domingo, 26 de Outubro de 2014

Meia-estação

É o nome que se dá às estações intermédias. Por serem amenas, sem excessos, chamam-lhes meia-estação. Daí as indecisões próprias destas alturas. Não sabemos bem o que vestir nem o que calçar. Será que é muito quente? Será que vou ter frio? E as dúvidas estendem-se à cozinha. Já apetece o aconchego de um forno aceso, mas ainda está calor. Ando nisto, ultimamente. 
Ontem, o sábado foi praticamente de verão. Não fossem as folhas que já atapetam o jardim, as castanhas que caem das árvores e o sol que se deita mais cedo, acreditaria estarmos, não digo em agosto, mas em setembro. Tinha decidido fazer uma tarte de abóbora, ao estilo americano. Já tinha a receita escolhida e tudo. Mas com o sol que brilhou todo o dia, não me apeteceu uma tarte de forno. Apeteceu-me uma sobremesa fresca, não tanto como esta, mas com uma frescura mais de verão que de outono. Agora que penso nisso, já é uma tendência minha usar abóbora em pratos que são mais de verão que de outono. Receitas de transição. Desta vez, foi cheesecake.

Cheesecake de abóbora


Ingredientes para a base: 
200 g de bolachas de chocolate (usei Mulatas)
3 colheres (de sopa) de manteiga derretida
2 colheres (de sopa) de açúcar amarelo
1 ovo

Ingredientes para o cheesecake:
250 g de queijo mascarpone
1 chávena almoçadeira de puré de abóbora cozida (cozi-a a vapor, espremi-a bem e triturei-a, na Bimby)
100 g de açúcar amarelo
4 folhas de gelatina
3 ovos
1/2 colher (de café) de canela em pó
1/4 colher (de café) de gengibre em pó
1/4 colher (de café) de alcaravia em pó
1/4 colher (de café) de noz moscada em pó

Preparação:
Triturar as bolachas e misturar os restantes ingredientes. Forrar com esta mistura a base de uma forma de mola com 25 cm de diâmetro e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante 8 minutos. Reservar.
Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Escorrê-las e misturá-las em 1/2 chávena de água bem quente. Reservar.
Bater o mascarpone, o puré de abóbora, o açúcar, as gemas, a gelatina e as especiarias, até obter um creme. Bater as claras em castelo e incorporar, delicadamente, na mistura anterior. Verter sobre a base de bolacha e levar ao frigorífico, de preferência de um dia para o outro. 
Servir o cheesecake polvilhado com canela.


domingo, 19 de Outubro de 2014

Exotismo

Há dias, vi um programa do Nigel Slater dedicado a ingredientes pouco comuns. Entre eles, havia uma receita de morcela com massa folhada e cebola caramelizada que pretendo reproduzir um dia destes. Achei curiosa a presença da morcela num programa cuja temática era ingredientes exóticos. Por cá, morcela é um ingrediente bastante vulgar. Em Inglaterra, porém, a dois passos de Portugal, é considerado estranho. O ruibarbo, por outro lado, uma planta muito consumida no Reino Unido e nos Estados Unidos, é quase desconhecida em Portugal e não muito fácil de encontrar. Nos Açores, se não for cultivada por um amante de horticultura e cozinha, praticamente impossível. 
O ruibarbo que utilizei para confecionar este chutney é o francês, menos conhecido do que o vermelho. Foi-me oferecido por uma amiga com gosto por coisas da terra. O resultado agradou. Um chutney bem aromático, que combina muito bem com queijos fortes e vinho tinto.

Chutney  de ruibarbo
(Receita adaptada desta)


Ingredientes:
500 g de ruibarbo, cortado em pedaços de 1 cm
2 dentes de alho
2 cebolas roxas
3 colheres (de sopa) de azeite
200 g de açúcar amarelo
10 cl de vinagre de cidra
2 colheres (de café) de garam massala
sal e pimenta

Preparação:
Descascar os alhos e as cebolas e cortá-los em fatias finas
Numa panela grande, refogar a cebola, o alho e o azeite, até ficarem translúcidos. Juntar o açúcar amarelo e deixar caramelizar, em lume brando. Juntar o ruibarbo, o garam massala, o vinagre e cobrir com água. Deixar ferver; depois, reduzir o lume, e deixar cozinhar 50 minutos. Temperar com sal e pimenta.
Colocar o chutney em frascos esterilizados e guardar. 
No blogue de onde retirei a receita, sugere-se que este chutney acompanhe magret de pato. A testar um dia destes. Para já, foi comido como entrada, a acompanhar queijo, sobre uma tosta. Muito bom.


quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Belladonas + abóboras + groselhas = outono

São elas que anunciam o outono. Em setembro, as bermas das estradas adornam-se de flores cor-de-rosa. Chamam-lhes meninas para a escola, por o seu florescimento coincidir com o início das aulas. Pelo menos, é essa a explicação mais comum. 
Nesta altura, as meninas para a escola pontuam as nossas estradas, em grupos irregulares. Primeiro, duas ou três; mais adiante, um grupo maior; depois de uns metros sem nenhuma, outro grupinho delas. Mesmo a lembrar outros tempos, quando todas as crianças faziam o percurso para a escola a pé, entre brincadeiras, gargalhadas e uma ou outra traquinice. As meninas para a escola lembram-nos a infância. Quando vou de carro, e as vejo, recordo aqueles tempos em que também eu pontuava as bermas da estrada, a caminho da minha escola primária de apenas duas salas. É esta a imagem que associo a estas flores de que tanto gosto. Há dias, cheguei a casa e encontrei um ramo de meninas para a escola à minha espera. E souberam-me tão bem, depois de um dia longo de trabalho :)



Outro dos sinais inequívocos da chegada do outono é a pilha de abóboras que está encostada ao muro da minha casa. Todos os anos, por esta altura, há por aqui um ou mais posts sobre abóboras. E muitas receitas em que elas têm um papel central. Este ano não é exceção.


Outro sinal de outono: as groselhas, que caem dos ramos, de maduras. Tão bonitas! Achei que haviam de ficar bem na mesa, junto às abóboras hokkaido. E para o jantar, mais abóbora. Assada, cheia de especiarias, mesmo a saber a outono.



Deixo a primeira receita com abóbora da época. Aparecerão mais, certamente. É uma daquelas receitas mesmo fáceis, sem quantidades exatas, que cada um pode adaptar consoante as suas preferências.

Abóbora assada com especiarias
Ingredientes:
1 abóbora pequena (usei um pedaço da abóbora que podem ver na foto, a ser inspecionada pela Rita)
açúcar mascavado q.b.
canela, gengibre e cardamomo em pó q.b.
sal e pimenta preta q.b.
azeite q.b.



Preparação:
Cortar a abóbora em fatias da espessura de um dedo. Colocá-las num tabuleiro, untado com azeite.
Temperá-las com sal e pimenta, polvilhá-las com açúcar e especiarias a gosto e regá-las com um fio de azeite. Levar ao forno a 180 graus até estarem cozidas (o tempo dependerá da quantidade de abóbora, por isso deverão estar atentos para que não se desfaça). Servir as abóboras, a acompanhar um assado de carne. Cá em casa, acompanhou um entrecosto no forno bem suculento.






sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Sexta-feira. Memórias. E uma tarte salgada.

Sexta-feira à noite. Acabámos de jantar. O meu marido arruma a cozinha. Eu e o Manel fazemos o bolo do fim de semana. Estava pedido deste a semana passada. Bolo vegan, mãe! Tenho saudades! E hoje, quase no fim de um dia de trabalho, pensei naquele bolo. E no momento em que estaria, finalmente, em casa, com eles. Já estou. O bolo está no forno. E ele está aqui, ao meu lado, a lamber a espátula. E eu penso que é destes pedaços de vida que são feitas as memórias. E que daqui a uns anos, quando o meu Manel de agora seis anos for um homem, há de lembrar-se de estar na cozinha, com a mãe e o pai, a fazer bolo de chocolate, ao som desta música, e de, com a cara lambuzada, lamber a espátula suja de creme de chocolate e dizer, feliz, Tão bom!

A receita do jantar foi esta. E o acompanhamento foi esta tarte tatin de tomate cereja, uma receita de um dos blogues mais inspiradores que conheço.

Tarte tatin de tomate cereja


Ingredientes:


600 g de tomate cereja (ou o suficiente para preencher a tarteira)
1 rolo de massa folhada
2 colheres (de sopa) de vinagre balsâmico
2 colheres (de sopa) de açúcar
2 colheres (de sopa) de manteiga
2 colheres (de chá) de orégãos
Tomilho fresco q.b.


Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus.
Numa frigideira larga, derreter a manteiga e o açúcar. Quando começarem a caramelizar, juntar os tomates e deixar cozinhar 5 a 8 minutos. Polvilhar com orégãos e uma colher de açúcar. Temperar com sal e pimenta. Juntar o vinagre balsâmico e deixar reduzir cerca de 2 minutos. Colicar os tomates numa tarteira. Cobri-los com a massa folhada, aconchegando-a. 
Levar a tarte ao forno e deixá-la cozer 25 minutos ou até a massa folhada estar dourada. Findo esse tempo, retirá-la do forno e deixá-la descansar 5 minutos. Virá-la para um prato e guarnecê-la com folhas de tomilho. 


domingo, 5 de Outubro de 2014

Celebrar o outono com um bolo de azeite

Ontem, acordei a pensar nele. Apeteceu-me aquele sabor em tons de dourado e aroma de canela. Raramente me acontece acordar a pensar em comida. Mas ontem, despertei a pensar no bolo de azeite que comemos nas férias no Alentejo. E, felizmente, ainda há desejos possíveis de realizar, que estão ao nosso alcance. 
De Monsaraz, trouxe este livro, para poder, ao longo do ano, matar um bocadinho as saudades daqueles dias. Entre as várias receitas, marquei logo esta. E o livro ficou pousado, na bancada da cozinha. Ontem, regressei a ele. E fiz o bolo. 
Este é um bolo de lanche ou pequeno-almoço, com uma textura semelhante à do pão de ló. Não é um bolo perfeito e bonitinho, de montra de pastelaria. É um bolo tosco e denso, daqueles que não atraem ao primeiro olhar, mas que acabam por se revelar bem melhores do que muitos daqueles que, sob uma camada de perfeição, a pouco sabem. No fundo, um bolo que nos mostra que nisto da pastelaria (e não só) nem sempre o que parece é. E há que dar uma oportunidade àquilo que não parece nada de especial e que pode valer muito a pena.
Este bolo pouco bonito combina muito bem com pequenos-almoços de fim de semana, com chávenas fumegantes de chá ou café ou copos de leite frio. E combina com outono e folhas que começam a cair das árvores e domingos com filmes pela tarde dentro. 
Motivados? Ainda vão a tempo de o fazer para o lanche de hoje. 

Bolo de azeite
(Ligeiramente adaptado de Saborear Azeite Dom Borba, Tiago Kalisvaart, Caminho das Palavras)


Ingredientes:
1 chávena (de chá) de azeite de boa qualidade
8 ovos
3 chávenas (de chá) de açúcar
3 chávenas (de chá) de farinha
1 chávena (de chá) de café
raspa de 1 limão
1 colher (de sobremesa) de canela moída
1 colher (de sobremesa, mal cheia) de fermento em pó
banha q.b. (usei manteiga)

Preparação:
Separar as gemas das claras. Bater as gemas com o açúcar, até obter um creme esbranquiçado. Juntar a raspa de limão, a canela, o azeite e o café frio. Bater tudo muito bem. Depois, adicionar a farinha e bater, até formar bolhas. 
Ligar o forno a 160 graus.
Noutra tigela, bater as claras em castelo e incorporá-las no restante preparado, envolvendo bem.
Untar a forma com manteiga ou banha e polvilhá-la com farinha. Verter a mistura para a forma e levar ao forno a cozer, durante cerca de 1 hora (para verificar a cozedura, fazer o teste do palito). Desenformar com a forma ainda bem quente.


segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Magret de pato para um jantar (já) de outono.

Depois de um domingo de sol e céu azul, uma segunda-feira em tons de outono. De dia, as roupas ainda são leves, mas as noites já pedem aconchego. Sofá, uma mantinha e um livro ou uma série. E comida fumegante. 
As nossas rotinas mudaram. Estão mais exigentes, com a entrada do Manel na escola primária. O cansaço é maior e há trabalhos e responsabilidades diferentes. Vou fazendo o jantar, ao som da música de Cole Porter, cantada por um dueto improvável. Hoje, um magret de pato muito simples e saboroso, acompanhado por batata doce assada e um copo de vinho tinto. Um jantar muito aplaudido pelos dois homens da casa. Apesar de a luz não ser a melhor e de alguma pressa, para que a carne não arrefecesse, consegui aproveitar uma foto, das seis que tirei. Não é muito, mas dá para ilustrar este jantar que nos soube tão bem.

Magret de pato 
com redução de vinagre balsâmico e laranja



Ingredientes para três:
2 peitos de pato, pequenos
1 colher (de sopa) de rosmaninho, picado
sal e pimenta
4 colheres (de sopa) de vinagre balsâmico
sumo de 1/2 laranja

Com uma faca afiada, dar uns cortes na gordura do pato, cruzando-os, de modo a formar losangos. Temperá-los com sal, pimenta e o rosmaninho.
Aquecer uma frigideira grande e colocar os peitos de pato, com a pele voltada para baixo, e deixar fritar, na própria gordura, durante cerca de 5 minutos, ou até a pele estar dourada. Virar a carne e deixar cozinhar cerca de 2 minutos (a carne deve ficar mal passada pois, caso contrário, ficará dura). Retirar do lume e reservar (deverá manter a carne quente, cobrindo-a com papel de alumínio).
Juntar à gordura que ficou na frigideira o vinagre balsâmico e o sumo de laranja e deixar reduzir, em lume brando. Servir a carne regada com o molho. Guarnecer com a restante laranja, cortada em rodelas.


sábado, 27 de Setembro de 2014

Conservar

Os dias últimos têm sido de outono. Sombrios e melancólicos, a pedir casa. Livros, sofá e cozinha. E gatos, que se vão apercebendo de que o verão está a acabar. A horta está nua. Ou quase. Colhi os últimos sobreviventes. E conservei-os para que durem mais uns meses. Transformei-os numa daquelas coisas que dão cor a um dia de inverno. 


Conserva de pimentos assados


Ingredientes:
1 kg de pimentos, limpos e cortados em tiras largas
250 ml de azeite virgem extra
5 dentes de alho, picados
1 folha de louro
sal



Preparação:
Aquecer o forno a 180 graus. Num tabuleiro, forrado com papel vegetal, levar os pimentos a assar. Quando a pele estiver escura, retirá-los do forno e deixá-los arrefecer.
Levar o azeite, o louro e o alho ao lume, temperar com sal e deixar ferver. 
Retirar a pele aos pimentos e colocá-los em frascos esterilizados. Cobri-los com o azeite e fechar os frascos. Se for necessário, acrescentar mais azeite, de modo a que os pimentos fiquem cobertos. 
Guardar no frigorífico.




Deixo-vos ainda imagens da conserva de figos que fiz há alguns dias. A receita está aqui. Este ano, para além dos cravinhos e da canela, acrescentei estrelas de anis. Uma miscelânea que cada um pode adaptar, de acordo com o seu gosto.




domingo, 21 de Setembro de 2014

Pequeno-almoço. Horta. Sol.

Quem costuma passar por aqui conhece o meu gosto pela primeira refeição do dia. Mesmo durante a semana, não há dia em que saiamos de casa sem tomar o pequeno-almoço. Nenhum de nós. É um hábito que o Manel já integrou, apesar de acordar sempre com pouca fome. 
Durante a semana, há menos tempo. Mesmo assim, nunca comemos de pé. Sempre à mesa, a dois ou a três, conforme os horários de cada um. Ao fim de semana, o pequeno-almoço é tomado com vagar, com direito a mimos vários como panquecas, waffles ou bolo. 
O bolo de hoje, cuja receita podem consultar aqui, foi feito para aproveitar duas bananas que definhavam na fruteira. Quanto a mim, optei pelo último vício: pão torrado com requeijão da Quinta dos Açores e mel de rosmaninho. 





Depois de dias frescos e cinzentos, hoje tivemos sol e céu azul. A seguir ao pequeno-almoço, um saltinho até à horta. Da casa do lado, chegava-nos a voz de Paulo Gonzo, a misturar-se com o ruído também rouco da máquina que lavrava a terra, guiada pelo meu pai. A terra está preparada para receber as sementes das cenouras (laranja e rainbow). Daqui a alguns meses, estarão prontas a colher. De tarde, dediquei-me às aromáticas. O outono vem aí com os seus dias sombrios e melancólicos, que nos puxam para casa. Há que aproveitar os últimos dias de verão.





segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Escola primária

Estou sentada no puff do quarto do meu filho, à espera que adormeça. No quarto onde coexistem pinturas do Principezinho, escolhidas por mim antes de ele nascer, super-heróis variados e livros de dinossauros. Acabei de lhe ler mais um capítulo d'A Fada Oriana. Falei-lhe do primeiro livro que li sozinha e ele pediu-me que lho lesse. Andamos nisto há dias. Um capítulo por noite.  Ó mãe, estou a adorar! É genial!
Esta não é uma noite qualquer. É a véspera. Amanhã, o meu filho começa a escola primária. E eu, aqui no escuro, apenas iluminada pelo ecrã do computador, recordo. Recuo no tempo e vejo-me, neste mesmo quarto, neste mesmo puff, com uma barriga enorme, a sonhar com o meu filho. E vejo-me com ele ao colo, em noites de cólicas e febres. E recordo as primeiras histórias que lhe contei, com páginas peludas e aveludadas. 




Amanhã o meu filho começa o seu percurso na escola dos meninos grandes. E eu, que sou mãe galinha e luto diariamente contra essa característica, estou aqui, num misto de excitação e temor. Por um lado, fico feliz por este passo do meu menino e por tudo o que vai aprender e crescer. E recordo um bocadinho a excitação que sentia (e ainda sinto) no início de cada ano letivo. (Ao contrário do Manel, que está bem de férias e não tem muita vontade que acabem.) Por outro lado, assolam-me as dúvidas e os medos próprios da mãe que vê o seu bebé voar um bocadinho mais alto. E luto para não pensar nos vários perigos a que está exposto. Tento varrê-los da cabeça e pensar que vai correr tudo bem. E penso que, daqui a uns anos, vou estar com saudades do dia em que o Manel entrou para a escola primária. E das noites em que ainda era eu a ler-lhe A Fada Oriana e ele adormecia a sonhar com a fada dos dentes.



quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Ainda verão

Esta receita anda nos rascunhos do blogue há quase um mês. Fi-la mal cheguei de férias, inspirada pelas revistas de culinária que vieram comigo. Quando saio da ilha, reservo sempre um espacinho na mala para coisas da cozinha. Sejam de comer, de servir ou de ler. Estas férias não foram exceção. Esta salada foi inspirada numa da revista Elle à table, de julho-agosto. Naquele dia, a frescura da melancia pareceu-me combinar com as temperaturas quentes de agosto. E hoje, apresso-me a publicá-la, antes que o tempo arrefeça ainda mais. Enquanto ainda é verão.

Salada de melancia, sardinha e arroz preto


Ingredientes para uma pessoa:
1 chávena de arroz cozido (usei preto, mas parece-me que deve ficar muito bem com arroz selvagem)
1 chávena de mistura de folhas verdes (alface, rúcula, beterraba, acelgas...)
3 sardinhas em conserva, limpas de peles e espinhas
1 fatia de melancia
1 cebola vermelha, picada

Para o vinagrete:
1/2 chalota picada
1 colher (de chá) de mostarda de Dijon
1 pitada de açúcar amarelo
flor de sal
pimenta preta
1 colher (de sopa) de vinagre
umas gotas de sumo de limão
2 colheres (de sopa) de azeite virgem extra
1 colher (de chá) de cominhos


Preparação:
Numa saladeira, colocar o arroz. Misturar a cebola e a sardinha, em lascas. Colocar todos os ingredientes para o vinagrete num frasco, agitar e envolver bem com os outros ingredientes da saladeira. Finalizar com a melancia, cortada em pedaços, e a salada verde. Envolver delicadamente e servir, numa tarde quente de agosto ou numa tarde nostálgica de fim de verão, em jeito de despedida. 


sábado, 6 de Setembro de 2014

Uvas e música

Depois de uma sexta-feira de trabalho intenso, as uvas têm um poder apaziguador. E não me refiro às uvas transformadas, apesar de dois copos de vinho branco a acompanhar umas peças de sushi ao jantar terem sabido muito bem. 
Melhor ainda soube a tarefa morosa, trabalhosa e prazerosa de preparar os cachos de uva da latada do meu pai para o doce. Sentada na ilha da cozinha, bago por bago, fui tirando as grainhas, com paciência, e fui deixando os pensamentos fluir. Longe de tudo o que me ocupou a cabeça durante o dia. É importante (fundamental) este exercício. Desligar. E saber quando ligar de novo. Vou ter de ligar durante o fim de semana. Não no serão de sexta-feira. No serão de sexta-feira quis fazer doce de uva com nozes, mexido com colher de pau. E quis ouvir música. A minha música, de um senhor de quem gosto muito, muito, muito e vem a S. Miguel na próxima semana. Um senhor que me vai fazer voar até àquela ilha de propósito para o ver. Enquanto não chega o dia 17, vou recordando as minhas preferidas, que me acompanham há mais de uma década.


Doce de uva branca com nozes

Ingredientes:
1 kg de bagos de uva branca, sem grainhas
500 g de açúcar branco
1/2 chávena de nozes


O processo é simples, igual ao de qualquer doce: Coloca-se o açúcar e as uvas ao lume (brando) e vai-se mexendo de vez em quando, com uma colher de pau. Quando o doce estiver suficientemente espesso, de modo a que, ao passar a colher pelo meio do tacho, esta deixe rasto, uma espécie de estrada, está pronto. Neste momento, pode-se adicionar nozes ou outro fruto seco, a gosto.
Fervem-se os frascos e colocam-se a escorrer sobre um pano seco. Enchem-se com o doce, tapam-se e viram-se ao contrário, para criar vácuo.



Estas imagens são do pequeno-almoço de hoje. Acordei a pensar no doce. Muito bom, sobre uma torrada, acompanhado com café quentinho :)

Deixo-vos com Wim Mertens. No dia 17 de setembro, estará em S. Miguel, no Teatro Micaelense. Sem esta orquestra a acompanhá-lo, infelizmente. 
Se quiserem ir, ainda há bilhetes :)


quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Maria Catita

Quando como fora, tenho algum pudor em fotografar pratos. Fico sempre com a sensação de que está toda a gente a observar-me.  Por isso, nunca o faço. Ou muito raramente. 
Estas férias abri uma exceção. Na minha passagem por Lisboa, fui conhecer o restaurante da minha prima Cristina, o Maria Catita. Um restaurante / loja de produtos açorianos de uma picoense (ou picarota :), no coração de Lisboa. Sei que os laços de sangue não me permitem uma grande isenção. No fundo, ia preparada para gostar :) No entanto, éramos sete à mesa e as opiniões foram unânimes: ambiente acolhedor e descontraído, empregados simpáticos e comida muito, muito boa. 
Por isso, se estiverem por Lisboa, não deixem de visitar o Maria Catita. Fica na Rua dos Bacalhoeiros, é vizinho da Fundação Saramago, e serve polvo guisado à moda dos Açores. E vende produtos de cá. Convém reservar mesa. Fomos numa quarta-feira e estava cheio. Bom sinal, não?









Travesseiro de queijo de cabra com espinafres e mel da serra


 Açorda de marisco


 D. Amélia com gelado de nata

Para rematar um jantar destes, uma caminhada pela baixa. Naquela noite, a música de Carlos Gardel guiou-nos até uma rua onde se dançava o tango. Perfeito!



* As três primeiras fotos não foram tiradas por mim. "Roubei-as" da página do Facebook do Maria Catita. Com autorização da dona, claro :)

sábado, 30 de Agosto de 2014

Beringelas

O texto de hoje poderia ser igual a esteapenas substituindo courgettes por beringelas. Os sentimentos são semelhantes, embora ainda ache as beringelas mais encantadoras.
As beringelas são daqueles legumes que têm tudo: são bonitas, saborosas, nutritivas e pouco calóricas. 
Este ano, cultivei-as pela primeira vez. Encomendei uma mistura de sementes. Semeei-as e cuidei delas, com carinho. Todos os dias as punha ao sol, de manhã, e as recolhia, ao final da tarde. Quando chegou a altura, transplantei-as. Apesar de tudo, devido à sementeira tardia, as esperanças de ter beringelas este ano eram poucas. 
Quando cheguei de férias, na primeira visita à horta, vi a primeira, quase no ponto. Esperei pacientemente até que estivesse pronta. Usei-a nesta receita, juntamente com uma da horta da minha cunhada. E agora há mais, pequeninas. De três espécies diferentes. Duas delas, apenas decorativas, pelo que percebi. Um dia destes, hão de aparecer por aqui a enfeitar uma mesa.




Esparguete com beringelas - Pasta alla norma
(Ligeiramente adaptado de Jamie's Italy, de Jamie Oliver)


Ingredientes para duas pessoas:
1 beringela grande (usei duas, pequenas)
azeite virgem extra
1/2 colher (de sopa) de orégãos secos
1/2 malagueta, picada
4 dentes de alho, descascados e cortados em rodelas finas
1 raminho de manjericão (os talos picados e as folhas reservadas)
1/2 colher de chá de vinagre de vinho branco
1 lata de tomate pelado (400 g)
200 g de esparguete
75 g de requejião


Preparação:
Cortar as beringelas em quartos, no sentido longitudinal. Depois, cortá-las em fatias da largura de um dedo.
Numa frigideira larga, não aderente, com um pouco de azeite, fritar os pedaços de beringela, até que fiquem dourados de todos os lados, e polvilhá-los com um pouco de orégãos. Juntar a malagueta, um pouco de azeite, o alho e os caules de manjericão. Mexer, em lume brando, 3-4 minutos, juntar o vinagre e o tomate pelado (mais ou menos picado, conforme o gosto). Deixar cozinhar, em lume brando, 10 a 15 minutos, e temperar com sal e pimenta. Juntar ao molho metade das folhas de manjericão e mexer. 
Cozer o esparguete, segundo as instruções do pacote. Quando estiver al dente, escorrer a água (reservar um pouco) e levar de novo ao lume. Juntar o molho e a água reservada e mexer um pouco, sobre o lume. Retificar os temperos. Dividir por dois pratos e finalizar com requeijão esfarelado e folhas de manjericão. 




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Acerca de mim

A minha fotografia
Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.