomplicada, de conversas que se esticam pela tarde, sem pressas. 

 
 

O que deixo não é bem uma receita. É mais uma lista do que havia sobre a mesa, e que foi combinado ao gosto de cada um:

Vazia, cortada em bifes finos e pequenos, temperada com flor de sal e pimenta preta
Enchidos a gosto
Batatas cozidas
Baguetes, cortadas em pedaços
Queijos próprios para derreter 
Manteiga aromatizada com cebolinho e pimenta
Cornichons
Cebolinhas em conserva
Frutos secos: tâmaras, nozes e arandos
Molhos variados: tzatziki, maionese caseira com alho, pesto, mostarda à antiga
Rodelas de tomate, cebola roxa e beringela (depois de meia hora polvilhada com sal, para perder humidade)
azeite, flor de sal e orégãos

Depois de aquecer a pedra da raclette e de a untar com papel de cozinha embebido em óleo neutro, a festa pode começar! 

Fica o trailer do filme. Um filme-concerto que me soube especialmente bem nesta altura. A música intemporal dos Queen e uma interpretação belíssima do Rami Malek. 




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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.