sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Pizza numa sexta-feira à noite

Os jantares de sexta-feira têm aquele sabor bom dos começos. O começo de dias só para nós, com rotinas mais lentas do que as dos outros dias. Chegar a casa à sexta-feira é talvez o momento mais feliz da semana. E numa sexta-feira fria como esta, mais ainda. É por isto que gosto tanto do frio. É no frio que a casa sabe melhor. Colocar a chave na fechadura, enregelada, e ser recebida pelas vozes deles, na sala, à lareira, aquece por fora e por dentro. 
Pouso a mala, as chaves e os restantes acessórios e dirijo-me à cozinha, pronta para cumprir o prometido. De manhã, enquanto conduzia o Manel à escola, prometi-lhe pizza. E promessas são para cumprir. 
Se há dias em que a primeira coisa a fazer é vestir uma roupa confortável, hoje fui logo tratar da massa, ainda de saltos e com o poncho que me aqueceu durante o dia. Abri o armário e o frigorífico, a ver o que havia. Alcachofras, mozzarella fresca, cogumelos e os meus figos deste ano, ainda por estrear. Pareceu-me que o doce do figo, temperado pelas especiarias, combinaria bem com a acidez da alcachofra. Não me enganei. Mais uma mistura bem sucedida. Os rapazes preferiram a pizza tradicional, com cogumelos, queijo e bacon. Nestas coisas, ousada, só mesmo eu :)


Pizza de cogumelos, alcachofras e figos 

Fiz a massa e o molho de (quase) sempre. Cortei cogumelos frescos em fatias, salteei-os num pouco de azeite e pu-los sobre a massa de pizza e o molho de tomate. Escorri as alcachofras, desfi-las um pouco e juntei-as à pizza. Cortei 3 figos em quartos e juntei-os também. Depois, uma bola de mozzarella, desfeita, e, finalmente, uns farrapos de bacon. Polvilhei com orégãos e levei ao forno.




sábado, 15 de Novembro de 2014

Fast-food saudável para o almoço de sábado

Estava a precisar de um sábado assim, preguiçoso. Um sábado de despertar suave, ao som da chuva nos vidros. Os dias influenciam mesmo a forma como olhamos para o tempo. Se hoje fosse segunda-feira, dificilmente veria com os mesmos olhos uma manhã chuvosa. Mas não. Hoje é sábado. Hoje é um daqueles dias. Um dia de pouca luz e muito de casa, passado entre mantas e almofadas e livros e velas acesas. Um daqueles sábados de bolos aromáticos à espera de uma chávena de café. 







Cá em casa, muitas vezes, o almoço de sábado é de fast-food. Uma tradição nossa, que aconteceu sem que planeássemos. Não fast-food de grandes cadeias internacionais, que (ainda) não as há por cá. O nosso fast-food, feito com os nossos ingredientes de confiança. Desta vez, hambúrgueres da última abrótea que comprei ao Paulo, que acabou por ter um destino diferente daquele que planeara. Inspirada numa receita de hambúrgueres de salmão perdida numa revista antiga, moldei os meus hambúrgueres com abrótea do mar dos Açores. Ao contrário de outros tempos de mais paciência, em que teria feito o meu próprio pão, usei bolos de leite da Padaria Lajense, os preferidos do meu filho. 
Depois do almoço, outra rotina dos últimos tempos: trabalhos de casa.  Enquanto o Manel desenhava letras ainda um bocadinho toscas e fazia contas de somar, fui escrevinhando este texto. Por perto, o bolo de iogurte da Mar, desta vez perfumado com canela e noz moscada. 





Hambúrgueres de abrótea
(Adaptados da revista Saúde à Mesa, Março de 2014)


Ingredientes para 3 hambúrgueres:
300 g de filetes de abrótea (salmão, na receita original)
1 cebola pequena
1 colher (de chá) de caril 
1 colher (de chá) de gengibre fresco, ralado
1 raminho de salsa ou coentros (usei salsa)
3 pães de leite
azeite para untar

Preparação:
Cortar o peixe em cubos pequenos e triturá-los, numa picadora, até que fiquem bem desfeitos.
Descascar a cebola, picá-la, bem fininha, e misturá-la com o peixe. Adicionar o caril, o gengibre, a salsa, picada, envolver tudo bem e, com a ajuda de um molde ou com a mão, formar 3 hambúrgueres.
Levar ao lume uma frigideira anti-aderente, untada com azeite, e cozinhar os hambúrgueres, de ambos os lados. Servi-los com pão, salada e molhos a gosto.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Frio

Já tenho saudades de frio. Anda toda a gente feliz com o sol e o verão tardio. Eu não. Olho para as malhas e para os sobretudos e apetece-me inverno. Olho para a lareira e apetece-me frio. Gosto das estações no seu lugar. Verão em novembro não me cai bem. E, apesar dos dias ainda de sol, há coisas que já apetecem. Já apetece comida de forno e manta ao serão. E os animais já procuram colo e recantos quentinhos nos sofás. Nestes dias, apetece-me invariavelmente perfumar a casa. Com velas e comida doce, como estes muffins. Enquanto estão no forno, o aroma tentador vai pintando a casa de sabores quentes, tornando-a ainda mais acolhedora. São daquelas coisas que combinam com tardes frias de outono e inverno, com fins de semana preguiçosos e crianças ruidosas e lambuzadas e felizes. 
No dia em que fiz estes muffins, estava sol. E havia bananas a envelhecer na fruteira. E apeteceu-me tudo o que descrevi no parágrafo anterior. Rodeei-me dos meus livros de receitas, uma atividade que também associo ao frio, não sei bem porquê, e escolhi esta receita. Uns bolinhos de dias frios num dia de um verão que não se quer ir embora.



Muffins de banana e chocolate
(Ligeiramente adaptado de Cozinha - O Coração da Casa, de Nigella Lawson)



Ingredientes para 12 muffins:
3 bananas bem maduras (usei 4, pequeninas)
125 ml de óleo vegetal
2 ovos grandes
100 g de açúcar amarelo
225 g de farinha T65
3 colheres (de sopa) de cacau
1 colher (de chá) de bicarbonato

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus. Num tabuleiro para muffins, colocar as formas de papel. 
Esmagar as bananas e misturar o óleo e depois os ovos e, por último, o açúcar.
Misturar a farinha, o cacau e o bicarbonato e incorporar na mistura anterior. 
Encher as formas de papel até 2/3 e levar ao forno, durante 15 a 20 minutos.

domingo, 9 de Novembro de 2014

Soufflé

Um prato leve e delicado. Um prato que dá luta, que requer atenção, vigilância. E alguma sorte. Faz-se a medo, com receio que abata. Às vezes, acontece. Um sopro mais forte e lá se vai o soufflé. E, um pouco como o risotto, não espera por ninguém, faz-se esperar. 
Este surgiu de uma necessidade. Aproveitar peixe cozido. Ainda pensei nestes bolinhos ou nestas tortas. Mas apeteceu-me textura de algodão. Apeteceu-me soufflé.

Soufflé de peixe
(Ligeiramente adaptado desta receita, da Tertúlia de Sabores)


Ingredientes: 
200 g de peixe cozido, limpo de peles e espinhas (usei peixe-porco)
50 g de manteiga
50 g de farinha
2,5 dl de leite frio
4 ovos
sal, pimenta e noz moscada a gosto
1 ramo de salsa, picada

Preparação:
Esmagar o peixe com um garfo e reservar.
Num tacho, derreter a manteiga, polvilhar com a farinha e deixar cozer um minuto, sem ganhar cor. Adicionar o leite frio e mexer, para não ganhar grumos; deixar engrossar e retirar do lume.
Juntar o peixe, temperar com sal, pimenta e noz moscada, incorporar as gemas e a salsa e mexer.
À parte, bater as claras em castelo e adicioná-las ao preparado, muito suavemente.
Deitar a mistura numa forma de soufflé, untada com margarina, e levar ao forno previamente aquecido a 200 graus, durante 25 a 30 minutos. 
Servir de imediato.
Ao sair do forno, o soufflé não pode apanhar correntes de ar, pois abaterá. 
Acompanhar com uma salada e um copo de vinho branco.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2014

Castanhas

Domingo à noite, copos de vinho no balcão, e um caos de ingredientes que resultaram em pizzas bem saborosas. Tudo feito a quatro mãos. Eu e o meu irmão na cozinha dele, numa preparação demorada, que teve quase tanto de saboroso como o resultado final. 
A abrir o jantar, uma receita feita com as 35 castanhas do meu castanheiro. No ano passado, foram só 10. Este ano, já deu para uma entrada. E, apesar de a luz não ser a melhor, tinha de deixar aqui o registo destas castanhas. Na verdade, luzes mornas de salas acolhedoras não são compatíveis com fotografias bonitas. Principalmente quando o tripé avariou. Mesmo assim, com o auxílio da lata de tomate pelado, lá tirei umas fotos que, estando longe da perfeição, servem para ilustrar a primeira receita feita com as nossas castanhas.

Castanhas com bacon e mel


Ingredientes:
castanhas
sal grosso
mel
bacon, em tiras


Preparação:
Lavar as castanhas e dar-lhes um golpe na horizontal. 
Num tabuleiro, colocar uma camada de sal grosso e sobre este colocar as castanhas.
Assar as castanhas, a 200 graus, cerca de 30 minutos (devem estar duras, pois voltarão ao forno; assim que lhes conseguirmos retirar a pele, devemos retirá-las do forno).
Envolver cada castanha numa tira de bacon e prender com um palito. Pincelar com mel e levar ao forno, a 200 graus, até o bacon estar estaladiço. 


domingo, 26 de Outubro de 2014

Meia-estação

É o nome que se dá às estações intermédias. Por serem amenas, sem excessos, chamam-lhes meia-estação. Daí as indecisões próprias destas alturas. Não sabemos bem o que vestir nem o que calçar. Será que é muito quente? Será que vou ter frio? E as dúvidas estendem-se à cozinha. Já apetece o aconchego de um forno aceso, mas ainda está calor. Ando nisto, ultimamente. 
Ontem, o sábado foi praticamente de verão. Não fossem as folhas que já atapetam o jardim, as castanhas que caem das árvores e o sol que se deita mais cedo, acreditaria estarmos, não digo em agosto, mas em setembro. Tinha decidido fazer uma tarte de abóbora, ao estilo americano. Já tinha a receita escolhida e tudo. Mas com o sol que brilhou todo o dia, não me apeteceu uma tarte de forno. Apeteceu-me uma sobremesa fresca, não tanto como esta, mas com uma frescura mais de verão que de outono. Agora que penso nisso, já é uma tendência minha usar abóbora em pratos que são mais de verão que de outono. Receitas de transição. Desta vez, foi cheesecake.

Cheesecake de abóbora


Ingredientes para a base: 
200 g de bolachas de chocolate (usei Mulatas)
3 colheres (de sopa) de manteiga derretida
2 colheres (de sopa) de açúcar amarelo
1 ovo

Ingredientes para o cheesecake:
250 g de queijo mascarpone
1 chávena almoçadeira de puré de abóbora cozida (cozi-a a vapor, espremi-a bem e triturei-a, na Bimby)
100 g de açúcar amarelo
4 folhas de gelatina
3 ovos
1/2 colher (de café) de canela em pó
1/4 colher (de café) de gengibre em pó
1/4 colher (de café) de alcaravia em pó
1/4 colher (de café) de noz moscada em pó

Preparação:
Triturar as bolachas e misturar os restantes ingredientes. Forrar com esta mistura a base de uma forma de mola com 25 cm de diâmetro e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante 8 minutos. Reservar.
Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Escorrê-las e misturá-las em 1/2 chávena de água bem quente. Reservar.
Bater o mascarpone, o puré de abóbora, o açúcar, as gemas, a gelatina e as especiarias, até obter um creme. Bater as claras em castelo e incorporar, delicadamente, na mistura anterior. Verter sobre a base de bolacha e levar ao frigorífico, de preferência de um dia para o outro. 
Servir o cheesecake polvilhado com canela.


domingo, 19 de Outubro de 2014

Exotismo

Há dias, vi um programa do Nigel Slater dedicado a ingredientes pouco comuns. Entre eles, havia uma receita de morcela com massa folhada e cebola caramelizada que pretendo reproduzir um dia destes. Achei curiosa a presença da morcela num programa cuja temática era ingredientes exóticos. Por cá, morcela é um ingrediente bastante vulgar. Em Inglaterra, porém, a dois passos de Portugal, é considerado estranho. O ruibarbo, por outro lado, uma planta muito consumida no Reino Unido e nos Estados Unidos, é quase desconhecida em Portugal e não muito fácil de encontrar. Nos Açores, se não for cultivada por um amante de horticultura e cozinha, praticamente impossível. 
O ruibarbo que utilizei para confecionar este chutney é o francês, menos conhecido do que o vermelho. Foi-me oferecido por uma amiga com gosto por coisas da terra. O resultado agradou. Um chutney bem aromático, que combina muito bem com queijos fortes e vinho tinto.

Chutney  de ruibarbo
(Receita adaptada desta)


Ingredientes:
500 g de ruibarbo, cortado em pedaços de 1 cm
2 dentes de alho
2 cebolas roxas
3 colheres (de sopa) de azeite
200 g de açúcar amarelo
10 cl de vinagre de cidra
2 colheres (de café) de garam massala
sal e pimenta

Preparação:
Descascar os alhos e as cebolas e cortá-los em fatias finas
Numa panela grande, refogar a cebola, o alho e o azeite, até ficarem translúcidos. Juntar o açúcar amarelo e deixar caramelizar, em lume brando. Juntar o ruibarbo, o garam massala, o vinagre e cobrir com água. Deixar ferver; depois, reduzir o lume, e deixar cozinhar 50 minutos. Temperar com sal e pimenta.
Colocar o chutney em frascos esterilizados e guardar. 
No blogue de onde retirei a receita, sugere-se que este chutney acompanhe magret de pato. A testar um dia destes. Para já, foi comido como entrada, a acompanhar queijo, sobre uma tosta. Muito bom.


quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Belladonas + abóboras + groselhas = outono

São elas que anunciam o outono. Em setembro, as bermas das estradas adornam-se de flores cor-de-rosa. Chamam-lhes meninas para a escola, por o seu florescimento coincidir com o início das aulas. Pelo menos, é essa a explicação mais comum. 
Nesta altura, as meninas para a escola pontuam as nossas estradas, em grupos irregulares. Primeiro, duas ou três; mais adiante, um grupo maior; depois de uns metros sem nenhuma, outro grupinho delas. Mesmo a lembrar outros tempos, quando todas as crianças faziam o percurso para a escola a pé, entre brincadeiras, gargalhadas e uma ou outra traquinice. As meninas para a escola lembram-nos a infância. Quando vou de carro, e as vejo, recordo aqueles tempos em que também eu pontuava as bermas da estrada, a caminho da minha escola primária de apenas duas salas. É esta a imagem que associo a estas flores de que tanto gosto. Há dias, cheguei a casa e encontrei um ramo de meninas para a escola à minha espera. E souberam-me tão bem, depois de um dia longo de trabalho :)



Outro dos sinais inequívocos da chegada do outono é a pilha de abóboras que está encostada ao muro da minha casa. Todos os anos, por esta altura, há por aqui um ou mais posts sobre abóboras. E muitas receitas em que elas têm um papel central. Este ano não é exceção.


Outro sinal de outono: as groselhas, que caem dos ramos, de maduras. Tão bonitas! Achei que haviam de ficar bem na mesa, junto às abóboras hokkaido. E para o jantar, mais abóbora. Assada, cheia de especiarias, mesmo a saber a outono.



Deixo a primeira receita com abóbora da época. Aparecerão mais, certamente. É uma daquelas receitas mesmo fáceis, sem quantidades exatas, que cada um pode adaptar consoante as suas preferências.

Abóbora assada com especiarias
Ingredientes:
1 abóbora pequena (usei um pedaço da abóbora que podem ver na foto, a ser inspecionada pela Rita)
açúcar mascavado q.b.
canela, gengibre e cardamomo em pó q.b.
sal e pimenta preta q.b.
azeite q.b.



Preparação:
Cortar a abóbora em fatias da espessura de um dedo. Colocá-las num tabuleiro, untado com azeite.
Temperá-las com sal e pimenta, polvilhá-las com açúcar e especiarias a gosto e regá-las com um fio de azeite. Levar ao forno a 180 graus até estarem cozidas (o tempo dependerá da quantidade de abóbora, por isso deverão estar atentos para que não se desfaça). Servir as abóboras, a acompanhar um assado de carne. Cá em casa, acompanhou um entrecosto no forno bem suculento.






sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Sexta-feira. Memórias. E uma tarte salgada.

Sexta-feira à noite. Acabámos de jantar. O meu marido arruma a cozinha. Eu e o Manel fazemos o bolo do fim de semana. Estava pedido deste a semana passada. Bolo vegan, mãe! Tenho saudades! E hoje, quase no fim de um dia de trabalho, pensei naquele bolo. E no momento em que estaria, finalmente, em casa, com eles. Já estou. O bolo está no forno. E ele está aqui, ao meu lado, a lamber a espátula. E eu penso que é destes pedaços de vida que são feitas as memórias. E que daqui a uns anos, quando o meu Manel de agora seis anos for um homem, há de lembrar-se de estar na cozinha, com a mãe e o pai, a fazer bolo de chocolate, ao som desta música, e de, com a cara lambuzada, lamber a espátula suja de creme de chocolate e dizer, feliz, Tão bom!

A receita do jantar foi esta. E o acompanhamento foi esta tarte tatin de tomate cereja, uma receita de um dos blogues mais inspiradores que conheço.

Tarte tatin de tomate cereja


Ingredientes:


600 g de tomate cereja (ou o suficiente para preencher a tarteira)
1 rolo de massa folhada
2 colheres (de sopa) de vinagre balsâmico
2 colheres (de sopa) de açúcar
2 colheres (de sopa) de manteiga
2 colheres (de chá) de orégãos
Tomilho fresco q.b.


Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus.
Numa frigideira larga, derreter a manteiga e o açúcar. Quando começarem a caramelizar, juntar os tomates e deixar cozinhar 5 a 8 minutos. Polvilhar com orégãos e uma colher de açúcar. Temperar com sal e pimenta. Juntar o vinagre balsâmico e deixar reduzir cerca de 2 minutos. Colicar os tomates numa tarteira. Cobri-los com a massa folhada, aconchegando-a. 
Levar a tarte ao forno e deixá-la cozer 25 minutos ou até a massa folhada estar dourada. Findo esse tempo, retirá-la do forno e deixá-la descansar 5 minutos. Virá-la para um prato e guarnecê-la com folhas de tomilho. 


domingo, 5 de Outubro de 2014

Celebrar o outono com um bolo de azeite

Ontem, acordei a pensar nele. Apeteceu-me aquele sabor em tons de dourado e aroma de canela. Raramente me acontece acordar a pensar em comida. Mas ontem, despertei a pensar no bolo de azeite que comemos nas férias no Alentejo. E, felizmente, ainda há desejos possíveis de realizar, que estão ao nosso alcance. 
De Monsaraz, trouxe este livro, para poder, ao longo do ano, matar um bocadinho as saudades daqueles dias. Entre as várias receitas, marquei logo esta. E o livro ficou pousado, na bancada da cozinha. Ontem, regressei a ele. E fiz o bolo. 
Este é um bolo de lanche ou pequeno-almoço, com uma textura semelhante à do pão de ló. Não é um bolo perfeito e bonitinho, de montra de pastelaria. É um bolo tosco e denso, daqueles que não atraem ao primeiro olhar, mas que acabam por se revelar bem melhores do que muitos daqueles que, sob uma camada de perfeição, a pouco sabem. No fundo, um bolo que nos mostra que nisto da pastelaria (e não só) nem sempre o que parece é. E há que dar uma oportunidade àquilo que não parece nada de especial e que pode valer muito a pena.
Este bolo pouco bonito combina muito bem com pequenos-almoços de fim de semana, com chávenas fumegantes de chá ou café ou copos de leite frio. E combina com outono e folhas que começam a cair das árvores e domingos com filmes pela tarde dentro. 
Motivados? Ainda vão a tempo de o fazer para o lanche de hoje. 

Bolo de azeite
(Ligeiramente adaptado de Saborear Azeite Dom Borba, Tiago Kalisvaart, Caminho das Palavras)


Ingredientes:
1 chávena (de chá) de azeite de boa qualidade
8 ovos
3 chávenas (de chá) de açúcar
3 chávenas (de chá) de farinha
1 chávena (de chá) de café
raspa de 1 limão
1 colher (de sobremesa) de canela moída
1 colher (de sobremesa, mal cheia) de fermento em pó
banha q.b. (usei manteiga)

Preparação:
Separar as gemas das claras. Bater as gemas com o açúcar, até obter um creme esbranquiçado. Juntar a raspa de limão, a canela, o azeite e o café frio. Bater tudo muito bem. Depois, adicionar a farinha e bater, até formar bolhas. 
Ligar o forno a 160 graus.
Noutra tigela, bater as claras em castelo e incorporá-las no restante preparado, envolvendo bem.
Untar a forma com manteiga ou banha e polvilhá-la com farinha. Verter a mistura para a forma e levar ao forno a cozer, durante cerca de 1 hora (para verificar a cozedura, fazer o teste do palito). Desenformar com a forma ainda bem quente.


segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Magret de pato para um jantar (já) de outono.

Depois de um domingo de sol e céu azul, uma segunda-feira em tons de outono. De dia, as roupas ainda são leves, mas as noites já pedem aconchego. Sofá, uma mantinha e um livro ou uma série. E comida fumegante. 
As nossas rotinas mudaram. Estão mais exigentes, com a entrada do Manel na escola primária. O cansaço é maior e há trabalhos e responsabilidades diferentes. Vou fazendo o jantar, ao som da música de Cole Porter, cantada por um dueto improvável. Hoje, um magret de pato muito simples e saboroso, acompanhado por batata doce assada e um copo de vinho tinto. Um jantar muito aplaudido pelos dois homens da casa. Apesar de a luz não ser a melhor e de alguma pressa, para que a carne não arrefecesse, consegui aproveitar uma foto, das seis que tirei. Não é muito, mas dá para ilustrar este jantar que nos soube tão bem.

Magret de pato 
com redução de vinagre balsâmico e laranja



Ingredientes para três:
2 peitos de pato, pequenos
1 colher (de sopa) de rosmaninho, picado
sal e pimenta
4 colheres (de sopa) de vinagre balsâmico
sumo de 1/2 laranja

Com uma faca afiada, dar uns cortes na gordura do pato, cruzando-os, de modo a formar losangos. Temperá-los com sal, pimenta e o rosmaninho.
Aquecer uma frigideira grande e colocar os peitos de pato, com a pele voltada para baixo, e deixar fritar, na própria gordura, durante cerca de 5 minutos, ou até a pele estar dourada. Virar a carne e deixar cozinhar cerca de 2 minutos (a carne deve ficar mal passada pois, caso contrário, ficará dura). Retirar do lume e reservar (deverá manter a carne quente, cobrindo-a com papel de alumínio).
Juntar à gordura que ficou na frigideira o vinagre balsâmico e o sumo de laranja e deixar reduzir, em lume brando. Servir a carne regada com o molho. Guarnecer com a restante laranja, cortada em rodelas.


sábado, 27 de Setembro de 2014

Conservar

Os dias últimos têm sido de outono. Sombrios e melancólicos, a pedir casa. Livros, sofá e cozinha. E gatos, que se vão apercebendo de que o verão está a acabar. A horta está nua. Ou quase. Colhi os últimos sobreviventes. E conservei-os para que durem mais uns meses. Transformei-os numa daquelas coisas que dão cor a um dia de inverno. 


Conserva de pimentos assados


Ingredientes:
1 kg de pimentos, limpos e cortados em tiras largas
250 ml de azeite virgem extra
5 dentes de alho, picados
1 folha de louro
sal



Preparação:
Aquecer o forno a 180 graus. Num tabuleiro, forrado com papel vegetal, levar os pimentos a assar. Quando a pele estiver escura, retirá-los do forno e deixá-los arrefecer.
Levar o azeite, o louro e o alho ao lume, temperar com sal e deixar ferver. 
Retirar a pele aos pimentos e colocá-los em frascos esterilizados. Cobri-los com o azeite e fechar os frascos. Se for necessário, acrescentar mais azeite, de modo a que os pimentos fiquem cobertos. 
Guardar no frigorífico.




Deixo-vos ainda imagens da conserva de figos que fiz há alguns dias. A receita está aqui. Este ano, para além dos cravinhos e da canela, acrescentei estrelas de anis. Uma miscelânea que cada um pode adaptar, de acordo com o seu gosto.




domingo, 21 de Setembro de 2014

Pequeno-almoço. Horta. Sol.

Quem costuma passar por aqui conhece o meu gosto pela primeira refeição do dia. Mesmo durante a semana, não há dia em que saiamos de casa sem tomar o pequeno-almoço. Nenhum de nós. É um hábito que o Manel já integrou, apesar de acordar sempre com pouca fome. 
Durante a semana, há menos tempo. Mesmo assim, nunca comemos de pé. Sempre à mesa, a dois ou a três, conforme os horários de cada um. Ao fim de semana, o pequeno-almoço é tomado com vagar, com direito a mimos vários como panquecas, waffles ou bolo. 
O bolo de hoje, cuja receita podem consultar aqui, foi feito para aproveitar duas bananas que definhavam na fruteira. Quanto a mim, optei pelo último vício: pão torrado com requeijão da Quinta dos Açores e mel de rosmaninho. 





Depois de dias frescos e cinzentos, hoje tivemos sol e céu azul. A seguir ao pequeno-almoço, um saltinho até à horta. Da casa do lado, chegava-nos a voz de Paulo Gonzo, a misturar-se com o ruído também rouco da máquina que lavrava a terra, guiada pelo meu pai. A terra está preparada para receber as sementes das cenouras (laranja e rainbow). Daqui a alguns meses, estarão prontas a colher. De tarde, dediquei-me às aromáticas. O outono vem aí com os seus dias sombrios e melancólicos, que nos puxam para casa. Há que aproveitar os últimos dias de verão.





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Acerca de mim

A minha fotografia
Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.