sábado, 17 de novembro de 2018

Problemas técnicos. E uma receita rápida.

Um dos aspetos mais gratificantes para quem tem um espaço destes é a interação com as pessoas que nos leem. Não acredito que haja alguém que tenha um blogue aberto que não goste de ser lido. Ou teria um diário fechado à chave, como aqueles tínhamos quando éramos crianças. Saber que, de alguma forma, tocámos alguém, seja com uma frase, uma fotografia, uma reflexão ou uma receita nossa que passou a fazer parte do repertório de outra família é bastante gratificante para quem alimenta um lugar como este. E o feedback que nos dão é importante, ajudando-nos a não desistir mesmo quando o cansaço se instalou e a inspiração parece ter-nos virado costas. 
Como já se devem ter apercebido (ou lido, que já falei do problema neste post), este blogue anda com problemas técnicos. A tecnologia tem os seus caprichos e eu não sou a pessoa mais habilidosa e paciente a lidar com eles. Não sei o que se passou, mas há já algum tempo que não consigo responder aos comentários que me deixam. Já andei a mexer nos bastidores, a tentar resolver o problema sozinha, mas não fui bem sucedida. E a verdade é que não tenho tido muito tempo para me dedicar a pesquisas, tutoriais e afins. Por isso, agradeço que, pelo menos enquanto o problema não estiver solucionado, deixem os vossos comentários na página de Facebook do blogue ou através do e-mail. Terei muito gosto em responder a todos.
Não queria correr o risco de esta explicação ficar perdida em notas de rodapé, como creio que aconteceu da outra vez, por isso, apresento-a como preâmbulo à receita de hoje. 

Salsichas à Brás 



Ingredientes:
(Para 3 pessoas) 
4 salsichas frescas (usei alemãs, maiores, por isso, dependendo do tamanho, poderão necessitar de mais)
600 g de batatas, cortadas aos cubinhos
1 cebola grande, cortada em rodelas finas
2 dentes de alho, picados
3 colheres de azeite + 1 para fritar as batatas
3 ovos
sal e pimenta a gosto
salsa a gosto

Fritar as batatas (usei a Actifry, apenas com 1 colher de azeite).
Entretanto, numa frigigeira grande ou wok, fazer um refogado com a cebola, os alhos e o azeite. 
Cortar as salsichas em rodelas não muito finas e juntá-las à cebola, quando esta estiver translúcida. Temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar. 
Bater os ovos e juntá-los ao preparado, envolvendo bem (costumo desligar o fogão nesta fase para que os ovos não fiquem demasiado passados).
Polvilhar com salsa picada e servir.

Continuação de um bom fim de semana! 


 


domingo, 4 de novembro de 2018

A Galiza. Os furanchos. E uma receita grega.

Para um açoriano, a fronteira é o mar. Só o mar. Falamos de fronteiras terrestres na escola, tal como falamos de rios e de outras coisas que nunca vimos. Para uma criança açoriana que nunca saiu da ilha, as fronteiras terrestres são uma abstração difícil de imaginar. Pelo menos eram, que hoje em dia, felizmente, muitas das nossas crianças já sairam de território português. 
Para um continental, atravessar a fronteira não traz grande novidade. Já para um ilhéu traz um bocadinho de impossível. Para quem vive rodeado de mar, visitar outro país de carro tem sempre um sabor a magia. Nas ilhas, não há autoestradas com placas a anunciar São Miguel ou Graciosa ou Flores. Por mais perto que estejamos, há uma barreira enorme que nos separa. Uma fronteira intransponível. Para a passarmos precisamos de planeamento, de ajuda, de transportes que não são os de todos os dias. Por isso, ainda hoje, quando vejo uma placa a anunciar PORTUGAL ou ESPANHA todo o meu ser ilhéu emerge. Sinto que atravessei um bocadinho de globo. Acho que é daquelas coisas que um continental jamais compreenderá. É estranha, a sensação de estarmos em território português, com gente portuguesa, que fala português, passar um rio e ver gente parecida, mas ler placas em galego e ver pessoas, que podiam ser portuguesas, a falar uma língua que parece a nossa mas não é bem.
Passei uma semana em Pontevedra. E conheci melhor esta região de gente calorosa, que tem muito em comum connosco. Muito mais do que a língua e a literatura que nos unem. Olhamos para as pessoas na rua e julgamos estar em Portugal. 
Pontevedra é uma cidade fresca, com uma atmosfera feliz. Muita água e muita gente. Muitas pessoas a pé, que no centro histórico os carros não são bem-vindos. O meio de transporte é as nossas pernas. E há até mapas que nos indicam quanto tempo levamos para chegar aos lugares. As casas de granito não diferem muito das do nosso Norte. Em Pontevedra (e noutros lugares da Galiza, como Santiago ou Cambados, por exemplo) são adornadas com galerias (marquises?) lindíssimas. Aquilo que normalmente associamos a algo sem graça, meramente utilitário, na Galiza tem um estatuto próprio que, ao invés de desfear, acrescenta beleza.

O gosto dos galegos pela comida é semelhante ao nosso, apesar de muitas das iguarias serem impossíveis de encontrar por cá. As vieiras,  por exemplo, símbolo das peregrinações a Santiago de Compostela. As melhores foram-me servidas num furancho, um conceito que desconhecia, mas que achei absolutamente delicioso. Na Galiza, terra de vinho Albariño, há pessoas que, aos fins de semana, abrem as portas das suas casas e vendem o excedente do vinho que produzem, acompanhado por tapas que elas próprias preparam. Comida caseira, autêntica, regada por vinho sem rótulo, feito com as uvas das redondezas. No furancho que visitei, serviram-nos vieiras, polvo, mexilhões, tortilla, cabrito assado e vinho Albariño, como não podia deixar de ser. Cantaram-se músicas tradicionais e as pessoas das mesas do lado juntaram-se a nós, curiosas com a nossa diversidade. Daquelas experiências que só se têm mesmo pela mão dos locais, parece-me. 


Da Galiza trouxe também livros, como não podia deixar de ser. Estou a ler Que me queres, amor? de Manuel Rivas, um dos escritores maiores daquela região. Comprei-o atraída por um excerto que vi do filme A Língua das Mariposas, adaptado do conto "A lingua das bolboretas", que conta a história de amizade entre um discípulo e o seu mestre, abalada pela guerra civil. Recomendo, ainda que não haja tradução para português. Todos os contos que já li são belíssimos e não é difícil ler em galego. Dá um bocadinho mais de trabalho, mas o esforço vale a pena.
Deixo o trailer do filme, que pretendo ver muito em breve.




A receita que vos trago não é galega (qualquer dia há de aparecer alguma), pois pouco cozinhei desde o meu regresso. É uma receita grega, que já fiz inúmeras vezes. Publicá-la nesta altura pode ser considerado uma heresia. Pimentos e tomates são frutos estivais. E, não obstante o nosso outono estar bem mais ameno do que o normal, há muito que o calendário anunciou o fim da estação do sol e dos banhos de mar. 
Na Galiza, entrei em várias frutarias, à procura dos característicos pimentos padrón (os tais que unos pican y outros non). Nenhuma tinha. Não é a época, diziam-me invariavelmente. Há um respeito muito grande pelas estações. E saquinhos de pimentos com ar artificial como os que vemos nas nossas grandes superfícies não se encontram na Galiza. Tampouco os encontramos em restaurantes nesta altura. Tal como na Grécia não encontramos a típica salada grega a não ser no verão. Se os tomates não estiverem no ponto, doces e vermelhos e sumarentos, mais vale não os usar. 
Ainda assim, arrisco a partilhar esta receita. Uma vez que os tomates e os pimentos são usados mais como recipiente, não creio que a receita perca muito por a fazermos na estação errada. Ainda assim, caso queiram respeitar este preceito, podem guardá-la e testá-la no próximo verão. A minha versão mistura diferentes aspetos das várias receitas que vi. Encontrei versões vegetarianas, com e sem queijo, com carne de vaca, de borrego e com atum. Preferi uma versão sem carne, com feta e passas. Podem ser utilizadas várias ervas diferentes. Usei endro seco, uma erva de que gosto muito e que acho que fica especialmente bem aqui. 

        Pimentos e tomates recheados
(Gemista)


Ingredientes para duas pessoas:
2 tomates grandes 
2 pimentos (evito os verdes, por serem mais difíceis de digerir)
1 cebola média
2 batatas grandes
1 batata doce (opcional - nunca vi na Grécia, mas gosto muito)
2 dentes de alho
3 colheres de sopa de azeite
150 g de arroz
1 dl de vinho branco
1 colher de chá de endro seco (ou orégãos, na falta deste) + um pouco para polvilhar as batatas 
2 dl de água
sal e pimenta a gosto
passas (ou pinhões) e queijo feta (opcional)

Preparação:
Arranjar os tomates e os pimentos: cortar uma tampa em cada um e remover o interior; reservar o interior do tomate e descartar o do pimento. 
Fazer um refogado com a cebola, o alho e o azeite. Juntar a polpa do tomate e o vinho branco. Deixar apurar 5 minutos, em lume brando. Acrescentar o arroz, o endro e 2 dl de água. Deixar cozinhar 10 minutos, em lume brando (o arroz não ficará totalmente cozinhado, mas não há problema, pois o processo de cozedura terminará no forno). Retificar os temperos e juntar o queijo feta e as passas. Rechear os tomates e os pimentos com esta mistura (não deverão ficar totalmente cheios, pois o arroz incha no forno) e colocar a tampa.
Regar uma assadeira com um fio de azeite, colocar os tomates e os pimentos e, à volta destes, dispor as batatas e as batatas doces. Temperar as batatas com sal, pimenta e endro e regar tudo com um fio de azeite. Levar ao forno a 200 graus durante 35 a 40 minutos.


Desejo-vos uma boa semana!


domingo, 14 de outubro de 2018

Todos os dias. E umas espetadas em pau de loureiro.


Todos os dias, notícias devastadoras. As de longe, que passam nas televisões e que lemos nos jornais. E as outras, que chegam de perto. As que vamos sabendo por amigos e conhecidos. Mais um divórcio, mais alguém com uma doença grave, mais um suicídio. E depois ouvimos as pessoas a queixarem-se da vidinha. Da vida de todos os dias. Com mais ou menos argumentos, que quem sou eu para julgar as razões dos outros. Mas, no meio de tudo, a certeza: cada vez mais, há que aproveitar todos os dias. À medida que os anos passam, mais ainda. Não passar a vida à espera. À espera do fim de semana. À espera das férias. À espera do feriado que há de vir. Há que tornar bonitas as coisas de todos os dias. Mesmo que nem sempre o sejam. Fazer o que temos ao nosso alcance para tornar agradáveis os lugares onde permanecemos. Pode ser uma jarra com flores e uma vela no local de trabalho, uma coisa doce partilhada com colegas, uma piada entre trabalho sério e por vezes maçador. Há situações em que é preciso misturar as coisas. Se houver boa disposição, a produção é maior. Penso assim. Nas aulas, o mesmo. Não é por haver música e gargalhadas que os alunos não aprendem. Se calhar aprendem melhor, com mais gosto. E assim não nos arrastamos todos os dias. Deve ser triste, passar cinco dias à espera de dois. E onze meses à espera de um. Tenho tentado encher os meus dias com coisas que me fazem bem. Com aquelas coisas que faço só porque sim, porque apetece, porque limpam a cabeça, porque eliminam a sensação de que se vive  só para o trabalho. Pode ser colher maçãs no jardim ou agarrar nas agulhas esquecidas e recomeçar a tricotar ou beber uma Brianda com os meus pais depois do trabalho ou rir ao telefone com a minha amiga mais antiga e perceber que continuamos iguais ou ir ao cinema com o meu marido ou conversar sobre pequenos nadas com o Manel ou ficar simplesmente a ouvir os meus gatos a ronronar. 
Mesmo que o trabalho seja muito, há sempre tempo livre. O que fazemos com ele é escolha nossa. E eu escolho aproveitá-lo o melhor que posso. Muito dele é passado na cozinha. Ontem, depois de uma caminhada por Angra, seguida de um café acompanhado de conversas sérias e gargalhadas com amigas, cheguei a casa e preparei estas espetadas, inspiradas nas férias da Madeira do ano passado. Se há forma de prolongarmos as nossas viagens é através da comida. Há sempre qualquer coisa que vem connosco. O meu pai deu-me louro e lembrei-me de o usar TODO. O resultado foi uma refeição muito saborosa, bastante elogiada pelos meus rapazes.


Espetadas de vaca 
em pau de loureiro

Ingredientes para três:
3 bifes da alcatra, cortados ao meio, no sentido longitudinal (prefiro assim, em vez dos tradicionais cubos de carne)
6 dentes de alho
sal a gosto
3 folhas de louro grandes, sem o veio central e cortadas em pedacinhos
azeite para regar as espetadas

Preparação:
Com uma faca, aparar os veios dos ramos do loureiro e cortar as pontas, de modo a que fiquem mais aguçadas, logo, mais fáceis de usar.
Num almofariz, esmagar o alho, o sal e o louro. Barrar os bifes com esta pasta e espetá-los nos paus de loureiro, dobrando-os em forma de S (gostava de ser mais precisa, mas foi a melhor descrição que consegui). Regá-los com azeite e grelhá-los, num grelhador a carvão, bem quente, para caramelizarem por fora e ficarem tenros por dentro.
Acompanhei não com os tradicionais fritos de milho madeirenses, mas com batatas assadas e salada verde.





Boa semana! Que seja cheia de pequenos prazeres.

domingo, 7 de outubro de 2018

Sabores de outono: maçã e canela

´

Nunca sinto falta da estação que finda. Ou pelo menos, o sentimento nunca dura muito. Mesmo quando se trata do verão. Aproveito-o até ao fim. Mas recebo sempre com agrado o outono. Antes, dizia que era esta a minha estação preferida. Agora não sei, que com a idade fui-me tornando mais solar. Não importa. Afinal, nem tudo tem de estar rotulado por ordem de preferência. Sei que continuo a gostar muito desta estação de aconchego. Das flores, das primeiras folhas que caem, da primeira noite em que apetece cobertor, de gatos ronronantes, que começam a preferir sofá a jardim. Este ano, uma surpresa: a minha macieira deu fruto. Fui colher, com o Manel, as maçãs pequeninas e pouco doces, pouco  apropriadas a serem comidas ao natural. Entre mais uma compota ou uma tarte, optei pela segunda. Como não queria nada trabalhoso nem pesado - foi feita num dia de semana -, escolhi uma receita básica do livro da Bimby.
Há quem adapte receitas de família à Bimby. Eu costumo fazer o contrário. Adapto receitas da Bimby ao método tradicional, para partilhar com quem não tem a máquina. Algumas valem muito a pena. Esta tarte de maçã é uma delas. Saborosa e muito fácil de fazer, já que não envolve rolo nem tarteiras revestidas a massa. Quanto a mim, falta apenas um pormenor à receita original: canela. Não concebo uma tarte de maçã sem canela. É das minhas combinações preferidas. Aqui está, então, a receita, com as maçãs pequeninas e acres do meu jardim e o toque quente da canela.

Tarte de maçã 

  • 6 maçãs (usei 8, pequeninas)
  • Sumo de 1 limão 
  • 1 ovo 
  • 2 gemas 
  • 150 g açúcar 
  • 130 g manteiga 
  • 170 g farinha 
  • 2,5 colheres de chá de fermento para bolos 
  • 1 pitada de sal 
  • Canela q.b.

Pré-aquecer o forno a 180 graus.
Descascar as maçãs, cortá-las em quartos e de seguida laminá-las finamente sem chegar até abaixo, regar com o sumo do limão, polvilhar com canela a gosto e reservar.
Bater vigorosamente o ovo, as gemas, o açúcar e canela (opcional). Adicionar a manteiga e continuar a bater, até estar  bem incorporada.
Envolver a farinha, o fermento e o sal e a canela, sem bater.
Verter o preparado para uma forma de fundo amovível. Colocar por cima os quartos de maçã laminada, com a parte cortada voltada para cima.
Levar ao forno cerca de 30 minutos (testar a cozedura com um palito). 

Retirar do forno, deixar arrefecer, desenformar e polvilhar com açúcar em pó, através de um passador.

Deixo ainda uma descoberta deste fim de semana. Uma menina talentosa que encantou ontem à noite no AngraJazz, um festival que acontece todos os anos por esta altura em Angra do Heroísmo.


Para terminar, quero pedir desculpa a quem tem deixado comentários e não tem obtido resposta. Não sei o que se passa, mas não consigo responder aos comentários neste blogue. Já andei a ler sobre o assunto, mas não consigo resolver o problema sozinha. Já aconteceu a alguém? Alguém sabe como resolver? Obrigada!

domingo, 30 de setembro de 2018

Ainda os figos. E um bolo invertido a quatro mãos.

As primeiras chuvas do outono anunciam o fim dos figos. Começam a abrir e perdem a doçura. Por isso, creio que este bolo encerrará a época.
No passado domingo, fui aos figos. Não com o meu pai, que costuma tratar de toda a logística necessária: arredar o taipal que dá acesso ao terreno, remover as pedras que impedem a entrada das vacas e outras tarefas que só quem mora no campo e está habituado a ir às terras conhece. No domingo, sabendo da impossibilidade de o meu pai me acompanhar, fiz-me ao caminho, na companhia da minha amiga Lídia, que apareceu para uma visita. Armadas em mulheres confiantes e emancipadas, munimo-nos de baldes, preparadas para os encher de figos. Infelizmente, a colheita não correu como eu esperava. Depois de algumas peripécias que envolvem muros de pedra e arame farpado, que não vos conto por serem demasiado humilhantes, lá fui eu em direção à figueira (com os dois baldes - um para os figos mais maduros e outro para os mais durinhos, destinados a esta conserva). 
O terreno da nossa figueira está arrendado. E o meu pai tinha-me dito que havia lá vacas (ele chama-lhes bezerros, mas com aquele tamanho pareceram-me vacas). Não achei que isso fosse um problema. Passei pelas três anfitriãs, com um balde em cada mão, e dirigi-me à figueira. Comecei a colher. De longe, elas observavam-me. Olhei para elas e segui o meu caminho. Entretanto, começaram a caminhar em direção a mim. Mau! Mas continuei. Não são três vaquinhas inofensivas que me vão intimidar. Continuei a colher figos. Tapei o fundo de um balde. Quando me virei, estavam as três ao pé de mim. Grandes e intimidantes. Tentei decifrar-lhes as intenções. Não consegui, que não tenho muita experiência em psicologia bovina. Aquele olhar seria de meiguice ou de fome ou de quem me ia dar uma marrada? Muito calma e digna, agarrei nos meus baldes, um vazio e o outro com meia dúzia de figos e dirigi-me à estrada. Devagar, Ilídia, devagar, que é melhor. E caminhei calmamente até à Lídia que, quando se apercebeu dos meus receios, desatou a rir de mim, claro. Só depois pensei como havia sido ridícula. A fugir de vacas, como se fossem cães. As desgraçadas, afinal, viram-me com baldes e devem ter pensado que lhes ia dar o jantar. Ainda olhei para a figueira, ao longe. Mas já não voltei lá. Não sei se com medo das vacas, se com vergonha da triste figura que tinha acabado de fazer.



Apesar de tudo, a colheita valeu a pena. A caminho de casa, fomos engendrando um bolo. À receita da massa da Lídia, lembrei-me de juntar extrato de amêndoa, um sabor que vai bem com figo. E se adicionássemos figos picados à massa? O resultado foi este. Um bolo húmido e bem aromático, que foi muito apreciado por todos quantos os provaram e que alegrou uma manhã de segunda-feira na minha escola.


Bolo invertido de figos

Ingredientes:
Para o fundo da forma: 6 a 8 figos + açúcar amarelo q.b.
4 ovos
1 chávena de açúcar amarelo
180 ml de óleo
120 ml de leite
1/2 colher de café de extrato de amêndoa
1 chávena e meia de farinha + 1 colher de sopa (rasa) de fermento para bolos
1 chávena de figos picados

Preparação:
Começar por polvilhar abundantemente o fundo de uma forma (sem buraco e de fundo fixo) com açúcar amarelo. Cortar alguns figos em quartos (deixando-os unidos na base) e colocá-los sobre o açúcar, com a polpa voltada para baixo.
Bater bem ovos com o açúcar.
À parte, bater o óleo, o leite e o extrato de amêndoa.
Noutra taça, misturar a farinha e o fermento. 
Com a batedeira em funcionamento, intercalar a mistura de farinha e fermento com a de óleo e leite, até estar tudo bem incorporado. No fim, adicionar os figos picados. 
Verter tudo na forma e levar ao forno cerca de 35 minutos (fazer o teste do palito para verificar a cozedura).



Uma boa semana de outono!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Acerca de mim

A minha foto
O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.