segunda-feira, 25 de abril de 2016

A minha lasanha rápida

Apesar de já terem aparecido por aqui lasanhas mais aprumadas, nem sempre há tempo para esse aprumo que requer paciência e tempo. Se há dias em que apetece fazer a massa em casa, outros há em que temos de arranjar uns atalhos que nos permitam ter comida na mesa a horas. Esta receita é tão simples que a faço mesmo em dias de semana, depois de chegar do trabalho. A base é do mais fácil que há. É a da receita da mãe do Tony Bennett. Há uns anos, comprei este livro em que estrelas da música apresentavam as suas melhores receitas de família. E o Tony Bennett escolheu a lasanha da mamma, filha de emigrantes italianos. O que me cativou logo foi o facto de não se adicionar qualquer tipo de gordura à carne. São os sucos da cebola misturados com os da carne que criam um molho com um sabor muito especial. A estes, junta-se molho de tomate, que até pode ser comprado feito (em dias de mesmo muita pressa, uso q.b. Italiano). Folhas de massa, queijo e béchamel com abundância, e temos na mesa um jantar que arranca sorrisos e huns. Faço-a muitas vezes. E deixo fotografias de dois jantares diferentes, que estavam guardadas, à espera da sua vez.

Lasanha de carne 


Ingredientes para 6-8 pessoas:
1 embalagem de massa para lasanha
500 g de carne de vaca, picada
500 g de carne de porco, picado
2 cebolas médias, picadas

Para o molho de tomate:
1 lata de tomate picado, de 800 g
4 colheres de sopa de azeite
4 dentes de alho, picados
1 colher de chá de açúcar
sal e pimenta a gosto

Para o molho Béchamel:
750 ml de leite
75 g de farinha de trigo
30 g de manteiga
sal, pimenta e noz moscada a gosto

200 g de queijo mozzarella, ralado
orégãos a gosto


Preparação:
Cozer a massa, conforme as instruções da embalagem.
Num tacho largo, colocar as carnes e a cebola, misturadas. Deixar cozinhar, em lume brando, até a carne estar acastanhada e se ter formado algum molho.
Entretanto, tratar do molho de tomate (ou abrir o frasco de q.b. italiano) e do béchamel.
Molho de tomate:
Numa panela, aquecer o azeite e os alhos. Juntar o tomate, o açúcar, o sal e a pimenta. Deixar cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando, cerca de 15 minutos. Retificar os temperos e reservar.
Molho béchamel:
Derreter a manteiga num tacho. Juntar a farinha e mexer, com uma vara de arames, até esta estar cozida. Misturar o leite, aos poucos, mexendo sempre com a vara de arames, para que não se formem grumos. Temperar com sal, pimenta e noz moscada e continuar a mexer, até obter um creme.

Misturar bem a carne com o molho de tomate. Retificar os temperos e reservar.

Montagem da lasanha:
Untar uma assadeira com um pouco de manteiga. Depois, colocar, por esta ordem, uma concha de carne, uma de molho béchamel e massa. Repetir, pelo menos três vezes. Terminar com uma camada de molho béchamel. Polvilhar com queijo ralado e finalizar com orégãos. 
Levar a lasanha ao forno a 220 graus, coberta com papel de alumínio, cerca de 35-40 minutos. Destapar e deixar dourar, mais 10 a 15 minutos.
Deixar arrefecer. Normalmente, a nossa nunca arrefece muito. Mal sai do forno, os homens da casa começam a rondar e acabo por a cortar sempre muito quente. Mas tentem ser mais pacientes do que nós e esperar alguns minutos antes de lhe enfiar a faca.



A acompanhar a lasanha, Tonny Bennett e Natalie Cole. Uma dupla que se ouve sempre com prazer.


domingo, 17 de abril de 2016

Pão. Pizzas. Azeitonas. E um entardecer bonito.

Pão quente, acabado de sair do forno, manteiga Milhafre a derreter, salpicão fumado e azeitonas. A acompanhar, chá. Há lá lanche melhor! Nem teria sido preciso tanto. O pão, a manteiga e o chá são aquela tríade muito portuguesa. A nossa mesa simples, cheia de sabor. Aquelas coisas que me lembram sempre a minha avó. Não há como comer pão quente com manteiga a derreter sem me lembrar dela, da alegria dela enquanto fazia um bule de chá Gorreana, bem docinho. Agora bebo-o sem açúcar, mas quando o bebia com ela era sempre com uma colherzinha de açúcar. Ou duas, às vezes :)









Ontem foi dia de experimentar o forno a lenha dos meus amigos. Os pequenos dedicavam-se àquela diversão quase extinta que consiste em brincar na terra. Com pás e enxadas, faziam um buraco enorme na terra, que enchiam de água. No fim, calças e botas enlameadas. Mas prefiro vê-los assim do que agarrados a jogos eletrónicos. 



Entretanto, a Maria preparava o pão, tal como aprendeu com a mãe. A minha participação limitou-se a tirar fotografias ao pão acabado de sair do forno e a elogiá-lo, depois de o comer. 






Já na preparação das pizzas do jantar, fiz questão de participar. Estava empolgadíssima para experimentar fazer pizzas à italiana, em forno de lenha. Fizemos umas pesquisas prévias, vimos vídeos no youtube, mas não tínhamos a certeza se conseguiríamos. Tínhamos medo de não sermos capazes de as fazer deslizar da pá. Mas, com a ajuda da farinha de milho, e com a destreza do Duarte, conseguimos. Foi um orgulho, vermos as nossas pizzas sair do forno. 
Quanto às receitas, são as que já apareceram por aqui. A novidade foi mesmo este tempero do forno, que fez toda a diferença.







Deixo a receita das azeitonas que preparei para levar, com exemplares trazidos do Fundão, da frutaria Bento. 

Azeitonas temperadas 
com mel e alecrim



1 chávena de azeitonas (escorridas)
1/4 chávena de azeite
1 colher de sobremesa de mel 
1 haste de alecrim
Piripíri seco a gosto (usei 4)
Flor de sal a gosto

Misturar bem todos os ingredientes, exceto as azeitonas, diluindo bem o mel. Colocar a mistura num frasco, juntamente com as azeitonas, e agitar bem. Servir com pão. De preferência quente, acabado de sair do forno :)




Deixo ainda uma fotografia tirada ontem, antes do jantar.  Um pôr do sol lindíssimo, com São Jorge ao fundo. 



Para despedida, esta Cantiga da Terra, do Zeca Medeiros. Uma boa semana!


terça-feira, 12 de abril de 2016

Na Serra

Vivo numa ilha com 400 quilómetros quadrados, com cerca de 50 000 habitantes, bem no meio do Oceano Atlântico. Há uns meses, quando expliquei a uma colega lituana estas características da minha ilha, ela olhou-me, com ar de pena, e deu-me um abraço de compaixão. Apesar de aquele abraço de piedade ter sido dispensável, percebo que meta dó o nosso isolamento a quem vive em território continental. No entanto, quem sempre viveu rodeada de mar não se sente isolada no meio dele. 
Pensei nisto estas férias. A caminho do Fundão, por estradas de onde não se via mar. Agora menos, mas experimento sempre uma sensação de isolamento quando me afasto do mar. É uma coisa estranha, que não chega a ser medo, nem nada que se assemelhe. Mas é uma sensação de que estou fora do meu lugar. E nem sou daquelas pessoas que passam a vida no mar. Mas gosto de saber que está ali, que o vejo se chegar à janela, que conduzo com ele por companhia. Azul e sereno ou espumoso e zangado. Gosto muito do meu mar e sinto a falta dele quando me afasto. 
Lembro-me bem da primeira vez em que senti a falta do mar, há já muitos anos. Foi em Vila Real, também entre montanhas. Desde então, visitei muitos lugares longe do mar. E, com o tempo, não voltei a ter a sensação. Até agora. O facto de um dos carros onde seguia parte da nossa numerosa família nortenha ter avariado e de termos tido de passar horas à espera que nos fossem buscar não ajudou. Senti-me um bocadinho perdida. Lost in Celorico da Beira! Não falei a ninguém desta minha fraqueza. E até estive bem disposta e não deixei transparecer esta minha fragilidade. Mas fiquei aliviada quando vi o nosso meio de transporte chegar e levar-nos ao nosso destino.

Felizmente, no Fundão, esperava-nos um lugar que afastou qualquer cisma. Cerca Design House, um hotel pequeno e charmoso perfeito para uns dias de descanso. Um antigo solar, muitíssimo bem recuperado, onde alguns elementos originais, entre os quais se destacam as paredes de pedra, se conjugam com uma decoração moderna e elegante. Neste momento, estão a ser construídos bungalows no pomar de cerejeiras, a pensar nas famílias, conforme me explicou a simpática rececionista, com quem fiquei à conversa logo à chegada. A insularidade e a profissão não me permitem voltar a este lugar na época das cerejas, mas adoraria fazê-lo. Valeu o gin destilado a partir deste fruto, produzido na região, que tive o prazer de experimentar. 







Outro lugar especial do Fundão, por razões diferentes do anterior: o restaurante As Tílias. Aqui não é a decoração nem o charme das instalações que fazem querer voltar. É mesmo a comida autêntica e a simpatia dos funcionários, principalmente do senhor Paulo, que a meio do jantar já nos tratava pelo nome. E éramos muitos :) A comida é a típica da zona, muitíssimo bem confecionada, mas é possível encontrar na ementa opções para paladares mais alternativos (a minha cunhada pediu um hambúrger de pastinaca). Eu fui a única a ousar os maranhos, feitos no próprio restaurante, com uma erva aromática chamada serpão, conforme me explicou o senhor Paulo. A rematar, sobremesas caseiras, que toda a gente disse estarem deliciosas. Eu fiquei pelo licor de cereja, também de fabrico próprio. 







A rematar tudo isto, a estreia do meu filho na neve. Apesar das condições não terem sido as melhores (muito frio e vento), estava excitadíssimo e mais feliz do que nunca. E eu, no meio de tantas experiências boas, nem me voltei a lembrar de que estava no meio da serra, bem longe do mar.



domingo, 10 de abril de 2016

De novo a horta. E um peixe bonito.


Esta terra há de voltar a ser lavrada. Hei de voltar a trabalhá-la ao fim da tarde. E voltaremos a correr para o terreno que se voltará a chamar horta, em dias de seca, para dar de beber a plantas sedentas e dependentes de nós. E, daqui a uns meses, teremos o gosto de colher e pôr no prato aquilo que, neste momento, é uma sementinha envolta em terra e esperança.
Tudo começou ontem. Retirei da caixa as sementes de há dois anos, aproveitei as que estavam em condições e fui comprar outras. Gosto sempre deste trabalho de seleção e de pensar no que nos apetecerá colher no verão. Em casa, o Manel quis ajudar. Um dos canteiros é da responsabilidade dele. Etiquetas e tudo, na sua caligrafia de 2.º ano. Sentiu-se importante, a fazer aquela sementeira. E nem imagina a importância que isto tem para mim. Agora os canteiros repousam, sob o nosso olhar vigilante, à espera de vermos o primeiro sinal de verde. 

Para o jantar, o peixe mais bonito que já esteve sobre a bancada da nossa cozinha. Tão lindo que o Manel perguntou se era pintado. Peixe-rei do alto fresquíssimo, vindo do sítio do costume. E, apesar de um peixe tão bonito não precisar de maquilhagem, apeteceu-me envolvê-lo numa marinada com ingredientes asiáticos. E fiz bem. Ficou muito saboroso. Afinal de contas, beleza não é tudo.


Peixe-rei do alto assado
com molho de alho e malagueta




Ingredientes para 2 pessoas:
1 peixe inteiro, com cerca de 1 kg, limpo e sem escamas
Para a marinada:
4 colheres de sopa de molho de ostra
4 colheres de sopa de molho de soja
8-10 dentes de alho, esmagados
1 colher de sopa de molho de peixe
2 colheres de sopa de açúcar amarelo
1/4 colher de chá de pimenta preta
1 colher de sopa de sumo de limão ou lima
1 malagueta, picada (usei congelada)

Preparação:
Com uma faca afiada, dar cortes transversais no peixe, como se pode ver na fotografia, e colocá-lo sobre uma folha de papel de alumínio suficientemente grande para o embrulhar, depois de temperado.
Misturar todos os ingredientes para a marinada e barrar o interior do peixe e o exterior, de ambos os lados. Embrulhar o papel de alumínio e levar o peixe ao forno, pré-aquecido a 190 graus, durante 30 a 40 minutos, dependendo do tamanho do peixe (normalmente, passados 30 minutos, verifico a cozedura, e, se necessário, deixo ficar mais algum tempo, com o peixe destapado.
Para acompanhar, servi salada verde da Biofontinhas e inhame. Mas também fica bem com batatas cozidas ou assadas.



Uma boa semana!





domingo, 3 de abril de 2016

Flores do Norte. E uma receita de favas.

Gosto de flores. Em vasos, em jarras, nas bermas das estradas, nos jardins. E nos hortos. Por isso, a Flor do Norte é um dos meus lugares preferidos quando vou à terra do meu marido. Tirar umas horas e passear entre bolbos, orquídeas de todas as cores e feitios, árvores de maior ou menor porte, ervas aromáticas, plantio de couves e alfaces e outras plantas de comer é um programa que procuro sempre. Desta vez, encontrámos uma colecionadora de orquídeas com quem ficámos à conversa algum tempo e que nos deu imensos conselhos. Enquanto percorríamos as estufas, cruzávamo-nos com algumas pessoas que, sem pressas, trocavam impressões sobre uma ou outra planta, na sua pronúncia do Norte. E no fim, enquanto pagávamos, o dono gracejou acerca dos Açores. Leve o que quiser, menina. Lá, pega tudo! Um lugar mesmo especial, esta Flor do Norte. E bem próximo da casa da minha cunhada, tão apaixonada pelas coisas da terra como eu. Vivesse eu lá e seria um dos meus lugares quotidianos, onde me refugiaria sempre que precisasse de paz.











Da Flor do Norte, trouxe bolbos de narcisos. Da quinta da minha cunhada, vieram frésias. Do jardim da minha sogra, mais bolbos, de umas flores bonitas, a que ela chama trigos. 
Já estão na terra. Hoje, andámos a jardinar, os três. No fim, colhemos salsa e espinafres, jarros e rosas. E o Manel apanhou boninas e erva azeda e fez um raminho para enfeitar as pedras da Micas. Costuma fazer isso, quando vai ao jardim. E fala dela, com saudade.
É bom sair. Mas é bom estar de volta. Depois de uns dias no Norte, regressámos ao nosso lugar. Nesta altura, sabe ainda melhor. A primavera fez das suas enquanto estivemos fora. Flores novas. Algumas já conhecidas. Outras que são novidade. Bolbos enterrados no ano passado que agora deram flor. E a estrelícia gigante, com três flores, também elas de tamanho XL. Sempre um milagre, a primavera!










Outro sinal de primavera é o aparecimento das favas nas bancas de supermercado. Uma festa, quando as vejo. Uma boa surpresa, neste meu regresso à ilha. Bem tenras e pequeninas. Descasquei-as, com a ajuda do Manel, juntei-lhes um ovo e um pedacinho do chouriço que trouxe do Norte e fiz um arroz. Bem molhadinho e reconfortante. Um belíssimo jantar neste domingo antes do início de mais um período letivo.




Arroz malandrinho de favas


Ingredientes para 4 pessoas:
1 chávena de arroz carolino
1 cebola média, picada
2 dentes de alho, picados
1 dl de vinho branco
1 tomate pequeno
1 folha de louro, sem o veio central
3 colheres de sopa de azeite
160 g de favas, pesadas já sem a pele branca
1 pedaço de chouriço com cerca de 3 cm, picado
4 ovos
1 raminho de salsa
sal, pimenta e noz moscada

Preparação:
Refogar a cebola e os alhos no azeite. Acrescentar o tomate e deixar cozinhar 1 ou 2 minutos. Juntar o arroz e o louro e deixar fritar até o arroz estar com um aspeto transparente. Com o lume alto, acrescentar o vinho branco e deixar que este evapore. Adicionar 3 chávenas de água e as favas. Temperar com sal, pimenta e noz moscada e deixar cozinhar, em lume brando, até o arroz e as favas estarem cozidos. Juntar salsa picada, provar e, se necessário, acrescentar algum tempero.
Entretanto, escalfar os ovos, um de cada vez: numa panela pequena, colocar água com um fio de vinagre; quando a água ferver, abrir o ovo, com cuidado, e deixar que coza.
Num prato, colocar uma porção de arroz. Sobre este, o ovo, temperado com pimenta preta. Para servir, juntar chouriço picado, a gosto, e uma fatia de pão escuro. O copo de tinto é opcional. Para mim, indispensável.





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Acerca de mim

A minha fotografia
Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.