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domingo, 8 de janeiro de 2017

Uma receita de bolo. E um 2017 colorido.

Para começar o ano, cor. Muita cor. Muitas cores. O verde das nossas paisagens, o azul do céu de janeiro, o rosa e o laranja e o amarelo das flores que se vão sucedendo na jarra. É assim que quero começar. Foi assim que começámos 2017. Os dias bonitos ajudam, chamam-nos lá para fora. Passeios em janeiro a lugares que conhecemos do verão. Passear pelo interior da ilha, de câmara na mão, é um exercício bom. Tem uma leveza que nos deixa felizes e otimistas. Sair à procura de beleza é algo bem mais importante do que julgamos. Passamos muito tempo (demasiado) entregues a tarefas pesadas.  E não nos podemos esquecer das outras, das leves, consideradas menores. Não são menores. São bem grandes. São elas que nos permitem suportar as outras. Um equilíbrio que se não for mantido pode pôr tudo em perigo. E às vezes, tendemos a esquecer-nos disso.
Por isso, o meu primeiro post de 2017 está cheio de cor. Verde, sobretudo. O verde dos nossos campos. As flores que me alegram os dias. Os animais. A Amélia, com aquela doçura felina que não me canso de fotografar. E os outros, que povoam a ilha. Ficam imagens das minhas cores. Algumas ainda de 2016. Outras, deste fim de semana de sol. É bom quando há sol em janeiro. Enche-nos de esperança e deixa-nos mais felizes. 


















A receita ainda é festiva. Um bolo bem aromático, que esteve na nossa mesa de Natal. Espero que gostem.


Bolo de cenoura e pistácio
(Receita da revista Elle à Table, novembro-dezembro de 2016)


Ingredientes:
250 g de manteiga amolecida
250 g de açúcar mascavado
5 ovos à temperatura ambiente
sumo e raspa de uma laranja
170 g de farinha com fermento
100 g de amêndoa em pó
100 g de pistácio em pó + 20 g de pistácios picados para decorar
1 colher de café de canela moída
250 g de cenouras raladas

Para a cobertura:
100 g de queijo mascarpone
200 g de queijo-creme
80 g de açúcar confeiteiro
sumo e raspa de uma laranja 

Preparação:
Aquecer o forno a 180 graus.
Untar e enfarinhar uma forma de mola com 22 a 24 cm de diâmetro (a minha era ligeiramente maior, por isso o bolo ficou baixo). 
Bater bem a manteiga com o açúcar mascavado até obter uma massa esbranquiçada. Juntar os ovos, um a um, batendo entre cada adição. Acrescentar o sumo e a raspa de laranja, a farinha, a farinha de amêndoa, a farinha de pistácio, a canela e as cenouras raladas e misturar bem. 
Verter a mistura para a forma e levar ao forno, cerca de 50 minutos (para verificar a cozedura, fazer o teste do palito). Deixar arrefecer e desenformar.
Entretanto, preparar a cobertura: misturar todos os ingredientes (bati-os, com a batedeira) e verter a mistura sobre o bolo. Decorar com pistácios picados.




domingo, 16 de outubro de 2016

Ponta Delgada. Uma mercearia bonita. E uma receita francesa.

Visitar esta cidade sabe a regresso a casa. Foram muitos anos. São muitas as memórias. Foi lá que aprendi a crescer/ também a sentir saudade, como dizia a música dos Tunídeos. Ainda no avião, vejo os contornos conhecidos. As Portas da Cidade, o verde água do hospital velho, a silhueta do Edifício Solmar. Sinto-me acolhida por um abraço caloroso que me dá as boas-vindas. Como quando chegava da escola no inverno, em dias de chuva, e a minha mãe me recebia com uma manta e um copo de leite morno.
Ultimamente, as visitas têm sido breves. Quase sempre escalas entre viagens mais longas. Desta vez, uma reunião na segunda-feira fez-me voar até Ponta Delgada no domingo à tarde. À minha espera, os amigos de sempre. Encontro outros, que fui fazendo ao longo dos anos. Já se conhecem todos, de outros momentos como este. São os meus amigos micaelenses, ainda que sejam continentais ou faialenses.



A casa da Helena e do Pedro é familiar. Cheia de memórias com quase vinte anos, de almoços e jantares apressados, no nosso ano de estágio. A casa que era dos pais da Helena agora é dela e do Pedro. Jantamos, os três. E combinamos férias que hão de vir. E bebemos tinto, sempre muito bem escolhido pelo Pedro. A Mia salta-me para o colo, com a familiaridade ronronante de quem me reconheceu. No fim, passeamos o Dunga, que reclama, impaciente, no jardim. Subimos a rua. Continuamos por outras, bem familiares. E rimos muito, os três. Por momentos, voltamos a ter vinte anos e passeamos pela Mãe de Deus, em frente à nossa Universidade. 



Regressar a Ponta Delgada é recordar momentos e lugares. E descobrir outros, de uma cidade que se reinventa a cada dia. Antes de regressar a casa, lanchámos num lugar lindo, com o ar de outros tempos de que tanto gosto. Louvre Michaelense. O nome recorda a tendência de dar aos nossos lugares nomes importados de França. Este Louvre não é um museu, nem nunca o foi. No princípio do século XX, era uma loja de tecidos e chapéus importados de Paris, que também funcionou como galeria de arte. Agora, é uma mercearia onde se pode encontrar chás Gorreana, mel e licores açorianos, louças kitsch e muitos outros produtos artesanais. O edifício é lindo e foi alvo de uma recuperação que respeitou o espírito do passado, com aquele ambiente escuro de madeiras e mosaicos típico de há cem anos. No balcão, há rebuçados a granel, como os que comprávamos nas vendas, à saída da escola. Enquanto apreciamos tudo isto, podemos deliciar-nos com um bolo ou uma das bolachas expostas no balcão comprido e provar um chá com aromas mais ou menos exóticos. Tudo servido à l'ancienne, em tabuleiros forrados com naperons e pratos estampados, que há anos seriam considerados fora de moda. Há algum tempo que a veia de blogger não me invadia quando andava por fora. Mas foi impossível não me deixar levar por este ambiente e pelos pormenores desta loja à antiga.











A receita de hoje é um clássico da culinária francesa: sole moulière, um dos meus pratos de peixe preferidos. De uma delicadeza e simplicidade que provam que a culinária deste país não é um bicho de sete cabeças. 

                                        Linguado à moleira
                                           (Sole meunière)


Ingredientes para uma pessoa:
1 linguado pequeno, arranjado (o meu veio do sítio do costume)
1/4 chávena de farinha de trigo
sal e pimenta a gosto
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de alcaparras (opcional)
salsa picada
3 rodelas de limão

Preparação:
Começar por arranjar o linguado, caso não o tenham feito na peixaria: com uma faca afiada, fazer uma pequena incisão junto à barbatana caudal e puxar a pele em direção à cabeça (parece uma tarefa complicada, mas verão que não é; a pele sai com facilidade). Com uma tesoura, cortar as barbatanas laterais e a cabeça do peixe.
Temperar a farinha com sal e pimenta e passar o peixe pela mistura, sacudindo bem o excesso. 
Levar ao lume 1 colher de manteiga. Quando aquecer, fritar o linguado, 3 minutos de cada lado. Retirá-lo para um prato aquecido, limpar a frigideira com papel de cozinha e preparar o molho: levar ao lume uma colher de manteiga. Quando derreter, colocar as rodelas de limão e deixar a manteiga escurecer um pouco (os franceses chamam a esta manteiga beurre noisette, por causa da cor, semelhante à da avelã). Quem desejar, pode juntar alcaparras, apesar de a receita original não levar este ingrediente (eu gosto muito do toque salgado que acrescentam). 
Verter o molho sobre o linguado e servir, polvilhado com salsa e acompanhado com batatas e legumes cozidos.



Bon appétit!





quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Mais um encontro. E uma receita de salmão.

Passaram-se três semanas desde o último post. Três semanas muito cheias, durante as quais as atividades domésticas não tiveram grande relevo. Pelo menos aquelas com interesse suficiente para figurarem neste espaço.
O último post é de 11 de setembro. Entretanto, as aulas recomeçaram. E, este ano, o nosso setembro foi  bem menos rotineiro do que o habitual. Logo na segunda semana de aulas, recebemos os nossos parceiros estrangeiros do projeto Erasmus +. A escola encheu-se de alemães, italianos, franceses, lituanos e polacos. De vez em quando, o inglês era substituído pela língua-mãe de cada um, o que tem sempre a sua graça nestes encontros. Coube-me alojar a equipa alemã, já minha conhecida de outros encontros. A par das sessões de trabalho, houve tempo para levarmos os nossos amigos a descobrir a ilha, com uma geografia completamente diferente de tudo a que estão habituados. Stunning, amazing, breathtaking foram alguns dos adjetivos usados em lugares como os Biscoitos, o Vale da Achada ou o Algar do Carvão. E vê-los comer com gosto as nossas Sopas do Espírito Santo foi surpreendente.  Tentámos, em cinco dias, mostrar aos nossos colegas estrangeiros o melhor que temos. E acho que não nos saímos mal. Algumas despedidas foram difíceis. Alguns não voltaremos a ver. Outros  prometeram voltar de férias, com a família. Ficamos à espera. Entretanto, a maior parte voltará a encontrar-se, bem longe daqui.
Fala-se de tudo, nestes encontros. De educação, como é natural, comparando sistemas de ensino, estratégias e até ordenados. Ficam sempre ideias interessantes para pôr em prática. Sementes que, se forem bem regadas, hão de dar frutos. Falamos muito de gastronomia. Principalmente à mesa. Das origens das receitas, do porquê das especiarias, da História que lhes está associada. E descobrem-se paixões comuns. Com a Sandra, italiana, fartei-me de falar da (ainda) misteriosa Elena Ferrante. Já em setembro, a Sandra me dizia que, em Itália, havia rumores de que a escritora fosse Anita Raja, mulher do escritor Domenico Starnone. Entretanto, parece que está desvendado o mistério. Não percebo o propósito de contrariar a vontade da senhora, mas os senhores jornalistas têm de fazer o seu trabalho. 
Segundo o calendário, os dias em que estivemos juntos já eram de outono, mas ainda foram muito de verão. Passeio de barco, a ver golfinhos, jantar no jardim chez nous, tourada à corda, no Porto Martins, e outras atividades ainda estivais. 








Entretanto, a nova estação instalou-se. Parece ter vindo para ficar, com as beladonas, as cores quentes e a doçura que a caracterizam. Nós recolhemo-nos. Os serões pedem manta e o regresso às séries. Depois destes dias cheios, apreciamos os dias a três, no nosso casulo. Volta a haver tempo para a cozinha. Pela casa, há chocolates lituanos, vodka polaca, rebuçados alemães, vinho francês. Os pratos recebem ingredientes que vieram de longe, por mãos amigas que sabem do meu gosto pela cozinha. É o caso deste salmão. Deixo a versão original, com Marsala, oferecido pelas minhas saudosas  amigas Claudia e Tiziana. Entretanto, como sei que nem sempre é fácil conseguir este vinho siciliano, experimentei a receita com vinho do Porto. Muito saborosa, também. 

Salmão com Cogumelos e Marsala (ou Vinho do Porto)



Ingredientes para três:
6 tranches de salmão
sal e pimenta a gosto
2 chávenas de farinha de trigo
1/2 chávena de azeite
1 chávena de vinho Marsala (ou vinho do Porto)
2 chávenas de cogumelos fatiados
2 chávenas de caldo de galinha (uso knorr natura)
2 colheres de sopa de manteiga, à temperatura ambiente (não usei)
2 colheres de chá de tomilho picado + 3 hastes, para decorar


Preparação:
Temperar o salmão com sal e pimenta.
Temperar a farinha do mesmo modo e passar o peixe pela mistura, sacudindo o excesso.
Levar o azeite ao lume, numa frigideira larga, e fritar o salmão durante 2 ou 3 minutos de cada lado (não deverá ficar totalmente cozido, pois ainda voltará ao lume). Colocá-lo num prato, enquanto se prepara o molho.
Juntar o vinho e os cogumelos à frigideira (sem a lavar) e levá-la ao lume. Temperar com sal e pimenta e deixar saltear 1 ou 2 minutos. Acrescentar o caldo de galinha e o tomilho picado, baixar o lume e deixar o líquido reduzir para metade (o álcool evaporará, por isso, o prato poderá ser servido às crianças). 
Juntar o peixe ao molho e deixar cozinhar mais 2 ou 3 minutos.
Retirar o salmão para os pratos, cobri-lo com o molho de cogumelos e guarnecer com tomilho (na receita original, o molho volta ao lume, com a manteiga, até esta se fundir, mas eu omiti este passo e não creio que faça falta).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Meu querido mês de agosto

Agosto foi um mês pleno. Com muito mar e muito sol. Este ano, usufruí da minha ilha como nunca. Saímos de casa sem destino, com farnel. E passámos dias inteiros por fora, de poça em poça. Este ano, saí da areia e fui para o calhau. Entrei em águas cristalinas e deixei-me ficar. E agradeci o privilégio de viver num lugar como este. Tanta diversidade numa ilha tão pequena. Sairmos do mar e almoçarmos no campo, entre árvores refrescantes. Atravessarmos a ilha e estarmos novamente na água.  Este ano, chegámos a encerrar a praia. Só nós, a jantar num lugar lindo. Não foi preciso muito, depois de um dia de mar. A imagem das crianças a comer com vontade sandes de atum, enquanto um barco passava em direção à Graciosa, foi daqueles momentos que apeteceu congelar. 

Uma das leituras deste verão foi o novo livro do Mário Cabral. Desta vez, um romance com a ilha do Pico como cenário. Um livro que saiu de forma silenciosa, sem alarido, mas que merece muito ser lido.

Este agosto fiz 40 anos. Foi um dia bonito, vivido com muita tranquilidade. Nada como quando fiz 30. O dia dos meus 40 não foi assombrado por pensamentos obscuros relacionados com a passagem do Tempo. Só pensei no que tenho de bom e em como estou grata por tudo o que a vida me deu. Fica a foto do bolo lindo com que a minha amiga Lídia me presenteou. O bolo dos meus 40 ficar-me-á para sempre na memória.

Hoje, voltei à escola. Revi colegas, conheci outros, delineámos projetos. É bom quando se gosta de regressar ao trabalho. Afinal, convivemos com ele 11 meses.  No fim de um dia de muito calor, ainda deu tempo de ir à Salga, para duas horas de mar. Assim, a transição não custa. 

Amanhã, esperamos mais um furacão. Desta vez, chama-se Gaston. Já ninguém os leva muito a sério - de vez em quando lembro-me da história do Pedro e o Lobo. Ainda assim, não me parece que haja mar. Haverá casa e filmes. E compotas, que está na altura delas. E os três últimos volumes da tetralogia da Elena Ferrante finalmente chegaram. Tenho entretenimento para os próximos tempos.

Agora, fotos do meu/ nosso agosto. No próximo post, haverá receita. Prometo!















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