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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Monsaraz

Na noite de 26 de julho, no Alentejo, num terraço do Monte de Santa Catarina, olhávamos para o espaço. E lá em cima, a muitos quilómetros de distância, alguém nos observava. Numa daquelas manchas menos iluminadas e mais despovoadas estávamos nós. À nossa volta, um silêncio apenas interrompido por um Manel muito tagarela e sem sono, que insistiu em ficar a pé com os adultos.


(Fotografia daqui.)

Daqueles dias em Monsaraz, recordo, sobretudo, a paz. Foram dias de um descanso despreocupado, longe de tudo. De dia, paisagens a perder de vista. Árvores, muitas árvores. Muitas oliveiras. E campos intermináveis de vinha. E as águas calmas do Alqueva, a emoldurar isto tudo.







Foram dias lindos, num lugar lindo, cheio de animais, uns mais exóticos do que outros, com banhos de piscina que se prolongaram até quase ao anoitecer e passeios de barco no Alqueva.  











Do monte, ouvíamos, ao longe, os típicos coros alentejanos, que ensaiavam para o espetáculo da noite. Tudo como que a conspirar para enaltecer o idílio do lugar. 




Os pequenos-almoços eram maravilhosos, com pão alentejano, ainda quente, queijo fresco da quinta vizinha e mel da região. E belíssimo, o bolo de azeite e canela da Susana, que ainda hei de reproduzir.
 Foi um fim de semana retemperador, que soube muito bem, depois de uns dias bem mais agitados, em Lisboa. Há lugares que nos marcam e onde queremos voltar. Este é um deles.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

De volta

De volta à ilha. De volta à escola. De volta a casa.
Depois de três semanas de descanso, regressei. E sabe bem regressar. E é bom quando sabe bem regressar. É sinal de que se está bem com a vida de sempre, a de todos os dias. Não sou de chegar de umas férias a sonhar com as próximas. Nada de andar trezentos e tal dias a suspirar por meia dúzia deles. Sou mais de aproveitar estes e os outros. De maneiras diferentes, igualmente saborosas. E, sinceramente, nem sei o que me sabe melhor: ir ou voltar. Ir e voltar. Gosto tanto de um verbo como do outro. 
Voltei às coisas de sempre, às pessoas de sempre, aos meus animais, à minha horta, à minha cozinha, aos jantares no jardim, a ver as silhuetas das vacas no alto do Pico do Capitão. E voltei aqui, que já tinha saudades. E é bom ter saudades. É sinal de que se gosta.






Deste restaurante, trouxe um livro que me permitirá prolongar um bocadinho estes dias no Alentejo. Hoje, deixo um molho para  churrasco, simples e muito saboroso, ingredientes principais da gastronomia daquela região.



Molho barbecue 
(Adaptado de Saborear Azeite Dom Borba, Tiago Kalisuaart, Caminho das Palavras)

Ingredientes:
1 kg de carne de porco preto (secretos, plumas...) - não tinha porco preto; usei costeletas do cachaço (de porco rosado, creio :)
1 colher (de sopa) de massa de alho
1 colher (de sopa) de massa de pimentão
1 dl de óleo
sumo de duas laranjas
sal e pimenta preta
1 folha de louro

Depois de bem arranjada, grelhar a carne com sal na brasa, até ficar bem passada. À medida que vai grelhando, pincelar a carne com o molho barbecue, preparado previamente. Basta juntar numa tigela todos os ingredientes e obter-se-á o molho.

(No livro, esta receita é acompanhada com migas, regadas com muito azeite Borba. No entanto, depois dos excessos próprios das férias, resolvi acompanhar a nossa carne com salada de tomate e arroz de espinafres. A receita das migas terá de ficar para outra ocasião :)
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O Acre e Doce é um blogue que celebra a vida de casa, principalmente os momentos passados à volta da mesa. É um blogue de coisas que nos fazem felizes, sejam uma refeição, um filme, um livro ou um ramo de flores frescas.