Acabei de deixar o meu filho no colégio. O meu filho de 5 anos. Saiu de casa, com a sua mochila às costas, motivadíssimo, pois, para além de ter uma visita de estudo, faz anos e quer festejar com os amiguinhos. À chegada, vieram ter com ele, dar-lhe abraços e beijinhos de parabéns.
Há 5 anos, mais ou menos à hora a que escrevo este texto, estava deitada numa cama de hospital. E o filme Kill Bill,
de Tarantino, não me saía da cabeça. Pode parecer estranho pensar
insistentemente num filme de Tarantino logo depois de ter o meu filho. Quem conhece o realizador sabe que os seus filmes são tudo menos ternurentos e não têm nada a ver com as delícias da maternidade. Antes que me julguem a mãe mais insensível do mundo, explico a razão pela qual este filme estará sempre associado ao nascimento do meu filho:
O Manel nasceu de cesariana. Assisti ao nascimento, pois levei uma
anestesia que me permitiu ficar acordada e conhecer o meu filho mal ele viesse ao mundo. Trouxeram-no ao pé de mim, no seu fatinho
verde limão, demasiado grande para os seus 47 cm e 2,975 kg. Aproximaram-no, para que lhe pudesse dar um beijinho, e levaram-no para o
quarto, para que o pai e o resto da família o pudessem conhecer. Senti que o arrancavam de mim, sem que eu pudesse fazer nada para o impedir. Tem de ir para o recobro, até passar o efeito da anestesia, informaram-me. Quando sentir as pernas, chame-nos.
E começaram a passar, na minha cabeça, imagens da Uma Thurman, depois de um coma prolongado, a
tentar mexer os dedos dos pés. E de como se esforçou até conseguir. E eu
comecei a visualizar os meus dedos dos pés a mexer. E a visualizar o rosto rosado do meu filho, que eu tanto desejava rever. Não demorei muito até voltar a sentir a parte inferior do
corpo. Chamei logo as enfermeiras. Já sinto as pernas. Posso ir ter com o meu filho? Não, não pude. Tive de ficar em observação mais uma hora, que me pareceu anos, até que pudesse ter pela primeira vez o meu filho nos braços.
Hoje, o meu bebé faz 5 anos. À tarde, irei ao colégio, com o pai, levar o bolo que lhe fiz e cantar-lhe os parabéns. E dizer-lhe mais uma vez como estamos felizes e orgulhosos por sermos pais dele.
Para a comemoração no colégio, fiz este bolo e decorei-o com gomas. Espero que os meninos gostem :)
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