Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Uma cena de Kill Bill e mais um aniversário

Acabei de deixar o meu filho no colégio. O meu filho de 5 anos. Saiu de casa, com a sua mochila às costas, motivadíssimo, pois, para além de ter uma visita de estudo, faz anos e quer festejar com os amiguinhos. À chegada, vieram ter com ele, dar-lhe abraços e beijinhos de parabéns. 
Há 5 anos, mais ou menos à hora a que escrevo este texto, estava deitada numa cama de hospital. E o filme Kill Bill, de Tarantino, não me saía da cabeça. Pode parecer estranho pensar insistentemente num filme de Tarantino logo depois de ter o meu filho. Quem conhece o realizador sabe que os seus filmes são tudo menos ternurentos e não têm nada a ver com as delícias da maternidade. Antes que me julguem a mãe mais insensível do mundo, explico a razão pela qual este filme estará sempre associado ao nascimento do meu filho: 
O Manel nasceu de cesariana. Assisti ao nascimento, pois levei uma anestesia que me permitiu ficar acordada e conhecer o meu filho mal ele viesse ao mundo. Trouxeram-no ao pé de mim, no seu fatinho verde limão, demasiado grande para os seus 47 cm e 2,975 kg. Aproximaram-no, para que lhe pudesse dar um beijinho, e levaram-no para o quarto, para que o pai e o resto da família o pudessem conhecer. Senti que o arrancavam de mim, sem que eu pudesse fazer nada para o impedir. Tem de ir para o recobro, até passar o efeito da anestesia, informaram-me. Quando sentir as pernas, chame-nos. E começaram a passar, na minha cabeça, imagens da Uma Thurman, depois de um coma prolongado, a tentar mexer os dedos dos pés. E de como se esforçou até conseguir. E eu comecei a visualizar os meus dedos dos pés a mexer. E a visualizar o rosto rosado do meu filho, que eu tanto desejava rever. Não demorei muito até voltar a sentir a parte inferior do corpo. Chamei logo as enfermeiras. Já sinto as pernas. Posso ir ter com o meu filho? Não, não pude. Tive de ficar em observação mais uma hora, que me pareceu anos, até que pudesse ter pela primeira vez o meu filho nos braços.
Hoje, o meu bebé faz 5 anos. À tarde, irei ao colégio, com o pai, levar o bolo que lhe fiz e cantar-lhe os parabéns. E dizer-lhe mais uma vez como estamos felizes e orgulhosos por sermos pais dele.


Para a comemoração no colégio, fiz este bolo e decorei-o com gomas. Espero que os meninos gostem :)


Sábado, 15 de Junho de 2013

Favas escoadas para encerrar a época

No passado sábado, colhi as últimas favas do ano. Na verdade, já deveriam ter sido colhidas há mais tempo. No entanto, devido aos afazeres de final do ano letivo, fui adiando a tarefa. No sábado, decidi fazer uma pausa na correção dos testes e passar a tarde na horta. Sempre gratificante, a tarefa de colher aquilo que semeámos, enquanto ouço o zumbido das abelhas nas flores, o piar dos pássaros e, ao longe,  uma música velhinha de Bruce Springsteen, vinda de uma casa vizinha.
O destino de favas grandes e duras só poderia ser um: favas escoadas, um prato muito nosso, presente em muitas mesas de festa nesta altura do ano. Tradicionalmente, quando se faziam piqueniques, numa época anterior às geleiras, as favas escoadas eram  transportadas em cestos de vime, forrados com fetos, para que se mantivessem frescas até ao local de destino. As minhas favas não foram feitas para um piquenique. Serviram de entrada no primeiro churrasco do ano. No entanto, lembrei-me deste hábito antigo e fui colher fetos, com os quais forrei o prato em que servi as favas. Para além de ter gostado de ver esta planta na mesa, o que não é nada habitual, acho que as favas ficaram com uma frescura e um cheiro diferentes devido a este ingrediente extra.



Favas escoadas:
Favas (cerca de 1,5 kg)
sal q.b.
Água para cozer as favas

Molho de unhas:
(desconheço a origem do nome, mas é assim que Augusto Gomes lhe chama, no livro Cozinha Tradicional da Ilha Terceira)
1 cebola grande, picada
4 ou 5 dentes de alho, picados
1 ramo de salsa, picada
azeite q.b. (cerca de 1 dl, ou mais, se gostar das favas com mais molho
vinagre q.b. (4 ou 5 colheres de sopa)

Coza as favas, em água temperada com sal. Quando estiverem cozidas (cuidado para não cozerem demasiado, pois desfazer-se-ão, quando misturar o molho), escoe a água. 
Faça o molho, misturando todos os ingredientes, e envolva-o nas favas.
Forre um recipiente com fetos e coloque nele as favas. Sirva este petisco com vinho branco ou com cerveja bem fresquinha (a minha escolha).

Nota: Faço sempre estas receitas tradicionais a olho, provando, acrescentando, retificando os ingredientes, de acordo com o meu gosto ou com o daqueles a quem vou dando a provar aquilo que faço.

Domingo, 9 de Junho de 2013

Olhar

Quando fiz o curso de fotografia, em 2011, li alguns artigos sobre o tema. Artigos técnicos, sobre velocidade, abertura, ISO e outros termos importantes para quem quer fotografias com bom ar.  E li algumas coisas sobre composição e visitei muitas páginas de fotógrafos, profissionais ou amadores talentosos. E percebi que a qualidade de uma fotografia passa muito pela intuição do fotógrafo. E uma das coisas que verifiquei, mais tarde, já de câmara na mão, foi que através da lente se vê o mundo com outros olhos. Com uma máquina nas mãos, procura-se beleza. Não a beleza óbvia, aquela que todos vemos a olho nu. Com a câmara procura-se a beleza escondida. Aquela que ninguém vê. Aquela que tem de ser desvendada. Com uma câmara na mão, aquilo que [vemos] a cada momento/ É aquilo que nunca antes [tínhamos] visto. É como se aprendêssemos a saber ter o pasmo essencial/ Que tem uma criança se, ao nascer,/ Reparasse que nascera deveras...*
Entretanto, devido à minha assumida tendência para a dispersão (sou capaz de passar uma tarde na horta ou na cozinha, ou um dia no sofá, agarrada a um livro ou numa maratona de cinema ou séries, ou um serão na conversa com amigos...), tenho aprofundado pouco aquilo que aprendi, confesso. Umas fotografias a comida, aos meus homens, à horta, a um ou outro momento que me despertou especial interesse e pouco mais. 
Ontem, a meio das minhas tarefas domésticas, olhei pela janela, para a horta. E vi o meu pai, num momento de descanso, com o Manel no colo, trajado de spider-man. Fiquei uns momentos a observá-los. Comoveu-me aquele momento especial entre avô e neto. Há momentos que apetece congelar, de tão especiais. Fui buscar a máquina. E fotografei-os, ao longe. Acabei o que andava a fazer e fui ter com eles. E percebi que estavam a ver as abelhas a recolher o pólen das flores e que o meu pai estava a explicar ao Manel como se fazia o mel. E eu pensei que a felicidade era aquilo. A voz enternecida do meu pai, derretido com as perguntas curiosas do neto, e a vozinha infantil do meu filho, a descobrir mais um bocadinho do mundo. Inspirada, fotografei a horta e o jardim, que, neste momento, não está nos seus melhores dias. E percebi que pode haver beleza numa relva a precisar de manutenção. Que nem só uma relva verde imaculadamente cortada é bela. Vi beleza nas flores silvestres, que nascem no meio das ervas que ninguém quer. E nas cebolas, ainda na terra. E num pé de açaflor que nasceu espontaneamente, depois de ter ficado escondido todo o inverno, à espera de se mostrar. E enquanto colhia as últimas favas do ano, ia espreitando as ervilhas, já em flor. A beleza anda por aí. Nós só temos de a saber ver. 





* Versos do poema "O meu olhar é nítido como um girassol", de Alberto Caeiro

Com as favas que colhi e descasquei, com a ajuda do Manel, enquanto o pai, ao nosso lado, se dedicava ao bricolage, fiz umas favas escoadas, cuja receita aparecerá por aqui um dia destes.

Quinta-feira, 6 de Junho de 2013

Uma receita de peixe e uma espécie de "pesto" de favas

Cá em casa, o peixe de eleição é o salmão. Pelo menos, é o mais consensual. Eu, no entanto, apreciadora de peixe, gosto de ir variando as espécies. Não são raras as vezes em que grelho salmão para os meus rapazes e um peixe diferente para mim (cântaro, boca negra, robalo, dourada...). 
Há dias, vi estes sargos na peixaria. Comprei-os, sem fazer a mínima ideia de como os ia confecionar. Fiz umas pesquisas e, inspirada pelo que vi, acabei por assar o peixe à minha maneira, com os ingredientes que tinha à mão: um raminho de orégãos, massa de malagueta, muito alho e azeite. Para acompanhamento, umas batatas cozidas, envoltas em "pesto" de favas. Uma refeição saudável e muito, muito saborosa. 
Sargos assados com alhos e orégãos
2 sargos
1 raminho de orégãos frescos
massa de malagueta q.b.
6 dentes de alho, esmagados
sal
azeite


Fazem-se uns cortes nos peixes e temperam-se com sal, massa de malagueta, orégãos e os alhos, esfregando-os bem (deve fazer-se o possível por introduzir os temperos nos cortes e na barriga, para que o sabor se entranhe na carne). Regam-se com azeite e levam-se ao forno a 220 graus, numa assadeira coberta com papel de alumínio, no qual se fazem uns furinhos, durante cerca de 30 minutos. Se desejar, passados 20 minutos, retire o papel de alumínio, para que os peixes ganhem alguma cor. 

"Pesto" de favas

1 kg de favas (pesadas com as vagens)
50 g de queijo da ilha, ralado
sumo de limão q.b.
hortelã-pimenta ou hortelã q.b.
1 dl de azeite

Tirar as favas das vagens e cozê-las (a partir do momento em que a água começar a ferver, contar 3 a 4 minutos, para que não fiquem muito moles). Escorrê-las e colocá-las numa tigela de água gelada, para parar a cozedura. Retirar a pele e triturar (na bimby ou noutro robot de cozinha - pode picar de forma mais ou menos grosseira, dependendo do gosto). Adicionar o queijo, o sumo de limão e a hortelã pimenta. Misturar o azeite, em fio, batendo sempre, até obter uma pasta de consistência cremosa. Guardar o molho num frasco esterilizado. Pode usá-lo para barrar o pão, com massas ou batatas cozidas ou como a sua imaginação ditar.


Domingo, 2 de Junho de 2013

Sempre vivas

Nesta altura, as energias desaparecem. E com elas vai a inspiração. Depois de um dia de trabalho, na escola e em casa, a vontade de fotografar comida é pouca. A vontade de testar receitas diferentes também. Custa ligar o computador e escrever um texto. Ando assim, ultimamente. E tenho respeitado o meu ritmo. 
Ontem voltei à Biofontinhas. No saco, mais algumas preciosidades, que aparecerão por aqui um dia destes (mais acelgas coloridas e ervilhas tortas roxas, cuja existência desconhecia). Nas mãos, um arco-íris de flores que me fez quebrar o silêncio. Tinha de as fotografar e de as deixar aqui. Cheguei a casa e coloquei as flores sempre vivas no morango que herdei da minha avó. O morango que costumava estar na cozinha dela embelezou a nossa mesa de jantar, juntamente com as flores. Sempre vivas, tais como as memórias da minha avó. Hoje, ficam aqui, a enfeitar o blogue. E continuarão a embelezar a casa, já que não morrem. Sempre vivas, sempre belas. Obrigada, Maria João.


Fica também a receita da minha manteiga aromatizada. Ultimamente, tenho feito sempre esta versão, que faz furor entre todos quantos a provam.

Manteiga aromatizada com orégãos e alho
Bater dois pacotes de natas (usei 1 saco de 500 ml da marca açoriana Pronicol), até que a gordura e o soro se separem. Pôr a manteiga num passador e passá-la por bastante água corrente. Juntar orégãos frescos e 4 dentes de alho, picados, e temperar com flor de sal e 1 colher de café de paprika fumada La Chinata. Fazer um rolo, com película aderente, e levar ao frigorífico.

Domingo, 26 de Maio de 2013

Um risotto de acelgas e um novo membro na família

Temos, desde a passada sexta-feira, um novo habitante cá em casa: um floco de neve orelhudo chamado Serafim. O Manuel está radiante e, para ser sincera, eu não estou menos :) Conservo um lado muito infantil, que se manifesta quando vejo animais fofinhos :) Já tem casa, feita pelo meu pai, e parece estar feliz. Antes de o adotarmos, tivemos uma conversa séria com o Manel, que se comprometeu a dar-lhe comida e a tratar da higiene. Esperemos que esteja à altura desta responsabilidade. Por enquanto, tem sido um dono exemplar. Está sempre a verificar se o coelhinho tem comida e água e se a casota está limpa. Esperemos que assim se mantenha.



O Serafim mora mesmo em frente à nossa cozinha, ao lado da estrelícia gigante, e adora correr pelo jardim, aos saltinhos. Sabe bem ter mais esta companhia enquanto faço o jantar. Enquanto mexia este risotto, ele jantava uma folha de alface que lhe déramos uns minutos antes. 

Risotto de acelgas coloridas com açaflor


1 cebola grande
2 dentes de alho
2 dl de vinho branco
1 litro de caldo de legumes
1 colher de café de açaflor (ou açafrão)
350 g de arroz para risotto
3 folhas de acelga (usei uma amarela, uma rosa e uma vermelha - obrigada, Avelino;), cortadas grosseiramente.
1 colher de sopa de manteiga aromatizada com ervas (receita aqui)
30 g de azeite
50 g de parmesão ralado
sal e pimenta q.b.

Refogar a cebola e o alho, picados, no azeite. Juntar o arroz e mexer. Acrescentar o vinho branco e continuar a mexer. Quando o álcool tiver evaporado, adicionar os caules das acelgas, cortados em pedaços pequenos. Temperar com sal e pimenta e continuar a mexer, delicadamente. Aos poucos, acrescentar caldo de legumes, ao qual se adicionou uma colher de café de açaflor, mexendo sempre (deverá manter o caldo em lume brando, para que não arrefeça). Esperar que o arroz absorva todo o caldo, antes de acrescentar mais. Continuar esta operação, até que o arroz esteja cozido al dente (quando o estiver quase cozido, junte as folhas de acelgas, que cozerão em pouco tempo, e continue a acrescentar o caldo, como anteriormente). Retificar os temperos e, já com o fogão apagado, acrescentar a manteiga e o queijo, envolvendo bem. Servir de imediato, como acompanhamento ou como prato principal.

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Um bolo de limão e amêndoa para satisfazer um desejo

Cá em casa, não se fazem bolos todos os fins de semana. Fazem-se às vezes, se apetece muito ou se há convidados. 
Nos Açores, o passado fim de semana foi prolongado. Na segunda-feira, foi feriado regional, o dia da autonomia, o que alongou o fim de semana. No domingo, acordei com vontade de acender o forno. Como sabia que ia ter amigos para o jantar, que comeriam de bom grado uma fatia de bolo, decidi satisfazer essa vontade. Na fruteira, alguns limões grandes e amarelos, a pedir para serem transformados em algo bom. Abri o livro Prazeres Divinos, da Nigella Lawson, e encontrei este bolo, que me pareceu ir ao encontro dos meus desejos. Não me enganei. O paladar rico da amêndoa combina na perfeição com a acidez do limão. Resultado: um bolo harmonioso, muito bom, quer comido simples, quer com uma bola do meu gelado de pistácio, como alguns o preferiram. 
No dia seguinte, uma vista de olhos aos blogues do costume disse-me que na véspera se tinha comemorado o World Baking Day, um dia dedicado a estas lides das farinhas, das massas, das formas e do forno aceso. Sem saber, comemorei o dia com um bolo bem especial.

 Ingredientes:
225 g de manteiga 
225 g de açúcar
4 ovos grandes
50 g de farinha
225 g de amêndoa ralada
1/2 colher de chá de extrato de amêndoa
Sumo de um limão (de dois, na receita original) e raspa de dois

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Bata a manteiga com o açúcar, até a mistura ficar quase branca. Junte os ovos, um de cada vez, e um quarto da farinha a cada adição. Quando todos os ovos e farinha estiverem incorporados, envolva suavemente a amêndoa ralada, depois o extrato de amêndoa, a raspa e o sumo de limão. Verta a mistura na forma e leve ao forno cerca de 1 hora. 
Se o bolo começar a ficar com um aspeto dourado muito rapidamente, cubra-o com papel de alumínio, pois não é suposto ter uma aparência crestada. O bolo está pronto quando o topo está firme e quando, ao enfiar um palito, este sai quase seco. A intenção é ficar húmido, não cru.  
Retire o bolo e deixe-o repousar na forma cerca de 5 minutos. Depois, desenforme-o em cima de uma grelha e deixe arrefecer. Polvilhe-o com açúcar confeiteiro.
 


Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Uma tarde ao ar livre e uma torta de bacalhau

Sabem bem dias assim. Dias sem horas marcadas, em que há tempo para tudo. Umas páginas do livro do momento, ainda antes do pequeno-almoço. Panquecas e café quentinho. Almoço improvisado, mas saboroso. A seguir, uma tarde no exterior. 
Uma tarde bonita, primaveril. Já não era sem tempo. Analisaram-se os estragos do inverno. A minha verbena foi bastante fustigada. Foi hoje* o dia de a podar. Com a ajuda preciosa do Manel, que apanhou os ramos secos e que se sentiu muito importante por isso.


Depois de tratar do jardim, fomos para a horta, onde nos esperava o meu pai. Andei a fotografar as verduras. Nesta altura, quase as vemos crescer, diante dos nossos olhos. Muito generosa, a natureza, nesta época do ano.

                                                                                         ervilhas

                                                                                                           couves de bruxelas, ainda bebés

Fotografámos ainda o nosso novo hóspede. Lembram-se deste post? Um dos maios expostos no dia 1 foi oferecido ao meu pai, por um amigo, para servir de espantalho na nossa horta. Está cá em casa desde a semana passada e tem cumprido bem a sua função. Nunca mais os pássaros comeram as ervilhas :)

Apesar de não se aproximarem dos canteiros, com medo do espantalho, os pássaros continuam a habitar as árvores. Encontrámos um ninho, alojado numa faia. O Manuel veio chamar-me, entusiasmadíssimo. Ó mãe, tens de falar baixinho, para não assustares os passarinhos. Eles são bebés, têm medo! Com cuidado, fotografámo-lo, mesmo antes de a mãe regressar para alimentar os filhotes.


Dali a pouco, vimos a mãe voar, até ao ninho. O Manel supôs logo que fosse levar comida aos filhotes. A tarde na horta prolongou-se, enquanto houve sol. Chegámos a casa cansados, mas felizes. Depois de um banho, fiz o jantar. Uma torta de bacalhau, receita da minha amiga Lídia. Deixo-vos a foto. A receita pode ser consultada no Receitas ao Desafio

* Sábado, dia em que este texto foi escrito.


                  A vista da cozinha para o meu adorado Pico do Capitão :)

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Um gelado de pistácio enquanto a primavera não chega

Por cá, os dias continuam pouco primaveris. Se de manhã há sol, a tarde traz nuvens cinzentas e chuviscos. Se nos encasacamos para ir trabalhar, arriscamo-nos a passar calor todo o dia. Se escolhemos uma indumentrária mais fresca, arrependemo-nos mal saimos de casa. Enquanto esperamos que o tempo se decida, vamos aproveitando o melhor das duas estações: gelados à tarde e lareira à noite.

Ingredientes:
150 g de pistácios (com a casca)
250 ml de natas gordas
175 g de açúcar amarelo
600 ml de leite (usei meio gordo)
1 pitada de sal
1/2 colher de café de extrato de amêndoa
4 gemas
corante alimentar verde (facultativo) 


Preparação:
Descasque os pistácios, toste-os ligeiramente numa frigideira e, num robot de cozinha, triture-os, até ficarem em pó.
Num tacho médio, misture o leite, as natas, o açúcar e o sal. Deixe ferver em lume médio, mexendo durante 5 minutos, ou até o açúcar se dissolver e a mistura estar quente. Tire do lume e adicione os pistácios, misturando com uma vara de arames, até estar bem ligado.
Bata ligeiramente as gemas numa taça média. Adicione gradualmente, batendo, 240 ml do creme de leite e os pistácios. Junte esta mistura ao restante creme, reduza o lume para médio-baixo e deixe cozer, mexendo, até que o creme engrosse o suficiente e se agarre à colher (75 a 80 graus). Não deixe ferver, pois as gemas podem coalhar. Passe o creme, através de um coador, para uma taça (se desejar um gelado mais rústico, pode saltar este passo). Tape e meta no frigorífico até estar muito frio, pelo menos 6 horas ou 2 dias no máximo. Adicione o extrato de amêndoa e, se desejar, umas gotinhas de corante alimentar verde.
Deite o creme no recipiente de uma máquina de gelados e congele, segundo as instruções do fabricante. * Passe o gelado para um recipiente com tampa e congele até que esteja suficientemente firme para servir com uma colher de gelado, pelo menos 3 horas ou de um dia para o outro.

* Caso não tenha máquina de gelados, leve ao congelador e, de vez em quando, bata com a batedeira. Quantas mais vezes o fizer, mais cremoso ficará o gelado.

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Um clássico cá de casa: peitos de frango pizzaiola

Às vezes, são os pratos que mais se repetem, e que mais agradam, que vão ficando para trás nos rascunhos do blogue. Já fotografei este prato muitas vezes, mas nunca o publiquei. Ou porque achei que já toda a gente o conhece, ou porque está no livro base da Bimby e todos os que têm a máquina têm a receita, ou simplesmente porque vou testando outras receitas que julgo (talvez erradamente) terem mais valor e que acabam por se sobrepor a esta na altura da publicação. 
Apesar de esta ser uma receita Bimby, publico-a a pensar não em quem tem a máquina (basta abrir o livro na página 111 ou lá perto, dependendo da edição), mas naqueles que não a têm e podem confecionar a receita na mesma, no fogão. Aqueles que odeiam a Bimby (nunca vi uma máquina gerar tantos odiozinhos de estimação), e que só por isso desconfiam da qualidade da receita, podem esperar pelo próximo post ou passar ao blogue seguinte. Pareceu-me que esta receita merecia ser partilhada. É fácil de fazer, tem um sabor agradável a pizza e sabe muito bem no dia seguinte, pois o molho vai ficando cada vez mais apurado. Uma receita perfeita para fazer na véspera e guardar para o almoço do outro dia. Espero que gostem e que a testem. Com ou sem Bimby.

  
Ingredientes para 6 pessoas:
200 g de queijo flamengo (costumo usar mozzarella), ralado
3 colheres de sopa de azeite
1 cebola, picada
2 dentes de alho, picados 
800 g de peitos de frango (cortados em bifes finos e pequenos)
sal e pimenta q.b.
600 g de tomate em pedaços (costumo usar de lata)
1 caldo de legumes (nunca uso)
1 colher de chá de açúcar

Preparação:
Coza o frango, num recipiente de cozinhar a vapor (caso não tenha, pode cozinhá-lo em água temperada com sal).
Faça um refogado com os alhos, a cebola e o azeite. Adicione o tomate, o açúcar e o caldo, tempere com sal e pimenta e deixe apurar, em lume brando, cerca de 25 minutos.
Coloque o frango num pirex, cubra com o queijo ralado, o molho de tomate e polvilhe com orégãos. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus, cerca de 15 minutos para gratinar.
Acompanhe com arroz branco e salada verde.



Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Lasanha de três queijos e legumes para um jantar de sábado

O passado fim de semana foi caseiro. Um sábado dedicado às coisas da casa. Horta e cozinha. Um dia para aquelas receitas que exigem tempo e dedicação. Um clássico cá de casa, que ainda não tinha tido honras de post. Massa caseira, estendida com tempo, enquanto ouvia canções velhinhas de David Bowie. Uma refeição vegetariana que soube bem, em mais um fim de tarde chuvoso.

Ingredientes: 
1 embalagem de massa para lasanha (se optarem por fresca, podem consultar a receita aqui);
400 g de queijo mozzarella
100 g de parmesão
350 g de queijo ricotta (usei requeijão) 

200 g de espinafres
5 dentes de alho
200 g de cogumelos frescos laminados
1 beringela, cortada em rodelas de aproximadamente ½ cm
2 colheres (de sopa) de azeite
Sal e pimenta q.b..



Ingredientes para o molho de tomate:
4 dentes de alho
2 colheres de azeite
1 lata grande (780 g) de tomate pelado
Sal, pimenta, açúcar e orégãos q.b..



Preparação:
Ralar os queijos, com o auxílio de um robot de cozinha. Com um garfo, esmagar o requeijão. 
Numa tigela grande, misturar os queijos e os espinafres. Reservar.
Num wok ou frigideira, saltear os alhos no azeite e adicionar os cogumelos e as beringelas. Temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar alguns minutos, até que aparentem ter uma consistência mole. Reservar.
Montar a lasanha pela seguinte ordem: massa, mistura de queijos e espinafres, mistura de legumes. Repetir as camadas, terminando com uma de massa.


Preparação do molho de tomate:
Fritar ligeiramente os alhos no azeite. Acrescentar o tomate, temperar com sal, pimenta e açúcar a gosto e deixar cozinhar cerca de 15 minutos, em lume brando. No fim, passar a varinha mágica (pode triturar completamente ou deixar alguns pedacinhos).
Cobrir a lasanha com o molho, polvilhar com orégãos e levar ao forno a 200 graus, durante aproximadamente 30 minutos.

Domingo, 5 de Maio de 2013

Um gelado de chocolate para o Manuel

Estou, neste momento, sentada com o meu filho a ver O Rei Leão. Porque ser mãe também é ver os filmes dele, conhecer os heróis dele, os gostos dele. Ser mãe é ajudá-lo a vestir a fantasia do Spider-Man (durante todo o ano) e jogar com ele Super Mario Kart na Wii. Ser mãe é fazer-lhe a vontade e parar no parque infantil e enterrar os saltos finos dos sapatos na terra. Ser mãe é dar-lhe muitos beijos e muitos abraços e repreendê-lo quando faz asneiras. Ser mãe é derreter-me quando me pede que pinte os lábios de vermelho, quando me diz que cheiro bem e que estou linda. Ser mãe é fazer-lhe um gelado de chocolate, mas também é recusar-lhe guloseimas quando acho que está a exagerar. Ser mãe é protegê-lo, mas dar-lhe espaço para crescer, sem que se sinta sufocado. E sentir saudades dele a meio do dia e ouvir a sua voz a dizer gosto muito de ti e não ver a hora de o ir buscar ao colégio e vê-lo a correr para mim, de braços abertos. Ser mãe é ficar imensamente feliz quando me oferece um presente feito por ele e me pergunta está giro, mãe? Gostaste muito, mãe? 

Gelado de chocolate
 

 Ingredientes (para cerca de 1 litro):
600 ml de leite (usei meio gordo)
240 ml de natas gordas
175 g de açúcar
1 pitada de sal
5 colheres de sopa de chocolate negro, cortado fino (triturei na Bimby, até ficar em pó)
4 gemas
1 1/2 de essência de baunilha


Preparação:
Num tacho médio, misture o leite, as natas, o açúcar e o sal. Deixe ferver em lume médio, mexendo durante 5 minutos, ou até o açúcar dissolver e a mistura estar quente. Tire do lume e adicione o chocolate em pó, batendo até estar bem ligado.
Bata ligeiramente as gemas numa taça média. Adicione gradualmente, batendo, 240 ml do creme de chocolate quente. Adicione a mistura de gemas ao creme de chocolate restante no tacho, reduza o lume para médio-baixo, coza, mexendo, até que o creme engrosse o suficiente e se agarre à colher (75 a 80 graus). Não deixe ferver senão as gemas coalham. Passe o creme através de um coador para uma taça. Tape e meta no frigorífico até estar muito frio, pelo menos 6 horas ou 2 dias no máximo. Adicione a essência de baunilha.
Deite o creme no recipiente de uma máquina de gelados e congele, segundo as instruções do fabricante. * Passe o gelado para um recipiente com tampa e congele até que esteja suficientemente firme para servir com uma colher de gelado, pelo menos 3 horas ou de um dia para o outro.

* Caso não tenha máquina de gelados, leve ao congelador e, de vez em quando, bata com a batedeira. Quantas mais vezes o fizer, mais cremoso ficará o gelado.


Fonte: Gelados e sobremesas geladas, Peggy Fallon, Editora Civilização

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Duas receitas para um piquenique

Depois do dia bonito e primaveril de ontem, o inverno voltou. Estou, neste momento, à lareira, enroscada numa manta quentinha. Quase me custa a acreditar que as fotografias do post anterior foram tiradas ontem. Ouço o vento lá fora a soprar com vontade e penso que estou farta de casacos de lã. Tenho saudades de jantares no jardim, de dias na praia e de tardes na esplanada. Quero usar sandálias e vestidos de verão. Acho que, depois do rigor deste inverno, não volto a ver esta estação com os mesmos olhos. Foi demasiado de tudo, este inverno. Demasiado vento, demasiada chuva, demasiadas tempestades. Foi um inverno triste. E os tons baços dos dias refletiram-se nos humores. Se, num dia de sol, tudo parece ter solução, num dia cinzento, o mais pequeno obstáculo parece instransponível. E por mais que a razão nos diga que estamos assim por causa do tempo, que não temos motivos para tristezas, a falta de serotonina torna-nos irritadiças e cabisbaixas. 
Mas vou-me deixar de lamúrias, até porque as duas receitas que vos trago não combinam com dias tristes e cinzentos. Combinam com toalhas coloridas, cestas de vime, paisagens verdejantes, crianças a correr e passarinhos a debicar migalhas de bolo. 

Trança tricolor

200 g de leite
10 g de azeite
40 g de manteiga 
2 colheres de chá de sal
25 g de fermento de padeiro
500 g de farinha T 65
1 ovo grande
30 g de queijo da ilha, em pedaços
20 g de ervas aromáticas frescas (usei salsa, tomilho e orégãos) + 2 dentes de alho
1 pedacinho de chouriço (cerca de 10 cm)
1 gema de ovo para pincelar

Preparação na Bimby:
Coloque no copo o leite, o azeite, a manteiga, o sal, o açúcar e o fermento e programe 1,30 min/ 37 graus/ velocidade 3.
Adicione 250 g de farinha e o ovo e misture 5 segundos/ velocidade 4. Adicione 250 g de farinha e amasse 2 minutos/ velocidade espiga. Retire para um tabuleiro polvilhado com farinha e deixe levedar num local morno cerca de 30 minutos. 
Após este tempo, pré-aqueça o forno a 180 graus.
Numa superfície polvilhada com farinha, e com a ajuda da espátula, divida a massa em três partes iguais. Estenda cada uma no formato de um quadrado.
Coloque o copo no queijo e dê três golpes de turbo. Proceda do mesmo modo com o chouriço. Pique as ervas e o alho 5 segundos/ velocidade 5. Sobre um dos quadrados, coloque o queijo; sobre o outro, o chouriço; sobre o último, a mistura de ervas e alho. Enrole cada quadrado, de modo a formar um rolo e entrelace-os, formando uma trança.
Coloque num tabuleiro, forrado com papel vegetal, pincele com a gema e leve ao forno cerca de 35 a 40 minutos (se a trança começar a tostar demais, cubra-a com papel de alumínio).

Preparação tradicional (não testada):
Aqueça um pouco o leite (até estar morno) e desfaça nele o fermento. Acrescente o azeite, a manteiga, o sal e o ovo.
Coloque a farinha numa superfície plana e abra uma cavidade no centro. Junte a mistura anterior e envolva, até obter uma massa homogéna. Amasse bem, até obter uma massa elástica.
Retire para um tabuleiro polvilhado com farinha e deixe levedar num local morno cerca de 30 minutos. 
Após este tempo, pré-aqueça o forno a 180 graus.
Numa superfície polvilhada com farinha, e com a ajuda da espátula, divida a massa em três partes iguais. Estenda cada uma no formato de um quadrado.
Rale o queijo, moa o chouriço e pique as ervas, juntamente com o alho. 
Sobre um dos quadrados, coloque o queijo; sobre o outro, o chouriço; sobre o último, a mistura de ervas e alho. Enrole cada quadrado, de modo a formar um rolo e entrelace-os, formando uma trança.
Coloque num tabuleiro, forrado com papel vegetal, pincele com a gema e leve ao forno cerca de 35 a 40 minutos (se a trança começar a tostar demais, cubra-a com papel de alumínio). 

Fonte: Adaptado de Bimby - Momentos de Partilha, Julho de 2012

No Receitas ao Desafio, podem encontrar uma receita de muffins salgados. Fica a foto.


Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Maio

No dia 1 de maio, a Terceira sai de casa. É assim todos os anos. Os terceirenses, sedentos de primavera, tiram o pó às cestas, preparam o farnel e vão à procura de azul e de verde. Neste dia, abre oficialmente a época dos piqueniques, das touradas, da animação. A população distribui-se pelos vários lugares de lazer espalhados pela ilha. Há quem rume ao interior, à procura dos toiros. Há quem, como nós, não ligue à festa brava e fique mais pelo litoral.
Elegemos a Serreta como destino, a localidade mais afastada da nossa casa, o que nos obrigou a percorrer de carro a parte sul da ilha. E neste dia, passear pela ilha tem mais encanto do que é habitual. Enquanto debruamos a costa, somos presenteados com os tradicionais maios, uma tradição nossa bem popular. Neste dia, constroem-se bonecos de pano e encenam-se episódios do quotidiano ou de cariz satírico. Seguindo a máxima Ridendo castigat mores*, tecem-se críticas mordazes ao governo e à situação difícil em que o país se encontra. 
Na foto abaixo, um grupo de maios, no Porto Martins, de malas feitas, à procura de melhores condições de vida. A acompanhá-los, um cartaz que diz irem a mando do Primeiro Ministro.



Na foto que se segue, já na Serreta, a recriação de uma tourada à corda. Um toiro ferocíssimo, que deixou o capinha em muito mau estado :)


Depois de apreciarmos esta forma de arte popular, passámos a tarde na Mata da Serreta, um dos lugares mais mágicos da ilha. Um lugar muito verde, com árvores que parecem tocar no céu, com tapetes fofos a cobrir o chão. Um lugar que nos faz voltar a ser crianças e a sonhar com fadas e duendes. Um lugar que apetece explorar e fotografar muito.
Calcorreámos a mata, fotografámos, andámos de baloiços, encontrámos um tesouro e visitámos a antiga estalagem, outrora albergue de famosos e hoje abandonada e habitada por morcegos. Comigo, trouxe muitos pedacinhos da Mata da Serreta. E muito cansaço. Mas aquele cansaço bom, de querer mais. 


* A rir se criticam os costumes.





 




 Amanhã passo por aqui para deixar as receitas das iguarias que fiz para o piquenique.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Instruir ou entreter?

 
Como qualquer criança, vi filmes infantis. Os meus pais costumavam alugar no clube de vídeo os clássicos da Disney. Depois de adulta, creio que o primeiro filme de animação que vi foi Shrek (o primeiro). Depois de o meu marido ter insistido, fomos vê-lo ao cinema. E tive de dar a mão à palmatória. Gostei muito. Um filme bem feito, com piadas inteligentes, dirigidas a vários tipos de público. Uma mensagem forte, imagens belíssimas. Um filme muito completo, na minha opinião. Depois desse, vi mais alguns, uns melhores do que outros, uns mais instrutivos do que outros. Nos últimos tempos, tenho visto imensos. Clássicos e outros mais recentes. Tenho um filho de quatro anos e, como tal, vou acompanhando aquilo que vê.
Ontem, fomos ao cinema ver The Croods. Antes de sairmos, mostrei o trailer ao Manel e expliquei-lhe que era um filme sobre homens das cavernas. O que é um homem das cadernas?, perguntou-me. E eu, depois de o ter corrigido, expliquei-lhe, o melhor que pude. E ele escutou-me, com atenção e interesse. E disse-lhe: Mas vais perceber melhor quando vires o filme. Enganei-me. Apesar de ter como personagens uma família de homens das cavernas, o filme pouco ou nada ensina. Muitas perseguições (é certo que conseguir comida não devia ser fácil naqueles tempos, mas não era preciso mais de meio filme para os petizes perceberem isso). Um jovem que descobre o fogo, uma descoberta pouco explorada, na minha opinião. Piadas fáceis, com pedradas na cabeça, quedas aparatosas e outras peripécias do género. Uma mensagem final com algum interesse. E muitos cenários lindíssimos e exóticos, feitos para explorar o 3D.
Não acho que o cinema deva ter como objetivo exclusivo instruir. Não vejo nenhum crime no cinema de entretenimento. Também não sou contra imagens em 3 dimensões. Considero, porém, que, sempre que possível, se devem aliar as várias vertentes. E quando o público-alvo é o infantil, creio que a preocupação de ensinar deve ser ainda maior. Hoje em dia, parece haver o medo de que, se o filme estimular os neurónios, as criancinhas se desinteressem. E é pena, pois o cinema pode ser uma ferramenta de grande utilidade para ensinar. Os poucos conhecimentos acerca da mitologia clássica que muitos dos meus alunos têm quando chegam ao 7º ano chegaram-lhes através do Hércules. 
O meu filho gostou do filme e fiquei feliz por isso. Todavia, creio que teria gostado na mesma se, para além das perseguições e quedas, o filme tivesse explorado um pouco mais a vertente histórica. Seria bom que parassem de tratar as crianças como umas coitadinhas, que não são capazes de entender uma piada um pouco mais complexa. Ou que não vão apreciar um filme que exija um bocadinho de raciocínio. Afinal, o Manel chegou a casa com os mesmos conhecimentos acerca dos homens das cavernas com que saiu: aqueles que eu lhe ensinara.

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Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.