quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Regresso e uma espécie de esparregado

Como se volta a uma casa fechada, com pó e lençóis a cobrir os móveis, volto aqui. Acredito que, nos primeiros dias, alguém terá batido à porta. Cansados de silêncio, terão desistido. E a casa ficou à espera, fechada. Hoje é dia de abrir janelas, sacudir tapetes, limpar o pó. Será para ficar? Não sei. Veremos.



Espinafres cremosos com ricotta e noz moscada
(Receita ligeiramente adaptada de Nigellissima, de Nigella Lawson)

Ingredientes para três pessoas:
manteiga para untar (usei spray de cozinha)
1 colher de sopa de azeite
1 dente de alho, descascado e ligeiramente esmagado, com o cabo da faca
300 g de folhas de espinafre, lavadas e secas
2 colheres de sopa de vinho branco ou vermute (usei Marsala)
3 colheres de sopa de parmesão ralado
2 colheres de sopa de ricotta
pimenta preta, noz moscada e sal, a gosto
2 ovos batidos 


Preaquecer o forno a 200 graus e untar uma assadeira com manteiga ou spray de cozinha. 
Num wok ou numa panela larga, aquecer o azeite com o dente de alho, até este alourar ligeiramente. Juntar os espinafres e mexê-los, em lume brando, empurrando-os com a colher (apesar de parecerem muito volumosos, diminuem bastante depois de cozinhados). Aumentar o lume, deitar o vinho e mexer suavemente até os espinafres terem murchado (cerca de 30 segundos).
Retirar do lume, juntar o parmesão e o ricotta e temperar a gosto.
Juntar os ovos, misturar bem no preparado e verter tudo para a assadeira. Levar ao forno 15 minutos (na receita original, recomenda-se 10, mas achei pouco), deixar repousar mais 5 e servir.

Estes espinafres acompanharam bife da vazia grelhado e ovo estrelado, uma das refeições preferidas dos meus rapazes.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Crumble. De nêspera.

Há lá coisa melhor do que o cheiro da fruta a caramelizar no forno, enquanto os sucos se misturam com o açúcar, fundindo-se numa calda viscosa! Se sobre esta houver sabores estaladiços, melhor ainda. É por isso que gosto tanto de crumbles. Não é só uma questão de sabor. É sobretudo a mistura de texturas que torna este doce tão especial. 
Sabe bem olhar para o forno e ver o borbulhar lento à superfície, adivinhando o sabor da primeira colher. Daquelas coisas cuja antecipação tem quase tanta importância como a degustação.

Depois do último apple crumble, e de perceber a adoração do Manel por este doce, apetece-me experimentar outros sabores. Desta vez, usei nêsperas, um fruto que só tinha cozinhado em compota. 
Há quase duas semanas, ofereceram-me um saquinho. Pu-las no frigorífico, pois final de período e experiências culinárias que envolvam perder tempo a descascar fruta caprichosa são incompatíveis. De vez em quando, vigiava-as, ciente de que se poderiam perder. Aguentaram-se bem. O suficiente para brilharem nesta sobremesa diferente. 


Crumble de nêspera

Ingredientes:
800 g de nêsperas (sem o caroço, e cortadas em quartos)
4 colheres de sopa de açúcar amarelo 
1 colher de chá de canela
1/2 colher de café de cardamomo em pó

150 g de farinha integral
100 g de açúcar amarelo
2 colheres bem cheias de açúcar mascavado
100 g de manteiga (gelada), cortada em pedaços
1 chávena de aveia
1/2 chávena de amêndoa palitada
1/2 chávena de nozes picadas

Envolver as nêsperas com as 4 colheres de açúcar, o cardamomo e a canela e colocar a mistura num tabuleiro ou pirex. 
Entretanto, aquecer o forno a 180 graus. 
Numa tigela, misturar a farinha, os 100 gramas de açúcar amarelo e o açúcar mascavado. Juntar a manteiga, desfazendo-a, com os dedos, de modo a formar uma mistura granulada. Misturar a aveia, as nozes e a amêndoa e despejar sobre as nêsperas. Levar ao forno cerca de 40 minutos (até estar dourado). 
Tal como o crumble de maçã, pode ser servido quente ou frio. Com ou sem a bola de gelado de baunilha. 







domingo, 2 de abril de 2017

Apple crumble: um doce com "muitas coisas"

Há anos que não fazia apple crumble. A razão é simples: o meu marido não gosta. Para ele, sobremesa, para ser digna desse nome, tem de ter chocolate como ingrediente principal. Aceita um ou outro desvio, mas nada que envolva maçãs cozinhadas no forno. As tartes de maçã que já apareceram por aqui nunca foram provadas por ele.
Ontem, aproveitei a noite com o Manel para cozinhar maçãs. Uma noite de mãe e filho, a rever O Senhor dos Anéis, com um pratinho de apple crumble morno numa mão e uma caneca de chá na outra.
O Manel adorou. Há aqui muitas coisas, disse ele, ao saborear a primeira colher. Há, de facto. A minha versão leva aveia e amêndoa e canela e sabe bem sentir todas aquelas texturas quando metemos a colher na boca. 
Comemos o nosso crumble simples, ainda morno. Noutras circunstâncias, poderíamos ter-lhe acrescentado uma bola de gelado de baunilha. Outro contraste muito bom, para os (ainda) mais gulosos.

Fica a receita. E as flores. Na semana passada, frésias. Esta semana, muitas proteas, oferecidas por uma menina muito querida, que as produz. Juntaram-se às que já estavam nas jarras e fizeram um festim. E as minhas orquídeas, que desabrocharam quase todas, com a chegada da primavera. 










Apple crumble


Ingredientes:
3 maçãs reineta
2 colheres de sopa de açúcar amarelo 

150 g de farinha integral
100 g de açúcar amarelo
100 g de manteiga (gelada), cortada em pedaços
1 colher de chá de canela
1 mão-cheia de aveia
1 mão-cheia de amêndoa palitada

Descascar as maçãs, cortá-las em quartos e depois em fatias não muito finas (dependerá do gosto de cada pessoa, mas eu gosto de sentir os pedaços de maçã). Envolvê-las com as 2 colheres de açúcar e colocar a mistura num tabuleiro ou pirex. 
Entretanto, aquecer o forno a 180 graus. 
Numa tigela, misturar a farinha, a canela e os 100 gramas de açúcar. Juntar a manteiga, desfazendo-a, com os dedos, de modo a formar uma mistura granulada. Misturar a aveia e a amêndoa e despejar sobre a maçã. Levar ao forno cerca de 40 minutos (até estar dourado). 
Servir quente ou frio. Fica muito bom acompanhado de uma bola de gelado de baunilha. 



Continuação de um bom domingo!


domingo, 19 de março de 2017

Primavera. E uma receita com coco em dia do pai.

O calendário diz que é só amanhã. Mas eu estou pronta. Nunca estive tanto. Quero que este inverno acabe e que a primavera chegue, com todas as coisas que lhe estão associadas. As flores e os pássaros e todos os sinais que a ilustram em livros infantis e poemas ultra-românticos. Com as flores e o verde, quero que venham todas as outras coisas que simboliza. A calma,  a renovação, a esperança.

Enchi a casa de flores. Às de todo o ano, juntam-se outras, da estação. As do jardim acompanham as vindas do sítio do costume. Já há frésias. Sempre uma alegria quando vejo as primeiras.  Junto-lhes gerberas e proteas. Do jardim, vêm jarros e margaridas. Está composto o ramalhete. Que bem que ficam, todas juntas, a cantar a uma só voz. Na cozinha, voltou a vontade de misturar, de experimentar.  E de brincar com ingredientes menos comuns. Esta manhã, não resisti aos ovos de codorniz que encontrei na praça. Que lindas que são aquelas miniaturas pintadas de preto! Parece-me que hão de ficar bonitos a encimar uma pizza. 

Sabe bem cozinhar ao som de uma música bonita, numa tarde de domingo. Hoje foi esta, muito linda, banda sonora de uma das séries que nos têm acompanhado
Aos poucos, a primavera volta. É sempre assim, felizmente.

Deixo-vos as flores. E a música. E o trailer da série. E a receita dos queques de coco que fiz para o meu pai.














Queques de coco
(Receita adaptada daqui)

Ingredientes para 12 unidades:
1 ovo batido
1/2 chávena de leite
1/4 chávena de óleo
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de fermento para bolos
1/2 chávena de açúcar
1 chávena de coco ralado 
1 chávena e meia de farinha
coco a gosto para polvilhar os queques

Preparação:
Numa taça grande, bater o ovo. Juntar-lhe o leite, o óleo, a baunilha e mexer bem. Juntar os restantes ingredientes, mexendo até estarem todos bem incorporados.
Forrar um tabuleiro de queques com forminhas de papel e enchê-las até 2/3. Polvilhar com coco e levar ao forno, a 180 graus, cerca de 25 minutos.




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Domingo. Uma receita de crepes. E um recheio doce.

O domingo começou com a visita a um lugar querido. Desta vez, com um propósito diferente. Nunca tinha levado alunos à Biofontinhas. Hoje, levámos um grupo para conhecer a quinta e o Avelino. O tema de um dos nossos projetos Erasmus+ é alterações climáticas e os nossos alunos foram perceber de que forma as práticas agrícolas podem ajudar a preservar o nosso planeta. Ouviram o Avelino falar sobre agricultura sustentável, permacultura, compostagem e vermicultura e perceberam como a terra pode ser trabalhada com respeito. 
É sempre com alguma nostalgia que volto àquele lugar. Recordo sempre outras visitas, outras conversas, a primeira vez que levei lá o Manel, com dois meses, a D. Durvalina, que lhe ofereceu uma touca de lã, o Tyson, o boxer simpático que costumava passear por entre as estufas. Fotografei os canteiros, as flores, as estufas e a Lua, à janela. E conversei com a Maria João, de quem já tinha saudades. E, aconselhada pelo Avelino, trouxe um raminho de perrejil para fazer um arroz. 
Depois de semanas de muito trabalho, este fim de semana foi de tréguas. Não toquei em papéis. Às vezes é preciso. Amanhã retomo. Procrastinar um pouco não faz mal, de vez em quando. Tenho de me permitir aperfeiçoar esta arte.

Para o lanche, crepes com recheio de caramel au beurre salé, duas receitas bretãs. Souberam ainda melhor na companhia de amigos queridos que apareceram de surpresa. 
Ficam imagens do dia e as receitas. Boa semana!








Crepes

100 g de farinha; 3 ovos; 50 g de manteiga derretida; 2,5 dl de leite; 20 g de açúcar; 1 pitada de sal
Bater tudo, num liquidificador, e deixar descansar 1/2 hora.
Numa frigideira untada, colocar uma porção de massa, espalhando-a uniformemente e deixar cozer. Quando se começar a soltar, virar, com a ajuda de uma espátula, ou, se tiverem mais jeito do que eu, fazer saltar o crepe, virando-o no ar (a única tentativa que fiz não correu lá muito bem, por isso não repeti a proeza ;). 

Recheio de caramel au beurre salé (caramelo com manteiga salgada):
100 g de açúcar amarelo; 40 g de manteiga com sal (usei Milhafre); 200 ml de natas gordas
Levar o açúcar ao lume, numa caçarola, e deixá-lo derreter. Misturar a manteiga e, depois, as natas. Deixar ferver, em lume brando. O caramelo pode ser guardado num frasco, no frigorífico.

Barrar cada crepe com caramelo e dobrá-lo em quatro partes. Se forem mesmo gulosos, podem cobri-los com mais um pouco de recheio. Acompanhar com leite frio ou com um chá quente. Bem bom, para rematar este domingo de inverno!









domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sol. Flores. Ondas. E o bolo Floresta Negra do Harald.

A inconstância do tempo é uma das principais características das nossas ilhas. Nos Açores, temos as 4 estações num só dia é uma frase que se ouve com frequência. Talvez seja exagero, mas a verdade é que nem sempre é fácil escolher o guarda-roupa ou pensar com segurança em atividades ao ar livre. 
Janeiro foi um mês bom. Dias lindos, não diria de verão, mas de uma primavera suave e amena. Arco-íris belíssimos, de cores bem definidas. Nasceres e pores do sol quentes e dourados. No meio da azáfama dos dias, os espetáculos da natureza tinham ainda um sabor mais especial. Janeiro foi um mês cheio, muito cheio. E a visão da lua refletida no mar a caminho da escola ou de um arco-íris a emoldurar a nossa casa ao chegarmos do trabalho tinha um sabor a tréguas. Um bálsamo que nos acalmava antes ou depois de um dia de trabalho nem sempre prazeroso.
Já fevereiro anda indeciso. Depois de alertas vermelhos e ondas altas que ameaçam entrar pela terra, dias soalheiros de quase verão. Ontem, aproveitámos para andar lá fora a fotografar, bem dispostos.  Cada vez mais me deixo influenciar pelo tempo, pela cor do céu. Em dias cinzentos, também eu tendo a acinzentar-me. Por mais que tente resistir, recorrendo a todas as coisas que me fazem bem, em dias como o de hoje, há uma melancoliazinha que não me larga. Os rapazes riem-se de mim. Com razão, devo admitir. E eu calo-me e recolho-me. Afinal não têm culpa de o tempo e eu andarmos cinzentos. Enquanto veem um filme antigo, de astronautas, eu venho aqui. Há muito que não vinha e estava com saudades. 
Ficam imagens do sol e da lua. E das ondas agrestes de há uma semana.  Do Vicente e da Leia. E das flores. Das do jardim e das de casa. Das que estão na jarra e de outras, ainda de janeiro. 
















Hoje, a receita não é minha. É do meu amigo alemão, que nos visitou na passada semana. No meio de muito trabalho, ainda houve tempo para irmos para a cozinha. Este é um bolo demorado, feito por etapas. Acompanhei o processo, observando as mãos experientes do Harald, que diz já ter feito mais de cem bolos destes. Perante tamanha perícia, limitei-me a fotografar os vários momentos e a escrever a receita para a poder partilhar convosco. Qualquer dia aventuro-me sozinha. Se o experimentarem antes de mim, contem tudo, sim?


Bolo Floresta Negra


1.º Bolo:
160 g de farinha
80 g de açúcar
1/2 colher de chá de fermento
80 g de manteiga sem sal
1 ovo
1 pacote de açúcar baunilhado
raspa de limão a gosto
25 g de cacau 

Bater tudo com a batedeira. Colocar numa forma de mola, pressionando com as mãos,  e levar ao forno a 200 graus, cerca de 20 minutos. (Este bolo deve ser feito no mínimo dois dias antes da montagem do bolo final, pois fica mais macio.)


2.º Bolo:
4 ovos
175 g de açúcar
1 pacote de açúcar baunilhado
raspa de limão a gosto
75 g de farinha
75 g de Maizena
30 g de cacau
1 colher de chá (rasa) de fermento

Bater os 4 ovos. Adicionar açúcar, aos poucos, até obter um creme. Acrescentar o açúcar baunilhado e a raspa de limão. Aos poucos, sem mexer muito, misturar 75 g de farinha, a Maizena, o cacau e o fermento.
Colocar a mistura na forma de mola, forrada com papel vegetal, e levar ao forno a 175 graus, durante 20 a 25 minutos (fazer o teste do palito para verificar a cozedura).

Recheio de cerejas:
Descaroçar 600/700 g de cerejas pretas (segundo o Harald, TÊM de ser pretas, caso contrário, não é black forrest.). Juntar-lhes 60 g de açúcar e levar ao lume a ferver. Deixar de infusão até arrefecer. Coar o sumo e cozinhá-lo com 250 ml de água. Deixar ferver e adicionar 30 g de Maizena, dissolvida num pouco de água. Deixar engrossar um pouco e juntar as cerejas. Acrescentar 4 colheres de sopa de Kirchwasser (aguardente de cereja). Deixar no frigorífico de um dia para o outro.

Montagem do bolo:
Começar por bater 750 g de natas com 3 pacotes de açúcar baunilhado e 3 pacotes de fix chantilly (bater por duas vezes, pois são muitas natas).
Cortar o 2.º bolo ao meio.
No prato de servir, colocar o 1.º bolo e regá-lo com um pouco de Kirchwasser. Sobre este, colocar metade das cerejas e um pouco de natas batidas, como se pode ver na foto. Colocar a primeira parte do segundo bolo, mais uma camada de cerejas e natas e cobrir com a segunda parte do bolo.
Cobrir tudo com a segunda porção de natas. Decorar com chocolate em lascas. Com um saco de pasteleiro, fazer flores no topo do bolo e decorá-las com cerejas cristalizadas.

 






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